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Tecnologia em petróleo e gás

  • Data de publicação
Publicado: 25/09/2008

Profissional pode atuar na extração, refino e distribuição dos recursos. Duração do curso é menor e voltada para a aplicação imediata.

Com os anúncios das reservas de petróleo e gás na camada pré-sal, localizada em águas profundas (entre 5 mil m e 7 mil m abaixo do nível do mar), há boas perspectivas de abertura de postos de trabalho na cadeia produtiva desses dois recursos. O tecnólogo em petróleo e gás é um dos profissionais que pode se beneficiar diretamente.

A perspectiva não podia ser melhor para o tecnólogo. A tendência é de crescimento bastante grande e imediato”, afirma o professor do curso de tecnologia em petróleo e gás do Centro Federal de Educação Tecnológica de Campos (Cefet-Campos), Gladstone Peixoto Moraes. No Cefet-Campos, o curso é oferecido na unidade de Macaé, no Rio de Janeiro.

As possibilidades de trabalho na cadeia produtiva são muitas e dependem da formação do profissional. O tecnólogo pode trabalhar na exploração, na transformação e até no aproveitamento do petróleo e do gás natural. Assim, os postos de trabalho vão desde as empresas de engenharia que perfuram os poços até refinarias e petroquímicas.

“Alguns dos cargos que o tecnólogo pode exercer são analista de controle de qualidade, de logística, de processos industriais, de risco ambiental, operador de distribuição. No mercado esses profissionais já estão sendo absorvidos”, afirma a coordenadora do curso de tecnologia em petróleo e gás da Universidade Católica de Santos (Unisantos), Adriana Florentino de Souza Leoni. A graduação é ministrada na cidade de Santos no estado de São Paulo.

Engenharia ou tecnologia

“O curso de tecnólogo pretende atender a demanda por mão-de-obra especializada de maneira mais ágil”, afirma Moraes. “O curso de tecnólogo é focado na atividade. Ele estuda o que é necessário para a aplicação.”

De acordo com o professor, a diferença entre o curso de tecnologia e o de engenharia é a extensão do conteúdo estudado. “O engenheiro estuda três ou quatro cálculos, de maneira mais horizontalizada. O engenheiro também aprende diversos aspectos da física. Já o tecnólogo aprende o que vai exercer”, diz.

A formação

Ao todo, segundo dados do Ministério da Educação (MEC), existem 56 cursos de tecnologia de petróleo e gás no Brasil – a maior parte localizada no estado do Rio de Janeiro. De acordo com as regras do curso, a formação acontece em três anos, com duração mínima de 2.400h.

Cada instituição oferece um foco, de acordo com as necessidades do mercado local. O Cefet-Campos, por exemplo, é voltado para a atividade de exploração dos recursos. Já a formação da Unisantos é generalista – pois a região já tem um pólo petroquímico e terá também desenvolvimento de exploração do recurso.

Também varia a exigência de estágio e de trabalho de conclusão de curso. O que é comum é a necessidade de visitas técnicas a empresas durante a formação.

O curso

Para atender à demanda, instuições públicas e privadas estão abrindo cursos técnicos e de graduação voltados especificamente para a área de petróleo e gás.

Atualmente, há 87 cursos de graduação em petróleo reconhecidos pelo Ministério da Educação no país. No entanto, há outros cursos que ainda não obtiveram reconhecimento, mas estão em funcionamento.

Do total de 87 cursos reconhecidos, 56 são os chamados cursos superiores de tecnologia, que formam os tecnólogos, que têm diploma de curso superior, mas não têm título de bacharel.

O curso tem duração menor (média de dois anos) que a do bacharelado (quatro a cinco anos) e é direcionado para o mercado de trabalho. Mas os tecnólogos não são aceitos em concursos públicos da Petrobras e têm de buscar trabalho em empresas terceirizadas.

Cada curso de tecnologia em petróleo e gás prioriza áreas específicas, como técnica operacional, refino, processamento do petróleo, mineração, gestão em negócios, serviços em poços de petróleo, produção industrial, entre outras.

Os outros 31 cursos de graduação são nas áreas de engenharia e química.

Cursos técnicos

Já os cursos técnicos específicos na área de petróleo ainda são poucos no país. De acordo com Gladstone Peixoto Moraes, professor de tecnologia em petróleo e gás do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) de Macaé (RJ), há outros cursos técnicos que atendem à demanda da área, mas não têm petróleo no nome.

Entre esses cursos, o professor cita os de eletromecânica, eletrônica e até técnico em hotelaria, que dá suporte a unidades de embarque e desembarque em plataformas de petróleo.

“Não precisa necessariamente ser técnico em petróleo. Quem fizer técnico em mecânica ou eletromecânica vai ter empregabilidade. Até mais que o técnico de petróleo em si. Os editais da Petrobras costumam ter muitas vagas para técnico em elétrica e eletrônica”, diz.

Segundo ele, o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) está montando o curso de técnico em petróleo e gás. A primeira prova de seleção será neste ano.

O curso capacita o profissional a operar, controlar e fazer manutenção de máquinas e equipamentos, fazer análises de rochas, fluidos e materiais para a indústria do petróleo e gás natural. Os técnicos podem trabalhar em empresas do setor petrolífero, operadoras de campos de petróleo e prestadoras de serviços na área.

Bacias

Dos 87 cursos de graduação em petróleo e gás no país, 54 estão no estado do Rio de Janeiro, cujo litoral abriga a Bacia de Campos, que tem cerca de 100 mil quilômetros quadrados e se estende do Espírito Santo, nas imediações da cidade de Vitória, até Arraial do Cabo, no litoral norte do Rio de Janeiro.

Atualmente a bacia é responsável por aproximadamente 80% da produção nacional de petróleo, com 55 campos de exploração.

Já os estados de Espírito Santo e São Paulo ocupam a segunda posição no número de cursos de graduação – nove cada um.

Mas o número de cursos, principalmente nos estados de São Paulo e Espírito Santo, pode ser pequeno em vista das descobertas de jazidas de pré-sal nas Bacias do Espírito Santo, de Campos e de Santos – esta última se estende de Cabo Frio (RJ) até Florianópolis (SC).

Vagas

De acordo com levantamento do Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), implantado pelo governo federal em 2003 para capacitar mão-de-obra para implementação de empreendimentos no setor de petróleo e gás, a estimativa era de que seria necessário capacitar 112 mil pessoas para o setor entre 2008 e 2012.

Mas, com o aumento de investimentos da Petrobras, a previsão é que serão necessárias 260 mil pessoas no mercado de petróleo – nesse número são levadas em conta as cinco refinarias que serão construídas até 2014 e as 28 plataformas até 2017. Isso sem contar os equipamentos que serão construídos para operar nas jazidas de pré-sal.

Em outubro, a Petrobras anuncia o plano estratégico para o período 2009-2020. Só depois disso será possível saber quantas pessoas o mercado de petróleo irá absorver contando com a descoberta do pré-sal.

De acordo com Arlindo Charbel, consultor da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip), a cada emprego direto aberto no setor de petróleo, que vai da extração do óleo ao refino e à venda dos derivados, são gerados outros 3,7 postos indiretos.

Prominp

Charbel, que também é professor de tecnologia em petróleo e gás, cita como formas de preencher as vagas no mercado o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp) e convênios de empresas com universidades. Além disso, o site da Onip (www.onip.org.br) também traz as empresas do setor conveniadas e recebe cadastro de currículos.

No caso do Prominp, que tem a coordenação do Ministério de Minas e Energia, os interessados entram no programa por meio de seleção pública e recebem ajuda de custo para fazer os cursos de qualificação profissional, que contemplam todos os níveis de escolaridade.

O aluno matriculado tem seu currículo disponibilizado no Banco de Currículos no Portal de Qualificação do Prominp (www.prominp.com.br), que é acessado por empresas do setor de petróleo e gás natural, cadastradas no portal.

Tecnólogos

Segundo o consultor, os tecnólogos são absorvidos por empresas prestadoras de serviços da área de petróleo.

“Esses profissionais são contratados para tarefas de supervisão de obras, por exemplo.” Ele explica que os tecnólogos atuam como gestores especializados em uma área. “Os engenheiros, por exemplo, trabalham com os detalhes, os tecnólogos enxergam todas as partes e fazem uma inter-relação entre elas. Um complementa o outro”, diz.

Áreas de atuação

De acordo com o especialista, os profissionais que trabalham na área de petróleo são contratados basicamente para as áreas de exploração (descoberta e perfuração dos poços), refinaria (transformação do petróleo em derivados), distribuição e logística (transporte do óleo até a refinaria e, depois de transformado, para o consumidor).

Ele diz que muitas vagas serão abertas com a construção das cinco refinarias previstas pela Petrobras – Itaboraí (RJ), Porto de Suape (PE), Guamaré (RN), uma no Ceará e outras duas no Maranhão.

De acordo com Charbel, a construção de uma refinaria envolve cerca de 40 mil pessoas. E cerca de mil pessoas trabalham na operação. Já na obra de uma plataforma são envolvidas cerca de 5 mil pessoas.

Fonte: G1


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