O Cinema no Brasil

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Em quase 100 anos de existncia, o cinema brasileiro produz cerca de 2 mil filmes e conquista mais de 50 prmios internacionais, mas encontra dificuldades em se estabelecer como indstria. Com a chanchada, nos anos 30, comea a se formar um mercado consumidor. Na produo, o investimento mais ousado a inaugurao, em 1949, dos estdios da Vera Cruz, que fracassa cinco anos depois. A partir dos anos 50 e 60 o cinema novo introduz temticas e linguagens nacionais. A criao da Embrafilme, organismo estatal que financia, co-produz e distribui filmes, em 1969, cria condies para que a produo nacional se multiplique, e o pas chega nos anos 80 ao auge do cinema comercial, produzindo at 100 filmes em um ano. No final da dcada o modelo estatal entra em crise, que tem seu pice com a extino da Embrafilme, em 1990. Alguns sinais de vitalidade so notados, a partir de 1993, na forma de uma produo limitada, mas de boa qualidade.

ORIGEM

Em 8/7/1896, apenas sete meses depois da histrica exibio dos filmes dos irmos Lumire em Paris, realiza-se, no Rio de Janeiro, a primeira sesso de cinema no pas. Um ano depois, Paschoal Segreto e Jos Roberto Cunha Salles inauguram, na rua do Ouvidor, uma sala permanente. Em 1898, Afonso Segreto roda o primeiro filme brasileiro: algumas cenas da baa de Guanabara. Seguem-se pequenos filmes sobre o cotidiano carioca e filmagens de pontos importantes da cidade, como o Largo do Machado e a Igreja da Candelria, no estilo dos documentrios franceses do incio do sculo.

PRIMEIROS FILMES

Durante dez anos o cinema brasileiro praticamente inexiste devido precariedade no fornecimento de energia eltrica. A partir de 1907, com a inaugurao da usina de Ribeiro das Lages, mais de uma dezena de salas de exibio so abertas no Rio de Janeiro e em So Paulo. A comercializao de filmes estrangeiros seguida por uma promissora produo nacional. Documentrios em curta-metragem abrem caminho para filmes de fico cada vez mais longos. Os estranguladores (1908), de Antnio Leal, baseado em fato policial verdico, com cerca de 40 minutos de projeo, considerado o primeiro filme de fico brasileiro, tendo sido exibido mais de 800 vezes. Esse filo exaustivamente explorado, e outros crimes da poca so reconstitudos em Noivado de sangue, Um drama na Tijuca e A mala sinistra.

FORMAO DOS GNEROS

Forma-se, entre 1908 e 1911, um centro carioca de produo de curtas que, alm da fico policial, desenvolve vrios gneros: melodramas tradicionais (A cabana do Pai Toms), dramas histricos (A repblica portuguesa), patriticos (A vida do baro do Rio Branco), religiosos (Os milagres de Nossa Senhora da Penha), carnavalescos (Pela vitria dos clubes) e comdias (Pega na chaleira, As aventuras de Z Caipora). A maior parte realizada por Antnio Leal e Jos Labanca, na Photo Cinematographia Brasileira. Essa produo variada sofre uma sensvel reduo nos anos seguintes, sob o impacto da concorrncia estrangeira. H um xodo dos profissionais da rea para atividades comercialmente mais viveis. Outros sobrevivem fazendo "cinema de cavao" (documentrios sob encomenda). Dentro desse quadro, h manifestaes isoladas: Luiz de Barros (Perdida), no Rio de Janeiro, Jos Medina (Exemplo regenerador), em So Paulo, e Francisco Santos (O crime dos banhados), em Pelotas (RS). A partir de 1915 produzido um grande nmero de fitas inspiradas na nossa literatura, em especial na romntica Inocncia, A Moreninha, O Guarani e Iracema. O italiano Vittorio Capellaro o cineasta que mais se dedica a essa temtica.

Filme cantado Paralelamente, Cristvo Guilherme Auler e Francisco Serrador realizam os chamados filmes cantados ou falados, em que os artistas se escondem atrs das telas e acompanham com a voz a movimentao das imagens. Algumas dessas fitas so apresentadas centenas de vezes, como A viva alegre, em trs verses realizadas por Antnio Leal, Cristvo Auler e Francisco Serrador. Dentro desse estilo, destaca-se Paz e amor (1910), produzido por Auler e filmado por Alberto Botelho, o primeiro no gnero de filme-revista, que focaliza figuras e acontecimentos poltico-sociais da poca.

CICLOS REGIONAIS

Em 1923 a produo que se limitava ao Rio de Janeiro e So Paulo estende-se a Campinas (SP), Pernambuco, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Na cidade mineira de Cataguases, o fotgrafo italiano Pedro Comello inicia experincias cinematogrficas com o jovem Humberto Mauro e, juntos, produzem Os trs irmos (1925) e Na primavera da vida (1926). O movimento gacho, de menor expresso, destaca Amor que redime (1928), um melodrama urbano, moralista e sentimental, de Eduardo Abelim e Eugnio Kerrigan. Em Campinas, Amilar Alves ganha prestgio com o drama regional Joo da Mata (1923).

O ciclo pernambucano, com Edson Chagas e Gentil Roiz, o que mais produz. Os primeiros filmes, de 1925, Retribuio e Jurando vingar, so de aventuras, que contam at com personagens que lembram caubis. Os temas regionais aparecem com os jangadeiros de Aitar da praia, com os coronis de Reveses e Sangue de irmo, ou com o cangaceiro de Filho sem me.

Em So Paulo, Jos Medina, acompanhado do cinegrafista Gilberto Rossi, dirige o longa Fragmentos da vida, em 1929. No mesmo ano, lanado o primeiro filme nacional inteiramente sonorizado: Acabaram-se os otrios, de Luiz de Barros. No Rio de Janeiro, em 1930, Mrio Peixoto realiza o vanguardista Limite, influenciado pelo cinema europeu.

Humberto Mauro (1897-1983) considerado o primeiro grande cineasta revelado pelo cinema brasileiro. Nasce em Volta Grande (MG), mudando-se ainda na infncia para Cataguases, onde atua no teatro amador. Cursa o primeiro ano de engenharia em Belo Horizonte, enquanto trabalha no Minas Gerais, o dirio oficial do Estado. Na dcada de 20, conhece o fotgrafo Pedro Comello, com quem faz os primeiros filmes. Na primavera da vida, Tesouro perdido (1927), Brasa dormida (1928) e Sangue mineiro (1929) formam a fase de Cataguases. Em 1930 vai para o Rio e produz filmes pela Cindia. Em 1933, realiza Ganga bruta, sua maior obra-prima. Em 1937, produz documentrios para o Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE). Seu ltimo filme, Carro de boi (1974), trata de temas da infncia e juventude.

HOLLYWOOD BRASILEIRA

A partir de 1930, a infra-estrutura para a produo de filmes se sofistica com a instalao do primeiro estdio cinematogrfico no pas, o da companhia Cindia, no Rio de Janeiro. Em 1941 criada a Atlntida, que centraliza a produo de chanchadas cariocas. A reao paulista acontece mais tarde com o ambicioso estdio da Vera Cruz, em So Bernardo do Campo.

CINÉDIA

Adhemar Gonzaga idealiza a Cindia, que se dedica a produzir dramas populares e comdias musicais, que ficam conhecidas pela denominao genrica de chanchadas. Humberto Mauro assina o primeiro filme da companhia, Lbios sem beijos. Em 1933, dirige, com Adhemar Gonzaga, A voz do carnaval, com a cantora Carmen Miranda. A Cindia, com a comdia musical como Al, al, Brasil, al, al, Carnaval e Onde ests, felicidade? , lana atores como Oscarito e Grande Otelo.

ATLNTIDA

Fundada em 1941 por Moacir Fenelon, Alinor Azevedo e Jos Carlos Burle, estria com Moleque Tio, filme que j d o tom das primeiras produes: a procura de temas brasileiros. Logo, porm, predomina a chanchada, com baixo custo e com grande apelo popular, como Nem Sanso nem Dalila, de Carlos Manga, e Aviso aos navegantes, de Watson Macedo, com Anselmo Duarte no elenco. Esse gnero domina o mercado at meados de 1950, promovendo comediantes como Oscarito, Z Trindade, Grande Otelo e Dercy Gonalves.

Anselmo Duarte (1920- ), nascido em Salto (SP), muda-se para o Rio de Janeiro nos anos 40. Trabalha como ator em diversas produes Pinguinho de gente, pela Cindia, Terra violenta, na Atlntida, Sinh Moa, pela Vera Cruz e conquista o ttulo de maior gal do cinema nacional. Comea a trabalhar como argumentista e assistente de direo com Watson Macedo, que considera seu mestre. Dirige curtas e estria na direo, em 1957, com Absolutamente certo. Em 1962 dirige O pagador de promessas, filme premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes. Prossegue na direo com Vereda da salvao (1964), O descarte (1973) e Os trombadinhas (1978), entre outros.

VERA CRUZ

Empreendimento grandioso, a Companhia Vera Cruz surge em So Paulo, em 1949. Renegando a chanchada, contrata tcnicos estrangeiros e ambiciona produes mais aprimoradas, como: Floradas na serra, do italiano Luciano Salce, Tico-tico no fub, de Adolfo Celli, e O canto do mar, de Alberto Cavalcanti, que volta da Europa para dirigir a Vera Cruz. O cangaceiro (1953), de Lima Barreto, faz sucesso internacional, iniciando o ciclo de filmes sobre cangao. Amcio Mazzaropi um dos grandes salrios da companhia, vivendo o personagem caipira mais bem-sucedido do cinema nacional. A ausncia de um esquema vivel de distribuio apontada como a principal causa do fracasso da Vera Cruz.

Amcio Mazzaropi (1912-1981) nasce em So Paulo. De famlia pobre, aos 14 anos foge de casa para ser ajudante de faquir, em uma trupe ambulante. Adquire sucesso fazendo nmeros cmicos. Trabalha na Rdio Tupi, onde faz um programa em que conversa com os caipiras de So Paulo. Em 1952, contratado pela Vera Cruz e realiza Sai da frente (1952), Nadando em dinheiro (1953) e Candinho (1954). O fim da companhia no interrompe sua carreira. Filma a seguir A carrocinha (1955), O gato da madame (1956) e consagra-se com o caipira de Jeca Tatu (1959). Na dcada de 70, continua produzindo: Um caipira em Bariloche (1971) e A banda das velhas virgens (1979).

IDENTIDADE NACIONAL

Em meados da dcada de 50, comea a surgir uma esttica nacional. Nesta poca so produzidos Agulha no palheiro (1953), de Alex Viany, Rio 40 graus (1955), de Nelson Pereira dos Santos, e O grande momento (1958), de Roberto Santos, inspirados no neo-realismo italiano. A temtica e os personagens comeam a expressar uma identidade nacional e lanam a semente do Cinema Novo. Paralelamente, destaca-se o cinema de Anselmo Duarte, premiado em Cannes, em 1962, com O pagador de promessas, e dos diretores Walther Hugo Khouri, Roberto Farias (Assalto ao trem pagador) e Lus Srgio Person (So Paulo S.A.).

Nelson Pereira dos Santos (1928- ), nasce em So Paulo e, no final da dcada de 40, freqenta cineclubes e j faz curtas de 16 mm. Em 1953 muda-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha como jornalista a partir de 1957. Faz tambm assistncia de direo, montagem, produo e trabalha tambm como ator. Na direo, seu filme de estria, Rio 40 graus (1954), marca uma nova fase no cinema brasileiro, de busca da identidade nacional, seguido por Rio Zona Norte (1957), Vidas secas (1963), Amuleto de Ogum (1974), Memrias do crcere  (1983), Jubiab (1985) e A terceira margem do rio (1994). No centenrio do cinema, em 1995, convidado pelo British Film Institute para dirigir um filme comemorativo, ao lado de diretores como Martin Scorsese e Bernardo Bertolucci.

Roberto Santos (1928-1987), nasce em So Paulo e, em 1950, cursa o Seminrio de Cinema. Trabalha nos estdios da Multifilmes e Vera Cruz, como continuista e assistente de direo. A partir de 1966 leciona cinema e roteiro na Escola Superior de So Lus e na ECA-USP. Posteriormente, realiza alguns documentrios, Retrospectivas e Judas na passarela, na dcada de 70. O grande momento, de 1958, seu filme de estria, aproxima-se do neo-realismo e reflete os problemas sociais brasileiros. Seguem, entre outros, A hora e a vez de Augusto Matraga (1965), Um anjo mau (1971) e Quincas Borbas (1986).

Walter Hugo Khouri (1929- ), paulista, produz e dirige teleteatros para a TV Record, na dcada de 50. Trabalha como crtico de cinema e jornalista. Nos estdios da Vera Cruz, comea fazendo preparao de produo e, em 1964, passa frente da companhia. Influenciado por Bergman, sua produo enfoca os problemas existenciais, com trilha sonora refinada, dilogos inteligentes e mulheres sensuais. Autor completo de seus filmes, faz roteiro, direo, orienta a montagem e a fotografia. Depois de O gigante de pedra (1952), seu primeiro filme, seguem-se Noite vazia (1964), O anjo da noite (1974), Amor estranho amor (1982), Eu (1986) e Forever (1988), entre outros.

CINEMA NOVO

"Uma cmera na mo e uma idia na cabea" o lema de cineastas que, nos anos 60, se propem a realizar filmes de autor, baratos, com preocupaes sociais e enraizados na cultura brasileira. Vidas secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, o precursor. Deus e o diabo na terra do sol, de Glauber Rocha, e Os fuzis, de Rui Guerra, tambm pertencem primeira fase, concentrada na temtica rural, que aborda problemas bsicos da sociedade brasileira, como a misria dos camponeses nordestinos. Aps o golpe de 64, a abordagem centraliza-se na classe mdia urbana, como em A falecida, de Leon Hirszman, O desafio, de Paulo Csar Sarraceni, e A grande cidade, de Carlos Diegues, que imprimem nova dimenso ao cinema nacional.

Com Terra em transe (1967), de Glauber Rocha, o Cinema Novo evolui para formas alegricas, como meio de contornar a censura do Regime Militar. Dessa fase, destacam-se Macunama, de Joaquim Pedro de Andrade, Brasil ano 2000, de Walter Lima Jr., O bravo guerreiro, de Gustavo Dahl, e Pindorama, de Arnaldo Jabor.

Glauber Rocha (1939-1981) o grande nome do cinema brasileiro. Nasce em Vitria da Conquista, Bahia, e inicia a carreira em Salvador, como crtico de cinema e documentarista, realizando O ptio (1959) e Uma cruz na praa (1960). Com Barravento (1961), premiado no Festival de Karlovy Vary, na Tchecoslovquia. Deus e o diabo na terra do sol (1964), Terra em transe (1967) e O drago da maldade contra o santo guerreiro (1969) ganham prmios no exterior e projetam o Cinema Novo. Nesses filmes predomina uma linguagem nacional e de carter popular, que se distingue daquela do cinema comercial americano, presente em seus ltimos filmes, como Cabeas cortadas (1970), filmado na Espanha, e A idade da terra (1980).

Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988) nasce no Rio de Janeiro e cursa a UFRJ. Recebe influncias do professor do cinema mudo e fundador do primeiro cineclube brasileiro, Plnio Sussekind Rocha. Na primeira experincia profissional, trabalha como assistente de direo. No final da dcada de 50, dirige seus primeiros curtas Poeta do castelo e O mestre de Apipucos com os quais consegue uma bolsa para estudar cinema na Frana e em Londres. De volta ao Brasil, participa do Cinema Novo e dirige importantes obras, como Cinco vezes favela 4 episdio: Couro de gato (1961), Garrincha, alegria do povo (1963), O padre e a moa (1965), Macunama (1969) e Os inconfidentes (1971).

CINEMA MARGINAL

No final da dcada de 60, jovens diretores ligados de incio ao Cinema Novo vo, aos poucos, rompendo com a antiga tendncia, em busca de novos padres estticos. O bandido da luz vermelha, de Rogrio Sganzerla, e Matou a famlia e foi ao cinema, de Jlio Bressane, so os filmes-chave dessa corrente underground alinhada com o movimento mundial de contracultura e com a exploso do tropicalismo na MPB.

Dois autores tm, em So Paulo, suas obras consideradas como inspiradoras do cinema marginal: Ozualdo Candeias (A margem) e o diretor, ator e roteirista Jos Mojica Marins (No auge do desespero, meia-noite levarei sua alma), mais conhecido como Z do Caixo.

TENDNCIAS CONTEMPORNEAS

Em 1966 o Instituto Nacional de Cinema (INC) substitui o INCE, e a Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme) criada em 1969 para financiar, co-produzir e distribuir os filmes brasileiros. H ento uma produo diversificada que atinge o auge em meados dos anos 80 e, gradativamente, comea a declinar. Alguns sinais de recuperao so notados em 1993.

DCADA DE 70

Remanescentes do Cinema Novo ou cineastas estreantes, em busca de um estilo de maior comunicao popular, produzem obras significativas: So Bernardo, de Leon Hirszman; Lio de amor, de Eduardo Escorel; Dona Flor e seus dois maridos, de Bruno Barreto; Pixote, de Hector Babenco; Tudo bem e Toda a nudez ser castigada, de Arnaldo Jabor; Como era gostoso o meu francs, de Nelson Pereira dos Santos; A dama do lotao, de Neville d'Almeida; Os inconfidentes, de Joaquim Pedro de Andrade, e Bye, bye, Brasil, de Cac Diegues, que reflete as transformaes e contradies da realidade nacional.

Pedro Rovai (Ainda agarro essa vizinha) e Lus Srgio Person (Cassy Jones, o magnfico sedutor) renovam a comdia de costumes numa linha seguida por Denoy de Oliveira (Amante muito louca) e Hugo Carvana (Vai trabalhar, vagabundo).

Arnaldo Jabor (1940- ), carioca, comea escrevendo crticas de teatro. Em 1962 edita a revista Movimento e freqenta o cineclube da PUC-RJ. Dois anos depois faz o curso de cinema Itamaraty-Unesco. Participa do movimento do Cinema Novo. Faz curtas O circo e Os saltimbancos e estria no longa-metragem com o documentrio Opinio pblica (1967). Realiza, em seguida, Pindorama (1970). Adapta dois textos de Nelson Rodrigues: Toda nudez ser castigada (1973) e O casamento (1975). Prossegue com Tudo bem (1978), Eu te amo (1980) e Eu sei que vou te amar (1984).

Carlos Diegues (1940- ), alagoano, muda-se ainda na infncia para o Rio de Janeiro. Cac Diegues dirige filmes experimentais aos 17 anos. Faz crticas de cinema e desenvolve atividades como jornalista e poeta. Nos anos 60, passa 40 dias na cinemateca de Paris, assistindo a vrios clssicos. Posteriormente, dirige curtas e trabalha como argumentista e roteirista. Um dos fundadores do Cinema Novo, realiza Ganga Zumba (1963), Quando o carnaval chegar (1972), Joana Francesa (1973), Xica da Silva (1975), Bye, bye Brasil (1979) e Quilombo (1983), entre outros.

Hector Eduardo Babenco (1946- ), produtor, diretor e roteirista, nasce em Buenos Aires. Naturalizado brasileiro, passa a viver em So Paulo, a partir de 1969. Inicia no cinema como figurante no filme Caradura, de Dino Risi, filmado na Argentina, em 1963. Na Europa, trabalha como assistente de direo. Em 1972, j no Brasil, funda a HB Filmes e dirige curtas como Carnaval da vitria e Museu de Arte de So Paulo. No ano seguinte, faz o documentrio O fabuloso Fittipaldi. Seu primeiro longa-metragem, O rei da noite (1975), retrata a trajetria de um bomio paulistano. Seguem Lcio Flvio, o passageiro da agonia (1977), Pixote, a lei do mais fraco (1980), O beijo da mulher aranha (1985) e Brincando nos campos do senhor (1990). Pornochanchada No esforo para reconquistar o pblico perdido, a "Boca do Lixo" paulista produz "pornochanchadas". Influncia de filmes italianos em episdios, retomada de ttulos chamativos e erticos, e reinsero da tradio carioca na comdia popular urbana, marcam uma produo que, com poucos recursos, consegue uma boa aproximao com o pblico, como Memrias de um gigol, Lua-de-mel e amendoim e A viva virgem. No incio dos anos 80, evoluem para filmes de sexo explcito, de vida efmera.

DCADA DE 80

A abertura poltica favorece a discusso de temas antes proibidos, como em Eles no usam black-tie, de Leon Hirszman, e Pra frente, Brasil, de Roberto Farias, que o primeiro a discutir a questo da tortura. Jango e Os anos JK, de Silvio Tendler, relatam a Histria recente e Rdio auriverde, de Silvio Back, d uma viso polmica da atuao da FEB na 2 Guerra. Arnaldo Jabor faz Eu te amo e Eu sei que vou te amar. Surgem novos diretores Lael Rodrigues (Bete Balano), Andr Klotzel (Marvada carne) e Susana Amaral (A hora da estrela). No final da dcada, a retrao do pblico interno e a atribuio de prmios estrangeiros a filmes brasileiros fazem surgir uma produo voltada para a exibio no exterior: O beijo da mulher aranha, de Hector Babenco, e Memrias do crcere, de Nelson Pereira dos Santos. As funes da Embrafilme, j sem verbas, comeam a esvaziar-se, em 1988, com a criao da Fundao do Cinema Brasileiro.

DCADA DE 90

A extino da Lei Sarney e da Embrafilme e o fim da reserva de mercado para o filme brasileiro fazem a produo cair quase a zero. A tentativa de privatizao da produo esbarra na inexistncia de pblico num quadro onde forte a concorrncia do filme estrangeiro, da tev e do vdeo. Uma das sadas a internacionalizao, como em A grande arte, de Walter Salles Jr., co-produzida com os EUA. O 25 Festival de Braslia (1992) adiado por falta de filmes concorrentes. No de Gramado, internacionalizado para poder sobreviver, s se inscrevem, em 1993, dois filmes brasileiros: Capitalismo selvagem, de Andr Klotzel, e Forever, de Walter Hugo Khouri, rodado com financiamento italiano.

A partir de 1993 h uma retomada da produo, atravs do Programa Banespa de Incentivo Indstria Cinematogrfica e do Prmio Resgate Cinema Brasileiro, institudo pelo Ministrio da Cultura. Diretores recebem financiamentos para a produo, finalizao e comercializao dos filmes. Aos poucos, as produes vo aparecendo, como A terceira margem do rio, de Nelson Pereira dos Santos, Alma corsria, de Carlos Reichenbach, Lamarca, de Srgio Rezende, Vagas para moas de fino trato, de Paulo Thiago, No quero falar sobre isso agora, de Mauro Farias, Barrela escola de crimes, de Marco Antnio Cury, O Beijo 2348/72, de Walter Rogrio, e A Causa Secreta, de Srgio Bianchi. A parceria entre televiso e cinema se realiza em Veja esta cano, dirigida por Carlos Diegues e produzida pela TV Cultura e pelo Banco Nacional.

Em 1994, novas produes, em preparao ou mesmo finalizadas, apontam: Era uma vez, de Arturo Uranga, Perfume de gardnia, de Guilherme de Almeida Prado, O corpo, de Jos Antonio Garcia, Mil e uma, de Susana Moraes, Sbado, de Ugo Giorgetti, As feras, de Walter Hugo Khouri, Foolish heart, de Hector Babenco, Um grito de amor, de Tizuka Yamasaki, e O cangaceiro, de Carlos Coimbra, um remake do filme de Lima Barreto.

Fonte: Almanaque Abril

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