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A Asa Esquerda do Anjo, de Lia Luft


A escritora Lia Luft escreveu o romance A Asa Esquerda do Anjo nos anos 70, baseada no cotidiano dos descendentes de alemães de Santa Cruz do Sul.

Segundo romance, Lya Luft, mostra que a vida patética da personagem Gisela se desenvolve entre frustrações que se acumulam a ponto de a encaminharem para a autodestruição. O orgulho, a hipocrisia, o ressentimento são componentes fatais do universo familiar e social em que dia a dia se constrói o sofrimento de Gisela. Sem reticências e com destemor, Lya Luft desce às dobras mais recônditas da opressão, ou seja, do aniquilamento do ser humano. E é a própria condição humana que passa a ser objeto de relfexão, uma reflexão que traz à tona, de forma vigorosa e implacável, as fraquezas e os anseios, os desalentos e os impulsos mais obscuros, presentes inapelavelmente na vida de todas as pessoas.

Sem reticências e com destemor, Lya Luft desce às dobras mais recônditas da opressão, ou seja, do aniquilamento do ser humano. E é a própria condição humana que passa a ser objeto de reflexão, uma reflexão que traz à tona, de forma vigorosa e implacável, as fraquezas e os anseios, os desalentos e os impulsos mais obscuros, presentes inapelavelmente na vida de todas as pessoas.

A personagem Gisela é criada em uma rígida família alemã, e sofre por se sentir exilada em um mundo comandado por sua avó, a temida e autoritária matriarca Frau Wolf. Dividida entre a obrigação de seguir as duras normas da educação alemã e a vontade de ser como as outras crianças, admirando a mãe, uma “intrusa” que tenta se integrar na família “germânica”, a menina cresce ambivalente, censurada pelo olhar crítico da avó e sentindo-se à sombra da prima, a preferida e perfeita Anemarie. Gisela sofre por ser a imagem da exclusão e pelo autoritarismo da matriarca da família e depois de adulta refaz sua trajetória em busca de sua identidade.

Em A Asa Esquerda do Anjo, Gisela conta a história de sua família, seus segredos – escondidos metaforicamente em uma portinha no porão; as mortes dolorosas e o anjo que guarda o mausoléu dos Wolf, os anseios e a culpa que a impedem de viver uma relação amorosa; a busca incessante pela aprovação em um lugar onde elas jamais seria igual aos outros.

O romance aborda, principalmente, a luta contínua entre o princípio da vida e da morte, entre Eros e Tanatos. A criação das personagens esta ligada à sua visão de mundo, não aceita mais a perpetuação do poder masculino, embora aponte para a decadência do patriarcado. A contestação aos valores patriarcais se revela, em Lya Luft, de forma cortante, mostrando o drama da mulher, educada dentro de rígidos padrões moralistas. As protagonistas continuam presas à família, presas às regras do jogo social. A situação social da personagem tem importância à medida que representa condicionamentos impostos por práticas sociais.

As personagens femininas são flagradas num determinado momento de sua trajetória: o momento em que o mundo, carecendo de sentido, se esvazia sob a ótica feminina. Lya Luft constrói em suas obras um mundo decadente que se desagrega e se desmancha, compondo um universo feminino marcado pela loucura, pela doença e pela morte; o jogo e o grotesco, o trágico e o grotesco se articulam para desvelar as regras, desvendando os absurdos de uma sociedade repressora e injusta, em que a mulher é o "lado esquerdo", que fica sempre à margem da sociedade.

Na obra romanesca de Luft a narrativa é sempre feita por uma mulher que relata sua problemática, partindo de um universo fragmentado, procurando sua verdadeira identidade.

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