A Cinza das Horas, de Manuel Bandeira

  • Data de publicação

Primeiro livro de Manuel Bandeira, A Cinza das Horas, marcado pelo tom fnebre, e traz poemas parnasiano-simbolistas. So poesias compostas durante o perodo de sua doena. Do ano em que o poeta adoece at 1917, quando publica A Cinza das Horas, que se daria a etapa decisiva e a inusitada gestao de um dos maiores escritores da lngua portuguesa.

Segundo ele prprio, Manuel Bandeira, quando publica esse livro no tinha a inteno de comear carreira literria: "desejava apenas dar-me a iluso de no viver inteiramente ocioso".O eu-lrico vivencia o ato de morrer medida que (des)escreve sua agonia em seus versos que so seu sangue.

Poemas escolhidos

EPGRAFE

Sou bem-nascido. Menino,
Fui, como os demais, feliz.
Depois, veio o mau destino
E fez de mim o que quis.

Veio o mau gnio da vida,
Rompeu em meu corao,
Levou tudo de vencida,
Rugia e como um furaco,

Turbou, partiu, abateu,
Queimou sem razo nem d -
Ah, que dor!
Magoado e s,
- S! - meu corao ardeu:

Ardeu em gritos dementes
Na sua paixo sombria...
E dessas horas ardentes
Ficou esta cinza fria.
- Esta pouca cinza fria.

1917.

DESENCANTO

Eu fao versos como quem chora
De desalento. . . de desencanto. . .
Fecha o meu livro, se por agora
No tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso sangue. Volpia ardente. . .
Tristeza esparsa... remorso vo...
Di-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do corao.

E nestes versos de angstia rouca,
Assim dos lbios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.

- Eu fao versos como quem morre.

Terespolis, 1912.

CREPSCULO DE OUTONO

O crepsculo cai, manso como uma bno.
Dir-se- que o rio chora a priso de seu leito...
As grandes mos da sombra evanglicas pensam
As feridas que a vida abriu em cada peito.

O outono amarelece e despoja os larios.
Um corvo passa e grasna, e deixa esparso no ar
O terror augural de encantos e feitios.
As flores morrem.  Toda a relva entra a murchar.

Os pinheiros porm viam, e sero breve
Todo o verde que a vista espairecendo vejas,
Mais negros sobre a alvura innime da neve,
Altos e espirituais como flechas de igrejas.

Um sino plange. A sua voz ritma o murmrio
Do rio, e isso parece a voz da solido.
E essa voz enche o vale... o horizonte purpreo...
Consoladora como um divino perdo.

O sol fundiu a neve. A folhagem vermelha
Reponta. Apenas h, nos barrancos retortos,
Flocos, que a luz do poente exttica semelha
A um rebanho infeliz de cordeirinhos mortos.

A sombra casa os sons numa grave harmonia.
E tamanha esperana e uma to grande paz
Avultam do claro que cinge a serrania,
Como se houvesse aurora e o mar cantando atrs.

Clavadel, 1913

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