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A Curva da Estrada, de Ferreira de Castro


A Curva da Estrada é um livro muito rico psicologicamente, um dos melhores de toda a obra de Ferreira de Castro. O autor escreve sobre políticos que encarnavam as aspirações populares e cujo problema era permanecerem fiéis a essa opção de classe ou desviarem-se dela. Ferreira de Castro conheceu os homens da República e apresentou-nos um socialista em decomposição que, todavia, no final opta pela dignidade e pela continuação da luta. É um romance ainda hoje extremamente atual.

Enredo

A ação passa-se na Espanha dos anos 30 e Ferreira de Castro conheceu bem o país vizinho e viveu profundamente todos os problemas da República Espanhola e da Guerra Civil. Até nós, os de gerações posteriores, vivemos, na infância ou na adolescência, essa grande esperança que sacudiu a Península Ibérica quando o povo espanhol lutou contra o fascismo e, ao mesmo tempo, ia realizando uma revolução e dividindo os latifúndios em Aragão, na Catalunha.

Soriano, um revolucionário que teve um juventude muito combativa, que estava muito perto dos homens que o elegeram e tinha amigos de grande retidão. Era advogado e pouco a pouco foi sendo afetado, contaminado pela vida da burguesia: o conforto, o prestígio.Tem dois filhos: Henrique, que ele educou como socialista e que está perto dele, por vezes quase lhe exige que seja coerente, que seja fiel ao seu passado; e o outro, Paco, que, pelo contrário, se aproxima da gente "fina" e deseja ver o pai passar para o Partido Nacionalista. É um admirador do rei e de Primo de Rivera, o ideólogo do fascismo espanhol.

Soriano sofre a influência dessa pressão familiar e à volta dele a gente rica, os conservadores, multiplicam-se em movimentos de sedução, porque de fato ele é uma pessoa que traria à Direita o prestígio do seu passado impoluto e, ao mesmo tempo, é um deputado brilhante.O romance tem pouca ação. É fundamentalmente expressão da vida interior. E quando parece que Soriano vai passar-se para o outro lado, que vai escolher a riqueza, embora saiba que os melhores amigos o hão de julgar severamente, decide não trair e continua fiel aos seus ideais. Nas últimas páginas do livro o seu amigo Pepe Martinez felicita-o fraternalmente quase como herói. Traz-lhe a consolação de haver permanecido limpo.

O título A Curva da Estrada representa simbolicamente o momento em que Soriano está muito perto da abdicação. É, de fato, um romance com valor histórico, psicológico e artístico.

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