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A Revolta da Cachaça (Obra), de Antonio Callado


A Revolta da Cachaça, é uma brilhante metáfora da condição do negro no Brasil, e compõe, juntamente com O tesouro de Chica da Silva, Pedro Mico e Uma rede para Iemanjá, o Teatro Negro de Antonio Callado: rico, corajoso e solidário, um marco na história da dramaturgia brasileira.

Aparentemente leves, as quatro peças tematizam problemas profundos da sociedade brasileira, marcada pelo estigma da escravidão e do preconceito, da discriminação e da marginalização do negro, no passado e no presente. Para conviver com isso o negro deve apelar seja à malandragem, feito Chica, seja aos deuses afros, como ela e a mãe do filho de Iemanjá, seja à violência como Ambrósio e Pedro Mico.

A gravidade do tema contrasta com a leveza do estilo de modo a torná-la mais impressionante. O espectador ri mas ri culpado, principalmente se ele é branco e bem de vida. O custo do seu riso é um certo mal-estar que dura para além do espetáculo.

No caso de Pedro Mico, a problemática social do abismo econômico entre os habitantes da favela e os habitantes da zona sul, metonimicamente representada pela Lagoa que se vê do alto dos barracos vizinhos, cruza-se com a problemática racial e regional. Aparecida imagina o dia em que a favela vai descer e invadir a casa dos ricos da Lagoa. Pedro Mico sabe que, se o fizerem, vão acabar atraindo a polícia, que vai tirá-los à força de lá, mas avalia o quanto pode ser divertido e o quanto podem aproveitar das casas ricas nem que seja por pouco tempo.

A Revolta da Cachaça

Em A Revolta da Cachaça a referência histórica nos recorda o episódio que ficou conhecido com este nome, no Rio de Janeiro, de que resultou a morte de João de Angola e de Jerônimo Barbalho, decapitados no dia 6 de abril de 1661, na frente do Convento de Santo Antônio, por contrariar uma proibição da metrópole referente à produção de cachaça na colônia. Leia mais...

Pedro Mico

Pedro Mico é uma das mais importantes obras de Antonio Callado. Peça em um ato, cuja ação transcorre em uma favela do Rio de Janeiro nos anos 50. Leia mais...

Uma rede para Iemanjá

Uma rede para Iemanjá, peça em um ato, escrita em 1961, tem como protagonista Jacira, mulher jovem e loura, que, grávida e abandonada pelo marido, busca uma rede onde possa se deitar para parir.

Essa peça se passa no Rio de Janeiro, nos anos 50. Aí se mesclam mulheres brancas com trabalhadores da construção civil, negros e nordestinos, por sua vez mestiços de índio; um negro tem o apelido de Manuel Seringueiro; uma mulher branca leva o nome de Jacira, mas se diz filha de Iemanjá e a única coisa que almeja é ter o seu filho numa rede, porque assim quer a sua deusa.

Tudo gira em torno desse parto na rua, em uma rede, deixada aí pelo marido de Jacira, que a abandona, mas não sem antes atender esse seu desejo: uma rede para parir. No parto ela é ajudada por um velho, cujo filho, Juca, morreu afogado. Ela o encontrara na praia rezando para Iemanjá trazer seu filho de volta. O menino que nasce na rede é visto assim como uma espécie de reencarnação de Juca. Como isso se passa pouco antes do 31 de dezembro, dia em que se homenageia Iemanjá, a peça pode ser lida como uma versão afro-brasileira de um auto de natal.

O tesouro de Chica da Silva

O tesouro de Chica da Silva, em 2 atos, é uma peça de fundo histórico, escrita em 1958. Leia mais...

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