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As velhas, de Lourdes Ramalho


As Velhas, peça de Lourdes Ramalho, é um duelo manchado de rancor, amargura e paixão, que conserva no texto toda a pureza da comunicação dos sertanejos. A obra de Lourdes Ramalho, ao mesmo tempo em que preserva elementos culturais nordestinos com suas tramas cordelescas, falares entremeados de regionalismos, denúncia da Indústria da Seca, mostra também personagens delineados psicologicamente, como “Mariana” e “Vina”, apresentadas ao espectador no desenrolar da trama.

E no sertão o universo humano aparece, do amor ao ódio, do político-social ao familiar, os conflitos vão permitindo ao espectador indagar, se indignar, sorrir ou chorar, já que cada um pode ver como seu olhar lhe permite.

A autora mostra os humores alterados de duas matriarcas, a cigana Ludovina e a sertaneja Mariana. Com rixas do passado mal resolvidas, elas se vêem envolvidas em uma armadilha do destino: o filho de uma e a filha da outra se apaixonam. A situação caminha para o inevitável — as rusgas terão que ser passadas a limpo. O mascate Tomás é quem faz a ligação entre as histórias das duas famílias.

O texto de Lourdes Ramalho toca em questões sociais (problemas agrários) e se aprofunda na condição humana. O texto defende a família, defende princípios. Não se trata apenas da mulher nordestina.

Em As velhas, temos, como já citado, a denúncia da famigerada “indústria das secas”, no mesmo nível de narrativa.

É uma peça carregada de regionalismo, mas que não se limita ao universo nordestino.

A autora desconstrói o rancor das duas senhoras de uma maneira admirável. E inverte estereótipos: a cigana renunciou à natureza nômade em nome da família — e quem viaja para fugir da seca é a sertaneja. As mulheres são fortes, mas ao mesmo tempo sucumbem diante do amor incondicional pelos filhos.

Os textos da autora revelam uma poética satírica que se encaixa muito bem no humor produzido pela comédia da cultura popular, herança deixada pelos ibéricos no homem do Nordeste do Brasil.

Lourdes Ramalho cria um Teatro pleno do imaginário e fantasia, abordando a realidade de forma nua e crua, expondo e denunciando injustiças sociais, históricas ou políticas, transformando um homem simples, num herói grandioso, patético e quixotesco.

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