História da riqueza do homem, de Leo Huberman

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Esse livro considerado um clssico da histria moderna, abrange desde a Idade Mdia at o nascimento do nazi-fascismo. A histria europia em uma viso crtica, pautada no materialismo dialtico.

Com captulos curtos e uma linguagem dinmica, conseguimos captar e ler rapidamente o que o autor prope, tornando assim uma leitura prazerosa da economia.

Huberman escreveu este livro magistral, cujo objetivo explicar a Histria pelo estudo da teoria econmica e, ao mesmo tempo, explicar a Economia atravs do estudo da Histria. Huberman enlaa estas duas reas do conhecimento humano, conseguindo tornar mais inteligvel a aventura do Homem sobre a terra e patente o seu poder de transformar a vida. Essa a grande lio que permeia o livro, uma obra que, abordando temas profundamente to complexos, consegue manter um alto nvel de transparncia, de limpidez e clareza.

Leo Huberman, na Histria da Riqueza do Homem, observa que a formao da riqueza ao longo da histria ocorreu por diversas influncias scio-econmicas. Ele descreveu um dos primeiros grandes movimentos de formao da riqueza no Estado nacional: a concentrao econmica. Podemos recordar, com facilidade, do perodo colonial, quando todo ouro extrado do nosso pas (colnia na poca) era encaminhado metrpole, Portugal. So inmeros os exemplos de centralizao econmica, mas o interessante percebermos que ao longo do tempo o modelo de concentrao econmica se transformou, se aperfeioou, se modernizou, mas continuou gerando desigualdades crescentes.

As desigualdades sociais e a concentrao econmica, estudadas por Hurberman, nos remetem a mais dois desafios: 1) como vamos criar processos de gerao de riqueza que sejam menos centralizados e, 2) como evitaremos que esta riqueza gere benefcios acumulados em grande escala para uma parte do planeta, excluindo a outra. O autor fundamenta uma anlise histrica e social para ilustrar a transio da riqueza na sociedade atravs do tempo e dimensionar o comportamento e influncias da mesma na economia.

Enredo

DO FEUDALISMO AO CAPITALISMO- A sociedade feudal consistia dessas trs classes - sacerdotes, guerreiros e trabalhadores, sendo que o homem que trabalhava produzia para ambas as outras classes, eclesistica e militar. Isto era muito claro, pelo menos para uma pessoa que viveu naquela poca.

A maioria das terras agrcolas da Europa ocidental estava dividida em rea conhecidas como feudos. Um feudo consistia apenas de uma aldeia e as vrias centenas de acres de terra arvel que a circundavam, e nas quais o povo da aldeia trabalhava.

Nas diversas localidades, os feudos variavam de tamanho, organizao e relaes entre o que os habitavam, mas suas caractersticas principais se assemelhavam, de certa forma.

Cada propriedade feudal tinha um senhor.

O senhor feudal vivia (ou visitava, j que freqentes vezes possua vrios feudos; alguns senhores chegavam mesmo a possuir centenas) com sua famlia, empregados e funcionrios que administravam sua propriedade.

A terra arvel era dividida em duas partes, sendo a tera parte do todo, pertencente ao senhor, e a outra ficava em poder dos arrendatrios que, ento trabalhavam a terra.

Eram essas, portanto, as duas caractersticas importantes do sistema feudal. Primeiro, a terra arvel era divida em duas partes, uma pertencente ao senhor e cultivada apenas para ele, enquanto a outra era dividida entre muitos arrendatrios; segundo, a terra era cultivada no em campos contnuos, tal como hoje, mas pelo sistema de faixas espalhadas. Havia uma terceira caracterstica marcante - o fato de que os arrendatrios trabalhavam no s as terras que arrendavam, mas tambm a propriedade do senhor.

O campons vivia numa choa do tipo mais miservel, trabalhando longa e arduamente em suas faixas de terra espalhadas. Conseguia arrancar do solo apenas o suficiente para uma vida miservel. Teria vivido melhor, no fora o fato de que, dois ou trs dias por semana, tinha que trabalhar a terra do senhor, sem pagamento. A propriedade do senhor tinha que ser arada primeiro, semeada primeiro e ceifada primeiro.

Uma estrada ou uma ponte necessitavam de reparos? Ento o campons devia deixar seu trabalho e atender nova tarefa. Por pior que fosse o seu tratamento, o servo possua famlia e lar e a utilizao de alguma terra.

Havia vrios graus de servido: os servos dos domnios, que viviam permanentemente ligados casa do senhor e trabalhavam em seus campos durante todo o tempo; os camponeses muito pobres, que mantinham pequenos arrendamentos de um hectare, que nem mesmo possuam um pequeno arrendamento, mas apenas uma cabana; e os vilos, que eram servos com maiores privilgios pessoais e econmicos. Alguns vilos eram quase to abastados como homens livres, e podiam alugar parte da propriedade do senhor, alm de seus prprios arrendamentos.

Jamais se pensou em termos de igualdade entre senhor e servo. O servo trabalhava a terra e o senhor manejava o servo.

A organizao, no todo, baseava-se num sistema de deveres e obrigaes do princpio ao fim. A posse da terra no significava que pudssemos fazer dela o que nos agradasse, como hoje. A posse implicava deveres que tinham que ser cumpridos, caso contrrio, a terra seria tomada.

O senhor do feudo, como o servo, no possua a terra, mas era, ele prprio, arrendatrio de outro senhor, mas acima na escala. O servo, aldeo ou cidado arrendava sua terra do senhor do feudo que, por sua vez, arrendava a terra de um conde, que j arrendara de um duque que, por seu lado, a arrendara ao rei. As pessoas que arrendavam diretamente ao rei, fossem nobres ou cidados comuns, eram chamadas principais arrendatrios.

No perodo feudal, a terra produzia praticamente todas as mercadorias de que se necessitava e, assim, a terra e apenas a terra era a chave da fortuna do homem.

A Igreja constitua uma organizao que se estendeu por todo o mundo cristo, mais poderosa, maior, mais antiga e duradoura que qualquer coroa. Tratava-se de uma era religiosa e a Igreja, sem dvida, tinha um poder e prestgio espiritual tremendos. Mas, alm disso, tinha riqueza, no nico sentido que prevalecia na poca - em terras.

A Igreja foi a maior proprietria de terras no perodo feudal. Homens preocupados com a espcie de vida que tinham levado, e desejosos de passar o lado direito de Deus antes de morrer, doavam terras Igreja; outras pessoas, achando que a Igreja realizava uma grande obra de assistncia aos pobres e doentes, desejando ajud-las nessa tarefa, davam-lhe terras; alguns nobres e reis criaram o hbito de, sempre que venciam uma guerra e se apoderavam das terras do inimigo, doar parte delas Igreja; e assim, se tornou proprietrio de um tero e metade de todas as terras da Europa Ocidental, e bispos e abades se situaram na estrutura feudal da mesma forma que condes e duques.

Nos primrdios do feudalismo, a Igreja foi um elemento dinmico e progressista. Preservou muito da cultura do Imprio Romano. Incentivou o ensino e fundou escolas. Ajudou os pobres, cuidou das crianas desamparadas em seus orfanatos e construiu hospitais para os doentes.

Enquanto os nobres dividiam suas propriedades, a fim de atrair simpatizantes, a Igreja adquiria mais e mais terras. Uma das razes por que se proibia o casamento aos padres era simplesmente porque os chefes da Igreja no desejavam perder quaisquer terras da Igreja mediante herana aos filhos de seus funcionrios. A Igreja tambm aumentou seus domnios atravs do dzimo, taxa de 10% sobre a renda de todos os fiis.

O colono que deduzia as despesas do trabalho antes de lanar o dzimo a suas colheitas era condenado ao inferno. A Igreja se no tivesse tratado to mal a seus servos, no teria extorquido tanto do campesinato, e haveria menos necessidade de caridade.

O clero e a nobreza constituam as classes governantes. Controlavam a terra e o poder que delas provinha. A Igreja prestava ajuda espiritual, enquanto a nobreza, proteo militar. Em troca exigiam pagamento das classes trabalhadoras, sob a forma de cultivo das terras.

Hoje em dia, quem tem dinheiro no o deseja guardar, mas sim moviment-lo, buscando um meio lucrativo de investimento. O dinheiro pode ser aplicado em negcios, em aes de uma companhia siderrgica; pode ser empregado na aquisio de aplices do governo, ou num sem-nmero de outras coisas, Hoje h mil e uma maneiras de se aplicar capital, na tentativa de obter mais capital.

No incio da Idade Mdia, poucos tinham capital para aplicar, e os que o possuam pouco emprego encontravam para ele. Todo o capital dos padres e dos guerreiros era inativo, esttico, imvel, improdutivo.

No se necessitava diariamente de dinheiro para adquirir coisas? No, porque quase nada era comprado e praticamente toda a alimentao e o vesturio de que o povo precisava eram obtidos no feudo. Havia uma economia de consumo, em que cada aldeia feudal era praticamente auto-suficiente. Se algum perguntar quanto pagamos por uma casaco novo, a proporo de 100 para 1 como voc responder em termos de dinheiro. Mas se essa mesma pergunta fosse feita no incio do perodo feudal, a resposta provavelmente seria: Eu mesmo o fiz. O senhor do feudo, logo atraa sua casa os servos que se mostravam bons artfices, a fim de fazer os objetos de que precisava.

Sem dvida, havia um certo intercmbio de mercadorias. Algum podia no ter l suficiente para fazer seu casaco, ou talvez no houvesse na famlia algum com bastante tempo ou habilidade. Nesse caso, a resposta pergunta sobre o casaco poderia ser: Paguei cinco gales de vinha por ele.

Mas com o comrcio em to baixo nvel no havia razo para a produo de excedentes em grande escala. S se fabrica ou cultiva alm da necessidade de consumo quando h uma procura firme. Quando no h essa procura, no h incentivo produo de excedentes.

Outros obstculos retardavam a marcha do comrcio. O dinheiro era escasso e as moedas variavam conforme o lugar. O transporte de mercadorias para longas distncias, sob tais circunstncias, obviamente era penoso, perigoso, difcil e extremamente caro. Mas no permaneceu pequeno. Chegou o dia em que o comrcio cresceu, e cresceu tanto que afetou profundamente toda a vida da Idade Mdia. O sculo XI viu o comrcio evoluir a passos largos; o sculo XII viu a Europa ocidental transformar-se em conseqncia disso.

As Cruzadas levaram novo mpeto ao comrcio. Os cruzados que regressavam de suas jornadas ao Ocidente traziam com eles o gosto pelas comidas e roupas requintadas que tinham visto e experimentado, registrou-se um acentuado aumenta na populao depois do sculo X, e esses novos habitantes necessitavam de mercadorias. Parte dessa populao no tinha terras e viu nas Cruzadas uma oportunidade de melhorar sua posio na vida.

A Igreja envolveu essas expedies de saque num manto de respeitabilidade, fazendo-as aparecer como se fossem guerras com o propsito de difundir o Evangelho ou exterminar pagos, ou ainda defender a Terra Santa.

Primeiro havia a Igreja. Animada, sem dvida, por um motivo religioso honesta. Mas tambm com o bom senso de reconhecer a idia de transportar o furor violento dos guerreiros a outros pases que se poderiam converter ao cristianismo, caso a vitria lhes sorrisse.

Segundo, havia a Igreja e o Imprio Bizantino, com sua capital em Constantinopla, muito prximo ao centro do poder muulmano na sia. Enquanto a Igreja Romana via nas Cruzadas a oportunidade de estender seu poderio, a Igreja Bizantina via nelas o meio de restringir o avano muulmano ao seu prprio territrio.

Terceiro, havia os nobres e cavaleiros que desejavam os saques, ou estavam endividados, e os filhos mais novos, com pequena ou nenhuma herana - todos julgavam ver nas cruzadas uma oportunidade para adquirir terras e fortuna.

Quarto, havia as cidades italianas de Veneza, Gnova e Pisa. Veneza foi sempre uma cidade comercial, qualquer cidade localizada num arquiplago a isso era obrigada. Veneza apresentava uma localizao ideal para a poca, pois o bom comrcio era o do Oriente, tendo o Mediterrneo como sada, e permaneceu ligada a Constantinopla e ao Oriente, depois que a Europa ocidental se dispersou.

As cidades comerciais italianas encaravam as Cruzadas como uma oportunidade de obter vantagens comerciais para as cidades italianas. Os cruzados atravessaram Jerusalm, em demanda das cidades comerciais ao longo da costa.

A quarta Cruzada comeou em 1201. Desta vez, Veneza desempenhou o papel mais importante e lucrativo, embora os venezianos estivessem desejosos de ajudar a marcha dessa Cruzada, por amor de Deus, no permitiam que to grande amor os cegasse quanto a melhor parte da pilhagem. Eram grandes homens de negcios.

Do ponto de vista religioso, pouco duravam os resultados das Cruzadas, j que os muulmanos, oportunamente, retomaram o reino de Jerusalm. Do ponto de vista do comrcio, entretanto, os resultados forma tremendamente importantes. Elas ajudaram a despertar a Europa de seu sono feudal, espalhando sacerdotes, guerreiros, trabalhadores e uma crescente classe de comerciantes por todo o continente; intensificaram a procura de mercadorias estrangeiras; arrebataram a rota do Mediterrneo das mos dos muulmanos e a converteram, outras vez, na maior rota comercial entre o Oriente e o Ocidente, tal como antes.

Hoje o comrcio contnuo, em toda a parte. Nossos meios de transporte so to aperfeioados que as mercadorias dos pontos extremos da terra chegam, em fluxo constante, s nossas grandes cidades, e tudo quanto mais precisamos fazer ir s lojas e escolher o que queremos.

importante observar a diferena entre os mercados locais semanais dos primeiros tempos da Idade Mdia e essas grandes feiras do sculo XII ao XV. Os mercados eram pequenos, negociando com os produtos locais, em sua maioria agrcolas.

As feiras, ao contrrio, eram imensas, e negociavam mercadorias por atacado, que provinham de todos os pontos do mundo conhecido. A feira era o centro distribuidor onde os grandes mercadores, que se diferenciavam dos pequenos revendedores errantes e artesos locais, compravam e vendiam as mercadorias estrangeiras procedentes do Oriente e Ocidente, Norte e Sul.

Alm de convidar os mercadores de todas as partes as partes para participar das feiras, o regulamento da Champagne lhes oferece salvo-conduto para ir e voltar. Isso era importante, numa poca em que os ladres infestavam as estradas. Tudo isso era determinado pelo senhor da provncia onde a feira se realizava.

Mas por que o senhor da cidade onde a feira se realizava preocupava-se em fazer esses preparativos especiais? Simplesmente porque a feira proporcionaria riqueza aos seus domnios e a ele pessoalmente. Havia uma taxa de entrada e de sada, e de armazenamento das mercadorias; havia uma taxa de venda e uma taxa para armar a barraca na feira. Os mercadores no se opunham a esses pagamentos, porque eram bem conhecidos, fixados, e no muito altos.

Uma outra caracterstica importante desses grandes centros comerciais ao mencionado de Jehan de Lanstais ...que em qualquer parte do dito mercado, em nossa mencionada cidade de Lille, ou onde quer que a troca do dinheiro seja levada a cabo, ele pode estabelecer-se, ocupar e empregar um balco e trocar dinheiro... pelo tempo que nos agrade... em troca do que ele nos pagar, cada ano, atravs de nosso recebedor em Lille, a soma de 20 libras parisienses.

Entre seus clientes contavam-se papas e imperadores, reis e prncipes, repblicas e cidades. Negociar em dinheiro levou a conseqncias to grandes que passou a constituir uma profisso separada.

Quando o dinheiro largamente empregado, no necessrio carregar cinco gales de vinho pela redondeza, at encontrar algum que queira vinho e tenha um casaco para trocar. No; basta vender o vinho por dinheiro, e ento, com esse dinheiro, comprar um casaco.

Assim, o uso do dinheiro torna o intercmbio de mercadorias mais fcil e, dessa forma, incentiva o comrcio. A intensificao do comrcio, em troca, reage na extenso das transaes financeiras.

medida que o riacho irregular do comrcio se transformava em corrente caudalosa, todo pequeno broto da vida comercial, agrcola e industrial recebia sustento e florescia. Um dos efeitos mais importantes do aumento no comrcio foi o crescimento das cidades.

medida que o comrcio continuava a se expandir, surgiam cidades nos locais em que duas estradas se encontravam, ou na embocadura de uma rio, ou ainda onde a terra apresentava um declive adequado. Tais eram os lugares que os mercadores procuravam. Neles, alm disso, havia geralmente uma igreja, ou uma zona fortificada chamada "burgo" que assegurava proteo em caso de ataque.

O povo comeou a deixar suas velhas cidades feudais para iniciar vida nova nessas ativas cidades em progresso. A expanso do comrcio significava trabalho para maior nmero de pessoas e estas afluam cidade, a fim de obt-lo.

Uma de suas provas de que o mercador e o habitante da cidade constituam uma nica e mesma pessoa o fato de que, logo no incio do sculo XII, a palavra mercador, significando mercador, e burgensis, significando aquele que vive na cidade, eram usadas alternadamente.

Se recapitularmos o estabelecimento da sociedade feudal, veremos que a expanso do comrcio, trazendo em conseqncia o crescimento das cidades, habitadas sobretudo por uma classe de mercadores que surgia, logicamente conduziria a um conflito. Toda a atmosfera do feudalismo era a da priso, ao passo que a atmosfera total da atividade comercial na cidade era a da liberdade.

As leis e a justia feudais se achavam fixadas pelo costume e eram difceis de alterar. Mas o comrcio, por sua prpria natureza, dinmico, mutvel e resistente s barreiras. A vida na cidade era diferente da vida no feudo e novos padres tinham que ser criados.

A populao das cidades queria liberdade. Queria ir e vir quando lhe aprouvesse.

As populaes urbanas desejavam proceder a seus prprios julgamentos, em seus prprios tribunais. Eram contrrias s cortes feudais, vagarosas, que se destinavam a tratar dos casos de uma comunidade esttica, e totalmente inadequadas aos novos problemas que surgiam numa cidade comercial dinmica.

As populaes urbanas queriam estabelecer seus prprios tribunais, devidamente capacitados a tratar de seus problemas, em seu interesse. Queriam, tambm, elaborar sua prpria legislao criminal. Manter a paz nas pequenas aldeias feudais no se comparava ao problema de manter a paz na cidade em desenvolvimento, com maiores riquezas e populao mvel. As populaes das cidades desejavam fixar seus impostos sua maneira, e o fizeram. Desejavam empreender negcios e, assim, empenharam-se em abolir as taxas, de qualquer tipo, que os tolhessem.

de supor que os bispos e senhores feudais tenham percebido que ocorriam mudanas sociais de grande importncia. de supor que alguns tenham reconhecido ser impossvel barrar o caminho dessas foras histricas. Parece fato, atravs da histria, que os donos do poder, os abastados, se utilizaro sempre de quaisquer meios para manter o que possuem.

Como ocorre com freqncia na histria, muitas dessas pessoas abastadas imaginavam sinceramente que, se as coisas no permanecessem como estavam, todo o sistema social desmoronaria. E como as populaes das cidades no acreditavam nisso, muitas cidades s conquistaram sua liberdade depois que a violncia irrompeu.

Na verdade, as populaes das cidades em luta, dirigidas pela associaes de mercadores organizados, no eram revolucionrias no sentido de que emprestamos palavra. No lutavam para derrubar seus senhores, mas apenas para faz-lo abandonar algumas das prticas feudais j gastas pelo uso, que constituam um estorvo decisivo expanso do comrcio.

Na luta pela conquista da liberdade, os mercadores assumiram a liderana. Constituam o grupo mais poderoso e lograram para suas associaes e sociedades todos os tipos e privilgios. As associaes de mercadores exerciam com freqncia, um monoplio sobre o comrcio por atacado das cidades.

Seu objetivo nico era possuir o controle total do mercado. Quaisquer mercadorias que entrassem ou sassem da cidade tinham que passar por suas mos. Devia ser eliminada a concorrncia de fora. Os preos das mercadorias deviam ser determinados pelas associaes. O controle do mercado teria que ser seu monoplio exclusivo.

As associaes de mercadores, to vidas em obter privilgios monopolistas, e to observadoras de seus direitos, mantinham seus membros numa linha de conduta determinada por uma srie de regulamentos que todos tinham que cumpri. O integrante da sociedade gozava de certas vantagens, mas s podia permanecer como membro se seguisse risca as regras da associao. Estas eram muitas e rgidas. Romp-las podia significar a expulso total ou outras formas de punio.

Os direitos que mercadores e cidades conquistaram refletem a importncia crescente do comrcio como fonte de riqueza. E a posio dos mercadores na cidade reflete a importncia crescente da riqueza em capital, em contraste com a riqueza em terras.

Nos primrdios do feudalismo, a terra, por si s, constitua a mediasse da riqueza do homem. Com a expanso do comrcio surgiu um novo tipo de riqueza - a riqueza em dinheiro. No incio da era feudal o dinheiro era inativo, fixo, mvel; agora tornara-se ativo, vivo, fluido. Agora um novo grupo surgia - a classe mdia, vivendo de uma forma diferente, da compra e da venda.

A maioria dos negcios hoje realizada com dinheiro emprestado, sobre o qual pagam-se juros.

Houve poca em que se considerava crime grave cobrar juros pelo uso do dinheiro. No princpio da Idade Mdia o emprstimo de dinheiro a juros era proibido por uma potncia cuja palavra constitua lei para toda a cristandade.

Essa potncia era a Igreja. Emprestar a juros, dizia ela, era usura, e a usura era pecado.

Mas no era apenas a Igreja que condenava a usura. Os governos municipais, e mais tarde os governos dos Estados, baixaram leis contra ela.

Naquela sociedade, onde o comrcio era pouco e a possibilidade de investir dinheiro com lucro praticamente no existia, se algum desejava um emprstimo, certamente no tinha por objetivo o enriquecimento, mas precisava dele para viver.

De acordo com o sentimento medieval, a pessoa que, nessa circunstncias, o ajudasse, no deveria lucrar com sua desventura. O bom cristo ajudava o vizinho sem pensar em lucro. O justo era apenas receber o que se emprestara, nada mais nem menos.

Hoje em dia possvel fazer, num negcio comercial, a um estranho, o que no faramos a um amigo ou vizinho. Assim, o industrial far tudo ao seu alcance para esmagar um concorrente. Vender com prejuzo, se empenhar numa guerra comercial, conseguir descontos especiais, tentar todos os recursos possveis para encurralar seu rival.

Essas atividades arruinaro o competidor. O industrial ou comerciante sabe disso, contudo continua a realiz-las porque negcio negcio.

A Igreja ensinava que, se o lucro do bolso representava a runa da alma, o bem-estar espiritual estava em primeiro lugar.

A moderna noo de que qualquer transao comercial lcita desde que seja possvel realiz-la no fazia parte do pensamento medieval. O homem de negcios bem-sucedido de hoje, que compra pelo mnimo e vende pelo mximo, teria sido duas vezes excomungado na Idade Mdia.

Embora os bispos e reis combatessem e fizessem leis contra os juros, estavam entre os primeiros a violar tais leis. Eles mesmos tomavam emprstimos, ou os faziam a juros - exatamente quando combatiam outros usurios!

Assim, aos poucos foi desaparecendo a doutrina da usura da Igreja, e a prtica comercial diria passou a predominar. Crenas, leis, formas de vida em conjunto, relaes pessoais - tudo se modificou quando a sociedade ingressou em nova fase de desenvolvimento.

Uma das modificaes mais importantes foi a nova posio do campons. Enquanto a sociedade feudal permanecia esttica, com relao entre senhor e servo fixada pela tradio, foi praticamente impossvel ao campons melhorar sua condio.

Quando surgem cidades nas quais os habitantes se ocupam total ou principalmente do comrcio e da indstria, passam a ter necessidade de obter do campo o suprimento de alimentos. Surge portanto, uma diviso do trabalho entre cidade e campo. Uma se concentra na produo industrial e no comrcio, o outro na produo agrcola para abastecer o crescente mercado representado pelos que deixaram de produzir o alimento que consomem.

Assim como os pioneiros nos Estados Unidos, procurando uma forma de melhorar sua situao, lanaram os olhos sobre as terras virgens do oeste, assim o ambicioso campesinato da Europa ocidental do sculo XII voltou seus olhos para as terras incultas, ento abundantes, como meio de fugir opresso.

Mas nos Estados Unidos os pioneiros tinham acesso praticamente a todo o continente, ao passo que onde poderiam os camponeses oprimidos da Europa do sculo XII encontrar terra? fato surpreendente, mas verdico, que na poca cultivava-se apenas metade das terras da Frana, um tero da Alemanha, um quinto da Inglaterra. O resto simplesmente consistia de florestas, pntanos e terrenos inaproveitados. A Europa do sculo XII tinha a sua fronteira mvel, tal como a Amrica do sculo XVII.

No entanto, a Europa teve sua marcha para oeste cinco sculos antes da marcha americana. Quando os pioneiros nos Estados Unidos quebravam seus machados nas rvores do oeste norte-americano entre os sculos XVII e XIX, os sons que ouviam eram ecos dos sons provocados pelos seus ancestrais na Europa, quinhentos anos antes, em circunstncias semelhantes.

Para os pioneiros do sculo XII, como para os do sculo XVII, a luta foi longa e rdua, mas a vitria significou a liberdade e a possibilidade de ser, total ou parcialmente, dono de um pedao de terra, isento do pagamento do cansativo trabalho a que os camponeses sempre estavam obrigados.

Durante anos o campons se havia resignado sua sorte infeliz. E como a possibilidade de se elevar acima de sua situao praticamente no existia, quase no tinha incentivos a fazer mais do que o necessrio para sobreviver. Executava suas tarefas rotineiras de acordo com os costumes.

No havia interesse em fazer experincias com sementes ou outras formas de produzir, porque o mercado onde podia vender a produo era limitado, e muito possivelmente o senhor tomaria a parte do leo ao aumento da colheita.

Mas a situao se modificara. O mercado crescera tanto que qualquer colheita superior s necessidades do campons e do senhor poderia ser vendida. Em troca, o campons recebia dinheiro, prosperava, e a cidade prxima era um lugar maravilhoso onde servos como ele tinham ocasionalmente perambulado e gostado.

Mas o senhor estava pronto a trocar o trabalho do servo pelo dinheiro. Tinha muitas necessidade dele para pagar as belas roupas do Oriente que comprar na feira h alguns meses. O senhor tinha muito em que empregar qualquer dinheiro que o servo lhe pudesse pagar.

O senhor realmente no tinha alternativa, pois se no aliviasse as obrigaes dos servos, era muito possvel que alguns deles fugissem, deixando-o em necessidade de trabalho e dinheiro.

Documentos do mesmo perodo mostram que grande nmero de servos, alm de comprar a liberdade de sua terra da obrigao de trabalhar, tambm compravam a liberdade pessoal.

Os camponeses no se limitavam a fazer queixas energticas. E invadiram a propriedade da Igreja, lanavam pedras nas janelas, e depredavam.

Nesta poca, por sinal, a Peste Negra foi um grande fator para a liberdade. A Peste Negra, portanto matou mais gente na Europa, no sculo XIV, do que a Primeira Guerra Mundial, em quatro anos.

E, com a morte de tanta gente, o maior valor seria atribudo aos servios dos que estavam vivos, e o trabalho do campons valia mais do que nunca, e ele saiba disso, juntamente com o senhor. Os que haviam recusado a comutar a prestao de trabalho a que os servos estavam obrigados mostraram-se mais dispostos ainda a conservar o mesmo estado das coisas.

A indstria tambm mudou.

O progresso das cidades e o uso do dinheiro deram aos artesos uma oportunidade de abandonar a agricultura e viver de seu ofcio.

Todos que se ocupavam de um determinado trabalho, aprendizes, jornaleiros, mestres, etc, pertenciam a mesma corporao.

As corporaes lutaram para manter o monoplio dos respectivos artesanatos, e no permitiam aos estrangeiros que se imiscussem em seu mercado.

No incio do perodo medieval, o mercado tinha mbito apenas local, reunindo habitantes da cidade e dos campos bem vizinhos.

Havia diferenas de preo, por condies imprevistas, e pela ambio do comerciante. A noo do justo preo se enquadrava na economia do mercado pequeno, local e estvel.

No entanto, do controle das corporaes exclusivistas ao controle do governo municipal bastava um passo, que foi dado pelos membros dessas grandes organizaes. Associaes, como sindicatos hoje, lutavam por maiores salrios, e a resistncia que enfrentavam dos patres.

Houve luta de classes - pobre contra rico, e em alguns lugares os pobres venceram, queriam liberdade dos senhores feudais.

Nesta poca a religio era universal, os cristos seriam mesmo da Igreja Catlica, pois era a nica. E era necessrio pagar impostos, taxas, isso e aquilo para a Igreja.

A ascenso da classe mdia um dos fatos importantes desse perodo do sculo X ao XV.

No foi fcil reduzir os privilgios monopolistas das cidades poderosas. Os camponeses que desejavam cultivar seus campos, os artesos que pretendiam praticar seus ofcio, saudaram a formao de um governo central forte, com poder para substituir os numerosos regulamentos locais por um nico, para transformar a desunio em unidade.

A Igreja no entanto, era muito rica, possuindo um tero e metade de toda a terra. Os reis necessitavam de dinheiro, parecia-lhes que a fortuna da Igreja, j ento enorme e aumentando sempre, devia ser taxada, para ajudar a pagar as despesas da administrao do Estado.

Os abusos da Igreja, no podia ser despercebidos, pois os seus atos dela eram bem diferentes dos seus ensinamentos. Sendo at escndalos pblicos.

Martin Lutero, no cometeu engano em tentar derrubar os privilegiados, ele no era um radical, apelava para o nacionalismo, e contribua para a Reforma naquele preciso momento.

A luta tomou como nome Reforma protestante. Constituiu a primeira batalha da nova classe mdia contra o feudalismo.

Tudo que os reis viam era o lucro imediato que lhes advinha da desvalorizao da moeda. Os conselheiros dos reis se preocupavam com os efeitos da desvalorizao da moeda. Os reis no s tentaram, por todos os meios, reter todo ouro e prata existentes no pas, mas tambm aumentar sua quantidade, concedendo privilgios especiais aos mineiros.

Nessa poca, quando o ouro e a prata eram to necessrios expanso do comrcio, essa mesma expanso levou descoberta de grandes jazidas desses metais que, por sua vez, conduziram a uma expanso ainda maior do comrcio.

E navios se fizeram mar adentro, bravamente em todas as direes. A viagem de Colombo rumo ao Ocidente foi apenas uma do sem-nmero de viagens semelhantes que se empreenderam.

Nos sculos XVI e XVII as guerras foram quase contnuas, e eram financiadas pelos mercadores e banqueiros.

Durante os sculos XVI e XVII, A IDADE DOS FUGGER foi tambm a idade dos mendigos, na Holanda, Inglaterra.

A Primeira Guerra Mundial uma explicao para essa misria generalizada, bateu todos os recordes de runas e misrias nas regies da Europa onde a luta se travou.

Enquanto os mercadores da Inglaterra, Holanda e Frana, amontoavam fortunas enormes no comrcio, os espanhis haviam descoberto uma forma mais simples de aumentar as somas de dinheiro de sue tesouro.

Embora seus exploradores no tivessem conseguido descobrir uma rota par as ndias que lhes proporcionasse lucros comerciais, esbarraram com os continentes da Amrica do Norte e Sul.

Os reis guerreavam, e pagavam para o abastecimento dos soldados. Os espanhis compravam mais do que vendiam.

Em conseqncia dos influxo de metais preciosos para a Europa, os preos se elevaram muito.

As pessoas com renda fixa e os salrios dos trabalhadores sofreram, um perodo de alta de preos quase sempre tambm um perodo de elevao de salrios, e portanto seria de esperar que no fim tudo desse certo.

Para tentar essa alta nos preos, sentiram que era necessrio arrancar mais dinheiro da terra, de duas maneira, o fechamento das terra e a elevao dos arrendamento.

O fechamento ocorreu em certas propores na Europa, principalmente na Inglaterra, era um sistema prejudicial, pois o lavrador empreendedor e dinmico no podia trabalhar um ritmo prprio, ou tentar novas experincias.

Os arrendamentos e as taxas pagas quando um novo arrendatrio tomava conta de uma propriedade estavam praticamente estacionados. Haviam sido fixos pelo hbito e no passado, o hbito tinha fora de lei.

O movimento de fechamento das terras provocou muito sofrimento, mas ampliou as possibilidades de melhorar a agricultura. E quando a indstria capitalista teve necessidade de trabalhadores, encontrou parte da mo-de-obra entre esses infelizes desprovidos de terra, que haviam passado a ter apenas a sua capacidade de trabalho para ganhar a vida.

A expanso do mercado. uma chave importante para a compreenso das foras que produziram a indstria capitalista.

Entra em cena o intermedirio, e as cinco funes do mestre arteso se reduziram a trs - trabalhador, empregador, capataz. Os ofcios de mercador e comerciante deixaram de ser atribuio sua. O intermedirio lhe entrega a matria-prima e recebe o produto acabado. O intermedirio coloca-se entre ele e o comprador. A tarefa do mestre arteso passou a ser simplesmente produzir mercadorias acabadas to logo recebe a matria-prima.

As corporao pensavam de modo inverso. Sempre que preciso, o intermedirio contornava os regulamentos, e regras colocando sua indstria fora da jurisdio da corporao, fora da cidades, onde o trabalho podia ser executado pelo mtodos que melhor lhe conviessem, sem se preocupar com as restries das corporaes quanto a salrios, nmero de aprendizes etc.

No sistema de corporaes, que surgira com a economia urbana, o capitalista tinha apenas um papel. Com o sistema de produo domstica, surgido com a economia nacional, o capital passou a ter papel importante. Era necessrio muito dinheiro para comprar matria-prima para muitos trabalhadores, e para organizar a distribuio dessa matria prima e sua venda como produto acabado, mais tarde. Era o homem do dinheiro, o capitalista, que se tornava o orientador, o diretor do sistema de produo domstica.

Nessa poca houve a explorao do trabalho infantil, com crianas at de trs anos trabalhando.

A Espanha no sculo XVI foi o mais rico e poderoso pas do mundo, devido ao ouro e a prata, que eram o ndice de sua riqueza e poder.

Como os governos acreditavam nessa teoria de que quanto mais ouro e prata houvesse num pas, tanto mais seria rico, o passe seguinte era bvio. Baixaram-se leis proibindo a sada desses metais.

A companhia Inglesa das ndias Orientais tinha em seus estatutos uma clusula que lhe dava o direito de exportar o ouro. Quando no sculo XVII, muitos panfletrios a atacaram por enviar riquezas para fora da Inglaterra.

O negcio portanto era exportar mercadorias de valor e importar apenas oque fosse necessrio, recebendo o saldo em dinheiro sonante. Isso significa estimular a indstria por todos os meios possveis, porque seus produtos valiam mais que os da agricultura, e portanto obteriam mais dinheiro nos mercados estrangeiros.

O estmulo pblico solicitado veio na forma de proteo contra a competio estrangeira, atravs de altos impostos sobre produtos manufaturados importados. Em certos casos, os governos chegaram mesmo a proibir a importao de determinados artigos, quaisquer circunstncias.

O estado estavam sempre pronto a estimular a indstria, subsidiando-a diretamente ou de qualquer um dos modos j mencionados.

Mas a Inglaterra e Frana no estavam satisfeitas de ver mercadoria inglesas e francesas sendo transportadas pelos navios holandeses. No lhes agradava pagar bom dinheiro aos marinheiros holandeses para servir de transportadores de seus produtos. As leis de navegao inglesas tinham como um dos objetivos principais tomar aos holandeses o controle dos servios de transportes martimos.

Se observa que a crena de que no h nada mais importante e necessrio para o bem geral do Estado, do que a reduo do comrcio e indstria de um estado rival s poderia levar a uma coisa: guerra. O fruto da poltica mercantilista a guerra, a luta pelos mercados, colnias, e tudo isso mergulhou naes rivais numa guerra aps a outra.

1776 foi um ano de revolta. Aos norte-americanos, ele lembra a declarao da independncia, a revolta contra a poltica colonial mercantilista da Inglaterra; aos economistas de todos o mundo, lembra a publicao da Riqueza das naes, de Adam Smith - smula da rebelio contra a poltica mercantilista - restrio, regulamentao, conteno.

Um nmero cada vez maior de pessoas no concordava com a teoria nem com a prtica mercantilista. Os comerciantes queriam uma parte dos enormes lucros das companhias monopolizadoras privilegiadas. Os homens que tinham dinheiro desejavam us-lo como, quando e onde lhes aprouvesse.

Estavam casados do podem fazer isso, no podem fazer aquilo. Estavam enojados das Leis contra... Impostos sobre... Prmios para.... Queriam o comrcio livre.

O Inquiry into the Nature and Causes of Wealth of Nations, de Adam Smith, foi um desses livros que dominam a imaginao do pblico e varrem pas aps pas.

Adam Smith se ocupava mais do estudo das causas que influenciam a produo e distribuio da riqueza. A maioria dos mercantilistas tinha interesses a defender, mas os ocultava dizendo que o pas se tornaria mais rico defendendo precisamente esses interesses. Smith, ao contrrio, interessou-se mais pela anlise do que pelas sugestes prticas, e abordou o assunto de forma cientfica, pois, toda medida mercantilista teve seus crticos.

H a explicao sobre elevao e reduo de preos de acordo com a quantidade do dinheiro em circulao. Hume partiu desse ponto. Se considerarmos qualquer reino em si, evidente que a maior ou menor abundncia de dinheiro no tem importncia: pois o preo das mercadorias sempre proporcional abundncia do dinheiro.

Entretanto, embora os economistas de hoje discordem de muitos aspectos da teoria fisiocrata, atribuem-lhe o mrito de mostrar que a riqueza de um pas no deve ser estima como uma soma fixa de mercadorias acumuladas, mas sim pela sua renda, no como um estoque, mas como um fluxo.

O comrcio livre desejvel, mas com uma simplificao:

1) O aumento da produtividade ocorre com a diviso do trabalho;
2) A diviso do trabalho aumenta ou diminui segundo o tamanho do mercado;
3) O mercado se amplia ao mximo possvel pelo comrcio livre. Portanto, o comrcio livre proporciona a maior produtividade.

DE ONDE VEM O DINHEIRO???

O dinheiro s se torna capital quando usado para adquirir mercadorias ou trabalho com a finalidade de vend-los novamente com lucro.

O lucro vem do fato de receber o trabalhador um salrio menor do que o valor da coisa produzida. O capitalista dono dos meios de produo - edifcios, mquinas, matria prima etc.; compra a fora de trabalho. da associao dessas duas coisas que decorre a produo capitalista.

O dinheiro no a nica forma de capital. Um industrial de hoje pode ter pouco ou nenhum dinheiro, e no obstante ser possuidor de grande volume de capital. Pode ser dono de meios de produo. Isso, o seu capital, aumenta na medida em que ele compra a fora de trabalho.

Haver uma moral para os capitalistas, sempre..., na histria de como os indianos pegam macacos, contada por Arthur Morgan? Segundo a histria, tomam de um coco e abrem-lhe um buraco, do tamanho necessrio para que nele o macaco enfie a mo vazia. Colocam dentro torres de acar e prendem o coco a uma rvore.

O macaco mete a mo no coco e agarra os torres, tentando pux-los em seguida. Mas o buraco no bastante grande para que nele passe a mo fechada, e o macaco, levado pela ambio e gula, prefere ficar preso a soltar o acar.

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