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Macbeth, de William Shakespeare


Tomando como ponto de partida um fato histórico ocorrido na Escócia em 1040, Shakespeare revela toda sua maturidade como escritor e constrói uma fascinante síntese da ambição humana.

O livro narra a trajetória do general Macbeth. Um homem brilhante e corajoso torturado pela ambição. Retornando vitorioso de uma batalha recém-travada, acompanhado pelo seu amigo Banquo, Macbeth, um capitão-de-guerra do rei Duncan da Escócia, surpreendeu-se com o que encontrou pelo caminho. Nada menos do que três bruxas estavam reunidas numa charneca na trilha que tomara para voltar ao seu castelo. Impressionou-se com a aparência delas. Eram seres indefiníveis, "esquálidas e estranhas", e "que não parecem habitantes da Terra". Assombrou-se ainda mais quando elas, a quem ele jamais vira antes, chamaram-no pelo nome, prevendo que ele, Macbeth, em breve, receberia o baronato de Cawder. E mais. Em bem pouco tempo, profetizaram, ele seria o novo rei da Escócia, apesar do rei Duncan não só estar vivo como gozando de perfeita saúde.

A ambição de Macbeth

Mal elas se volatilizaram, sumindo nos ares, um servo chegou com uma mensagem de que "Sir de Cawdor" fora enforcado e que todas suas terras e título passaram a Macbeth.

O vaticínio das bruxas se fizera num piscar de olhos. Foi a perdição de Macbeth. No castelo, a ambiciosa Lady Macbeth - uma das mais célebres malfeitoras da literatura mundial - leu com satisfação a carta de Macbeth relatando o ocorrido. O Rei Duncan passaria a noite no castelo, e esta era a oportunidade que queria Lady Macbeth, persuadindo o marido a matar o Rei.

Lady Macbeth, depois de um tempo, por mais que limpasse as mãos jamais conseguia se desfazer da sensação que elas estavam sempre manchadas de sangue.

Macbeth cometeu o crime, tornou-se rei, mas vivia inquieto com sua consciência e também com a profecia das feiticeiras, de que um filho de Banquo - e não seu - seria rei. Ele e sua mulher planejaram assassiná-lo. Um bando de assassinos matou Banquo, mas seu filho Fleance escapou. Macbeth e sua mulher deram um banquete no castelo, em comemoração ao seu reinado. Lady Macbeth cantou um brinde de boas vindas aos convidados. Confidencialmente, um dos assassinos relatou a Macbeth que Banquo estava morto, mas que seu filho escapou. Macbeth começou a ver o fantasma de Banquo. A sua temporária perda de consciência era desculpada e encoberta por Lady Macbeth, que continuava com o brinde. Mas Macbeth teve uma outra crise, e se dirigiu cada vez mais agressivamente ao fantasma. Os convidados ficam confusos, Lady Macbeth repetia que os mortos não voltam e Macbeth decidiu consultar novamente as feiticeiras.

Em uma caverna escura Macbeth indagouàs feiticeiras sobre seu futuro. Três aparições se revelaram. A primeira era a cabeça de um guerreiro, que previniu Macbeth contra Macduff. A segunda, era uma criança ensangüentada, que disse a Macbeth que não deveria temer à ninguém nascido de uma mulher. A terceira era uma criança coroada trazendo um arbusto na mão, que lhe disse que ele seria forte e glorioso, até que o bosque de Birmane se movesse e viesse até ele. Depois, apareceu um cortejo de oito reis, sendo o último Banquo, que trazia um espelho na mão. Lady Macbeth tomou conhecimento das aparições. Ambos declararam com violência uma terrível disposição de eliminar impiedosamente qualquer opositor.

Um grupo de refugiados comentou a opressão que sofria a Escócia sob o reinado de Macbeth. Macduff que teve sua mulher e filhos assassinados pelo tirano, expressou sua dor. Malcolm, líder da força inglesa, determinou que cada soldado cortasse um galho de árvore e o carregasse consigo, investindo contra Macbeth. Nesta noite, Lady Macbeth agitou-se sonâmbula, blasfemando contra o próprio remorso que a levava à loucura e morte. Macbeth foi informado de que sua mulher estava morta. Se preparou para combater seus inimigos, acreditando na idéia da invencibilidade. Soldados o informaram de que o bosque de Birmane estava se movendo. Na batalha, Macduff encontrou Macbeth e investiu contra ele. Macbeth bramou que ninguém nascido de mulher poderia matá-lo. Macduff diz que "foi arrancado do ventre de sua mãe", e o feriu mortalmente.

A real motivação de Shakespeare

A razão de Shakespeare ter dado proeminência inicial às feiticeiras na tragédia Macbeth, escrita em 1605/6, não se deveu a nenhum ardil cênico para atingir excepcionais efeitos dramáticos, mas sim por motivação ideológica. O bardo esperava agradar James I, o rei que unificara as coroas da Escócia e da Inglaterra, que era convicto da influência perniciosa delas. E o rei ficara assim, um fóbico à bruxas, desde um pouco antes de se casar. Em 1589, ainda jovem, ao atravessar o mar da Escócia em direção à Dinamarca para contrair núpcias com a princesa Anna, seu barco foi assolado por uma inesperada tempestade. Os horrores que ele passou a bordo foram de tal ordem que, depois, em terra firme, convenceram-no lá mesmo na corte dinamarquesa de o que sofreu resultara de um enfeitiçamento qualquer. Os vagalhões atendiam a um mau olhado.

Um peça política

Macbeth celebrizou-se assim como uma sutilíssima obra de propaganda política, se bem que subliminar. Todos os que estavam próximos ao monarca, os cortesãos, os ministros, os capitães da guarda, e os súditos em geral, poderiam considerar suas possíveis intenções conspirativas caso fossem acometidas por elas como possíveis sinais de enfeitiçamento. Eles já se encontravam de alguma forma possuídos, pois as bruxas, aquelas "emissárias do diabo", sabiam perfeitamente conjurar os malignos poderes luciferinos contra o governo legítimo. A história dessa peça mostra por fim como duas coisas aparentemente tão distintas, como o teatro e a política, são, por vezes, faces da mesma moeda.

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