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Manuelzão e Miguilim, de Guimarães Rosa


Análise da obra

Surgido pela primeira vez em 1956 dentro da obra Corpo de Baile (que incluía também Noites do Sertão e No Urubuquaquá, no Pinhém), Manuelzão e Miguilim é um dos momentos mais tocantes de João Guimarães Rosa, superado por alguns contos de Primeiras Estórias e pelo inigualável romance Grande Sertão: Veredas.

O caráter regionalista reside na forma da obra. Em primeiro lugar, o ambiente de todas as suas narrativas é o sertão de Minas Gerais (uma minúscula parte delas passa-se no sertão da Bahia. No entanto, a vizinhança faz-nos garantir que se trata praticamente da mesma região), tendo como personagens seus habitantes. Além disso, no campo da linguagem é que está sua mais famosa recriação do universo mineiro.

A narrativa de Manuelzão e Miguilim trata de seu mundo infantil visto ainda sem aquela sistematização rígida do universo adulto.

Em contrapartida, a segunda história, Uma estória de amor, narra os preparativos para uma festa e a própria festa, idealizada por Manuelzão para consagrar uma capela por ele construída.

No sumário, Guimarães Rosa anuncia as duas narrativas Campo Geral e Uma estória de amor, como poemas.

Seus textos ambientam os grandes temas da humanidade, principalmente os existenciais e metafísicos, no sertão mineiro, tudo de forma simbólica, mítica e mística. São verdadeiras fábulas.

Esse é o aspecto que se enxerga, por exemplo, em Campo Geral. É um conto / novela / poema da formação, da iniciação, do amadurecimento de Miguilim. Tanto que o foco narrativo, de terceira pessoa, onisciente, é filtrado por ele. Tudo gira ao seu redor, tudo é enxergado obedecendo ao seu ponto de vista, desde o emprego da linguagem até a absorção e compreensão da realidade.  Prova desse aspecto é o retrato que ele dá a seu irmão, dizendo que é de uma santa. A reação dos adultos, que chegam a rasgá-lo, dizendo que era pecado, faz o leitor entender, e não a personagem, que se tratava de uma imagem de mulher pelada. Tal viés acaba tornando o texto muito mais poético, pois nos faz acompanhar o crescimento do protagonista como se fosse bastante íntima nossa.

Campo Geral

Narrativa  profundamente lírica, Campo Geral traduz a habilidade de Guimarães Rosa para recriar o mundo captado pela perspectiva  de uma criança. Se a infância aparece com freqüência nos textos roseanos, sempre ligada à magia de um mundo em que a sensibilidade, a emoção e o poder das palavras compõem um universo próximo ao dos poetas e dos loucos, em Miguilim, nome com que passou a ser conhecida a novela, essa temática encontra um de seus momentos mais brilhantes e comoventes. Leia mais...

Uma estória de amor

A novela narra os preparativos para uma festa e a própria festa, idealizada por Manuelzão para consagrar uma capela por ele construída. A festa e seus preparativos são como uma coluna dorsal, ou um esqueleto, mas os músculos e nervos da narrativa são os pensamentos, sentimentos e lembranças de um velho vaqueiro que vê com preocupação o fim do caminho: "De todo não queria parar, não quereria suspeitar em sua natureza própria de um anúncio de desando, o desmancho, no ferro do corpo. Resistiu. Temia tudo na morte." Leia mais...

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