dcsimg

Meninas da noite, de Gilberto Dimenstein


Uma bolsa de estudos oferecida pela McArthur Foundation para investigar a violência e prostituição da criança na Amazônia, entre 1991 e 1992, resultou no primeiro livro do jornalista Gilberto Dimenstein, Meninas da noite.

Durante seis meses, Gilberto Dimenstein investigou a rota do tráfico de meninas na Amazônia, viajando pelo submundo da prostituição infantil. O resultado é um livro que dá ao leitor a sensação de estar diante de um filme de suspense policial. Cada passo da investigação é relatado com detalhes, mostrando como foi possível encontrar traficantes e um cativeiro de meninas-escravas protegidos pela selva amazônica.

É uma série de reportagens sobre a prostituição de meninas consideradas escravas da região norte e nordeste do Brasil que foram publicadas no jornal Folha de S. Paulo, em 1992. É justamente a cobertura de prostituição infantil feita pela Folha, entre 1985 e 1995. Um trabalho amplo que durou um ano entre planejamento, investigação e publicação das matérias. Como já citado, Dimenstein viajou durante seis meses pelo Norte e Nordeste do Brasil, procurando lugares onde meninas eram escravizadas sexualmente ou quase mantidas em cativeiro.

Segundo Gilberto Dimenstein, um dos estímulos à prostituição é a própria família: "A garota trabalha, em geral, de vendedora de chiclete ou bala. Mas é obrigada a levar uma determinada quantia para casa, sob pena de apanhar. Sem dinheiro, às vezes ela se entrega aos homens para voltar para casa com a quantia exigida. O furto é outra alternativa, porém mais arriscada."

Com bastante propriedade, o autor usa a expressão meninas-escravas, visto que se trata de um mercado de gente. Ou como o autor descreve: "Convido o leitor a dividir comigo essa viagem pelas rotas do tráfico humano..." (p. 11). Ou seja, o que acontece nessa submundo da sociedade é tão-somente uma caricatura do que acontece em todos os outros planos: a mercantilizarão humana.

A prostituição infantil é algo que preocupa todas as cidades do mundo. Uma realidade preocupante e verdadeira. Gilberto Dimenstein coloca isso em tese neste livro. Todas as meninas relatadas em nesta obra têm problemas com os familiares, algumas nem possuem pais ou familiares, não tendo ao menos onde morar.

O livro também mostra que há uma escravidão em todo esse meio. As meninas têm lugar pra morar e tem que pagar por tudo que elas consomem, desde comida até perfumes e roupas. Elas sempre ficam com dívidas quase eterna, nunca podendo sair da prostituição. Há casos também de meninas virgens sendo leiloadas. A virgindade é algo que os homens querem como mérito nesses locais. Eles fazem leilões para ver quem dá mais pelas meninas virgens, e o comprador que der o valor mais alto tira virgindade da menina.

Várias dessas crianças são chamadas para trabalhar em empregos formais como garçonetes, faxineiras etc, mas essa promessa é totalmente falsa. Quando as meninas chegam no local, são levadas imediatamente para a prostituição infantil. As que negam em se prostituir são perseguidas, torturadas, e as meninas que tentam fugir da casa de prostituição maioria das vezes são mortas até pelos próprios policiais da região.

As meninas que caem na prostituição são na maioria das vezes, meninas que passaram por algum estupro na infância, por pais, parentes, ou alguém desconhecido, como no caso da Maria Aparecida da Silva que trocou sua virgindade pelo sonho de ter uma boneca que nunca foi dada a ela.

As garotas que vivem nesses locais são expostas a doenças, muita falta de higiene e se submetem a abortos precários.

Gilberto Dimenstein aborda, também, a prostituição na área indígena que, segundo o líder Antônio Apurinã, de Rio Branco, Acre, é alarmante.

O autor nos faz refletir sobre a condição sub-humana em que vivem as meninas, morando em cativeiro e sendo traficadas para se prostituírem. Revelou que muitas meninas de classe média acabam vendendo seu próprio corpo para comprar uma calça de marca. No percurso, perdem-se nas drogas e nas doenças e entram para o sub-mundo, geralmente num caminho sem volta.

No final do livro Gilberto Dimenstein consegue denunciar todos esses abusos para a polícia que acabaram prendendo o maior cafetão da região. As meninas foram libertadas e receberam cuidados médicos que necessitavam. Mas não há dúvida que a maioria delas irão voltar para a prostituição, pois é a única fonte de sobrevivência que elas possuem.

Comentários

Siga-nos:

Instituições em Destaque

 
 

Newsletter

Cadastre-se na nossa newsletter e receba as últimas notícias do Vestibular além de dicas de estudo: