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Noite de Almirante (Conto de Histórias sem Data), de Machado de Assis


O conto Noite de almirante foi publicado em 10 de fevereiro de 1884, no Gazeta de Notícias, Rio de Janeiro, e depois incluso na coletânea Histórias sem Data, do mesmo ano. Obra-prima machadiana, este conto tem por motivo o desencanto ou o desencontro amoroso, guardando a pungência de uma história tchekhoviana. É uma história de ilusão perdida. O conto estuda a volubilidade do amor no coração de uma cabocla. Presenciamos a ocorrência de um triângulo amoroso. As lembranças dos amores perdidos constituem uma fonte recorrente de sua ficção e elas lhe permitem uma pontuação lírica bem pouco usual nos textos do autor. No conto o autor substitui a amargura por uma doce melancolia.

Este conto, do início da segunda e melhor fase de Machado de Assis, traz muitas das marcas e preocupações do autor: a forte caracterização das personagens, a análise da volubilidade da alma humana, a influência dos fatores externos sobre a vida personagens etc. Como em várias outras histórias, em Noite de almirante a trama conduz todo o tempo a um inevitável desfecho trágico, mas que, diferente dos outros contos, não acontece, conferindo a este um sabor especial.

Narrado em terceira pessoa, o conto explora a temática do amor sob o ângulo machadiano: a fidelidade e a inconstância são marcas presentes.

Temos na história o envolvimento entre Deolindo Venta-Grande e Genoveva. Ele acabara de retornar de uma viagem em que ficara 10 meses longe da amada, com quem havia iniciado uma relação 3 meses antes da partida. Ele inclusive chegou a pensar em não partir, mas foi dissuadido pela velha Inácia.

Ao retornar, ansioso por sua noite de almirante, Deolindo pensa em dizer à sua amada “Jurei e cumpri” – ele havia cumprido o compromisso de fidelidade ao longo dos 10 meses, só pensando em Genoveva. Deoliondo, então, segue para a casa da amada, mas a encontra fechada. Quem lhe diz o novo endereço da moça é a velha Inácia, já adiantando-lhe que a menina estava com a “cabeça virada”: ele havia conhecido um mascate, José Diogo. Inácia recomenda-lhe prudência, mas ele já não ouve.

Deolindo chega à nova casa de Genoveva, que o recebe de maneira cordial, sem intimidade. A sua explicação para a mudança é simples: o coração mudara. Deolindo lembra-lhe a promessa, mas ela diz que coisas aconteceram durante aquele período. Deolindo pensa em matá-la, mas nada faz, além de entregar os presentes que trouxera para a amada. Deolindo ainda alimenta uma esperança de tê-la de volta, mas acaba indo embora após contar histórias da viagem. Deolindo sai cabisbaixo, e Genoveva comenta que ele havia dito que se mataria, mas ela complementa: Qual o quê! Não se mata, não. Deolindo é assim mesmo; diz as coisas, mas não faz. Deolindo retorna para seu barco, mas não tem coragem de revelar como havia sido a sua “noite de almirante”.

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