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O equívoco - Contos bandidos, de João Uchoa Cavalcanti Netto


O equívoco, de João Uchoa Cavalcanti Netto, reúne 32 contos que revelam preconceito, intolerância e ignorância. Atualíssimo, embora escrito há 30 anos, o livro mostra uma época na qual os acontecimentos arrebatavam gerações. O juiz João Uchoa aborda a face violenta das cidades através de textos que denotam a falta de habilidade do ser humano para viver.

O autor botou a Justiça na linha de tiro e não poupou munição. Girou sua metralhadora, sem piedade, apoiada em um texto cru, direto e perfurante como as balas que abrem buracos nos barracos. (...) Este livro exuberante impede que a realidade siga desmoralizando a ficção. Ele soube aproveitar a experiência judiciária na prosa de ficção, esculpindo na matéria bruta, reunida dos autos, personagens que falam aos leitores verdades desconcertantes. Nem bem o leitor recebe a "ducha de água fria" e lá vem outro "banho" (conto).

Uchoa Cavalcanti não permite que o leitor continue a se embalar no sonambulismo moral. Sacode-o pelo pescoço e lhe diz: "Veja o seu mundo, veja com quem você convive, veja quem você é!" O espírito abandonou seu corpo e a decadência surge como possibilidade real.

Portanto, o autor narra de forma crua e direta, estórias de erros, intrigas e mazelas que denunciam a fragilidade do sistema judiciário e a ausência de ética e moralidade em todos os níveis das relações sociais. São contos bandidos que foram escritos há mais de trinta anos, e que agora, reeditados, se mostram implacavelmente atuais.

Nas estórias percebemos que a hipocrisia está por toda parte e é ela quem sustenta e mantém os comportamentos e a intrincada cadeia de relacionamentos. Veja os exemplos.

No conto de número 12, um juiz se vê subitamente espelhado no bandido, o engenheiro se vê espelhado no peão, a patroa não difere da doméstica, nem o banqueiro difere do bufão. Por debaixo de suas máscaras e fantasias, são irmãos em desejos, sofrem as mesmas frustrações e as soluções que os socorrem são muito parecidas.

Já o conto número 14 mostra a desventura de um policial que tenta cumprir a lei fechando uma casa de prostituição, e é penalizado por isto, porque até as mais altas autoridades utilizam-se dos serviços de prostitutas.

No conto de número 18 Uchoa Cavalcanti narra o desespero de um cliente abandonado e traído por seu inescrupuloso advogado, uma classe com notória má-fama perante a sociedade e que, assim como a classe política, se obriga ao uso de terno e gravata como forma de impor respeito, quando deveriam ser o conhecimento e a integridade as formas mais apropriadas de se obter o devido respeito.

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