Oração aos moços, de Rui Barbosa

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Com sérios problemas de saúde, no final de 1920, Rui Barbosa é convidado para paraninfo dos bacharelandos da velha Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que chegaram a adiar a formatura na esperança de contar com a sua presença.

Impedido de comparecer, enviou um discurso que redigiu em março de 1921 e foi lido pelo professor Reinaldo Porchat. Equilibrando energia e brandura, a Oração aos moços revelou um Rui Barbosa sereno e sábio, amadurecido pelos embates travados ao longo de sua trajetória de vida.

Uma das mais brilhantes peças produzidas pelo jurista, síntese de sua maturidade intelectual, discorreu sobre o papel do magistrado e a missão do advogado.

Neste discurso, Rui Barbosa proclamou que na missão do Advogado também se desenvolve uma espécie de magistratura. As duas se entrelaçam, diversas nas funções, mas idênticas no objeto e na resultante: Justiça com o advogado, Justiça militante. Justiça imperante, no magistrado.

Dá também a clássica definição do princípio da igualdade:

A regra da igualdade não consiste senão em quinhoar desigualmente aos desiguais, na medida em que se desigualam. Nesta desigualdade social, proporcionada à desigualdade natural, é que se acha a verdadeira lei da igualdade. O mais são desvarios da inveja, do orgulho, ou da loucura. Tratar com desigualdade iguais, ou desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real.

Neste célebre discurso, o autor forneceu aos jovens bacharelandos vários conselhos e diretrizes, tais como estes:

Senhores bacharelandos: pesai bem que vos ides consagrar à lei, num país onde a lei absolutamente não exprime o consentimento da maioria, onde são as minorias, as oligarquias mais acanhadas, mais impopulares e menos respeitáveis as que põem e dispõem as que mandam e desmandam em tudo.

Discutindo valores, posturas, princípios, Oração aos Moços, tornou-se ainda mais atual quando abordou a ética e a conclamou pela justa aplicação da lei lembrando que: ... o direito dos mais miseráveis dos homens, o direito do mendigo, do escravo, do criminoso, não é menos sagrado, perante a justiça, que o do mais alto dos poderes. Antes, com os mais miseráveis é que a justiça deve ser mais atenta.

As palavras revelavam sua moral rígida e hábitos metódicos mantidos ao longo da vida. Moral que, aliada ao acurado senso de justiça, destacaram Rui Barbosa na Conferência de Paz em Haia, após a Primeira Guerra Mundial.

Oração aos moços é uma brilhante lição de fé e de civismo à mocidade. Uma preciosa mensagem rica de metáforas, de onde jorram os mais sábios ensinamentos e os mais elevados conselhos. Rui Barbosa sintetiza neste texto, com rara felicidade, a fonte de vocação do advogado: “Amar a pátria, estremecer o próximo, guardar a fé em Deus, na verdade e no bem.”

Com proféticas palavras desvendou a força da juventude na construção de uma nação forte, convocando-a a participar do que chamou de ressurreição ansiada: “Mãos a obra da reivindicação de nossa perdida autonomia; mãos a obra da nossa reconstituição interior; mãos a obra de reconciliarmos a vida nacional com as instituições nacionais; mãos a obra de substituir pela verdade o simulacro político da nossa existência entre as nações. Trabalhai por essa que há de ser a salvação nossa”.

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