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Os melhores contos, de Machado de Assis

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Dizem os críticos que Machado de Assis era "urbano, aristocrata, cosmopolita, reservado e cínico, ignorou questões sociais como a independência do Brasil e a abolição da escravatura. Passou ao longe do nacionalismo, tendo ambientado suas histórias sempre no Rio, como se não houvesse outro lugar. ... A galeria de tipos e personagens que criou revela o autor como um mestre da observação psicológica. ... Sua obra divide-se em duas fases, uma romântica e outra parnasiano-realista, quando desenvolveu inconfundível estilo desiludido, sarcástico e amargo. O domínio da linguagem é sutil e o estilo é preciso, reticente. O humor pessimista e a complexidade do pensamento, além da desconfiança na razão (no seu sentido cartesiano e iluminista), fazem com que se afaste de seus contemporâneos."

Esta obra, Os Melhores contos de Machado de Assis, é uma seleção dos melhores contos do autor e corresponde ao que de melhor se escreveu no gênero, em língua portuguesa. Maior escritor brasileiro, romancista cheio de artes e artimanhas, mestre da dubiedade, dando a entender, muitas vezes, o contrário do que quis dizer, conhecedor profundo da alma humana, o bruxo do Cosme Velho encontrou no conto um esplêndido terreno para as suas bruxarias.

Em quase meio século de atividade no gênero, Machado deixou 205 contos, entre os quais dezenas de obras-primas, das melhores escritas em qualquer época e país, que o colocam como uma espécie de pico solitário da literatura universal.

Na obra, temos exemplos de narrativas em que a “atmosfera” do diálogo é predominante e de narrativas em que o enredo, marcado pela causalidade, define a arquitetura do conto. Os diversos narradores, ora em terceira pessoa, ora protagonistas, ora participantes secundários, tendem, quase sempre, a emitir opiniões e a se imiscuir no narrado. As personagens, mesmo as de menor relevo na narrativa, têm sempre em si certa ambiguidade própria do humano e que se constitui uma das características mais expressivas da visão machadiana do mundo.

A atualidade das narrativas decorre, dentre outros fatores, da multissignificação semântica que emerge do testemunho do escritor sobre a realidade do seu tempo e que aborda o pathos do homem em todos os tempos. O autor consegue, através da simulação do particular, atingir dimensões de universalidade: suas personagens ultrapassam os próprios limites individuais, para se converterem em metonímias do homem ocidental.

Dirigir-se eventualmente a um leitor hipotético, nomeando-o e qualificando-o, é uma das estratégias dos narradores dos contos de Machado. A técnica composicional dos contos tem correspondência com a complexidade da alma humana que emerge das narrativas. Menções, alusões e evocações de grandes autores da literatura universal permeiam as narrativas, cujo cronotopo mais constante é o do Rio de Janeiro do Século XIX.

No início de sua carreira, o escritor não deu muita importância ao gênero. O primeiro conto, publicado aos 19 anos, chamava-se Três Tesouros Perdidos, e o segundo, O País das Quimeras só saiu três anos depois (em 1862).

O exercício constante e persistente do gênero só se realiza após 1864. Convidado a colaborar no Jornal das Famílias, as suas histórias agradam tanto as leitoras que cada número publica dois ou três trabalhos seus, obrigando-o a utilizar diversos pseudônimos.

Os contos mais significativos de Machado de Assis, considerado por muitos um dos mais importantes autores brasileiros, estão compilados nesta obra.

O pleno domínio do gênero coincide com a grande crise de sua vida, no final da década de 1870, levando-o à descrença, ao pessimismo e ao temor da loucura. É a época das Memórias Póstumas de Brás Cubas e dos contos de Papéis Avulsos (1882), marcados pela inquietação diante da condição humana, amargos, irônicos, sarcásticos, críticos impiedosos do bicho homem, cheios de situações ambíguas, quando nada acontece, mas palpita uma riquíssima carga de humanidade.
Obras-primas do quilate de Missa do Galo, Uns Braços, Dona Benedita, Pai contra mãe, Cantiga de Esponsais, O Alienista e outros, onde a dificuldade é escolher o melhor do que, por sua condição, já figura entre o melhor dos melhores.

Créditos: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul | Projeto Releituras

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