Pedagogia da autonomia, de Paulo Freire

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Pedagogia da Autonomia, é a última obra de Paulo Freire, publicada em vida. Apresenta propostas de práticas pedagógicas necessárias à educação como forma de construir a autonomia dos educandos, valorizando e respeitando sua cultura e seu acervo de conhecimentos empíricos junto à sua individualidade.

É uma reunião de experiências transformadas em pensamentos que buscam a integração do ser humano e a investigação de novos métodos, valorizando a curiosidade dos educandos e educadores, condenando a rigidez ética que se volta aos interesses capitalistas e neoliberais, que deixam à margem do processo de socialização os menos favorecidos.

Freire introduz Pedagogia da autonomia explicando suas razões para analisar a prática pedagógica do professor em relação à autonomia de ser e de saber do educando. Enfatiza a necessidade de respeito ao conhecimento que o aluno traz para a escola, visto ser ele um sujeito social e histórico, e da compreensão de que "formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas". Define essa postura como ética e defende a idéia de que o educador deve buscar essa ética, a qual chama de "ética universal do ser humano", essencial para o trabalho docente.

"Não podemos nos assumir como sujeitos da procura, da decisão, da ruptura, da opção, como sujeitos históricos, transformadores, a não ser assumindo-nos como sujeitos éticos (...) É por esta ética inseparável da prática educativa, não importa se trabalhamos com crianças, jovens ou com adultos, que devemos lutar."

Como eixo norteador de sua prática pedagógica, Freire defende que "formar" é muito mais que formar o ser humano em suas destrezas, atentando para a necessidade de formação ética dos educadores, conscientizando-os sobre a importância de estimular os educandos a uma reflexão crítica da realidade em que está inserido.

Enfatiza alguns aspectos primordiais, porém nem sempre adotados pela sociedade atual, como: simplicidade, humanismo, bom senso (ética em geral) e esperança, já que na sua visão o capitalismo leva a sociedade a um consumismo exacerbado e a uma alienação coletiva, através, principalmente, dos veículos de comunicação de massa. O fracasso educacional deve-se em particular a técnicas de ensino ultrapassadas e sem conexão com o contexto social e econômico do aluno, mantendo-se assim o status quo, pois a escola ainda é um dos mais importantes aparelhos ideológicos do Estado.

Apresenta uma proposta de humanização do professor como norteador do processo sócio-educativo, construindo uma consciência crítica com relação à manipulação política que fazem com todas as camadas sociais, mas sobretudo com as de baixa renda.

Paulo Freire enfatiza a necessidade de uma reflexão crítica sobre a prática educativa, sem a qual a teoria pode se tornar apenas discurso e a prática uma reprodução alienada, sem questionamentos. Defende ainda que a teoria deve ser adequada à prática cotidiana do professor, que passa a ser um modelo influenciador de seus educandos, ressaltando que na verdadeira formação docente devem estar presentes a prática da criticidade ao lado da valorização das emoções.

O autor afirma que o professor deverá também ensinar a pensar certo, sendo a prática educativa em si um testemunho rigoroso de decência e pureza. Para Freire, faz parte do pensar certo a "disponibilidade ao risco, a aceitação do novo e a utilização de um critério para a recusa do velho", estando presente a rejeição a qualquer tipo de discriminação.

Ainda destaca a importância de propiciar condições aos educandos, em suas socializações com os outros e com o professor, de testar a experiência de assumir-se como um ser histórico e social, que pensa, que critica, que opina, que tem sonhos, se comunica e que dá sugestões. Acredita que a educação é uma forma de transformação da realidade, que não é neutra e nem indiferente mas que tanto pode destruir a ideologia dominante como mantê-la.

Freire ressalta o quanto um determinado gesto do educador pode repercurtir na vida de um aluno (afetividade e postura) e da necessidade de reflexão sobre o assunto, pois segundo ele ensinar exige respeito aos saberes do educando. A construção de um conhecimento em parceria com o educando depende da relevância que o educador dá ao contexto social.

Paulo Freire reafirma a necessidade dos educadores criarem as condições para a construção do conhecimento pelos educandos como parte de um processo em que professor e aluno não se reduzam à condição de objeto um do outro, porque ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção. Segundo o autor, essa linha de raciocínio existe por sermos seres humanos e, dessa maneira, temos consciência de que somos inacabados, e esta consciência é que nos instiga a pesquisar, perceber criticamente e modificar o que está condicionado, mas não determinado, passando então a sermos sujeitos e não apenas objetos da nossa história.

Todos devem ser respeitados em sua autonomia sendo, portanto a auto-avaliação é um excelente recurso para ser utilizado dentro da prática pedagógica. Educadores e educandos necessitam de estímulos que despertem a curiosidade e em decorrência disso a busca para chegar ao conhecimento.

O bom senso requer que sejamos coerentes, diminuindo a distância entre o discurso e a prática, julgando se a sua autoridade na sala de aula é ou não autoritária, pois ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educandos e exige também a compreensão da realidade.

Ensinar requer a plena convicção de que a tranformação é possível porque a história deve ser encarada como uma possibilidade e não como um determinismo moldado, pronto e inalterával. O educador não pode ver a prática educativa como algo sem importância, sendo preciso lutar e insistir em revoluções e mudanças.

O educador não deve barrar a curiosidade do aluno, pois é de fundamental relevância o incentivo à sua imaginação, intuição, senso investigativo, enfim, sua capacidade de ir além.

No capítulo "Ensinar é uma especificidade humana", Freire defende a necessidade de conhecimento e afetividade por parte do educador para que este tenha liberdade, autoridade e competência no decorrer de sua prática docente, acreditando que a disciplina verdadeira não está no silêncio dos silenciados, mas no alvoroço dos inquietos, o que implicaria na autoridade verdadeiramente democrática.

O educador deve exercer sua autoridade e sua liberdade. Liberdade esta que deve ser vivida em sua totalidade com a autoridade em uma relação dialética, centrada em experências estimuladoras de decisão e responsabilidade.

Freire salienta que a educação tem a política como uma característica inerente à sua natureza pedagógica, e alerta para a necessidade de nos precavermos dos discursos ideológicos, dos quais a educação também faz parte, pois ameaçam confundir a curiosidade, além de distorcer a leitura e interpretação dos fatos e acontecimentos.

O educador como um ser histórico, político, pensante, crítico e emotivo não pode apresentar postura neutra. Deve procurar mostrar o que pensa, indicando diferentes caminhos sem conclusões acabadas e prontas, para que o educando construa assim a sua autonomia. O educador deve saber escutar, pois é somente escutando crítica e pacientemente que se é capaz de falar com as pessoas e conseqüentemente com os alunos.

Para Freire, ensinar exige querer bem aos educandos, expressando a afetividade. A atividade docente é uma atividade também de caráter afetivo, porém de uma formação científica séria, juntamente com o esclarecimento político dos educadores.

A prática educativa é um constante exercício em favor da construção e do desenvolvimento da autonomia de professores e alunos, não obstante transmitindo saberes, mas dando significados, construindo e redescobrindo os mesmos pois fomos programados, mas para aprender e por conseqüência para ensinar, intervir e conhecer.

Resumo

Capítulo I - Não há docência sem descência

Não se reduzem à condição de objeto um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender.

Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa, e foi aprendendo socialmente que, historicamente, mulheres e homens descobriram que era possível ensinar. Aprender precedeu ensinar, ou em outras palavras, ensinar se diluía na experiência realmente fundante de aprender.

É necessário que o educando mantenha acesa sua curiosidade para aprender ou não haverá troca.

Ensinar Exige Rigorosidade Metódica

Nenhum professor que não carregue dentro de si vontade, garra, imaginação, claro, devidamente dosadas poderá de maneira alguma ser democrático em sua aula. Sua metodologia de ensino deve ser altamente instigadora, imaginatíveis, trazer à tona do aluno que o que ele quer.

Ensinar Exige Pesquisa

Não há como ser professor sem ser pesquisador, como pode saber que fulano de uma certa época fumava? Pesquisa o hábito da pesquisa traz ao professor e ao aluno conhecimentos que poderão ser de grande ajuda em sua vida acadêmica e escolar. O aluno que pesquisa se interessa pelo meio e pode transformá-lo.

Ensinar Exige Respeito aos Saberes dos Educandos

Não, o professor não é o dentetor de todo o saber, ele deve procurar saber das exigências e vivências de seus alunos com o devido respeito. Não ria de um aluno com sotaque diferente, aproveite para dar uma aula sobre o estado em que ele nasceu, costumes etc. Você mostrará que é maleável e que ele não é diferente.

Capítulo II

Ensinar não é transferir conhecimento. Ensinar é preparar o caminho para a total autonomia de quem aprende, é fazer um cidadão consciente de seus deveres e direitos, não um robô teleguiado que obedece à tudo.

Ensinar Exige Consciência do Inacabamento

Ensinar talvez é saber que um dia tudo acabe, é saber transmitir o final, pois se temos um começo e um meio é claro que teremos um fim. Saber levar com maestria a relação começo/fim para que o educando possa passá-la com total lealdade e sem medos.

Ensinar Exige o Conhecimento de ser Condicionado Ser condicionado implica saber meu lugar neste vasto mundo no qual estou inserido.

Saber que quando vou para o trabalho encontrarei seres inacabados, mas também “condicionados”, mas para aprender que não somos somente objeto de processo.

Ensinar Exige Respeito à Autonomia do Educando

Assim como exigimos respeito à nossa própria autonomia, a do educando deve sempre ser levada em consideração, não respeitá-la não é ético. O professor que ironiza, que acha que é o todo poderoso e coloca o aluno no mais baixo escalão está se eximindo do cumprimento de sua missão de educador.

Se você tem alguma posição contrária que assuma sua posição, mas não tente explicá-la por meio de outras análises. Se não gosta de negros, diga que não gosta, não venha dizer que o branco é superior para explicar seu racismo, assuma-se.

Capítulo III

Ensinar é uma especificidade humana.

Todo educando sabe que deve respeitar o educador, mas o educador precisa fazer-se respeitar.

Ensinar Exige Segurança, Competência Profissional e Generosidade

Antes de mais nada, se como educador não tenho os meus pés no chão já começo errado, porque qualquer problema que houver não teria segurança, se junto com a insegurança for também um péssimo profissional e sem gestos de bondade sinceramente devo desistir, não tenho condições de ser educador.

Todo educador precisa ser seguro no andar, falar e principalmente ensinar pois querendo ou não matéria mas é poder satisfazer também a curiosidade de seus alunos sendo gentil e dizer “vou procurar e trago da próxima vez”. Com essas características você será um bom educador.

Ensinar Exige Comprometimento

Comprometimento é conhecimento, interação entre aluno e professor, como eles me vêem vai tornar meu trabalho mais fácil ou mais difícil.

Hoje em dia o professor precisa estar cada vez mais atento ao que está ao seu redor ou corre o risco de virar peça de museu.

Ensinar Exige Compreender que a Educação é uma Forma de Intervenção no Mundo

Ensinar não somente o be-a-bá, ensinar que ele vive num mundo onde há diferentes culturas e que querendo ou não elas influem em sua vida diária e que influenciam no seu futuro como pessoa. Que o educador não se feche no seu mundinho de passado glorioso, mas que abra as portas do futuro ao educando fazendo-o vivenciar seu presente de melhor forma possível, que possa distinguir o bem do mal, analisar os conflitos sociais e até tentar resolvê-los, eis aí a mais bela missão de educador: “Educar para a vida”.

Conclusão

Vimos através de Paulo Freire que quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender e que o aprender precedeu do ensinar. É de suma importância que exista dentro de quem ensina, uma vontade de sempre aprender; Acompanhada de vontade, garra, imaginação entre outros tudo devidamente dosado.

Ensinar é preparar o caminho para a total autonomia de quem aprende, fazendo um cidadão consciente de seus deveres e direitos.

Cada profissional de educação deverá estar capacitado para exercer o cargo de educador do futuro, através de cursos, oficinas e seminários teremos um profissional pronto para se adequar ao mundo tecnológico, aquele que se opuser a esta nova performance de mercado será provavelmente engolido por ele.

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