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Poema da Necessidade (Poema da obra Sentimento do mundo), de Carlos Drummond de Andrade


É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.

As necessidades do poeta são postas no poema, como se assim, a carência delas fosse suprida. Mas não se pode esperar que o canto do poeta transformasse as pessoas: "A poesia é incomunicável". E no entanto, o poeta crê na necessidade de mudar o mundo e credita muito valor ao poema. Mas o coração do poeta é mais vasto que o mundo.

Em "Poema da necessidade", o discurso tem uma enunciação fundamentalmente determinista e apocalíptica.

Utilizando-se do recurso da anáfora (repetições), o poeta anuncia o “fim do mundo”, num cotidiano frenético.

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