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Um manicaca, de Abdias Neves

  • Data de publicação

A obra Um manicaca, de Abdias Neves, foi composta com a intenção de documentar Teresina no apagar das luzes do século XIX e combater as práticas e a fé religiosa da coletividade e ainda algumas doutrinas do Catolicismo. No fim do século registrou: os animados festejos da igreja de N.S. do Amparo, de foguetório e namoricos. As festas de aniversário nas residências, quando os amigos chegam de surpresa, sem aviso: forma-se o baile, dança-se, bebe-se e fala-se da vida alheia. As alegrias públicas com o reconhecimento, pelo governo, dos parlamentares eleitos. O São João festivo, com o boi e fogos de artifício. Serenatas madrugadinas. As sentinelas em casa de defunto.

Registrou a moda do tempo: a bengala, a flor na lapela, o leque, o chambre, o cabelo à escovinha. Não esqueceu os tipos: o acendedor de lampiões, o cangueiro dágua, nem certos hábitos como o rapé, as cartas anônimas, a vida noturna dos homens nos botequins.

A obra foi publicada em 1909, embora escrita entre os anos de 1901 e 1902, e é a primeira expressão do romance de costumes da literatura piauiense, embora o escritor, documentando a época vivida pela capital piauiense e nos tempos finais do século XIX e alvorecer do XX, pretendesse sustentar as suas ideias anticlericais e o seu ateísmo, condenando os ritos, crenças e processos religiosos da Igreja Católica. Mas é também uma história de pecadores, numa cidade tomada de preconceitos, num tempo em que os ministros de Deus mais condenavam práticas do que educavam os espíritos. Era a exigência da época. A exigência dos costumes, a exigência das mentalidades.

Um manicaca deve ser visto na personalidade do autor e nos caracteres humanos que davam vida à cidade ainda desumana, suja, sem conforto, impregnada de religiosidade simples, submissa a tabus de vários tipos, vivendo do pequeno comércio, deliciando-se com a intriga e o mexerico. Nela se entrecruzam tipos humanos, quase sempre maledicentes.

A obra possui aspectos do Realismo e Naturalismo. As ideologias da "Escola do Recife", da qual o autor tomou contato durante seu período de acadêmico de Direito, tomam-se bastante evidente . A "Escola do Recife " foi um dos centros culturais de irradiação dos ideais realistas-naturalistas no final do século passado , tendo como expoentes maiores Sílvio Romero e Tobias Barreto .

Um Manicaca é uma obra de forte caráter crítico. O autor reproduz a Teresina da época fazendo severas críticas a vários costumes , comportamentos e convenções sociais. Dentre as críticas, como já vimos, destacam-se:

- O Anticlericalismo: é um dos temas principais da obra. Em várias passagens, o clero é mostrado como acomodado e explorador da fé e da ingenuidade dos fiéis. Através de alguns personagens (João Sousa, Dr. Praxedes, Dr. Ernesto, Chaves) e do narrador, as criticas ao clero são articuladas , como se percebe nessa descrição feita pelo narrador da personagem Candoca, filha de João Sousa, dando-lha um tom caricatural:

"(...) Como não se casara, tinha um profundo rancor contra os homens que não haviam olhado para a florescência dos seus vinte anos, e, em desespero de causa, perdida a esperança dos gozos deste mundo, voltava-se, como todas as solteironas, para o céu, num impulso de crenças doentias, que a faziam perder^ metade do seu tempo na igreja, num culto que era mais do padre que dos santos. (...)
Nada escondia do seu confessor, que queria saber tudo: a despesa da casa, as trampolices do velho, os namoros das irmãs . Contava-lhes tudo. E, receosa, sempre, de não ser digna da absolvição, eram presentes, doces, frutas, toalhas rendadas, raquetes de cambraia para o reverendo. Mais. Remetia-lhe esmolas, encomendava missas, trabalhava até noite alta para ter o dinheiro de que precisava para as despesas com a sua salvação."
(p. 24).

O pensamento científico e materialista é confrontado em algumas passagens com o religioso, mostrando bem a intolerância do segundo, onde em uma cidade provinciana como Teresina, "(-..)Se a ciência o combate, pior para a ciência." (p.59), pois "(...) Entre a ciência e o milagre, a maioria é pelo milagre." (p. 59).

Ainda é evidenciada a rivalidade entre a Igreja Católica e a Maçonaria , vista como "seita diabólica". Um dos pontos principais desse contraponto é o casal Eufrasina e Chaves. Ela, uma típica devota que vive em função da igreja ; ele, um maçom . Ambos vivem a discutir por divergências ideológicas, sem sobretudo, um suplantar o outro.

- O Adultério: outra temática de evidência no romance, o adultério é uma crítica à instituição do casamento. Este aspecto é típico do Realismo-Naturalismo, desenvolvido por Machado de Assis e Aluisio de Azevedo. Júlia trai o marido com o sócio deste, Luís Borges, com quem tivera um rápido namoro na juventude. A relação adúltera é o comentário de toda a cidade, mantendo-se assim um casamento de aparências. Araújo, cada vez mais submisso aos desejos da mulher, torna-se um joguete em suas mãos, vindo a descobrir o fato próximo da fuga dos amantes. Todavia, aceita conformado, por ter necessidade da presença de Júlia.

O determinismo se faz latente no comportamento desta personagem, em uma passagem onde, ao tentar justificar para si o adultério cometido, Júlia se coloca como vítima do pai e do marido :

"(...) A moça não se deixava enganar. Resolvera-se, porém, a tudo. O passado impelia-a para diante. Era o despenhadeiro do crime. Não se resvala sem outras consequências. É a atração do abismo, pavorosa e invencível. Uma falta arrasta a outra, E justificava-se. Podia ter sido uma mulher honesta se a ambição do pai não quisesse fazer de sua beleza uma transação rendosa. O mais culpado, entretanto, era o marido. Não fosse Araújo e chegaria, talvez, a vencer o ódio do velho."

Assim, o adultério é encarado por esta como uma "(...) compensação de sua mocidade, da sua beleza, de sua pureza, sacrificadas com aquele casamento infeliz. Perdeu os derradeiros escrúpulos."

- A crítica aos costumes da sociedade: em várias passagens o narrador descreve os costumes teresinenses sempre evidenciando um caráter crítico. Os mexericos, as intrigas, o falso pudor, a religiosidade de aparências, a bisbilhotice, a superstição e a discriminação social são alguns aspectos onde estão evidenciadas tais críticas. Isso se faz notório no casamento do Dr. Praxedes com Mundoca. Quando, no dia posterior ao casamento, os noivos recebem visitas, todos ficam a observar e comentar sobre a casa, a mobília, sempre em um tom pejorativo. No mesmo episódio, João Sousa, não conseguindo proferir seu discurso aos convidados, comenta rancorosamente ao Dr. Ernesto: "Ó mundo é das aparências. O homem vale o que parece ser." (p. 126).

Outro fato significativo é o dia de finados, descrito no capítulo XII, onde o narrador coloca: "Percebia-se, facilmente, a nota convencional da visita à casa dos mortos. Era feita porque obrigavam os costumes."(p. 165).

- A Zoomorfização: aredução de um personagem à condição animalesca é típica do Naturalismo. Tal aproximação pode ser feita de duas maneiras- ou pela comparação das partes corpóreas entre humanos e animais; ou levando o personagem a se guiar por seu instinto, desprezando-se assim o seu caráter racional. No romance, essas duas formas se fazem presentes, no intuito do naturalismo em mostrar a degeneração do Homem.

- A análise psicológica: característica evidenciada no Realismo , o teor psicológico consiste na análise comportamental do personagem levando em consideração seus conflitos interiores. Aqui, a análise psicológica aparece em alguns momentos da narrativa. A confrontação entre a zoomorfização (Naturalismo) e análise psicológica (Realismo) não se anulam, embora sejam formas opostas na mostragem do comportamento humano. Há uma complementação entre ambas, mantendo-se o equilíbrio entre esses dois aspectos.

Quanto à linguagem em Um manicaca se apresenta em dois níveis : o do narrador e o dos personagens.

Quanto ao estilo do narrador, há uma tendência de se aproximar da norma culta. Os discursos direto e indireto livre são utilizados, predominando o primeiro em detrimento do segundo.

Quanto ao nível das falas dos personagens, o narrador nos dá uma conotação próxima à oralidade, reproduzindo o discurso oral. Este aspecto pode ser percebido nas obras naturalistas de Aluísio de Azevedo, que fez também notações precisas das diversas variações da fala.

No romance Abdias Neves dá vazão à prática de definir escriturísiticamente essa nova concepção dos espaços sociais, estabelecendo distinções, procurando didaticamente apontar para novos comportamentos e para a inconveniência de determinadas situações usais na sociedade, na sua escrita, se mostra capturado pela ideia burguesa de privacidade, pela positivação da intimidade na vida conjugal e familiar, e ainda, por um pudor com relação ao corpo.

O espaço da casa é ressignificado como lugar de repouso, reservado à família e onde a presença de estranhos deveria ser algo eventual e seguir ritual de apresentação. As práticas tradicionais, no entanto apontavam para certa indistinção entre o que era público e o que era privado. Por isso, Abdias recorre à representação de algumas situações para mostrar sua reprovação a essas atitudes.

Reprovável para ele era o comportamento do personagem Pedro Gomes, que ao chegar em casa à noite, entra no quarto da filha Júlia sem avisar – Sem refletir na inconveniência do que ia fazer, fora ao quarto onde dormia a moça e abrira a porta – (NEVES, 1985, p.38).

Ao rotular tal situação como inconveniente, o autor acena para a ideia de que o quarto de dormir deve ser percebido como espaço de intimidade, devendo ser preservado dos olhares. O segundo fator de inconveniência na atitude de Pedro Gomes é o fato de entrar desavisadamente no quarto de uma mulher, o pudor que deveria cercar esse espaço de intimidade feminina não permitia que ele fosse violado principalmente por pessoas de outro sexo.

Um segundo momento em que Abdias Neves trata da inconveniência da presença de pessoas estranhas aos espaços privados retrata a forma sem cerimônia como as pessoas entravam na casa onde residia o casal Praxedes e Mundoca. A atitude não causa nenhuma estranheza nem ao proprietário da casa, nem aos visitantes, que pareciam estar cumprindo um ritual corriqueiro e usual na cidade:

"Desde 11 horas da manhã apareciam visitantes, apesar do sol que escaldava a rua. Entravam sem cerimônia, por toda parte, vendo tudo, dando a procedência de alguns objetos, discutindo o preço de outros, fazendo alusões, abusando da ausência do noivo para não deixarem coisa alguma sem exame rigoroso. A todo o momento estalavam risos pela casa, sonoramente acentuando pilhérias mais ou menos picantes. [...] Todo mundo, senhoras e moças especialmente, ali entravam e saíam, muito naturalmente, sem pensar na impertinência da visita, desculpadas pela opinião que sancionava esse costume. Fazia-se, com ele, o que se fazia com os outros noivos." (NEVES, 1985, p. 128).

Em outro trecho do romance, Abdias utiliza-se do personagem Ernesto, aluno de Direito na Faculdade do Recife, rapaz que frequentara outros meios, aprendera novas formas de sociabilidades e agora comentava da inconveniência, do atraso de certos hábitos usuais na cidade no começo do século XX. Desta feita, a crítica de Abdias direciona-se à exposição do leito nupcial de Praxedes e Mundoca aos mexericos e comentários:

"Todos os dias encontro novo sintoma de atraso e fale-se que é um Deus nos acuda! A festa está correndo regularmente. Mas uma coisa está encabulando-me. Quer saber?
Diga-me, você que conhece melhor a terra: para que aquela cama exposta, bem às vistas de todos? Tinham seguido conversando e achavam-se sentados, frente a frente, na alcova. [...] Para quê? Diga! – Fica em exposição, defronte das janelas, preparada, cheirosa, à espera dos noivos -[...] Ontem vi duas senhoras sentarem-se aí. Riam-se apalpando os colchões, revolvendo os travesseiros. Que alegria era essa?
- [...] Não são apenas essas duas ou três moças. Os rapazes andam pior. Vi alguns se sentarem ai, fazendo as mais cruas observações.
" (NEVES, 1985, p.131)

Faltava à população a compreensão da inconveniência de certas atitudes. Determinados espaços da casa como o quarto, deveriam se tornar lugar de privacidade, onde se daria de forma escondida, segredada o enlaçamento íntimo do casal, esse lugar deveria ser preservado de comentários, de indiscrições, de visitas abusadas, que procuravam usar da imaginação para desvendar os momentos íntimos, os primeiros contatos entre os esposos.

A fala de Abdias procura dar outros significados também à sexualidade no âmbito conjugal. Os literatos condenavam a indiscrição das pessoas em indagar sobre a noite de núpcias, sobre a vida sexual do casal. Para ele os eventos da vida conjugal deveriam ser segredados, a vida íntima do casal a eles pertencia. O pudor em torno da noite de núpcias e da vida afetiva parece se instalar como valor nas sociedades burguesas. É a esse sentimento que ele se refere, quando Mundoca é intimada pelas amigas solteiras, a lhes revelar os acontecimentos da noite de núpcias. Mundoca, para livrar-se da insistência das amigas, promete contar-lhes tudo o que ocorresse, no dia seguinte, entretanto, nada revela.

Seu silêncio é enaltecido por Abdias como uma atitude correta, o segredo da vida conjugal mantêm-se entre o casal.

Abdias Neves critica ainda a atitude das amigas de Mundoca em outro momento. Quando a noiva se preparava para a cerimônia de casamento, as amigas a acompanharam dentro do quarto e, ainda mais: sem perceberem nenhuma inconveniência na situação, observaram todo o ritual de tomar banho e de arrumar-se da noiva. Abdias vê nessa atitude uma grande intromissão na privacidade das pessoas, e demonstra todo o seu incômodo no seguinte trecho:

"Mundoca, entretanto banhava-se na presença de Rosinha e Emília Figueiredo que tinham vindo passar o dia em sua casa. Não houve meio de evitar que a acompanhassem ao banheiro e lá estavam tagarelando." (NEVES, 1985, p. 109).

A crítica de Abdias se estende também à frequência de pessoas estranhas no espaço da casa. Os hábitos coloniais que contavam com a presença de inúmeros serviçais e agregados, os quais faziam da família grupos de pessoas que iam muito além do marido, da mulher e dos filhos, reunindo indivíduos que não tinham entre si nenhum laço de consanguinidade, eram percebidos como fator de risco à privacidade.

A presença de estranhos, de serviçais é sempre apontada pelos literatos como motivo de desequilíbrios, de quebra da ordem, como provocadores de conflitos. É assim que Abdias critica a presença de Luiz Borges, funcionário de Araújo, que vai morar num quarto na casa do patrão. Divide com a família os mesmos espaços, convive cotidianamente, com todos, aproximando-se perigosamente de Júlia e acabando por envolver-se com a mulher do patrão, se tornando seu amante. Os encontros eram possibilitados pela convivência que Luiz Borges tinha dentro da casa do patrão.

Em Um Manicaca, Abdias retrata como as portas mal fechadas e frágeis foram responsáveis pela descoberta dos segredos íntimos da personagem Júlia. Quando moça, o pai flagra o seu encontro íntimo com o namorado no quarto de dormir, depois de casada é o marido quem flagra seu encontro com o amante. Entretanto, as condições materiais de moradia poderiam, por outro lado, facilitar e encobrir determinadas atitudes ousadas. É assim que a escuridão da noite e a fraca iluminação das casas, bem como o hábito de manter pequenos pomares nos quintais, ou ainda a construção de estábulos, de depósitos nos fundos das casas, serviriam para encontros entre amantes audaciosos.

Abdias discute ainda em várias passagens do texto as relações conjugais, condenando determinadas atitudes como tradicionais, antigas, e por isso mesmo incompatíveis com os novos modelos de sociabilidade moderna. È assim que inicia suas críticas aos modelos tradicionais apontando a desigualdade nas idades e as escolhas que levaram em consideração os interesses familiares em detrimento das vontades individuais.

O caso da personagem Júlia é ilustrativo dos interesses que estavam em jogo nas escolhas conjugais. Júlia é filha de Pedro Gomes, comerciante bem aquinhoado na cidade, podendo sonhar com um genro que fosse comerciante, ou bacharel, um homem que desse continuidade ao processo de ascensão social que ele vinha conseguindo.

No entanto, a escolha da filha recai sobre Luis Borges, empregado no comércio na função de guarda-livros. Ao apresentar o pretendente ao pai, a reação desse foi de completa contrariedade, não aceitando a hipótese de casar a filha com um simples empregado do comércio. A escolha da moça foi prontamente rechaçada pelo pai que via no casamento da filha, não a sua realização pessoal, a felicidade conjugal, mas, uma moeda de troca, capaz de propiciar a ele uma boa aliança
familiar. Pedro Gomes acaba casando a filha com Araújo, um homem mais velho que Júlia, um tipo sugestionável, porém com boa situação financeira. A moça casa, mesmo contra sua vontade.

O referido casamento é assim construído por Abdias Neves como uma relação viciosa desde a sua origem. Além da falta de afinidade entre os noivos, a desigualdade nas idades seria outro fator negativo. Araújo, mais velho, não poderia corresponder aos anseios de uma mulher jovem como Júlia.

"Precisava de um marido de vinte anos e o que lhe fora imposto pela vontade paterna estava em condições de adotá-la como filha. Precisava de um homem são, e o pai que não quisera atendê-la, havia lhe dado um moribundo." (NEVES, 1985, p.150)

Se Araújo torna-se manicaca, se, além disso, é traído pela esposa, isso se devia aos vícios de origem do relacionamento. Júlia, por seu lado, é descrita por Abdias como vítima do jogo de interesses do pai, das normas sociais patriarcais que davam aos homens poder excessivo e discricionário sobre os filhos.

Um segundo casal retratado por Abdias Neves no romance é o casal Praxedes e Mundoca. A relação dos dois aparece no texto de Neves como modelo paradigmático, casal formado a partir da livre escolha, pela admiração mútua, pelo conhecimento prévio e pelo estudo dos comportamentos e idéias de ambas as partes. Além do já exposto, Mundoca nutre devotado respeito às opiniões e idéias de Praxedes, o que dá ao casal o equilíbrio necessário para a manutenção da relação. Não há imposição familiar para o início da relação, porém os dois fazem escolhas totalmente compatíveis para os seus grupos familiares. Para a família de Mundoca, a filha casava muito bem, um rapaz de boa família, de boa formação, capaz de sustentar a moça e de trazer prestígio social à família da noiva, afinal de contas era um bacharel.

A escolha de Praxedes, por seu lado, era totalmente aceitável: Mundoca era mulher reservada, serena, boa filha, capaz de tornar-se boa esposa e mãe exemplar. Além disso, era filha de um rico comerciante, bem situado na cidade, o que a tornava uma mulher bem dotada para ser a esposa de um bacharel de futuro.

Se o exemplo de Praxedes e Mundoca é retratado como caso exemplar, onde dois jovens de idades e condições sociais equivalentes iniciam relacionamento de aproximação de onde brotam sentimentos e desejos mútuos, que acabam por desaguar na felicidade conjugal, o caso de Júlia e Araújo, cujo casamento nascia da imposição paterna, e não dos desejos e sentimentos dos cônjuges, e onde a diferença de idade, de mais de dezesseis anos, se impunha como outro empecilho é criado pelo autor como uma relação doentia, viciosa, fadada à infelicidade e à infidelidade conjugal.

O fato de as escolhas conjugais serem agora lastreadas em afetos, no amor, não transformam necessariamente a vida conjugal em espaço de felicidade.

Nota: Manicaca era um termo utilizado em Teresina, no final do século XIX e início do século XX, para designar os homens controlados pela mulher. Abdias Neves usou o referido termo para denominar este romance.

Créditos: Jordan Bruno, Professor de História, Graduado pela Universidade Estadual do Piauí | Colégio Pró-Campus | Pedro Vilarinho Castelo Branco, Doutor em História, membro permanente do Programa de Pós-Graduação em História da UFPI.

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