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Uma estória de amor (da obra Manuelzão e Miguilim), de Guimarães Rosa

  • Data de publicação

Análise da obra

Pertencente à obra Manuelzão e Miguilim, a novela narra os preparativos para uma festa e a própria festa, idealizada por Manuelzão para consagrar uma capela por ele construída. A festa e seus preparativos são como uma coluna dorsal, ou um esqueleto, mas os músculos e nervos da narrativa são os pensamentos, sentimentos e lembranças de um velho vaqueiro que vê com preocupação o fim do caminho: "De todo não queria parar, não quereria suspeitar em sua natureza própria de um anúncio de desando, o desmancho, no ferro do corpo. Resistiu. Temia tudo na morte."

Foco narrativo

Narrado em terceira pessoa, narrador onisciente, que não demonstra muito simpatia pelo protagonista.

Tempo

O tempo cronológico está bem registrado, são os três dias de festa, mas contaminado pelo tempo psicológico, pois os três dias parecem uma eternidade. Esse efeito é produzido pela inserção de três grupos de informações:

- as narrativas encaixadas;

- os pensamentos e sentimentos do protagonista;

- as descrições de pessoas e de elementos da natureza.

Temática

Encontramos a velhice com toda sua problemática: os problemas de saúde (a doença do pé e a falta de ar), o temor da morte, as lembranças e o balanço da vida passada, a consolidação de valores e de crença (gosto pelo trabalho e desprezo pela farra ou pela folga, manter firme as decisões e compromissos assumidos) e um vago desejo de recomeçar algo, corrigindo o que se considera insatisfatório no viver passado. Pode-se tomar como exemplo disso a vontade que Manuelzão sente de casar-se e constituir uma família verdadeira. O amor também é um tema importante e perpassa toda a narrativa, mas não é tão intenso e mais solto como em Campo Geral. É um amor reprimido pelos valores sociais, como o que une Camilo e Joana Xavier ou o que Manuelzão não admite sentir por Leonísia.

Personagens

Manuelzão, protagonista, velho vaqueiro, solteirão, que já começava a sentir a idade avançada e a proximidade da morte. A personagem de ficção foi inspirada em uma pessoa real, histórica, o mineiro Manuel Nardi, de quem Guimarães Rosa ouviu muitas histórias que foram depois aproveitadas por ele.

Adelço, filho bastardo ou natural de Manuelzão, tipo fechado que parece querer bem apenas aos filhos e à mulher.

Leonísia, mulher de Adelço, sertaneja bonita, bondosa, trabalhadeira, que atrai a simpatia e o desejo de Manuelzão que se reprime toda vez que se manifesta.

Promitivo, irmão de Leonísia. Sabe ser simpático, mas não quer nada com o trabalho.

Camilo, agregado, velho mendigo que acabou se incorporando à família de Manuelzão.

Senhor do Vilamão, visita considerada por ser rico e de prestígio. É um homem velho e antiquado.

Federico Greyre, dono das terras de Samarra, patrão de Manuelzão. Não parece fisicamente, mas povoa os pensamentos de Manuelzão.

João Urúgem, homem selvagem que vive como animal no meio do mato.

Enredo de Uma estória de amor

Parece que em Uma estória de amor vamos para o outro lado da existência, já que seu protagonista, Manuelzão, tem 60 anos. No estágio que atingiu, torna-se o responsável pela fazenda Samarra, pertencente a Federico Freyre, alguém que nunca aparece, sendo apenas mencionado (cuidar das terras de alguém que não aparece fisicamente, só na forma de uma carta, faz lembrar o próprio papel de Adão ou até mesmo do ser humano em relação a Deus).

Estabelecido, depois de uma ampla vida de atribulações, resolve instalar sua mãe e pouco depois, sentindo falta, provavelmente, de um sentimento de família, busca um seu descendente, fruto de um relacionamento perdido no tempo. É o seu filho, Adelço de Tal, sujeito desamistoso, seco, casado com Leonísia, mulher linda a ponto de inspirar desejos perigosos em Manuelzão, o que provoca nele um conflito interior. O casal tem um filho, Promitivo, rapaz sem rumo certo na vida – um vagabundo.

Com a morte de sua mãe, Manuelzão resolve erguer uma capela para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, atendendo, quase que inconscientemente, a um pedido da progenitora, quando ainda viva. Coincidência ou não, essa determinação ocorre logo após o riacho que cortava a fazenda ter misteriosamente secado no meio de uma noite. Terminada a construção da igrejinha, prepara-se para inaugurá-la, esperando a chegada de um padre.

Surpreendentemente, vem chegando uma enorme quantidade de gente, de todas as partes, para participar desse evento religioso. É um festejo que já ocorre nas vésperas do que acaba se tornando o grande dia e do qual Manuelzão não tem mais controle, a não ser no que se refere à preocupação de garantir alimentação para uma população tão grande de convivas.

Entre as pessoas de todo tipo que aparecem, destaque deve ser dado a algumas figuras. A primeira é João Urúgem, homem extremamente primitivo, às vezes tão colado à terra que é visto de quatro, e que chega a cheirar mal, animalescamente. O outro é o Senhor do Vilamão, outrora homem muito rico e poderoso, mas no presente caduco. Diminuída sua potência político-econômica, ainda tem posses e pose. Há também Joana Xaviel, grande contadora de história e que tivera um enlace amoroso (pelo menos no mínimo suficiente para espantar a solidão da velhice) com Camilo, homem de passado misterioso, não se sabe se até fora déspota e bandido, mas que tinha como que preservado um ar de prestígio. Havia até quem suspeitasse de um interesse emotivo entre ele e a mãe de Manuelzão.

Inaugurada a capelinha, todos se entregam ao prazer de um caloroso almoço, participando depois da cantoria e do folguedo.

Enquanto a festa acontece, lembranças e conversas nos dão conta das outras personagens envolvidas nesse acontecimento.

A festa transcorre na mais perfeita ordem, apesar de correr muita bebida. Manuelzão a tudo supervisiona. Enquanto isso, Manuelzão está mergulhado em três problemas. O primeiro é a dor constante que sente em seu pé. O segundo é a necessidade de conduzir uma boiada.

No final da noite é que todos esses problemas começam a ser sanados. Sem perceber, a dor havia sumido. E o quadro muda radicalmente de figura quando de maneira inesperada Camilo se propõe a contar uma história, a do Boi Bonito.

Trata-se da narrativa que em alguns pontos se assemelha a um conto de fadas. Um fazendeiro muito rico possui um cavalo que ninguém consegue domar. Além disso, propõe-se a dar a mão de sua filha a quem conseguir caçar o famoso Boi Bonito, tão belo quanto perigoso. Vários vaqueiros tentaram, mas só encontraram a morte.

A narrativa se encerra com o fim da festa e a perspectiva de saída da boiada.

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