Expressionismo

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Esse outro termo tomado da pintura - no caso, da escola expressionista, que floresceu em Viena no princpio deste sculo. Com tons extremamente vigorosos, os pintores dessa escola jogavam sobre as telas suas experincias e estados de esprito mais ntimos: o mundo tenebroso de seus terrores mais secretos e as fantsticas vises do subconsciente - muitas vezes sugerindo a desagregao mental.

Na msica, o expressionismo comeou como um exagero, at mesmo uma distoro, do romantismo tardio, em que os compositores passaram a despejar na msica toda a carga de suas emoes mais intensas e profundas. Dentre os que escreviam em estilo expressionista estavam Arnold Schoenberg (que tambm era pintor) e seus alunos: Alban Berg e Anton Webern. Os trs, trabalhando juntos na capital austraca, tornaram-se conhecidos como "A Segunda Escola de Viena".

Na primeira fase, a msica expressionista apoiava-se em harmonias que se tomavam cada vez mais cromticas, o que acabou levando atonalidade. A msica expressionista em estilo atonal caracterizada por harmonias extremamente dissonantes; melodias frenticas, desconjuntadas, incluindo grandes saltos; contrastes violentos e explosivos, com os instrumentos tocando asperamente nos extremos de seus registros. O expressionismo foi prefigurado no sexteto de cordas Noite Transfigurada, de Schoenberg, escrito em 1899. Em 1908 ele comps o Segundo Quarteto de Cordas, que inclui no terceiro e no quarto movimentos uma voz de soprano. Mas no quarto movimento que Schoenberg abandona de vez a tonalidade, partindo para sua primeira aventura atonal. (O soprano comea, muito apropriadamente: Sinto o ar de outro planeta... Dissolvo-me em sons...").

Outras importantes obras do expressionismo atonal incluem, de Schoenberg, Cinco Peas para Orquestra, Op. 16 e Pierrot Lunaire, para soprano e cinco instrumentistas (a parte vocal est escrita conforme o que ele chama de Sprechgesang - meio falada, meio cantada). De Alban Berg, Trs Peas para Orquestra, Op. 6 e a bela pera Wozzeck. De Anton Webern, Cinco Peas para Orquestra, Op. 10. Nas obras de Webern - muito curtas e extremamente concentradas -, todos os instrumentos so tratados como solistas, quase sempre tocando notas isoladas - raramente mais que trs ou quatro ao mesmo tempo. O resultado um tecido sonoro que consiste em timbres instrumentais dardejando diminutas fagulhas luminosas (descritas por Stravinsky como "o cintilar dos diamantes de Webern"). Essa tcnica tem sido comparada com a dos pintores pontilhistas (Seurat, por exemplo), que, em vez de boas e largas pinceladas, jogavam sobre suas telas uma infinidade de minsculas fagulhas ou pontculos.

Nem todos os compositores do sculo XX, porm, usam tcnicas radicais. Alguns tm continuado a compor segundo aquilo que basicamente identificado como o apaixonado estilo romntico, embora injetando em suas obras certo grau de vitalidade rtmica e de dissonncia que as define, sem dvida alguma, como pertencentes a este sculo. Exemplos so o compositor ingls William Walton (especialmente com os seus concertos para viola, violino e cello) e o norte-americano Samuel Barber. E h tambm aqueles que desafiam toda classificao ou rtulo, a no ser que se lhes d o de "tradicionalistas", pois so msicos que criaram um estilo caracterstico e pessoal, baseado principalmente nas tradies do passado. o caso de Benjamin Britten, que se tem recusado a seguir qualquer tendncia da moda, continuando a trabalhar com o mesmo material musical de sempre, que ele molda e apresenta de forma nova, muitas vezes surpreendente, conseguindo resultados originais, imaginativos e de tocante sinceridade. Dentre as suas melhores obras se acham a Serenade para tenor, trompa e cordas; a pera Peter Grimes; Spring Symphony (sinfonia Primavera] e Um Rquiem de Guerra.

Enquanto a msica nos perodos anteriores podia ser identificada por um nico e mesmo estilo, comum a todos os compositores da poca, no sculo XX ela se mostra como uma mistura complexa de muitas e diferentes tendncias. No entanto, se investigarmos melhor quatro dos mais importantes componentes da msica, encontraremos uma srie de caractersticas ou marcas de estilo que permitem definir uma pea como sendo do sculo XX. Por exemplo:

Nas melodias provvel que incluam grandes diferenas de altura, freqentemente fazendo uso de intervalos cromticos e dissonantes. So curtas e fragmentadas, angulosas e pontiagudas, em lugar das longas e sinuosas sonoridades romnticas; os glissandos (o deslizar de notas seguidas) podem ser empregados; em algumas peas, a melodia pode ser totalmente inexistente.

Harmonias apresentam dissonncias radicais, com acordes consonantes em proporo muito inferior (s vezes totalmente evitados); podem aparecer os clusters (notas adjacentes tocadas simultaneamente) - aglomerados.

Ritmos vigorosos e dinmicos, com amplo emprego de sincopados (a acentuao incidindo sobre os tempos fracos); mtricas inusitadas, como compassos de cinco ou sete tempos (cujas razes muitas vezes esto na msica folclrica); mudanas de mtrica de um compasso para outro; uso de polirritmias - diferentes ritmos ou mtricas ocorrendo ao mesmo tempo, resultando em um "contraponto rtmico"; de artifcios de ostinato (repetio "obstinada"), ou de enrgicos "ritmos motores", que impulsionam inexoravelmente a msica para a frente.

Timbres a maior preocupao com os timbres leva incluso de sons estranhos, intrigantes e exticos; fortes contrastes, s vezes at explosivos; expanso e, de modo geral, o uso mais enftico da seo de percusso; sons desconhecidos tirados de instrumentos conhecidos, como instrumentos tocados em seus registros extremos, metais usados com surdna e cordas produzindo novos efeitos, com o arco tocando por trs do cavalete ou batendo com a ponta no corpo do instrumento; sons inteiramente novos, provenientes de aparelhagens eletrnicas e fitas magnticas.

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