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1. Eleições EUA: Barack Obama, primeiro negro a chegar à Presidência dos Estados Unidos


Com vitória arrasadora, democrata é o primeiro negro a chegar à Presidência dos Estados Unidos.

Barack Hussein Obama Jr, de 47 anos, foi eleito na terça-feira, 4, o 44º presidente dos Estados Unidos. Ele será o primeiro afro-americano a ocupar o cargo. De acordo com projeções baseadas na apuração de votos e em pesquisas de boca-de-urna, o senador democrata de Illinois tem 338 votos no colégio eleitoral contra 163 de seu rival republicano John McCain. Com 75% dos votos apurados, ele tem 52,4% do voto popular, contra 47,6% do rival. Até agora, 56,4 milhões de americanos votaram no democrata e outros 48,3 milhões escolheram o republicano.

Pouco antes da meia-noite, em novembro do ano passado, Barack Obama, então em desvantagem nas pesquisas de opinião, subia ao palco em um auditório mergulhado na escuridão em Iowa, enfrentando um dos maiores nomes da política democrata, e um momento crucial, de grandes decisões. A grande virada, a partir da qual se tornaria um astro, quando se apresentara aos Estados Unidos na convenção democrata de 2004, era uma lembrança distante; sua campanha presidencial, iniciada nove meses antes, às vezes, fora bastante sem brilho. Ele sabia que o estado de Iowa poderia ser o fim - ou então o começo.

Naquela noite, os democratas estavam reunidos para o jantar de comemoração do Dia de Jefferson-Jackson, em Des Moines. Menos de dois meses antes dos primeiros caucus cruciais do país, realizados em Iowa, o evento poderia ser determinante para os aspirantes à presidência. E Barack Obama, um político de bom senso e orador particularmente dotado, estava preparado para a batalha. Obama, o último candidato a falar, considerado por alguns frio e cerebral demais, esquentou a atmosfera e o público com um apelo apaixonado.

Ele condenou as mesmas "velhas campanhas segundo o manual de Washington", criticou os colegas democratas - até deu indiretamente um tapa na então favorita Hillary Clinton. "Não estou nesta campanha para satisfazer velhas ambições ou porque acredito que seja algo que eu mereço", declarou. "Nunca imaginei que estaria aqui. Sempre soube que esta jornada seria improvável Nunca participei de uma jornada que não fosse."

Os milhares de pessoas que o ouviam puseram-se de pé e o aplaudiram. Ele começava o seu caminho. No ano que se passou desde então, Obama conquistou o centro do poder democrata, quebrou todos os recordes de arrecadação de fundos, e fez história ao tornar-se o primeiro negro indicado de um partido importante.

A vida de Barack Obama não foi nada convencional, desde o começo. Sua biografia - mãe branca, pai africano, infância no Havaí e na Indonésia, seu trabalho numa das comunidades mais pobres do país, os estudos e a carreira de docente em algumas das universidades mais prestigiadas dos EUA - é diferente da de qualquer outro candidato à presidência.

Se por um lado esta formação eclética impulsionou sua extraordinária ascensão, por outro, o nome estrangeiro e a raça tornaram sua candidatura algo de difícil aceitação em algumas partes dos EUA. A mãe, nascida no Kansas, o pai originário do Quênia, o encontro dos dois na Universidade do Havaí, seu casamento, o nascimento de Barack - o "abençoado", em árabe - no dia 4 de agosto de 1961. A infância exótica na Indonésia, pátria do pai adotivo; a convivência com a pobreza do Terceiro Mundo.

Depois do colégio, Obama cursou o Occidental College de Los Angeles, onde mergulhou pela primeira vez na política ao discursar em um comício contra o apartheid. Mas ele queria horizontes mais largos, então atravessou o país para estudar na Universidade de Colúmbia, em Nova York, onde se formou em Ciências Políticas. Depois de Nova York, mudou-se para Chicago. Não conhecia ninguém na cidade. Aceitou um emprego que pagava pouco com uma missão formidável: motivar os pobres a participar de um sistema político que tradicionalmente os excluía.

Tinha uma Honda velha com a qual se deslocava para a sua função de organizador da comunidade pelas ruas do South Side, uns bairros pobres devastados pela perda de empregos nas siderúrgicas e nas fábricas. Obama deu então um salto gigantesco: da pobreza do South Side para a atmosfera embriagadora da Faculdade de Direito de Harvard, a escola que prepara os filhos das elites dos Estados Unidos. Depois do primeiro ano, Obama trabalhou durante um verão em um escritório de advocacia em Chicago, onde Michelle Robinson foi sua assessora, outra estudante de Direito de Harvard e produto de uma família da classe trabalhadora. Casaram-se e tiveram duas filhas.

Enquanto Obama se preparava para deixar Harvard, recebeu várias propostas de emprego. Mas retornou a Chicago para seguir a carreira política. Novamente, preferiu um emprego modesto. Entrou numa pequena firma de advocacia com muitos contatos na política, que atuava na área de direito civil. Em 1996, quando foi eleito para o Senado estadual, alguns legisladores o tacharam de liberal fechado numa torre de marfim. "Ele costumava se interessar por tudo", afirma o ex-senador estadual Denny Jacobs.

Entretanto, Obama fracassou redondamente em 2000, quando concorreu com o congressista Bobby Rush, um antigo membro dos Panteras Negras. Dois anos mais tarde, Obama decidiu aspirar a outro cargo, dessa vez no Senado federal. Ganhou as primárias bastante concorridas e logo se destacou como um astro em ascensão, impressionando o indicado democrata às eleições presidenciais, John Kerry. No outono de 2004, com uma votação esmagadora, Obama obteve a cadeira de senador dos Estados Unidos. Quase imediatamente, começou-se a falar em sua candidatura para a presidência.

Nos 22 meses de sua campanha, ele trilhou um caminho apertado, apresentando-se aos EUA como um rosto novo e como um candidato que não se enquadrava na política tradicional - mas com o conhecimento e o estofo necessários para chegar à Casa Branca. Durante toda a campanha, Obama falou de momentos de definição - depois de sua vitória inicial nos caucus de Iowa, e de meses difíceis, ganhou finalmente um número suficiente de delegados para conquistar a indicação democrata. Naquela noite de junho, ele começava a fazer história.

A vitória

Obama venceu em estados cruciais como Ohio, Indiana, Carolina do Norte, Virginia e Flórida no leste do país e Novo México, Colorado e Nevada, no oeste. Ele também manteve a liderança em locais importantes, como Pensilvânia e New Hampshire. O democrata precisava de 270 votos no colégio eleitoral para ser eleito presidente.

Após duas eleições extremamente apertadas, em 2000 e 2004, quando Bush venceu após garantir apenas um Estado de vantagem sobre o rival - Flórida contra AL Gore e Ohio contra John Kerry - Obama conseguiu uma vantagem folgada contra o oponente.

Segundo pesquisa de boca-de-urna da Associated Press, Obama teve mais votos de mulheres, negros e hispânicos, mas foi bem também entre homens brancos, categoria na qual McCain teve uma pequena maioria de votos. Geograficamente, o republicano contou com uma vantagem maior entre dobro de eleitores brancos no sul do país. Nas outras regiões, estes votos se dividiram igualmente.

Entre as pessoas com menos de 30 anos, Obama venceu com vantagem de 34 pontos vantagem. Metade dos maiores de 65 anos votou em McCain. O democrata dominou os votos de eleitores que declararam apoio ao partido e conquistou a maioria do voto dos independentes.

Ainda segundo a pesquisa, 95% dos eleitores negros que foram às urnas na terça-feira votaram no democrata. O senador de Illinois é o primeiro afro-americano a disputar a presidência. Em uma comparação com a última eleição, a pesquisa indica que o percentual de eleitores negros no eleitorado total aumentou de 11% para 13%.

Discurso da vitória

Por volta das 3h da manhã, no horário de Brasília, Obama subiu ao palco montado para ele em Chicago, Illinois, onde ele começou sua carreira política e falou pela primeira vez como presidente eleito. "Se alguém ainda duvida que a America é o lugar onde tudo é possível, esta noite é a resposta de vocês", disse. "A mudança chegou aos Estados Unidos".

Obama ressaltou o número de pessoas que apareceram para votar e pediu a união de todos os setores da sociedade americana. "Este é nosso momento. A hora é agora. Enquanto celebramos esta noite sabemos dos desafios que teremos pela frente: duas guerras, um planeta em perigo, a pior crise financeira da história", afirmou.

O presidente eleito ainda agradeceu seu vice, Joe Biden, sua equipe de campanha, a esposa, Michelle, e suas duas filhas, para quem prometeu um novo bichinho de estimação. Obama ainda se emocionou ao falar da avó, falecida no domingo. "Ela não está conosco, mas sei que ainda está comigo. Minha dívida com ela e minha família é inimaginável".

O democrata ainda agradeceu ao rival, John McCain e prometeu trabalhar com ele e sua vice, Sarah Palin durante o mandato. "Ele lutou por muito tempo e muito duro pelo país que ele ama. Ele é um líder altruísta. Parabenizo ele e Palin."Por fim, Obama dedicou a vitória aos eleitores." este será o governo do povo, pelo povo e para o povo."

McCain reconhece derrota

McCain discursou em Phoenix nesta madrugada e reconheceu a derrota. O republicano foi vaiado ao dizer que havia ligado para Obama para parabenizá-lo. McCain então conteve as manifestações com um gesto. "Esta é uma eleição histórica. O senador realizou um grande feito para ele e seu país", disse.

O republicano ainda assumiu a responsabilidade pela derrota. "A culpa é minha, não de você", afirmou. Durante a campanha, os republicanos fizeram uma série de ataques a Obama. O democrata foi acusado de ser 'socialista' e de ter ligações com terroristas domésticos nos Estados Unidos.

O candidato derrotado pediu que todos os americanos ofereçam ao novo presidente boa vontade para restaurar a prosperidade do país. "É uma pena que sua querida avó não tenha vivido para ver isto", completou.

Políticos parabenizam Obama

Do lado democrata, a senadora Hillary Clinton e seu colega Ted Kennedy parabenizaram o presidente eleito do país. "Hoje, os americanos falaram com voz clara e forte, e exigiram uma mudança ao escolher Barack Obama como nosso próximo presidente", disse Kennedy em um comunicado.

A senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton também foi uma das figuras políticas do país que parabenizou Obama por sua vitória após 20 meses de disputa. "Esta noite, comemoramos uma vitória histórica do povo americano. Foi uma campanha longa e difícil, mas o resultado valeu a pena", disse Hillary em uma nota."

Juntos, sob a liderança do presidente Barack Obama, do vice-presidente Joe Biden e de um Congresso democrata, trilharemos o melhor caminho para reconstruir a economia e nossa liderança no mundo", destacou a senadora por Nova York, que, desde que perdeu a candidatura democrata, participou de mais de 60 comícios a favor de Obama.

O presidente dos EUA, George W. Bush, também telefonou para Obama para parabenizá-lo. Segundo a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, o presidente lhe felicitou pela "fantástica noite".

Repercussão internacional

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, felicitou Obama nesta madrugada. "Com o mundo em meio a turbulência e dúvidas, o povo americano, fiel aos valores que sempre definiram a identidade da América, expressou com força sua fé no progresso e no futuro. Em uma época em que nós devemos encarar grandes desafios juntos, sua eleição fez nascer uma enorme esperança na França, na Europa e mais além. Encontraremos uma nova energia para trabalhar com os Estados Unidos para preservar a paz e a prosperidade mundial.", diz o comunicado emitido pelo palácio do Eliseu.

No Canadá, o primeiro-ministro Stephen Harper se disse ansioso para se encontrar com o presidente eleito para estreitar os laços entre os dois países. "Nas semanas e meses à frente, autoridades e diplomatas canadenses estarão trabalhando próximo a membros da equipe de transição do presidente eleito Obama. Ministros do nosso governo estão ansiosos por construir uma forte relação de trabalho com seus parceiros em um novo gabinete.", falou.

O primeiro-ministro japonês, Taro Aso, parabenizou hoje o democrata Barack Obama por sua vitória nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, e expressou seu desejo de que possam "trabalhar juntos" para o bem da aliança entre os dois países. "Em colaboração com o presidente eleito, me esforçarei para fortalecer ainda mais a aliança entre Japão e EUA, para solucionar vários desafios enfrentados pela comunidade internacional como o da economia internacional, o terrorismo e o meio ambiente", disse Aso em comunicado.

Feriado no Quênia

O presidente do Quênia, Mwai Kibaki, decretou que esta quinta-feira será feriado no país para celebrar a vitória de Barack Obama na presidência dos EUA, segundo a AFP. Apesar de todo o esquema de segurança colocado na residência dos Obama na África, os familiares do novo presidente saíram da casa gritando "Vamos para a Casa Branca".

Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo

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