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A eleições nos EUA: Obama x McCain


Um é jovem, negro e tem Hussein no nome. O outro é experiente, branco e veterano de guerra. Nos Estados Unidos de sempre, esses dois candidatos à presidência seriam respectivamente a barbada e o azarão.

Mas os Estados Unidos pós 11 de setembro não são o país de sempre, e nesta América atolada na guerra do Iraque predileto da mídia é o candidato Barack Obama - negro, 47 anos e democrata. John McCain, 72 anos e republicano, é o candidato da situação mas também é o desafiante: a péssima avaliação na reta final do governo Bush fez todos olharem com muito mais atenção para as prévias que definiriam o candidato democrata, como se fosse óbvio que depois de 8 anos de governo republicano os americanos dariam aos democratas o comando da Casa Branca.

Mas pelas pesquisas, a eleição está praticamente empatada, apesar de Obama estar a toda hora na mídia. O interesse pelo candidato que pode ser o primeiro negro a governar a maior potência do planeta não quer dizer necessariamente votos. E para o vestibulando, essa conversa toda dificilmente vai se traduzir em um uma opção certa na hora da prova, pois até o momento o assunto "política interna dos Estados Unidos" não apareceu no vestibular.

Então de que adianta prestar atenção naquele ginásio lotado de bandeirinhas, nos americanos berrando "Yes We Can" na convenção democrata que ungiu Obama como candidato sob a bênção da derrotada Hillary Clinton? Porque a eleição de 2008 é simbólica com relação a dois aspectos que caem sim no vestibular: a política externa dos Estados Unidos e a questão racial.

A morte de Martin Luther King completa 40 anos. Coincidentemente, o primeiro negro pode ser eleito. Isso é emblemático das mudanças que a questão de direitos civis colocadas nos anos 60 causaram na sociedade americana. É preciso lembrar, também, que está chegando o momento em que os brancos deixarão de ser maioria - esse posto será das minorias de latinos, negros e outros imigrantes. É uma mudança profunda para os Estados Unidos. Na última eleição, Bush já teve de dizer em espanhol que 'não deixaremos nossos soldados para trás' no Iraque".

A política externa é outro ponto importante: McCain e Obama têm o compromisso de resolver a questão do Iraque - e as guerras pós 11 de setembro podem interessar às bancas de vestibular. É importante diferenciar que, de modo geral, a atuação do partido republicano no Exterior é mais independente - Bush tenta resolver pela força o que Clinton buscava em parceria com organismos internacionais.

Porém, o partido democrata protege mais o pequeno empreendedor e agricultor, ou seja, subsídios para produtores americanos que dificultam a entrada de produtos agrícolas brasileiros nos EUA. A questão é complicada, pois a política externa dos partidos difere em pontos específicos, mas não tanto ideologicamente.

OBAMA x McCAIN

Conheça as propostas dos candidatos Barack Obama e John McCain

PROPOSTAS
Afirma que os EUA devem transferir os recursos de defesa do país do Iraque para o Afeganistão, que ele vê como o ponto zero de qualquer guerra contra o terrorismo. Obama acredita que ele poderá remover um ou dois batalhões americanos do Iraque a cada mês, e retirar todo o Exército americano de lá em 16 meses. O candidato também promete uma iniciativa diplomática com aliados e até mesmo com adversários na tentativa de estabilizar o Iraque. No Afeganistão, Obama pretende colocar a força militar americana na ofensiva, especialmente na fronteira com o Paquistão, para agir de imediato caso haja qualquer suspeita ou ação terrorista nessa região. IRAQUE E AFEGANISTÃO O republicano acredita que os Estados Unidos devem insistir em uma vitória no Iraque, e se preocupa com a possibilidade de levar as tropas americanas para o país antes que essa missão esteja cumprida. Ele critica Obama por suas propostas de retirada em 16 meses, argumentando que os generais americanos precisam ter flexibilidade para decidir por eles mesmos sobre quando seria possível deixar o Iraque. Para McCain, uma retirada precipitada, como ele classifica a saída das tropas proposta por Obama, traria conseqüências graves para os iraquianos. De acordo com o candidato do Partido Republicano, o número de tropas americanas no Afeganistão também deve ser multiplicado.
O candidato pretende acabar com uma série de taxas cobradas das classes média e baixa, com o objetivo de ajudá-las a enfrentar a crise financeira. Dessa forma, o democrata pretende manter parte dos benefícios fiscais para essa parcela da população, à medida que elevaria a alíquota para os contribuintes mais ricos. Além disso, Obama defende uma maior regulamentação do governo sobre o sistema fincanceiro e propõe um novo plano de estímulo econômico para o país, destinando 30 bilhões de dólares aos mutuários. O candidato pretende ainda dar autoridade para que o Federal Reserve, o banco central americano, supervisione qualquer instituição financeira à qual possa disponibilizar crédito. Outra medida no campo imobiliário seria um crédito fiscal de 10% sobre a hipoteca dos americanos de classe média. ECONOMIA O republicano pretende gastar cerca de 10 bilhões de dólares para ajudar os hipotecados a negociar suas dívidas imobiliárias e propõe a suspensão do imposto federal sobre a gasolina e o diesel durante o verão. Além disso, McCain apóia o corte de impostos para a classe média e defende outras isenções fiscais para pessoas físicas e jurídicas. O candidato acredita numa menor regulamentação do governo sobre o sistema financeiro e, segundo ele, a assistência do estado aos bancos deve se limitar a situações de emergência, quando um risco sistêmico ameaça o mercado, por exemplo.
O candidato democrata pretende investir cerca de 15 bilhões de dólares por ano no incentivo à adoção de fontes de energia não-poluentes, além de estimular a eficiência na utilização energética, com o objetivo de reduzir o desperdício, e estabelecer cotas na emissão de gases poluentes. Em seus discursos, Obama enfatiza que o incentivo ao melhor uso da energia e a utilização de fontes limpas serão parte de seu plano para a recontrução da economia americana, e não serão sacrificadas nem mesmo diante de cortes no orçamento. No entanto, o candidato tem sido criticado por ativistas por causa de sua opinião sobre manter o uso do "carvão limpo", o que seu adversário, John McCain, também defende. A técnica consiste em descartar o carvão de alto teor de enxofre e outros poluentes e executar a combustão com filtros que removeriam esses gases em menor quantidade. Sabe-se, porém, que essa prática não é totalmente eficaz. AQUECIMENTO GLOBAL O projeto para assuntos climáticos do candidato republicano, assim como o de seu adversário, inclui a redução da emissão de gases poluentes e concessão de licenças para a emissão desses gases em uma espécie de sistema de cotas. Mas ele permitiria que os poluidores que ultrapassassem os limites de emissão negociassem créditos de carbono com outros que tenham ficado abaixo dos níveis permitidos. No plano de McCain, o início das licenças de emissão seriam distribuídas, e não vendidas, economizando bilhões de dólares às indústrias afetadas. Para ele, assim como defende Obama, o “carvão limpo” é uma técnica de importância estratégica para a produção de energia no país.
O democrata tem posição sobre comércio exterior bem definida pelas suas críticas ao Nafta (acordo de livre comércio entre Canadá, México e Estados Unidos). Obama é também resistente à proposta de livre comércio com a Colômbia e fundamenta sua posição ao afirmar que aquele governo não faz o bastante no que diz respeito aos direitos humanos. O candidato é também contra o acordo de livre comércio com a Coréia do Sul, desta vez embasado na idéia de que o pacto deixaria os trabalhadores americanos autônomos desprotegidos. No entanto, o candidato não quer sugerir que é naturalmente contra o livre comércio. Ele diz que a globalização é uma realidade e que os EUA não têm medo de competir, mas deixa claro que terá cautela em qualquer tipo de acordo ou parceria econômica. COMÉRCIO EXTERIOR O candidato republicano sempre foi um ferrenho defensor do livre comércio. Portanto, apóia os esforços para espandir e reforçar o Nafta (acordo de livre comércio entre Canadá, México e Estados Unidos), além de ter interesse em estabelecer o acordo de livre comércio com a Colômbia. Sobre o Brasil, McCain vê as relações bilaterais com bons olhos, já que reconhece que os EUA perderam força na América Latina e que o Brasil pode ser um bom elo com a região.
Quer proibir os convênios médicos de se negarem a cobrir algum tipo de serviço de saúde baseados, por exemplo, na idade do segurado. Promete implantar um sistema de saúde único, mas também exigirá que os empresários cubram os gastos com a saúde de seus funcionários ou paguem uma taxa que ajudará o governo a subsidiar a cobertura daqueles que não têm convênio. Os pequenos e médios empresários poderão ser isentos dessas taxas, e serão oferecidos créditos para providenciar a cobertura dos funcionários dessas empresas que não tiverem condições de pagar um plano de saúde. Outros programas de saúde pública já existentes, como o Medicaid e o plano de saúde das crianças, serão expandidos pelo democrata. Obama pretende investir 50 bilhões de dólares (no decorrer de cinco anos) em tecnologia de equipamentos e pesquisas na área da saúde. SAÚDE O candidato pretende dar créditos de cerca de 5.000 dólares para que as pessoas possam comprar seus planos de saúde sem depender de seus patrões ou empresas. McCain tentará controlar os custos com a saúde limitando os processos por supostos casos de negligência, investindo em prevenção de doenças crônicas e encorajando a introdução rápida de remédios genéricos no mercado farmacêutico.
Quer promover um pacote de reforma de imigração completo, com maior vigilância na fronteira com o México, ao mesmo tempo que abre caminho para a legalização dos trabalhadores clandestinos que têm, por exemplo, casa no país. No entanto, Obama pretende endurecer as penas para aqueles que empregam imigrantes ilegais em seus estabelecimentos. IMIGRAÇÃO Ajudou a escrever as leis para imigração em 2007, baseadas na legalização temporária dos imigrantes clandestinos que já teriam uma vínculo com o país. No entanto, disse que não iria votar a favor de sua própria lei, que acabou não sendo aprovada. O candidato apóia a rigidez na fiscalização na fronteira com o México e também falava sobre uma reforma ampla nas questões de imigração do país. No entanto, logo no início das primárias, mudou de opinião com o objetivo de se aproximar da ala mais conservadora de seu partido. Agora, ele quer fiscalização rigorosa e deportação dos imigrantes ilegais o mais rápido possível, e diz que o problema da imigração será uma de suas prioridades caso vença as eleições.
O candidato propõe investir 18 bilhões de dólares por ano em um novo programa de gastos do governo federal em escolas de ensino público, principalmente no ensino de base, além de fazer um recrutamento de professores, pagar melhores salários a eles e tornar a universidade mais acessível aos estudantes. Para isso, pretende dar bolsas de 4.000 dólares para jovens que prestarem serviços comunitários, seja militar ou voluntário, para que eles possam ter dinheiro na hora de entrar para a universidade. EDUCAÇÃO O republicano tem uma lista menor de iniciativas para a educação se comparada com a de seu adversário democrata. McCain acredita que o governo federal deve ter uma atuação limitada quando se trata de educação pública e que para melhorar o ensino, não é preciso investir dinheiro público. O candidato afirma que é preciso recompensar bons professores e incentivar programas como o “Teach For America” (Ensinar pela América), para que aqueles que servirem o Exército possam dar aulas sem passar por testes. Para McCain, promover a concorrência entre as escolas resultaria na melhora do ensino.
O democrata fala sobre a necessidade de uma restruturação do sistema financeiro e sua maior regulamentação pelo estado antes mesmo da crise atual. Suas propostas nessa área giram em torno da consolidação de agências reguladoras de mercado, estabelecimento de liqüidez, capital e requerimentos para as instituições financeiras, empréstimos para o pagamento das hipotecas das classes média e baixa e liberdade para que o Federal Reserve regule e fiscalize as instituições às quais possa dar crédito, advertindo o presidente e o Congresso sobre potenciais riscos de mercado. SISTEMA FINANCEIRO O republicano é contra a regulamentação do governo sobre o mercado, mas promete um novo e rígido sistema em resposta à crise financeira. O plano de McCain inclui a compra de empréstimos imobiliários duvidosos pelo governo americano no valor de até 300 bilhões de dólares, além de imposto de renda reduzido e o incentivo fiscal a pequenas empresas. Para salvar o país da crise, o candidato promete proteger os fundos de pensão, isentar pessoas físicas e jurídicas de determinados impostos e congelar os gastos do governo, impedindo, inclusive, o subsídio federal a fontes de energia como o etanol, por exemplo.
O candidato acredita que as companhias de petróleo devem explorar as terras públicas já existentes antes de novas áreas serem abertas para perfuração. Assim como McCain, o democrata é contra a perfuração no Alasca. Sobre a expansão da energia nuclear, não se opõe, mas afirma que as medidas devem ser tomadas de maneira segura e econômica. O candidato pretende investir 15 bilhões de dólares por ano, pelos próximo dez anos, no desenvolvimento de fontes de energia alternativas, o que, segundo ele, irá também criar milhões de novos postos de trabalho. Sobre o etanol, defende o subsídio federal para a produção do combustível a partir do milho e pretende, até 2020, produzir cerca de 20% da energia elétrica por meio de fontes renováveis. ENERGIA Defende o aumento imediato da exploração de petróleo nas terras públicas e também fora da costa marítima. No entanto, ao contrário de sua vice, a governadora Sarah Palin, e de outros vários republicanos, McCain é contra a exploração de petróleo no Alasca, assim como Obama. O candidato defende o aumento do uso da energia nuclear, o que, segundo ele, poderia reduzir o consumo de combustíveis fósseis, principalmente carvão e petróleo, e os gases cuja liberação contribui para o efeito estufa. O candidato defende a energia nuclear como uma tecnologia segura e apóia o aumento do uso de fontes de energia renováveis, como eólica, solar e hidrelétrica, mas se opõe aos subsídios federais a todas elas. De acordo com o candidato, quem faria isso seriam as empresas privadas, que decidiriam qual das fontes alternativas seria a mais promissora.
PERFIL

Obama pode ser o primeiro negro na Casa Branca

Como um astro pop, o candidato democrata reúne multidões por onde quer que passe.

O candidato democrata à Casa Branca nasceu no Havaí e cresceu entre os Estados Unidos e a Indonésia. Em janeiro do ano passado, o senador Barack Hussein Obama, filho de um negro queniano e de uma americana branca, decidiu concorrer à Presidência. Durante quase um ano e meio, Obama, de 47 anos, enfrentou uma acirrada disputa pela indicação do Partido Democrata, que se culminou nas eleições primárias, quando desafiou o favoritismo da rival Hillary Clinton. Em 3 de junho, após uma sessão de prévias que foi até o último pleito, o senador venceu a batalha, assegurou a nomeação da legenda e tornou-se o primeiro negro a disputar a Presidência dos EUA.

A primeira aparição nacional de Obama, uma figura popular do Partido Democrata, foi em um discurso que agitou a convenção nacional da legenda em 2004. O senador enfatizou sua história pessoal em um pronunciamento que refletia os tradicionais ideais do sonho e esperança americana. "Por seu trabalho duro e perseverança, meu pai conseguiu uma bolsa de estudos em um lugar mágico - a América, que apareceu como um farol da liberdade e oportunidade para muitos outros que vieram antes", disse.

Meses depois, Obama teve uma vitória esmagadora e elegeu-se senador pelo Estado de Illinois. Desde então, o candidato democrata ganhou projeção na mídia americana e se tornou uma dos políticos mais conhecidos de Washington.

Trajetória
Após o nascimento de Obama, seu pai, de mesmo nome, voltou ao Quênia. O democrata ficou com sua mãe no Havaí e passou alguns anos na Indonésia. Mais tarde, Obama se mudou para Nova York, onde se formou pela Universidade de Columbia em 1983. Ele se graduou em direito e foi morar em Chicago em 1985, onde se tornou líder comunitário.

O sucesso de suas ações na comunidade levou o senador para a política. Em Chicago, ele trabalhou como professor de direito e defensor dos direitos civis. Durante sua passagem pela Universidade de Harvard, entre 1988 e 1991, Obama se tornou o primeiro negro a presidir o jornal interno da instituição.

Em outubro de 1992 casou-se com Michelle Obama, com quem teve duas filhas - Malia Ann, que nasceu em 1998, e Natasha, em 2001. Em 2004, já eleito senador, atuou como um forte defensor dos ideais liberais, mas também trabalhou com seus colegas republicanos em outro projetos, como em um conscientização e prevenção da Aids.

Campanha
O lema da campanha presidencial de Obama é a mudança. Aproveitando-se da baixa popularidade do atual presidente George W. Bush, membro do Partido Republicano, o democrata propõe, entre outras questões, mudanças na política externa, no setor energético e na economia dos EUA.

Nas eleições de 2004, o eleitorado, ainda assombrado com o terrorismo, priorizava o debate sobre a segurança nacional, o que rendeu a reeleição de Bush e a continuidade de sua guerra contra o terrorismo. Neste pleito, a economia aparece no topo da lista das preocupações dos americanos, e Obama, de acordo com pesquisas recentes, se sai melhor nesse quesito do que o rival republicano John McCain.


Apesar de seu pai e padrasto serem muçulmanos, o senador se diz cristão, e estudou em escolas católicas ou seculares. Durante as eleições primárias, Obama se afastou da Igreja Unida Trindade de Cristo, após o pastor, Jeremiah Wright, ganhar destaque na mídia americana com seus discursos controversos. Wrigh, que realizou o casamento do candidato democrata e batizou suas duas filhas, chegou a dizer que os EUA inventaram o HIV para exterminar as minorias. Em março, Obama, membro da igreja por quase duas décadas, anunciou seu desligamento e condenou os sermões do reverendo.

Questão racial
Ao longo da corrida presidencial, a questão racial permeou a campanha de Obama, Em um discurso em março na Filadélfia, o senador falou abertamente sobre o assunto, ao rejeitar as palavras de Jeremiah Wright, que pouco antes havia feito um sermão da temática racial.

"No primeiro ano desta campanha, contrariando todas as previsões, nós vimos o quanto o povo americano está faminto por uma mensagem de unidade. Apesar da tentação de enxergar minha candidatura exclusivamente pela ótica racial, conquistamos vitórias incontestáveis em Estados onde a população é predominantemente branca", disse Obama no discurso.

"Isso não implica dizer que a raça não tenha um papel nessa campanha. Em vários momentos, a imprensa me definiu como negro demais ou negro de menos. Vimos essa questão ganhar forte repercussão na semana da primária da Carolina do Sul. A mídia vem procurando em todas as pesquisas de boca-de-urna os indícios da divisão racial", completou.

Popstar
Em julho, o senador democrata foi recebido como um astro pop em Berlim. Em meio ao público estimado em 200 mil pessoas, houve quem subisse em postes para ouvir o discurso de Obama junto à Colina da Vitória, no centro da capital alemã. A viagem foi parte de um giro pela Europa e Oriente Médio, acompanhada com destaque pela imprensa internacional.

Nos EUA, seu carisma resultou na "Obamamania". Os discursos do candidato no país são sempre acompanhados por empolgados eleitores. Muitos deles são jovens, que se identificam com a mensagem de mudança da campanha democrata.

Além da atuação na política, Obama é um escritor de sucesso. Seus livros - A Audácia da Esperança (2007), A Origem dos Meus Sonhos (2008) e Dreams From My Father (2004), não lançado no Brasil - se tornaram best-sellers nos Estados Unidos.

Quando tem um tempo livre, o candidato democrata disse à revista especializada em música Rolling Stone que recorre a seu aparelho de MP3 para ouvir Stevie Wonder, Bob Dylan, Yo-Yo Ma e Sheryl Crow. "Tenho gostos muito ecléticos", ressalta Obama, que cresceu na década de 70 escutando Stevie Wonder, Rolling Stones e Elton John. Alguns de seus artistas favoritos expressaram publicamente apoio à sua candidatura presidencial, entre eles Bruce Springsteen e Bob Dylan.

PERFIL

Ousado nas palavras, McCain tenta ser o mais velho a ser eleito

Veterano da Guerra do Vietnã, candidato republicano à Presidência é praticamente o anti-herói americano.

O republicano John McCain é conhecido não só pela sua trajetória militar, mas também por sua ousadia com as palavras. O homem que carrega as cicatrizes do Guerra do Vietnã, conflito em que os americanos foram derrotados, já questionou como a filha do casal Clinton, Chelsea, é feia, disse que prefere perder uma eleição a uma guerra e chegou a deixar escapar que a economia não é seu forte. O veterano de 71 anos tenta agora, pela primeira vez, chegar à Casa Branca e se tornar o presidente mais velho da história dos Estados Unidos. Nascido na base militar americana que hoje fica no território do Panamá, filho e neto de almirantes, John Sidney McCain Terceiro graduou-se na Academia Naval de Anápolis entre os cinco últimos colocados. O republicano é praticamente o anti-herói americano, já que admitiu ter desonrado sua pátria ao assinar uma falsa confissão contra os EUA durante a guerra e traído a primeira mulher. "Não fui apenas desonesto. Fui um covarde. Os meus heróis, fictícios e reais, sentiriam vergonha de mim", disse em sua autobiografia. Ainda que não transmita a imagem de força e superioridade de outros presidentes, McCain superou o estereótipo de anticandidato, mesmo com a idade avançada, a estatura inferior aos padrões americanos e de andar com dificuldade. Em 1967, McCain sobreviveu a uma explosão no convés do porta-aviões Forrestal, que matou 134 soldados. Alguns meses depois, o republicano não teve tanta sorte e foi abatido enquanto realizava um bombardeio aéreo sobre a capital do Vietnã, Hanói. "Interceptei um míssil com o próprio avião", brinca. Com os dois braços e uma perna quebrados, o piloto foi detido por mais de seis anos no "Hotel Hanói", o presídio militar vietnamita, mas foi poupado por ser filho de militares e considerado uma arma política. Sob tortura - prática que seus carcereiros negam -, assinou uma falsa confissão denunciando as supostas ações americanas e tentou se matar duas vezes, por trair o seu país. Quando foi libertado, aos 36 anos, McCain estava com a carreira militar comprometida pelas seqüelas dos ferimentos sofridos no Vietnã - ele não consegue pentear os cabelos, já que não levanta os braços acima da altura da cabeça. O republicano então iniciou sua carreira política ao assumir a chefia de um dos escritórios da Marinha no Congresso. Eleito deputado em 1982 e senador dois anos mais tarde, McCain exerce agora o seu terceiro mandato pelo Estado do Arizona. O candidato aproveita o Senado para defender uma de suas principais propostas de campanha: a permanência das tropas americanas no Iraque e no Afeganistão, além da legalização de milhões de imigrantes clandestinos, o fim dos subsídios ao etanol de milho e o livre comércio. Além disso, critica o "padrinho" e ex-rival, George W. Bush, para quem perdeu a candidatura em 2000, sobre o uso da tortura contra suspeitos de terrorismo. Na década de 1980, McCain e quatro senadores democratas foram personagens de um escândalo nacional sob a acusação de tentar influenciar as investigações contra o banqueiro Charles Keating, acusado de chantagens e fraude. Membro do chamado "Keating five", em referência aos cinco envolvidos no caso, McCain chegou a receber dinheiro para o seu fundo de campanha e até mesmo usar a casa de Keating para férias com a família em uma ilha particular no Caribe, mas foi inocentado pela Comissão de Ética do Senado. Pessoas próximas ao senador afirmam que, para ele, o caso foi mais duro do que a prisão no Vietnã, pois colocou em dúvida a sua honestidade, algo que não ocorrera durante a guerra. Chamado de "senador cabeça quente", McCain é daqueles que perde a paciência facilmente, como na ocasião em que discutiu com o colega de bancada John Cornyn por conta de um projeto de imigração ilegal. "Vá ...! Sei mais disso do que qualquer um nesta sala", teria dito o republicano diante do Senado. Em uma brincadeira, McCain precisou se desculpar com a família Clinton após uma piada sobre a filha única do casal, Chelsea. Durante um jantar de arrecadação de fundos em 1998, o republicano perguntou aos convidados "por que Chelsea é tão feia?" O senador chegou a escrever uma carta para Bill Clinton se desculpando pelo incidente, mas o ex-presidente decidiu não dar importância para o fato. O "Fênix", como é chamado pelos agentes do serviço secreto que acompanham os candidatos à Presidência, está sempre acompanhado da mulher, Cindy, filha de um grande empresário da indústria da cerveja do Arizona. O republicano tem sete filhos: Douglas e Andrew (adotados durante o primeiro casamento, com Carol Shepp), Sydney (sua filha biológica com Carol), John IV, Meghan, James e Bridget (nascida em Bangladesh e adotada pelos McCain em 1993), frutos da segunda união, com Cindy. Durante a campanha presidencial, McCain chegou a brincar que colocará as músicas do seu grupo favorito, a banda sueca Abba, em todos os elevadores da Casa Branca. Além da mulher, a imprensa do mundo todo acompanha o candidato a bordo do Expresso Conversa Franca, ônibus que leva a campanha do republicano pelos EUA. No início da disputa das prévias republicanas, McCain tinha pouca popularidade entre os eleitores e desvantagem financeira em relação aos rivais, mas as longas entrevistas dadas aos jornalistas garantiram a recuperação do candidato ao longo da campanha. Foi assim que se descobriu que ele adora rosquinhas e carrega sempre uma moeda da sorte. Muitos afirmam que a idade de McCain pode lhe garantir apenas um mandato, já que tentaria a reeleição com mais de 75 anos. Além disso, McCain enfrentará em novembro um rival com quase a metade de sua idade. O republicano justifica que é mais experiente nas questões sociais, políticas e internacionais, enquanto Obama tem 47 anos e apenas um mandato no Senado.

Fonte: Jornal O Estado de S. Paulo

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