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A questão da Caxemira (Índia x Paquistão)

  • Data de publicação

Com a aproximação da data da independência, as minorias hindus e muçulmanas instaladas em território adverso procuraram alcançar a segurança dos futuros Índia e Paquistão. Cerca de 11 milhões de pessoas abandonaram seus lares e mais 1 milhão pereceu chacinado por turbas fanáticas de ambas as religiões. Não obstante, permaneceram na Índia importantes grupos muçulmanos, geralmente ligados ao comércio, os quais não se mostravam dispostos a abandonar a vida que haviam construído.

Os príncipes indianos, pressionados a optar pela incorporação a um ou outro Estado, fizeram-no de acordo com sua orientação religiosa. Dois principados muçulmanos situados dentro da Índia tentaram preservar sua autonomia, mas foram invadidos pelo recém-criado Exército Indiano. O governo da Índia independente, de tendência fortemente centralista, não toleraria enclaves que pudessem estimular o separatismo das minorias.

E aí começou o problema da Caxemira. Essa vasta região montanhosa, situada no extremo norte da Índia Britânica, tem uma importantíssima posição estratégica entre o Afeganistão e o Tibete (que a China conquistaria em 1951); além disso, como fica muito perto do Tadjiquistão (então parte da União Soviética), ganhava especial relevância no contexto da Guerra Fria. Durante o domínio inglês, o Estado de Jammu e Caxemira foi governado por marajás hindus; mas 80% de seus habitantes eram muçulmanos.

Ao chegar a independência, o marajá optou por unir seu Estado à Índia, embora a maioria da população desejasse ser incorporada ao Paquistão. Estourou uma insurreição entre a comunidade islâmica, com apoio paquistanês. As forças indianas reagiram e uma guerra não-declarada entre os dois países arrastou-se até julho de 1949, quando um acordo provisório foi assinado sob os auspícios da ONU. Seguindo a linha do cessar-fogo, as porções norte e oeste da Caxemira (cerca de 40% do território) couberam ao Paquistão, que lhe deu o nome de Azad Kashmir (“Caxemira Livre”). Decidiu-se que futuramente haveria um plebiscito para definir o destino de toda a região, mas a Índia jamais aceitou cumprir essa cláusula. E, em fevereiro de 1994, o Parlamento indiano declarou solenemente que a Caxemira (incluindo o território em poder do Paquistão) é parte inseparável da União Indiana.

Uma nova guerra entre Índia e Paquistão, travada em 1965, não modificou o status quo. Atualmente, um movimento terrorista e guerrilheiro apoiado pelo Paquistão opera na Caxemira Indiana, mas vem enfrentando uma dura repressão por parte da Índia. Esta receia que eventuais concessões aos rebeldes possam estimular o separatismo dos sikhs, que são majoritários na região do Punjab, ao sul da Caxemira.

É importante salientar que a guerra de independência da Caxemira (apoiada pelo Paquistão) se deu durante o período da guerra fria, com o Paquistão recebendo apoio dos EUA e a Índia da URSS e a região da Caxemira possuía uma posição estratégica. Desta forma, o terreno ficou extremamente propício para que os países iniciassem os testes para produção de armas nucleares visto que tanto os EUA quanto a URSS não gostavam nenhum pouco da idéia de a China Popular ser a única potência em tecnologia nuclear na Ásia. Assim, a Índia realizou seu primeiro teste com uma arma nuclear em 1974 e o Paquistão em 1998 pondo à baixo todas as esperanças de um final para este conflito.

O confronto nuclear indo-paquistanês

Em março de 1998, o partido nacionalista Bharatiya Janata (BJP) venceu as eleições e assumiu o poder na Índia, com o propósito declarado de “governar para os hindus”. Em maio de 1999, a Índia realizou cinco testes nucleares no Deserto de Rajastã, junto à fronteira com o Paquistão. Este, em julho, fez seis testes semelhantes nas proximidades dos limites com o Irã – fora do raio de ação de um possível ataque de mísseis indianos.

Temos portanto dois países do Terceiro Mundo, governados por políticos nacionalistas, que são possuidores de tecnologia nuclear para fins bélicos. A Índia, apesar da miséria da maioria de sua população – que atingiu, em 1999, a marca de 1 bilhão de habitantes —, é o maior “exportador de cérebros” do mundo, coloca satélites em órbita com know-how próprio e tem submarinos atômicos. O Paquistão, militarmente mais fraco, conta com um exército bastante combativo, dispõe de mísseis com alcance maior que os da Índia e, em caso de conflito, pode vir a receber apoio de outros países muçulmanos. Obviamente, tais circunstâncias agravam a instabilidade da região.

Durante a maior parte de sua história como Estado independente, o Paquistão tem sido governado por generais tirânicos e corruptos – o que o deixou mais ou menos à margem da comunidade internacional. Todavia, com o atentado terrorista sofrido pelos Estados Unidos em setembro de 2001, o Paquistão tornou-se essencial para o projeto norte-americano de atacar os supostos esconderijos inimigos no Afeganistão. Essa nova situação já levou o FMI a conceder um generoso empréstimo ao governo paquistanês.

Fevereiro de 2010 - Índia e Paquistão retomam negociações sobre a Caxemira (BBC Brasil)


A secretária indiana Nirupama Rao encontrou o
colega paquistanês Bashir

A Índia e o Paquistão realizaram a primeira reunião formal para negociar a questão da Caxemira desde os ataques contra cidade indiana de Mumbai em novembro de 2008, que deixaram 173 mortos.

A reunião na capital indiana, Nova Délhi, é a primeira entre os dois países em 15 meses. A tensão entre Índia e Paquistão – que já se enfrentaram em duas guerras – voltou a crescer depois dos ataques em Mumbai. A Índia alegou que militantes baseados no Paquistão do grupo militante clandestino Lashkar-e-Taiba foram responsáveis pelos ataques. Logo depois do atentado em Mumbai, o Paquistão negou qualquer responsabilidade, mas depois admitiu que os ataques teriam sido parcialmente planejados em seu território.

A secretária indiana do Exterior, Nirupama Rao, afirmou que foram dados "os primeiros passos" para reconstruir a confiança entre os dois países, depois da reunião na capital indiana, Nova Délhi, com seu colega paquistanês Salman Bashir. Mas, Rao disse a Bashir que o Paquistão precisa se empenhar mais para acabar com as redes de militantes islâmicos em seu território. "Concordamos em manter contato", afirmou a secretária depois da reunião, sem esclarecer se vai haver outra rodada de negociações.

Pressão

Segundo analistas, as negociações de paz entre os dois países foram retomadas apenas devido à pressão dos Estados Unidos e, por isso, poucos esperam grandes mudanças.

A secretária do Exterior indiana afirmou que seu país encara as negociações com a "mente aberta, totalmente consciente da falta de confiança entre os dois países". Nirupama Rao afirmou que as negociações foram “sinceras” e que houve “boa química entre as duas delegações”. Disse ainda que o Paquistão quer retomar o diálogo sobre várias questões importantes, mas a Índia sentiu que ainda não é o momento certo para isso, pois “o clima de confiança ainda precisa ser reestabelecido”.

O secretário do Exterior paquistanês, Salman Bashir, dará uma entrevista coletiva em Nova Délhi ainda nesta quinta-feira. Bashir disse a jornalistas, ao chegar na capital indiana, achar "bom voltar". "Vim para diminuir as diferenças (entre os dois países) e espero um resultado positivo", afirmou.

Décadas de hostilidade

Na véspera das negociações, os dois países trocaram acusações a respeito da Caxemira. Guardas indianos na fronteira do território afirmaram que foram disparados tiros contra eles, vindos do lado paquistanês, na quarta-feira. O governo do Paquistão nega as acusações. Os disparos ocorreram teriam ocorrido na área de Samba, área da Caxemira administrada pela Índia.

A questão da Caxemira é o pivô de décadas de hostilidade entre a Índia e o Paquistão e também a causa de duas das três guerras entre os dois países, desde a independência paquistanesa, declarada em 1947. Milhares de soldados indianos enfrentam os insurgentes separatistas há duas décadas na região. E uma série de confrontos continuam ocorrendo a chamada Linha de Controle, que separa as áreas da Caxemira administradas pela Índia e pelo Paquistão.

A Índia informou que neste mês (fevereiro 2010) três de seus soldados foram mortos em confronto com militantes a norte de Srinagar. Autoridades informaram que pelo menos dois militantes também foram mortos. Este é o maior número de mortos registrado este ano entre as forças indianas em operação na região.

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