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Entenda o caso do satélite espião que cairá na Terra até março


A queda de um satélite espião norte-americano, que perdeu força e deve atingir a Terra até março, acumula a cada dia que passa mais especulações sobre seus riscos. Autoridades norte-americanas torcem para que ele caia em algum oceano. Ainda assim, as Forças Armadas do país anunciaram nesta quarta-feira que já trabalham num plano de prevenção para o caso de o satélite cair na América do Norte.

Para Petrônio Noronha Souza, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), "é bastante improvável [o satélite] cair sobre nossas cabeças". Ele aponta, porém, que as chances do objeto atingir o oceano são de 75% - os mesmos três quartos correspondentes à proporção de água no planeta.


Satélite espião dos Eua deve cair na Terra até março; especialistas acham
pouco provável que objeto caia sobre "nossas cabeças"
"O mundo inteiro está acompanhando e acredito que a Nasa [agência espacial norte-americana] tenha tudo sobre controle", afirma Souza, que é ex-gerente da parceria brasileira com a ISS (Estação Espacial Internacional, na sigla em inglês).

O especialista explica que, mesmo com o calor gerado pelo atrito da atmosfera terrestre e com a conseqüente queima da maior parte do objeto espacial, ainda devem restar fragmentos capazes de causar danos. O satélite espião registrado como US 193 foi lançado em 2006, mas perdeu grande quantidade de energia e está descontrolado.

Souza explica que objetos espaciais caírem sobre a Terra não é um fenômeno incomum. Ele cita, como exemplo, o ônibus espacial Columbia, da Nasa, que se desintegrou em 2003 quando se preparava para pousar sobre os Estados Unidos e fragmentos da nave caíram sobre o país. "A Terra é constantemente atingida por pequenos objetos do espaço, seja feitos pelo homem ou não", afirma.

José Bezerra Pessoa Filho, tecnologista do IAE (Instituto de Aeronáutica e Espaço), do CTA (Comando-Geral de Tecnologia Aeroespacial), explica que, para um objeto se manter em uma faixa de altura entre 300 km e 500 km - altura em que satélites como o US 193 costumam ficar--, deve manter uma velocidade de 28 mil km/h.

"Os propulsores do satélite são controlados da Terra e, desta forma, é possível controlar a altitude e atitude dele conforme a necessidade", explica Pessoa. "Ao perder a comunicação com a Terra, o satélite fica descontrolado e perde sua órbita, retornando para a atmosfera terrestre".

Contaminação

O receio de que o combustível utilizado pelo satélite possa contaminar o ambiente terrestre também gerou preocupações. O segredo que rodeia o programa norte-americano contribuiu com as especulações sobre o risco.

Porém, nesta quarta-feira, as autoridades baixaram a guarda sobre o programa e revelaram que o satélite utiliza hidrazina como combustível.

De acordo com Pessoa, a substância é bastante tóxica, mas tem grande poder de combustão, o que descarta a possibilidade de o combustível do satélite causar contaminações na Terra. "Ao entrar na atmosfera, o atrito gerado com a atmosfera eleva a temperatura a uma faixa de 2000ºC a 7000ºC, o que causaria a combustão da hidrazina".

O tecnologista do IAE explica que a maior parte dos novos satélites produzidos deverão conter mecanismos que prevejam o seu fim. Estes mecanismos consistiriam em combustível adicional para que ele possa ser levado para um ponto afastado da Terra depois que não for mais útil, evitando que retornem à atmosfera terrestre.

Ele estima que desde 1957 - quando a Rússia lançou o Sputnik, o primeiro satélite artificial da Terra - mais de 4.000 satélites já foram lançados ao espaço. Destes, cerca de 20% estão operando e o restante é lixo espacial.

Fonte: Agência Reuters

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