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Tabela periódica ganha dois novos elementos


José Renato Salatiel*
Para o: Página 3 Pedagogia & Comunicação

Em ciência, aprendemos que nenhum conhecimento é definitivo. Até mesmo a tabela periódica, que classifica os elementos conhecidos segundo suas propriedades atômicas, está sujeita a revisões. Elaborada pelo químico russo Dmitri Mendeleev (1834-1907) em 1869, a tabela periódica possui hoje compostos reconhecidos com números atômicos que vão até 112.

Em 8 de junho de 2011, cientistas anunciaram que dois novos elementos químicos foram adicionados: os de número atômico (quantidade de prótons) 114 e 116. Eles receberam o nome provisório de ununquádio (114) e ununhéxio (116), em referência aos seus números. Estes receberam confirmação da União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC, na sigla em inglês) e da União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP). Foram necessários três anos de revisões e dez de estudos até que fossem adicionados à lista.

Os elementos 114 e 116 são altamente radioativos, pesados e instáveis. Eles duram apenas frações de segundo, após os quais se dividem em substâncias mais leves.

A descoberta é atribuída aos pesquisadores do Instituto Conjunto para Pesquisa Nuclear de Dubna, na Rússia, e do Laboratório Nacional Lawrence Livermore da Califórnia, nos Estados Unidos. Outros elementos de números atômicos 113, 115, 117 e 118, também encontrados nos últimos anos, aguardam comprovação da comunidade científica para serem oficializados.

Diferente de elementos mais conhecidos, como o chumbo, o ferro, o mercúrio ou o carbono, os novos compostos não podem ser encontrados na natureza. Eles foram criados por cientistas em laboratório, assim como todos os de número atômico superior a 94 na tabela.

Decorar a tabela nova?

Para especialistas, ainda vai demorar para que os novos elementos químicos tenham aplicação prática na indústria ou cheguem ao dia a dia das pessoas na forma de produtos. Mesmo na educação, dizem eles, não deve haver grandes impactos.

Segundo o professor de Física e Química Fábio Rendelucci, por enquanto, o interesse é puramente científico. Ele diz que os compostos com 114 e 116 prótons são muito instáveis e, por isso, não permitem que tenham uso prático.

"Os novos elementos que vêm sendo incorporados à tabela ainda são muito instáveis e de vida muito curta. Todos são radioativos e se desintegram em um curto espaço de tempo, o que faz com que não possamos ainda pensar em aplicações", afirmou o professor.

Rendelucci diz que na educação também não haverá repercussão imediata. O efeito mais importante, diz ele, é mostrar que a tabela periódica é dinâmica. "Se trata de um modelo de classificação para os elementos. O aluno não pode tomá-la como uma cláusula pétrea da Química", disse.

O engenheiro e professor de Química Carlos Roberto de Lana está de acordo sobre o caráter didático da inovação. Para ele, a principal importância da descoberta é mostrar aos estudantes que a ciência é uma atividade em constante aprimoramento.

Lana acredita que a educação científica no país, sobretudo no ensino público, é muito burocrática e presa aos planos de ensino. "Neste contexto, a tabela periódica se torna mais um material para consultar na prova ou decorar antes dela. E assim não se pode ser otimista quanto ao impacto de novas descobertas", disse.

O professor vê ainda a possibilidade de futuras aplicações práticas na engenharia química. No entanto, para isso será necessária a pesquisa de elementos químicos mais estáveis. "Cada nova descoberta permite que entendamos melhor o funcionamento da matéria e a partir daí possamos dominá-la mais e dar-lhe aproveitamentos que façam a vida humana um pouco melhor", afirmou.
 

O sonho de Mendeleev

Dmitri Ivanovitch Mendeleev Ivan Nikolaevich Kramskoi (1837?1887)


A tabela periódica dispõe os elementos químicos ordenados de acordo com o número atômico. Eles são ainda classificados em metais, não metais e gases nobres e por famílias com propriedades químicas semelhantes.

Hoje, a organização parece simples e intuitiva. Mas foram necessários muitos anos de trabalho para se chegar a esse resultado. As primeiras tentativas de arranjos foram feitas no século 19.

Cientistas como o francês Alexandre-Emile B. de Chancourtois (1820-1886) e o inglês John A. R. Newlands (1837-1898) propuseram uma ordenação periódica das composições químicas, ou seja, elas repetiam a mesma propriedade depois de certo ponto.

Mas foi somente o russo Dmitri Ivanovitch Mendeleev que, em 1869, descobriu que as propriedades dos elementos químicos provinham de suas massas atômicas. A ideia teria vindo durante um sonho.

A tabela periódica de Mendeleev foi bem-sucedida não somente por calcular corretamente as massas atômicas como também por prever a característica de novos elementos que seriam descobertos no futuro.

*José Renato Salatiel é Jornalista e Professor Universitário. 
Fonte: Página 3 Pedagogia & Comunicação.

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