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Números revelam: é hora de se preparar. A graduação estará mais diversificada na forma e concentrada na oferta


Há pelo menos três anos o ensino superior brasileiro começou a dar sinais de mudanças. O intenso crescimento de alunos e instituições de ensino até 2003 deu lugar a um cenário que caminha para a consolidação e a diversificação da oferta. Ao atender à demanda reprimida, as instituições de ensino se viram diante do desafio de buscar alternativas inovadoras para se manterem na disputa por novos alunos. Velhos problemas permanecem, mas novas soluções surgem.

Neste especial encontram-se os principais números do ensino superior brasileiro. Além das análises de cada dado divulgado pelo último Censo da Educação Superior, do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as projeções para o futuro do segmento, sob o impacto neste ano da crise financeira internacional, e as alternativas para lidar com as questões que podem definir o perfil da educação superior: a inclusão de mais jovens na graduação, a permanência dos índices de evasão e inadimplência, a nova configuração do mercado e a expansão da educação a distância e dos cursos superiores de tecnologia.

Apesar da estabilização do crescimento do segmento, a boa notícia é que novas tendências começam a ser percebidas a partir dos últimos dados disponíveis, o que pode ajudar a configurar as próximas ações por parte das instituições de ensino para o futuro.

Se os números de matrículas na graduação presencial estabilizaram o crescimento, com 4,3% de aumento entre 2006 e 2007, no ensino a distância e na educação tecnológica eles continuam a crescer a passos largos. As matrículas em EAD cresceram 78,4% no mesmo período e os cursos superiores de tecnologia ampliaram em 24,8% o número de alunos entre 2006 e 2007. Além disso, as graduações que registraram maior aumento na procura por novos ingressantes foram as tecnológicas. As duas modalidades são consideradas alternativas promissoras para a inclusão de mais jovens na graduação, não enquanto substituição ao bacharelado presencial, mas como uma necessária diversificação da oferta.

Mesmo assim, problemas que afetam todo o sistema educacional brasileiro podem estar começando a repercutir também nessas modalidades. Os cursos de graduação a distância cresceram 16,9%, passando de 349 graduações em 2006 para 408 cursos em 2007. O crescimento anterior havia sido de 84,6%, passando de 189 cursos em 2005 para 349 em 2006. A diferença começa a se dar na oferta de vagas, que cresceu bem acima: 89,4% entre 2006 e 2007. As análises ainda não são conclusivas, mas o fenômeno pode estar relacionado à proximidade de esgotamento da capacidade de pagamento dos alunos.

Esse é um problema que preocupa todo o segmento. Com a atual estabilização na demanda - o número de ingressos no ensino superior cresceu apenas 3,9% - as alternativas de financiamento passam a ser discussão prioritária na área educacional. Novas propostas têm surgido, na expectativa de tentar encontrar soluções agora para um problema que pode ficar ainda maior no futuro.

Para se ter uma ideia de como a questão deve mobilizar o segmento, os dados do Censo revelam que as instituições de ensino superior privadas representam 88,3% das vagas disponíveis no ensino superior no Brasil. São 2,4 milhões de vagas, contra 329 mil nas instituições públicas, que representam 11,7%. No total, são disponibilizadas 2,8 milhões de vagas. Ou seja, a maior parte da oferta continua nas instituições particulares. Dos alunos que entram no ensino superior, 79,9% vão para instituições privadas e 20,1% vão para instituições públicas. O número de ingressos aumentou 0,36% nas públicas e 2,8% nas privadas.

O número de vagas nas instituições públicas ainda diminuiu 0,5%, sendo 331 mil vagas em 2006 e nas particulares a oferta aumentou 8,54%, já que no ano anterior eram 2,2 milhões de vagas. Por outro lado, a taxa de ociosidade no Brasil em 2007 era de 47,5%, ou 1,3 milhão de vagas, sendo 52,6% nas instituições privadas e 9,3% nas públicas. De 1997 a 2007, o número de vagas cresceu 393% entre as instituições particulares, e 69,8% nas públicas no mesmo período. A relação candidato vaga hoje é de 7%, sendo 1,8 nas públicas e 1,2 nas particulares. Em 2007, a relação era de 3,9 nas públicas e 2,6 nas privadas.

O número de candidatos também demonstra uma possível mudança. Os inscritos para os processos nas instituições privadas representam 55,9% do total do Brasil, ou 2,9 milhões, e nas públicas eles são 44,1%, ou 2,2 milhões. Mas as instituições públicas perderam 2,54% dos candidatos e as particulares aumentaram em 2,46% o número de inscritos. O dado pode explicar por que, pela primeira vez, as universidades públicas apresentaram queda em suas taxas de titulação, enquanto houve aumento entre as instituições particulares.

De qualquer forma, a evasão continua a ser um sério problema para as duas categorias. A taxa permanece em índices de 20%, mas especialistas garantem que é possível reduzir os índices, com alternativas dentro da própria instituição.

Das matrículas do ensino superior, 74,6% estão nas instituições particulares e 25,4% nas públicas. As matrículas no Brasil cresceram 4,4%, sendo 8,3% na região Norte, 7,2% na região Nordeste, 4,2% na Sudeste, 3,7% no Centro-Oeste e 1,1% no Sul. O perfil dos alunos também é majoritariamente feminino: 55,9% dos alunos são mulheres e 45,1% homens. Nas capitais, as matrículas aumentaram 5,5% e no interior 3,4%. Apenas 2,6% da população está matriculada no ensino superior, com base no número de 183 milhões de habitantes no país.

As instituições privadas respondem por 74,4% dos alunos que se formam no país, 563 mil, e as públicas por 25,6% dos concluintes, ou 193 mil. No total, 756.799 mil alunos se formaram em 2007. O percentual da taxa de concluintes e ingressantes no país ficou em 55,4% nas particulares e 67,4% nas públicas em 2007, sendo que em 2004 essa relação era de 82,7% para as públicas e 53,6% para as privadas.

As instituições de ensino superior privadas, 2.032, representam 89,1% do mercado brasileiro, enquanto as públicas respondem por 10,9%. Essa relação já chegou a ser de 7,6% para 23,4% em 1997. As faculdades, escolas e institutos respondem por 72% das instituições, os centros de educação tecnológica por 9%, as universidades por 8%, as faculdades integradas 6% e os centros universitários, 5%. De 2006 para 2007, a região Norte ganhou cinco novas instituições particulares, o Nordeste dez, sendo que abriram 13 particulares e fecharam três públicas, o Centro-Oeste seis, sendo cinco privadas e uma pública, o Sudeste duas, sendo três novas públicas e uma perda de particular, e a região Sul perdeu 12 instituições particulares.

A tendência é que o mercado fique ainda mais concentrado. A expectativa de especialistas é que os 15 grupos educacionais que detêm 30% do mercado hoje passem a controlar 50% da oferta até 2012.

No Brasil, o número de cursos cresceu 6,28%, passando de 22.101 em 2006 para 23.488 em 2007. As públicas cresceram 0,7%, passando de 6.549 em 2006 para 6.596 em 2007 e as particulares registraram aumento de 8,6%, passando de 15.552 em 2006 para 16.892 em 2007, o menor crescimento das privadas desde 1997. A oferta de modalidade de cursos também caiu, passando de 771 em 2006 para 500 em 2007. Entretanto, ao olhar o crescimento do número de ingressantes por curso, percebe-se uma maior procura por graduações mais curtas e voltadas para o mercado de trabalho, apesar de os cursos tradicionais, como administração e direito, ainda concentrarem a maior parte do alunado.

Os cursos das instituições privadas representam 71,9% da oferta brasileira, sendo 16,8 mil cursos e as públicas oferecem 28,1% das graduações, com 6,5 mil cursos. As instituições particulares respondem por 71% dos cursos do Brasil, enquanto as redes federal e estadual por 13% cada, e a municipal por 3%.

Quanto ao perfil dos professores, os dados do Censo revelam que no Brasil 41% dos docentes têm até especialização, 36% têm mestrado e 23% possuem doutorado. O número de docentes aumentou 8% nas instituições públicas, passando de 100 mil em 2006 para 108,8 mil em 2007 e 3,4% nas instituições particulares, passando de 201 mil em 2006 para 208 mil em 2007.

OS NÚMEROS DO ENSINO SUPERIOR
  MATRÍCULAS CURSOS INGRESSOS CONCLUINTES
Graduação presencial 4.880.381 23.488 1.481.955 756.799
Educação tecnológica 347.856 3.702 188.347 70.666
Educação a distância 369.766 408 302.525 29.812
Educação superior 5.250.147 23.896 1.784.480 786.611

DIVISÃO DE OFERTAS
MATRÍCULAS
Total: 4.880.381
Particulares: 3.639.413
Públicas: 1.240.968

INSTITUIÇÕES INGRESSOS
Total: 2.281 Total: 1.808.970 (18,5%)

Particulares: 2.032 (89,1%) Particulares: 1.472.747 (81,4%)
Públicas: 249 (10,9%) Públicas: 336.223
CURSOS CONCLUINTES
Total: 23.488 Total: 756.799 mil
Particulares: 16.982 (71,9%) Particulares: 563 mil (74,4%)
Públicas: 6.596 (28,1%) Públicas: 193 mil (25,6%)

PROJEÇÕES PARA 2013


Projeção do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp) mostra que o ensino superior brasileiro deve ter 5,8 milhões de alunos matriculados em 2013, um crescimento estimado de 20,8% em relação ao último dado oficial de 2007. Desses, 4,4 milhões de alunos deverão estar matriculados em instituições de ensino superior particulares, crescimento de 22% em relação ao dado atual.

De qualquer forma, os resultados poderiam ser melhores. Caso continuasse a ser registrado o mesmo ritmo de crescimento do período de 1997 a 2003, quando as matrículas nas instituições particulares cresciam ao patamar de 10% ao ano, o Brasil teria, nos próximos quatro anos, 11,4 milhões de alunos.

Para se ter uma ideia, se o ensino superior particular continuasse crescendo no mesmo ritmo, o Brasil teria, em 2007, 5,9 milhões de alunos no ensino superior, contra os 4,8 milhões apurados pelo último Censo. Em 2010, ano estipulado para a meta de inclusão de 30% dos jovens entre 18 e 24 anos matriculados na graduação, o país teria chegado aos 8,2 milhões de alunos. No atual cenário de desaceleração das matrículas, a meta dificilmente será alcançada.

SP CRESCE ACIMA DO BRASIL


Em São Paulo, o número de matrículas cresceu 6,1%, passando de 1, 2 milhão em 2006 para 1,3 milhão em 2007, acima do crescimento nacional de 4,3%. As instituições particulares cresceram 6,7% em número de alunos, enquanto as públicas cresceram 2,3%.

Nas instituições de ensino, o crescimento foi menor, mas ainda acima do dado nacional, que praticamente não registrou aumento, abrindo apenas 11 novas instituições, o equivalente a 0,48% de aumento. O crescimento paulista foi de 1,2%, baseado na abertura de sete novas instituições de ensino, já que as públicas permaneceram no mesmo número de 51 instituições.

O número de novos cursos também foi um bom indicador, apresentando crescimento de 6,7%, sendo um aumento de 7,3% entre as instituições particulares e de 2,6% entre as públicas. No Brasil, o crescimento de cursos foi da ordem de 6,2%, sendo 8,6% entre as instituições particulares e 0,71% entre as instituições públicas.

O número de ingressantes foi o dado com melhor desempenho entre o segmento paulista, crescendo 13,4%. As instituições particulares ampliaram em 14,8% o seu alunado, enquanto as públicas cresceram 1,7%.

No indicador concluintes, as públicas conseguiram crescimento maior, passando de 217 mil em 2006 para 224 mil em 2007, crescimento de 4,9%. As particulares registraram aumento de 3%, passando de 187 mil concluintes em 2006 para 192 mil em 2007.

NÚMEROS PAULISTAS
  MATRÍCULAS IES CURSOS INGRESSOS CONCLUINTES
TOTAL 1.346.621 547 5.874 546.089 224.238
PÚBLICAS 187.050 51 706 50.098 31.377
PARTICULARES 1.159.571 496 5.168 495.991 192.861


Fonte: Censo de Educação Superior

NOVO CENSO COMEÇA ESTE ANO


O Ministério da Educação está reformulando o Censo da Educação Superior para colher informações mais detalhadas sobre os números do ensino no Brasil. Segundo a diretora de estatísticas educacionais do Inep, Maria Inês Pestana, a nova forma de coleta de dados deve começar a operar a partir deste ano.

As instituições de ensino superior terão de fornecer os dados por aluno, como já é feito no EducaCenso, que reúne dados sobre a educação básica. "São informações básicas, mas ao mesmo tempo informações estatísticas importantes. Acreditamos que as instituições não terão problemas", diz Maria Inês.

Segundo ela, as instituições que já operam de maneira informatizada e têm os dados por aluno deverão apenas selecionar as informações e transmiti-las por layout para migração de dados. O sistema é do próprio Inep. Maria Inês admite que o atual Censo não permite um cruzamento de dados aprofundado, como a relação da oferta de cursos com o mercado de trabalho e ingressos por faixa etária, e que demora para ser divulgado - os números saem com dois anos de atraso.

Segundo sua análise para os últimos dados, o crescimento da educação superior está sendo puxado pelas instituições de ensino particulares e pelos cursos superiores de tecnologia.

Fonte: Revista Ensino Superior

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