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Parlamento turco aprova incursão militar no Iraque


ANCARA - O Parlamento turco aprovou nesta quarta-feira, 17, por ampla maioria, um pedido do governo para permitir que tropas do país cruzem a fronteira com o norte do Iraque para combater rebeldes curdos radicados no país vizinho. A autorização tem validade de um ano e foi requisitada pelo primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, mas seu governo parece estar disposto a esperar para que a pressão diplomática sobre a administração iraquiana, apoiada pelos EUA, surta resultados.

Ao ser anunciada a aprovação do pedido por 507 votos a favor e 19 contra, os parlamentares aplaudiram com entusiasmo. Mais cedo, a Síria declarou apoio a qualquer decisão de Ancara em sua luta contra o terrorismo.

Nos últimos dias, Erdogan procurou minimizar a possibilidade de um ataque iminente, mas o aval do Parlamento dá a base legal para que o segundo maior Exército da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) possa entrar no país vizinho quando achar necessário.

Ao mesmo tempo, líderes iraquianos intensificaram uma corrida diplomática para atentar evitar um ataque. Os Estados Unidos, aliados da Turquia na Otan, também se opõem veementemente a qualquer ação, temendo que isso desestabilize a parte mais pacífica do Iraque e possivelmente outras áreas e que vizinhos, como Irã, acabem intervindo.

Em Washington, nesta quarta-feira, o presidente George W. Bush disse que os Estados Unidos estavam deixando claro para a Turquia que o país não deve enviar um número maciço de tropas para o Iraque para combater os rebeldes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão, ou PKK.

"Estamos deixando bem claro para a Turquia que não achamos que é de interesse deles mandar tropas para o Iraque. Na verdade, eles já têm tropas mobilizadas no Iraque. Não achamos que é de interesse deles enviar mais", disse o presidente a jornalistas. Segundo Bush, os EUA entendem as preocupações da Turquia com os rebeldes curdos, mas "há uma maneira melhor de lidar com o assunto do que os turcos mobilizarem um grande contingente de tropas para o Iraque".

A Comissão Européia também reiterou que espera que Ancara respeite a integridade territorial iraquiano. "É crucial que a Turquia continue a lidar com este problema através de cooperação entre autoridades relevantes", disse a porta-voz da comissão, Krisztina Nagy.

O secretário-geral da OTAN (Organização do Tratado Atlântico Norte), Jaap de Hoop, também entrou no debate ao telefonar nesta quarta-feira para o presidente turco, Abdullah Gul, para pedir “moderação”.

Dependência

A polêmica entre turcos e americanos mostra também o quanto os EUA são dependentes da Turquia para suas operações no Oriente Médio. Cerca de um terço do combustível e 70% da linha de suprimentos para as missões americanas no Iraque passam pela base aérea de Incirlik, em território turco.

A Turquia afirma ter perdido a paciência para lidar com os rebeldes curdos, que seriam os responsáveis pela morte de 25 turcos nas últimas duas semanas. Segundo Ancara, os militantes estariam baseados no norte do Iraque, onde teriam transito livre para se organizar. O PKK é responsabilizado por mais de 30 mil mortes desde 1984, quando iniciou sua luta armada pela criação de um Estado curdo independente.

O primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, enviou na terça-feira o vice-presidente Tareq al-Hashemi à Turquia para tentar acabar com as tensões na fronteira entre os dois países e evitar que Ancara lance uma ofensiva militar contra rebeldes separatistas curdos nas montanhas do norte do Iraque.

Petróleo

A tensão entre Turquia e Iraque elevou ainda mais os preços do barril de petróleo. O enfraquecimento do dólar e a perspectiva de que a demanda pela commodity continuará alta durante o último trimestre do ano e em 2008 também causam o aumento nos preços, que vem subindo desde a última terça-feira. Nesta quarta, o barril de Petróleo Intermediário do Texas (WTI, leve) bateu novo recorde em Nova York, ao atingir US$ 88,6.

Fonte: estadao.com.br

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