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Uso e tráfico de drogas tomam conta das escolas


Usuários ocupam as quadras

O uso e o tráfico de entorpecentes nas escolas públicas e particulares da Cidade de São Paulo no atual ano letivo atingiu a média igual a "1". Isto significa uma ocorrência por dia - contando apenas os letivos -, seja no entorno, quadra ou pátio dos colégios. Policiais militares, civis e guardas civis metropolitanos registraram 147 casos até agosto de 2007.

Mas o número de presos em atividades com drogas não é preciso, já que a Polícia Militar não dispõe desses dados. A Polícia Civil, representada pelo Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), informou que no mesmo período prendeu 42 pessoas, sendo seis adolescentes. A Guarda Civil Metropolitana (GCM) deteve 33, 12 deles menores. As duas forças efetuaram 75 prisões. Na média uma pessoa envolvida com droga é levada para a delegacia a cada dois dias de aula, sem contar os dados da PM.

Os números apontam que o maior problema se encontra nas escolas públicas. Mas segundo o Núcleo de Apoio e Proteção às Escolas (Nape) - subordinado ao Denarc - colégios particulares "não ficam muito longe."

O que acontece é que nas escolas particulares são poucas as denúncias. Quando aparecem é porque o pai achou 'algo errado' no armário do filho. Nas públicas, as denúncias partem dos diretores, professores e alunos. Isso gera uma distorção', disse o delegado-titular da 1ª Delegacia do Nape, Carlos Roberto Alves Andrade.

Repressão e combate

Na rede pública, são encontradas as drogas mais baratas. Uma pedra de crack pode custar R$ 5,00. Na particular, as mais caras, entre elas as sintéticas. Um comprimido de ecstasy sai por R$ 50,00. 'Aqui na escola, o que mais vemos é o pessoal fumando maconha. Sempre que eu vejo, procuro ir para o lado oposto', contou um aluno,que pediu para não ser identificado, de uma escola pública da Zona Oeste.

As investigações do Nape começam principalmente a partir de ligações recebidas pelo disque-denúncia (0800-111718) do departamento. As equipes são formadas por três policiais - dois investigadores rondam as ruas vizinhas à escola com uma viatura 'fria' e um faz o trabalho de campo a pé.

'A grande dificuldade é que levamos seis meses para formar o policial, mas a vida útil dele nesse trabalho não passa de dois ou três anos. É que ele fica velho para o perfil de estudante', disse Andrade.

Outro tipo de atuação do Denarc, quando a situação está crítica, é a ocupação com policiais fardados, geralmente do Setor de Operações Especiais (SOE).

A Polícia Militar faz o trabalho com equipes da chamada Ronda Escolar, que conta com 1.008 homens na Capital. A prioridade dos PMs são as escolas estaduais, mas não deixam de prestar ajuda às demais. A GCM faz um trabalho semelhante ao da PM, mas com prioridade para as escolas da Prefeitura.

Pesquisa e soluções

Um estudo divulgado no início do ano, realizado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), revelou que 87% dos professores da rede pública têm conhecimento de violência dentro das escolas. A questão dos entorpecentes é a líder do ranking: o tráfico fica com 70% e o uso de drogas, com 67% dos problemas relatados pelos 684 professores ouvidos na pesquisa.

'Precisamos criar grupos de apoio formados por médicos, psicólogos e pais para combater os problemas das drogas nas escolas', disse o presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro de Castro.

A Secretaria de Estado da Educação informou que estimula as escolas a desenvolver atividades junto à comunidade para a conscientização e envolvimento de todos com o 'ambiente escolar saudável'. A Secretaria Municipal de Educação disse que mantém um curso de formação para professores de prevenção sobre o uso de drogas. Os sindicatos dos professores e das escolas particulares não se manifestaram.

Minientrevista com Vera Lúcia dos Santos, (nome fictício), professora de Educação Física em uma escola pública:

Desde de quando você enfrenta problemas com usuários e traficantes de entorpecentes na escola em que leciona?
Já tive problemas antes, mas a coisa ficou feia em março deste ano. Sou professora de Educação Física e por isso fico mais exposta ao problema.

Por quê?
Porque estou sempre na quadra, que é o lugar mais afastado e propício para o consumo de drogas. Além do mais, os usuários, que na maioria das vezes não são alunos, querem usar a quadra para fumar maconha e jogar bola (no meio da resposta a professora pede desculpas porque elevou o tom da voz e justifica que é conseqüência do nervoso que passa durante as aulas por causa do grupos de usuários de drogas).

Esses jovens não ficam intimidados com sua presença?
Pelo contrário, eu que sou intimidada pelos usuários.

A senhora chegou a enfrentá-los?
Já, não posso deixar que os meus alunos sejam influenciados dessa forma. Os usuários passam a ser vistos como “heróis” pelas crianças. Não posso tolerar uma coisa dessa.

E quais são a reações deles?
São as mais hostis possíveis. Eles não gostam de ser enfrentados e partem para cima da gente.

A senhora foi ameaçada por tirar satisfação com esses usuários?
Sim, mas não só por causa de questionar o uso de drogas. Mas porque eles também querem usar a quadra. Quando fui dar uma dura para que eles parassem de fumar maconha, um deles virou para mim e disse: “Fica na sua professora, porque o chicote vai estralar”. Mas também fazem cara feia quando demoro para sair da quadra. E, quando volto com outra turma, eles continuam lá a jogar bola assim mesmo. Não respeitam nada e nem ninguém.

Fonte: O Estado de São Paulo

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