Aleijadinho, Antônio Francisco Lisboa

  • Data de publicação

Antnio Francisco Lisboa, o Aleijadinho nasceu em Vila Rica, atual Ouro Preto - MG, em 1730 e faleceu em 18 de novembro de 1814). Filho natural de Manuel Francisco da Costa Lisboa, distinto arquiteto portugus e de uma escrava de nome Isabel, que somente foi liberrtada na ocasio de seu batismo.

Escultor, arquiteto, entalhador. considerado o mais importante artista brasileiro do perodo colonial. Veja algumas obras deste artista.

Antnio Francisco era pardo-escuro, tinha voz forte, a fala arrebatada, a estatura era baixa, o corpo cheio e mal configurado, o rosto e a cabea volumosa e redonda, o cabelo preto e anelado, barba cerrada e basta, a testa larga, o nariz regular e um tanto pontiagudo, os lbios grossos, as orelhas grandes, e o pescoo curto. Sabia ler e escrever, e no consta que tivesse freqentado alguma outra escola alm daquela das primeiras letras, embora se julgue provvel que tivesse freqentado uma escola de Latim.

O conhecimento que tinha de desenho, de arquitetura e escultura fora obtido na escola prtica de seu pai e talvez na do desenhista pintor Joo Gomes Batista, que na corte do Rio de Janeiro recebera as lies do acreditado artista Vieira e era empregado como abridor de cunhos na casa da fundio de ouro desta capital.

Depois de muitos anos de trabalho, tanto nesta cidade, como fora dela, sob as vistas e risco de seu pai, que ento era tido na provncia como o primeiro arquiteto, encetou Antnio Francisco a sua carreira de mestre de arquitetura e escultura, e nesta qualidade excedeu a todos os artistas deste gnero, que existiram em seu tempo. At a idade de 47 anos, em que teve um filho natural, ao qual deu o mesmo nome de seu pai, passou a vida no exerccio de sua arte, cuidando sempre em ter boa mesa, e no gozo de perfeita sade; e tanto foi assim que era visto muitas vezes tomando parte em danas populares.

De 1777 em diante, as molstias, provocadas talvez em grande parte por excessos sexuais, comearam a atac-lo fortemente. Dizem alguns que ele havia sofrido um mal epidmico, sob o nome de zamparina, que pouco antes havia atacado a provncia, cujos resduos, quando o doente no falecia, eram quase infalveis deformidades e paralisias; e outros que nele se havia complicado. O certo que, ou por ter negligenciado a cura do mal no seu comeo, ou pela fora do mesmo, Antnio Francisco perdeu todos os dedos dos ps, do que resultou no poder andar seno de joelhos; os das mos atrofiaram-se e curvaram, e mesmo chegaram a cair, restando-lhe somente, e ainda assim quase sem movimento, os polegares e os ndices.


Nossa Senhora das Dores, obra de Aleijadinho
As fortssimas e contnuas dores que sofria nos dedos, e o seu humor colrico o levaram por vezes a cortar os seus prprios dedos, usando o formo, com que trabalhava! As plpebras infeccionaram; perdeu quase todos os dentes, e a boca entortou-se; o queixo e o lbio inferior abateram-se um pouco; assim, o olhar do infeliz adquiriu certa expresso sinistra e de ferocidade, o que chegava mesmo a assustar a quem quer que o encarasse repentinamente. Esta circunstncia, e a tortura da boca, o tornavam de um aspecto asqueroso e medonho.

Quando em Antnio Francisco se manifestaram os efeitos de to terrvel enfermidade, consta que certa mulher de nome Helena, moradora na Rua do Areio ou Carrapicho, em sua cidade, dissera que ele havia tomado uma grande dose de cardina (assim denominou a substncia a que se referia) com o fim de aperfeioar seus conhecimentos artsticos, e que isso havia lhe causado to grande mal.

A conscincia que tinha Antnio Francisco da desagradvel impresso que causava sua fisionomia o tornava intolerante, e mesmo irodo para com os que lhe parecia que olhavam-no de propsito; entretanto, era ele alegre e jovial entre as pessoas de sua intimidade.

Sua preveno contra todos era tal, que, ainda com as maneiras agradveis de trat-lo e com os prprios louvores tributados sua habilidade de artista, ele se aborrecia, julgando escrnios todas as palavras que neste sentido lhe eram dirigidas. Nestas circunstncias costumava trabalhar s ocultas debaixo de uma tolda, ainda mesmo que houvesse de faz-lo dentro dos templos. Conta-se que um general (talvez D. Bernardo Jos de Lorena), achando-se certo dia observando de perto o seu trabalho, fora obrigado a retirar-se pelo incmodo que lhe causavam os granitos de pedra em que esculpia Antonio Francisco e que este, propositalmente, fazia cair sobre o importuno espectador.

Possua um escravo africano de nome Maurcio, que trabalhava como entalhador, e o acompanhava por toda a parte; era ele quem adaptava os ferros e o macete s mos imperfeitas do grande escultor, que desde esse tempo ficou sendo conhecido pelo apelido de Aleijadinho. Tinha um certo aparelho de couro, ou madeira, continuamente aplicado aos joelhos, e neste estado admirava-se a coragem e agilidade com que ousava subir pelas mais altas escadas de carpinteiro.

Maurcio era sempre meeiro com o Aleijadinho nos salrios que este recebia por seu trabalho. Era notvel neste escravo tanta fidelidade a seus deveres, sendo que entretanto tinha por senhor um indivduo at certo ponto fraco e que muitas vezes o castigava rigorosamente com o mesmo macete que lhe havia atado s mos. Alm de Maurcio, tinha ainda o Aleijadinho dois escravos de nomes Agostinho que era tambm entalhador, e Janurio que lhe guiava o burro em que andava e nele o colocava.

Ia missa sentado em uma cadeira tirada de um modo particular pelos dois escravos, mas quando tinha de ir matriz de Antnio Dias, a que estava vizinha da casa em que residia, era levado s costas de Janurio. Depois da enfermidade que o acometeu, trajava uma sobrecasaca de pano grosso azul que lhe descia at abaixo dos joelhos, cala e colete de qualquer tecido, calava sapatos pretos de forma diferente dos ps, e trazia, quando a cavalo, um capote tambm de pano preto com mangas, golas em p, e um chapu de l parda, cujas largas abas estavam presas copa por dois colchetes.

O cuidado de evitar os olhares de pessoas estranhas dera-lhe o hbito de ir de madrugada para o lugar em que tinha de trabalhar e voltar casa depois de fechada a noite; e, quando devia faz-lo antes, notava-se lhe algum esforo para que a marcha do animal fosse apressada e assim frustaria qualquer empenho de algum que quisesse demorar seu olhar sobre ele.

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Seu primeiro trabalho, ainda como arteso jornaleiro da oficina de seu pai, o risco para o chafariz do Palcio dos Governadores de Vila Rica, atual Ouro Preto, feito em 1752. Somente em 1761 seu nome aparece novamente como autor do busto feminino para o chafariz do Alto da Cruz de Vila Rica (construdo por seu pai), no qual se v pela primeira vez na regio uma escultura realizada em pedra-sabo.

A primeira obra associada ao nome de Antnio Francisco como mestre criador data de 1766. Trata-se do risco para a capela da Ordem Terceira de So Francisco de Assis da Penitncia, em Ouro Preto. Embora no haja registros exatos sobre o assunto, estudiosos concluram que o projeto arquitetnico de Aleijadinho. Ainda hoje a capela representa um dos conjuntos mais completos para quem deseja conhecer a obra do artista mineiro, pois ele responsvel pela execuo dos plpitos (1771-1772), pelo risco e parte da execuo do barrete da capela-mor (1773-1774), pelas esculturas do frontispcio (1774-1775) e o lavabo da sacristia (1777-1779), ambos em pedra-sabo, e pelo trabalho de talha do altar-mor (1790-1794). Tambm de sua autoria o risco dos altares laterais, que s foram executados bem mais tarde, em 1829.

O templo de propores reduzidas revela em seu conjunto a influncia do rococ europeu, mas mais leve e simples. Como em outras obras arquitetnicas do artista, o espao, tanto exterior quanto interior, caracteriza-se pela conjugao de elementos de contenso com formas de movimento, dando dinamismo e unidade composio. O vocabulrio do estilo rococ aparece na decorao exterior e interior por meio das figuras de anjos-meninos, elementos vegetais, concheados assimtricos, laos de fitas, entrelaados de guirlandas esculpidos em madeira e pedra-sabo. Como observou German Bazin, Aleijadinho cria um verdadeiro "espao musical" na capela de So Francisco, atingindo a unidade por uma seqncia de irregularidades a convergir para um centro harmnico.1 Suas cabeas de anjos de traos fortes e robustos marcam os tempos fortes e eixos das composies.

As primeiras notcias sobre sua enfermidade datam de 1777, ocasio em que o artista carregado por dois escravos para vistoriar a execuo da capela-mor do santurio de Nossa Senhora das Mercs e Perdes em Ouro Preto, cujo risco havia projetado em 1775. Sobre a doena misteriosa alguns falam em lepra nervosa, outros em reumatismo. O fato que em 1788 muda-se de Ouro Preto em busca de um clima menos mido e talvez fugindo dos tumultos que recaem sobre a cidade por causa da escassez do ouro (que vinha em queda desde 1760) e pela interveno cada vez maior da coroa portuguesa, situao que desembocaria na crise poltica deflagrada em 1789 com o abafamento violento da Inconfidncia Mineira. Comea a ser chamado pela alcunha de "Aleijadinho" em 1790.


DEVOO. Detalhe de Nossa Senhora das
Dores, uma autntica obra de Aleijadinho,
com todos os elementos de seu estilo
barroco
Muitos trabalhos de escultura reconhecidos como criaes do artista mineiro no possuem registro de poca confirmando a autoria. Isso se deve, entre outras coisas, sua condio de mulato, muitas vezes obrigado a aceitar contratos como arteso diarista e no como mestre. Por isso, alguns traos distintivos de suas obras, como a face oval prxima a modelos gticos,2 o desenho amendoado dos olhos, os bigodes que nascem diretamente das narinas, os cabelos encaracolados e bem delineados, o queixo dividido em duas partes, o drapeamento geometrizado das vestes, a estrutura corporal robusta com msculos e veias salientes e, por fim, as expresses de poderoso efeito emocional, mas contidas e espiritualizadas, so utilizados como parmetros por estudiosos como parmetros na forma de identificao de seu legado artstico.

Antnio Francisco tem a oportunidade de realizar algumas de suas obras-primas em pleno momento de instabilidade socioeconmica. Em 1796 inicia seus trabalhos no santurio de Bom Jesus dos Matosinhos, em Congonhas do Campo, Minas Gerais, concebendo as 66 figuras dos Passos da Paixo. As esculturas de madeira em tamanho natural so executadas por diversos artesos sob sua orientao at 1799. Nota-se que Aleijadinho esculpiu pessoalmente somente as figuras principais (de Cristo e dos apstolos, por exemplo). Nelas a estilizao gtica mostra-se com toda a fora nas formas ovaladas dos rostos, nos cabelos em volutas, nos panejamentos quebrados e retos de efeito trgico como das esculturas alems de madeira do sculo XVI. Entretanto, apesar da dramaticidade do assunto, o sofrimento de Cristo tem algo de sublime nesta via-crcis mineira, persistindo uma serenidade quase nunca rompida pelo desespero da situao.


Atlante sustenta a tribuna do
coro da capela de Nossa
Senhora do Carmo, da Ordem
Terceira do Carmo, em
Sabar, MG
Em 1800 o artista contratado para elaborar os 12 profetas de pedra-sabo para o adro do santurio. Neles volta a um arrebatamento de inspirao barroca. As esculturas so colocadas de modo simtrico, apesar da construo no simtrica de seus corpos, e seus gestos formam uma espcie de bal, cuja coreografia se organiza segundo o equilbrio de contrrios e o jogo de compensaes. Pela eloqncia do conjunto, Os Profetas devem ser vistos como um exemplo importante de cenografia barroca, e isso no incio do sculo XIX.

Terminado o vultoso projeto em 1805, Antnio Francisco passa a trabalhar cada vez menos. Dos seus ltimos anos de vida temos notcia de algumas obras como os altares de So Joo e Nossa Senhora da Piedade (1807) e de Santa Quitria e Santa Luzia (1808-1809) para a capela de Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto, e o risco da fachada da matriz de Tiradentes, Minas Gerais (1810).

Antnio Francisco alcana relativo sucesso profissional em sua poca e tem um sem-nmero de seguidores. Em 1790 seu nome era citado no livro de registro dos fatos notveis de Mariana como "superior a tudo e singular".3 Sua primeira biografia, referenciada at hoje, escrita por Rodrigo Jos Ferreira Bretas em 1858. No decorrer do sculo XIX, por motivos que vo desde a decadncia econmica e cultural de Minas Gerais ao desenvolvimento do neoclassicismo no Brasil, Aleijadinho, e em geral o Barroco, so artisticamente desvalorizados. no contexto modernista de busca por uma tradio nacional das artes que Aleijadinho e o Barroco Mineiro comeam a ser revalorizados como expresso primeira de uma arte com caractersticas brasileiras. Sobre a arquitetura de Aleijadinho, Mrio de Andrade (1893 - 1945) comenta em 1928: "Esse tipo de igreja, fixado imortalmente nas duas So Francisco de Ouro Preto e de So Joo del Rei, no corresponde apenas ao gosto do tempo, refletindo as bases portuguesas da Colnia, como j se distingue das solues barrocas luso-coloniais, por uma tal ou qual denguice, por uma graa mais sensual e encantadora, por uma delicadeza to suave, eminentemente brasileiras. (...) a soluo brasileira da Colnia. o mestio e logicamente a independncia".


Igreja de So Francisco de Assis, Ouro Preto,
MG
H muitas incertezas sobre sua vida. A primeira biografia do artista foi escrita em 1858, 44 anos aps sua morte, por Rodrigo Jos Ferreira Bretas, baseada em documentos de arquivo e depoimentos. No conjunto de sua obra destacam-se os projetos das igrejas de So Francisco de Assis, em Ouro Preto e em So Joo del Rei, Minas Gerais; as 66 imagens de cedro dos Passos da Paixo e os 12 profetas de pedra-sabo, para o Santurio do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas do Campo, Minas Gerais.

Comentrios crticos sobre sua obra

Como arquiteto e ornamentista, o Aleijadinho trouxe o galardo supremo ao barroco portugus. Como escultor, se erigiu formas grandiosas das quais a civilizao portuguesa no oferecia nenhum equivalente, no foi por esprito de revoluo, mas, ao contrrio, pelo despertar das foras criadoras que dariam civilizao luso-brasileira o grande artista-poeta que, depois de Nuno Gonalves, ela no soube mais produzir. (BAZIN, Germain. O Aleijadinho e a escultura barroca no Brasil. 2 ed. rev. aum. Rio de Janeiro: Record, 1963. p. 111).

O Brasil deu nele o seu maior engenho artstico, eu creio. Uma grande manifestao humana. A funo histrica dele vasta e curiosa. No meio daquele enxame de valores plsticos e musicais do tempo, de muito superior a todos como genialidade, ele coroava uma vida de trs sculos coloniais. Era de todos, o nico que se poder dizer nacional, pela originalidade das suas solues. Era j um produto da terra, e do homem vivendo nela, e era um inconsciente de outras existncias melhores de alm-mar: um aclimado, na extenso psicolgica do termo. Mas, engenho j nacional, era o maior boato-falso da nacionalidade, ao mesmo tempo que caracterizava toda a falsificao da nossa entidade civilizada, feita no de desenvolvimento interno, natural, que vai do centro pra periferia e se torna excntrica por expanso, mas de importaes acomodatcias e irregulares, artificial, vinda do exterior. De fato Antnio Francisco Lisboa profetizava para a nacionalidade um gnio plstico que os Almeida Juniores posteriores, to raros! so insuficientes pra confirmar.
Por outro lado, ele coroa, como gnio maior, o perodo em que a entidade brasileira age sob a influncia de Portugal. a soluo brasileira da Colnia. o mestio e logicamente a independncia
. (ANDRADE, MRIO DE. Aspectos das artes plsticas no Brasil. 3. ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 1984. p. 41 (Obras completas de Mrio de Andrade, 12).

A contradio fundamental entre o estilo da poca - elegante e amaneirado - e o mpeto poderoso do seu temperamento apaixonado e tantas vezes mstico, contradio magistralmente superada, mas latente e que, por isso, de quando em quando extravasava - a marca indelvel da sua obra, o que lhe d o tom singular, e faz deste brasileiro das Minas Gerais a mais alta expresso individualizada da arte portuguesa do seu tempo. Deve-se, alis, assinalar que essa modalidade mineira de arte colonial portuguesa no Brasil apresenta, por vezes, maior afinidade com o barroco-rococ de entre o Danbio e os Alpes do que com a arte metropolitana que a gerou.
A religiosidade do Aleijadinho cresceu na medida do seu ntimo convvio com a hagiografia e com a Bblia; e do isolamento a que se imps, em conseqncia da molstia, resultou uma profunda comunho de sua arte com a f. As inmeras sentenas e os versculos que participam da composio dos plpitos e retbulos de sua autoria se devem, indubitavelmente, sua prpria iniciativa e escolha, porquanto no ocorrem na obra de nenhum outro entalhador
. (COSTA, Lcio. Antnio Francisco Lisboa, o "Aleijadinho". In: O UNIVERSO mgico do barroco brasileiro. So Paulo: Sesi, 1998. p. 169.

Embora tenha feito seu aprendizado bsico na rea da escultura de relevos ornamentais, sob direo do portugus Joo Gomes Batista, formado por sua vez em Lisboa com o artista francs Antoine Mengin, o Aleijadinho (1735-1814) deixou tambm obras importantes no campo da estaturia monumental e imaginria sacra, da advindo grande parte de sua reputao de principal artista brasileiro do perodo colonial. Em duas de suas portadas, as das igrejas de So Joo Batista de Baro de Cocais e So Miguel e Almas de Ouro Preto, figuram nichos com esttuas de santos padroeiros em pedra-sabo. Executadas cerca de trinta anos antes do conjunto dos doze Profetas do Santurio de Congonhas, do perodo de 1800-1805, essas esttuas oferecem uma boa base comparativa para anlise da evoluo estilstica do Aleijadinho, do naturalismo e movimentao contida e algo desajeitada, da primeira fase de sua carreira, estilizao e libertao das formas no espao, na fase final.
J idoso e praticamente entrevado pela doena que lhe valeu o apelido, o artista teve numerosos auxiliares nesta monumental obra de Congonhas, mencionados nos seus recibos anuais com o ttulo de 'oficiais', segundo a tradio medieval, ainda mantida na organizao social do trabalho na era colonial. Desta colaborao resultaram deformaes de carter diverso, perceptveis a uma anlise mais atenta, mas que desaparecem quando o espectador se coloca no ponto de vista ideal para a viso do conjunto, ou seja, frontalmente, a cerca de 5 metros do porto de acesso. Este indcio revela algo do sistema de diviso de trabalho em vigor na 'oficina' do Aleijadinho, que reservara para si as partes mais importantes e mais claramente visveis das esttuas, assim como seu conhecimento de um dos aspectos fundamentais da esttica barroca, a intencionalidade teatral
. (Myriam Andrade Ribeiro de Oliveira)

Fontes: Ita Cultural | Rodrigo Jos Ferreira Bretas, português, bigrafo de Aleijadinho

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