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Alexander Graham Bell


Alexander Graham Bell nasceu a 3 de março de 1847, em Edimburgo, na Escócia. Sua família ganhara tradição e renome como especialista na correção da fala e no treinamento de portadores de deficiência auditiva.

O avô, Alexander Bell, foi sapateiro em St. Andrews, na Escócia; porém, enquanto consertava sapatos, recitava Shakespeare. E tanto o fez que acabou impressionado com a própria voz. Dedicou-se então a melhorar a dicção com o valor exato para cada palavra. O exercício constante levou-o a abandonar o ofício de sapateiro, seguindo o caminho do teatro. Mas alguns anos no palco e descobriu outra profissão: fez-se professor de elocução e passou a pronunciar conferências dramáticas sobre Shakespeare, desenvolvendo considerável prática no tratamento dos defeitos da fala, tornando-se especialista em foniatria.

O pai, Alexander Melville Bell, passou a interessar-se não só pelo som das palavras como pelas causas desse som. Estudou anatomia: laringe, cordas vocais, boca; habilitando-se a conceber o que chamava de “fala visível”. Era um conjunto de símbolos, cada qual representando a exata posição da boca, dos lábios, da língua e do palato na pronúncia das vogais e consoantes. É autor do livro “Dicção ou Elocução Padrão”.

Ele, o pai e o avô tinham o mesmo prenome: Alexander. Até os 11 anos de idade, Graham Bell chamava-se simplesmente Alexander Bell, como o avô. Na escola, a professora sugeriu-lhe que adotasse mais um nome para distinguir-se dos ascendentes; depois de consultar os familiares, optou por Graham, em homenagem a um grande amigo de seu pai.

Era o segundo dos três filhos do casal Alexander Melville Bell e Eliza Grace Symonds. Aos 14 anos, ele e seus irmãos construíram uma curiosa reprodução do aparelho fonador. Numa caveira, montaram um tubo, com “cordas vocálicas”, palato, língua, dentes e lábios. Com um fole, sopravam a traquéia e a caveira balbuciava “ma-ma”, imitando uma criança chorona.

Alexander Graham Bell cresceu assim em um ambiente de estudo da voz e dos sons e também se interessou por esse campo, seguindo os passos do pai, ainda mais por sua mãe ter-se tornado surda muito jovem. Estudou na Universidade de Edimburgo e começou a fazer experimentos sobre pronúncia. Um amigo de seu pai lhe falou sobre a obra do cientista alemão Hermann von Helmholtz, que havia investigado a natureza física dos sons e da voz. Bell obteve uma cópia do livro e tentou lê-lo, mas a obra estava em alemão (que ele não entendia) e introduzia muitas equações e conceitos de física (incluindo eletricidade) que Bell não dominava. No entanto, a partir de alguns desenhos do livro, Bell ficou com a impressão de que Helmholtz havia conseguido enviar sons articulados (como vogais) através de fios, pela eletricidade. Na verdade, o que Helmholtz estava tentando fazer era sintetizar sons parecidos com a voz, utilizando aparelhos, e não transmitir sons a distância. No entanto, o engano de Bell fez com que ele começasse a pensar sobre os modos de enviar a voz a distância por métodos elétricos.

Em 1868, tornou-se assistente do pai, em Londres, assumindo o cargo em tempo integral durante suas ausências, quando viajava aos Estados Unidos para dar cursos. Nessa época, seus dois irmãos, o mais velho e o caçula, com intervalo de um ano, morreram de tuberculose. As dificuldades econômicas aumentaram. A ameaça da doença, diagnosticada também nele, levou o pai a abandonar a carreira em Londres, no seu apogeu, e em agosto de 1870 a mudar-se com a família para o Canadá. Compraram uma casa em Tutelo Heights, perto de Brantford, província de Ontário. Era a “Casa Melville”, como lhe chamavam. Hoje é conservada como relíquia histórica com o nome de “solar dos Bell”.

O pai de Bell era famoso e foi bem recebido no Canadá. Em 1871, foi convidado a treinar professores de uma escola de surdos em Boston, nos Estados Unidos, mas preferiu continuar no Canadá e enviar o filho em seu lugar. Assim, Alexander foi para os Estados Unidos, e passou a ensinar o método de pronúncia desenvolvido por seu pai. Além de Boston, ele visitou outras cidades, treinando professores. Nessa época, antes da descoberta dos antibióticos, a surdez era muito mais comum do que hoje, porque podia surgir como resultado de muitas doenças.

Em 1872, Bell abriu sua própria escola para surdos em Boston (é lá que conhece D.Pedro II, em 1876), e no ano seguinte tornou-se professor da Universidade de Boston. Nessa época, começou a se interessar por telegrafia e a estudar modos de transmitir sons utilizando a eletricidade.

Através de seu trabalho como professor de surdos, A. Graham Bell - como assinava e preferia ser chamado - travou conhecimento com pessoas influentes, que depois o ajudaram muito. Um deles foi Thomas Sanders, um rico comerciante de couro, que morava em Salem, perto de Boston. Bell se tornou professor de George, um de seus filhos. O menino mostrou progressos rápidos, e Thomas ficou tão grato que o convidou a morar em sua casa. Uma outra pessoa importante foi Gardiner Greene Hubbard (que mais tarde seria seu sogro), um advogado e empresário bem-sucedido. Sua filha, Mabel, tinha ficado surda aos 4 anos, em conseqüência de uma escarlatina. Ela já era adolescente quando Graham Bell começou a treiná-la para falar, com bons resultados. Em 1875, apesar da resistência do pai, Bell e Mabel ficaram noivos.

Durante os anos de 1873 e 1874, Bell fez experimentos procurando enviar notas musicais através da eletricidade. Ele pensava que suas tentativas poderiam levar a dois resultados diferentes. Por um lado, se fosse possível transmitir um conjunto de notas musicais, seria possível também transmitir a voz humana – pois Helmholtz havia mostrado como era possível sintetizar sons articulados a partir de notas musicais. Por outro lado, a transmissão de diferentes notas musicais poderia ser utilizada para enviar muitas mensagens telegráficas simultaneamente pelo mesmo fio. Bell falava sobre suas idéias e experimentos, e Sanders e Hubbard ficaram interessados no projeto do “telégrafo harmônico”. Hubbard era um homem muito prático e pensou que o processo de enviar muitas mensagens simultâneas por um único fio tinha grande valor comercial. Investigou, junto ao Escritório de Patentes de Washington, se alguém já havia desenvolvido tal idéia, e não foi encontrado nenhum registro. No entanto, de algum modo, Bell conseguiu a informação de que Elisha Gray, especialista em eletricidade e um dos fundadores da empresa de telégrafos Western Electric Company, também estava tentando construir um aparelho do mesmo tipo. Em novembro de 1874, Bell escreveu a Hubbard e Sanders: “É uma corrida pescoço a pescoço entre o Sr. Gray e eu próprio, para vermos quem completará um aparelho antes”.

Havia em Boston uma empresa pertencente a Charles Williams Jr. que fabricava aparelhos elétricos – dispositivos para telégrafo, campainhas elétricas, alarmes contra ladrões etc. Com o apoio financeiro de Sanders e Hubbard, Bell começou a solicitar aparelhos à firma de Williams, e lá encontrou um jovem trabalhador chamado Thomas J. Watson. Esse rapaz tinha bons conhecimentos de eletricidade e grande habilidade manual na construção de aparelhos. Bell levou à empresa seus desenhos e pediu que fossem fabricados alguns modelos experimentais de seu telégrafo harmônico, e Williams encarregou Watson desse trabalho. Assim, Bell e Watson se conheceram. Durante muitos anos, Bell e Watson trabalharam juntos.

Na tarde de 2 de junho de 1875, um acaso desencadeou uma série de mudanças nos experimentos de Bell. Ele e Watson estavam tentando fazer o telégrafo harmônico funcionar. Cada um deles ficava em uma sala, no sótão da oficina de Williams. Watson ligava os diversos eletroímãs que estavam em uma delas, e Bell ficava observando se os eletroímãs da outra sala vibravam corretamente. Como sempre, a coisa não estava funcionando direito. Para piorar, a lâmina de um dos transmissores não estava vibrando quando Watson ligava a pilha. Ela parecia estar presa, e Watson começou a puxar e soltar a lâmina, para ver se ela começava a vibrar como devia. Daí em diante novas experiências foram feitas, e Bell se convenceu que conseguiria transmitir a voz humana a distância.

Bell sentiu que havia urgência em patentear seu invento, embora não estivesse ainda funcionando. Redigiu a versão final do pedido, que foi levado por Hubbard a Washington e entregue no Escritório de Patentes no dia 14 de fevereiro de 1876, apenas duas horas antes de que o mesmo fosse feito por Elisha Gray. Essas duas horas foram fundamentais para que a patente fosse dada a Bell como o inventor do telefone.

Em 1898, Bell sucedeu ao sogro na presidência da National Geographic Society. E foi ele quem transformou o velho boletim da entidade na belíssima National Geographic Magazine.

Ao longo de sua vida, Bell obteve 18 patentes em seu nome e 12 em conjunto com colaboradores. Do total, 14 são relativas ao telégrafo e ao telefone, 4 dizem respeito ao fotofone, uma ao fonógrafo, 5 a veículos aéreos, 4 a hidroaviões e duas a um tipo de célula de selênio.

Todos sabem que Bell inventou o telefone. Mas poucos sabem que inventou o disco de cera para gravação sonora, aprimorando, assim, o fonógrafo de Édison. Ou que criou as primeiras sondas tubulares para exames médicos. Ou que construiu um “colete a vácuo”, isto é, uma forma primitiva de pulmão-de-aço. Ou que selecionou uma raça curiosa de carneiros. Ou que desenvolveu um sistema de localização de icebergs muito semelhante ao sonar. Ou que foi um dos precursores na descoberta dos raios laser. Ou que inventou o fotofone, sistema de transmissão de mensagens pelos raios luminosos, lá pelos idos de 1887. Ou que construiu os barcos mais velozes de seu tempo, capazes de superar os 100 quilômetros por hora. Ou ainda que foi um dos pioneiros da aviação, sendo o primeiro homem a voar num aparelho mais pesado do que o ar em todo o Império Britânico, no ano de 1907.

Em sua casa de Baddeck, no Canadá, a 2 de agosto de 1922, morria Alexander Graham Bell, aos 75 anos. Seu último diálogo, com uma das duas filhas, foi o seguinte:

“- Não tenha pressa, nem se agite, papai.
- Eu tenho que ser apressado, filha. Até para morrer.”

E morreu. Em seu túmulo, uma placa simples para um homem incomum:

“Alexander Graham Bell, inventor, nascido a 3 de março de 1847, morreu na condição de cidadão dos Estados Unidos, em 2 de agosto de 1922”.

“Inventor é um homem que olha para o mundo em torno de si e não fica satisfeito com as coisas como elas são. Ele quer melhorar tudo o que vê e aperfeiçoar o mundo. É perseguido por uma idéia, possuído pelo espírito da invenção e não descansa enquanto não materializa seus projetos.” (Palavras de Alexander Graham Bell gravadas numa placa no museu que tem o seu nome, em Baddeck, Canadá.).

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