dcsimg

Antero de Quental


Antero Tarquínio de Quental era originário dos Açores, tendo nascido em Ponta Delgada no dia 18 de abril de 1842. É possível que a tradição familiar tenha contribuído para a sua inclinação humanística, dado que entre os seus antepassados havia um pregador de mérito, P. Bartolomeu de Quental, e um poeta amigo de Bocage, o avô André Ponte de Quental. Recebeu da família, principalmente de sua mãe, uma educação religiosa e tradicional, que viria a abandonar mais tarde, nos seus aspectos mais visíveis, se bem que tenha conservado até ao fim um fundo de religiosidade.

Freqüentou, em 1852, o Colégio do Pórtico, em Ponta delgado, na altura em que Castilho era o seu diretor. Veio para o continente em 1855, matriculando-se inicialmente no Colégio de São Bento, em Coimbra, freqüentando depois o curso de direito, entre 1858 e 1864. Durante a juventude publicou diversos textos nos jornais Prelúdios Literários, O Acadêmico e O Instituto.

Em 1861 publicou a primeira obra, Sonetos, seguida nos anos seguintes publicou Beatrice (1863), Fiat Lux! (1863) e Odes Modernas (1865). Em Coimbra foi presidente de uma organização secreta, de contestação à tradição acadêmica, a Sociedade do Raio. É também desta época o seu interesse pelas idéias socialistas e pela filosofia. Tornou-se um leitor atento de Proudhon e Hegel.

Em 1865 desencadeou uma acirrada polêmica com os escritores românticos, ao reagir à carta-prefácio de Castilho que apresentava o livro Poema da Mocidade, de Manuel Pinheiro Chagas. Na sua carta, Castilho criticava os jovens escritores de Coimbra, tendo Antero reagido com o famoso folheto Bom Senso e Bom Gosto. Num segundo texto, A Dignidade das Letras e as Literaturas Oficiais, defendeu a idéia de que a literatura deveria ter uma função social, por oposição ao lirismo ultra-romântico. Ramalho Ortigão envolveu-se também na polêmica ao lado de Castilho, tendo mesmo travado um duelo com Antero. A Questão Coimbrã marca a entrada em cena de uma nova geração literária, que pretendia demarcar-se da escola romântica — a Geração de 70.

Concluído o curso, Antero voltou aos Açores por pouco tempo, instalando-se depois em Lisboa (1866). Viveu durante alguns meses em Paris, onde trabalhou como tipógrafo. A sua intenção era conhecer de perto o modo de vida das classes trabalhadoras, movido pelos ideais socialistas que então defendia.

Novamente em Lisboa, colaborou com José Fontana na organização de associações operárias e na divulgação das idéias revolucionárias. Nesta fase publicou regularmente textos de caráter político e literário nos jornais Diário Popular, Jornal do Comércio e O Primeiro de Janeiro. Foi na casa que partilhava com Jaime Batalha Reis que nasceu o chamado grupo do Cenáculo, espécie de tertúlia onde se discutiam as novas idéias que chegavam de França.

Entre 1870 e 1872, integrou a redação de jornais de orientação socialista: A República e o Pensamento Social. Em 1872 ajudou a fundar a Associação Fraternidade Operária, que era a representante em Portugal da 1ª Internacional Operária.

Dentro do mesmo espírito de intervenção, participou em 1871 na organização das Conferências do Casino, tendo sido o autor de um dos textos mais célebres dessa série — Causas da Decadência dos Povos Peninsulares nos Últimos Três Séculos.

Em 1973 o pai faleceu e a herança permitiu a Antero viver nos anos seguintes em desafogo econômico. Em 1876 sua mãe faleceu. Por essa altura já ele era afetado por crises de depressão que ajudaram a explicar o abrandamento da sua atividade política e literária. Em 1875 encontramo-lo a dirigir com Batalha Reis a Revista Ocidental. Os anos seguintes são de pessimismo e desilusão, bem evidentes nos Sonetos Completos (1886).

Em 1881 instalou-se em Vila do Conde e procurou assegurar a educação das filhas de Germano Meireles, após o falecimento do amigo. Os anos seguintes foram de relativa calma, depois da agitação que a depressão lhe trouxe.

Em 1890 presidiu à Liga patriótica do Norte, um dos movimentos nacionais de reação ao ultimato inglês, que obrigava Portugal a renunciar à ocupação das terras situadas entre Angola e Moçambique. É provável que a constatação do estado de decadência a que o país chegara tenha contribuído para agravar a sua tendência crônica para a depressão. Foi neste ano que publicou na Revista de Portugal, dirigida por Eça de Queirós, um dos textos mais importantes da filosofia portuguesa — Tendências Gerais da Filosofia na Segunda Metade do Século XIX.

No ano seguinte, regressou aos Açores, suicidando-se a 11 de Setembro (1891).

Comentários

Siga-nos:

Instituições em Destaque

 
 

Newsletter

Cadastre-se na nossa newsletter e receba as últimas notícias do Vestibular além de dicas de estudo: