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Augusto dos Anjos


Augusto Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu em 28 de abril de 1884 no Engenho Pau D'arco, localizado na Vila do Espírito Santo, Paraíba. Nascido de uma família de proprietários de engenho, e alimentado com leite de escrava, Augusto assistiu, nos primeiros anos do século XX, tempos de sua adolescência, ao mundo que o cercava ruir-se, a decadência da antiga estrutura latifundiária, substituída pelas grandes usinas, a crise abolicionista e a Guerra do Paraguai, conseqüentemente, o fim da monarquia.

Pelo lado materno, Augusto descendeu dos senhores rurais, antigos latifundiários; e pelo lado paterno, da cultura erudita, filho de um pai de ideais abolicionistas e republicanas, versado em letras clássicas, atualizado com a cultura de seu tempo, leitor de “Spencer” e até de “Marx”.

O próprio pai foi seu preceptor. Dele e de seus irmãos, ensinando-lhes desde as primeiras letras, exames preparatórios, e, até Direito.

Em 1903, matriculou-se na Faculdade de Direito de Recife. Cursou no regime de exame vago. Augusto era o grande ausente, mas não era desconhecido entre seus colegas. Suas primeiras poesias publicadas no “O Comércio”, da Paraíba, despertaram a atenção. Histérico, neurastênico, desequilibrado, era o tipo de julgamento a que Augusto teria que se acostumar. Na Paraíba foi chamado de “Doutor Tristeza”. Formou-se em 1907. Retornou à capital paraibana, onde lecionou Literatura Brasileira.

Casou-se em 1910, com Ester Fialho. Com ela, teve três filhos, sendo que o primeiro morreu prematuramente. Nesse ano foi afastado do cargo de professor do Liceu Paraibano por desentendimentos com o governador. Decepcionado com o ambiente da Paraíba, mudou-se para o Rio de Janeiro e dedicou-se ao magistério dando aula como professor substituto de Geografia, Cosmografia e Corografia do Brasil no Ginásio Nacional e ainda deu aulas particulares em diferentes bairros.

A juventude de Augusto dos Anjos foi passada na época de grandes escritores e poetas, donde se tem conhecimento da expansão do movimento literário em nosso país, onde figuras de renome tais como Olávio Bilac, Cruz e Souza, Alberto de Oliveira, Graça Aranha (época de lançamento do livro Os Sertões de Euclides da Cunha), Raimundo Corrêa, Vicente de Carvalho. É entre esses grandes nomes, que em 1912 Augusto dos Anjos lança seu único livro intitulado Eu. Entre admiradores que foram de início, poucos e críticos, Augusto chegou fazendo muito barulho, descobrindo por fim a crítica, que nasceu após o lançamento de sua obra, ao inovar com suas idéias modernas, onde a tendência à morbidez, à volúpia estranha e uma tensão quase sádica, se fazia presente a cada poema...

Augusto se apoiou nos termos e palavras duramente científicas, e, ao contrário dos poetas latino-americanos, não possuía obsessão das palavras suaves e nem das vogais sempre doces. Não foi sem motivo que ficou conhecido como o Poeta da Morte!

Augusto era uma figura extremamente sensível, introspectivo, triste, era capaz de açambarcar a dor de alguém e fazer dela a sua dor. Sua figura singela, seu jeito excêntrico de pássaro molhado, com medo da chuva, enternecia, talvez devido à sua meninice sem encantos.

Amava o pai, o pé de tamarindo do engenho onde nasceu, os livros... Mas não faz alusão tropical em que vivia em nenhuma de suas poesias. Sua introspecção o levava a ficar horas esquecidas debaixo do seu pé de tamarindo, a pensar, a divagar. Augusto dos Anjos é um poeta único em nossa literatura.

Em 1914 transferiu-se para Leopoldina, Minas Gerais, para assumir a direção do Grupo Escolar Ribeiro Junqueira. Depois de viver cinco meses em seu novo lar, ele faleceu aos 12 de novembro de 1914, após dez dias de sofrimento com pneumonia dupla. Ele tinha apenas 30 anos de idade. Deixou a viúva D. Ester e os filhos Glória e Guilherme.

Fonte: Cefet

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