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Ayrton Senna


Ayrton Senna da Silva nasceu a 21 de Março de 1960, filho de Milton Guirado Theodoro da Silva, um abastado homem de negócios paulista. Criado em berço de ouro, cheio de carinho e amor, Senna mantém-se sempre muito ligado a família: a mãe Neyde, a irmã Viviane e o irmão mais novo, Leonardo.

Quando Senna tinha quatro anos, o seu pai presenteou-o com um pequeno kart, que mais tarde afirmou ter sido o seu primeiro amor. Porém, sempre que ele ia mal no colégio, a permissão para guiá-lo era retirada.

Aos 10 anos, Senna recebeu finalmente um kart de competição, e apesar de muito novo para participar de corridas, o pai Milton sempre encarregava alguém para levá-lo para treinar na pista do Parque Anhembi. Contudo, teve de esperar três anos para poder participar naquela que seria a sua primeira corrida oficial: Interlagos, 1973. Ainda nesse ano, venceu várias vezes na Classe Júnior 1.

Nos seus anos de juventude, Senna era um tremendo competidor, e o seu estilo agressivo trouxe-lhe o título Sul-Americano em 1977 e 1978, o título Brasileiro de 1978 a 1981 e o segundo lugar nos Campeonatos Mundiais de 1979 e 1980.

Nessa altura, apesar de estar cursando Administração de Empresas na Universidade FAAI de São Paulo, ele estava decidido a seguir uma carreira no automobilismo. Assim, contra a vontade dos seus pais, trancou a matrícula e mudou-se para Inglaterra, pátria dos esportes motorizados.

A sua primeira oportunidade, surgiu no final de 1980, quando Ralph Firman, patrão da equipe Van Diemen de Fórmula Ford, contratou-o para a temporada seguinte. Na sua primeira corrida ficou em quinto lugar, na segunda em terceiro e a primeira vitória no Van Diemen RF8I surgiu, em Brands Hatch, numa prova a contar para o campeonato Townsend Tboresen.Senna dominou completamente a competitiva Fórmula Ford inglesa, conquistando, para o construtor de Norfolk, os campeonatos, RAC e Townsend Thoresen.

Em 1982, as vitórias sucederam-se, sagrando-se, com a Rushen Green Racing, campeão britânico e Europeu de Fórmula Ford 2000. Nesta época conseguiu, nada mais, nada menos, do que 22 vitórias e 22 pole positions. Uma das poucas vezes em que não liderou do princípio ao fim, aconteceu em Mondello Park na Irlanda, numa corrida a contar para o campeonato Europeu. Joey Creenan, piloto local, bateu Senna na largada, assumindo o comando por duas voltas, antes de ser ultrapassado pelo brasileiro.

Desanimado com a falta de um apoio financeiro mais efetivo, Senna voltou para o Brasil, mas, o apoio do Banerj o fez voltar, de imediato, ao Reino Unido.

Depois de alcançar o topo na Fórmula Ford, Senna começou a olhar para o campeonato britânico de Fórmula 3. Assim, ainda antes do final da temporada de 1982, testou o Ralt RT3, da equipe de Eddie Jordan, mas optou por correr na West Surrey Racing, do Neo-Zelandês Dick Bennetts.

Foi uma combinação de sucesso. Logo na sua primeira corrida na F3, conquistou a pole e venceu. De imediato apareceram três propostas para ingressar na Fórmula 1, mas Ayrton recusou, preferindo fazer um ano completo na F3.

Após uma temporada inteira de duelos com o piloto da EJR, Martin Brundle, Senna sagrou-se campeão. Ele venceu as primeiras corridas da temporada, revelou uma inconsistência nas provas seguintes, mas, no entanto, contrariando as expectativas, voltou à sua boa forma, conquistando o título na última corrida do campeonato.

Eddie Jordan, que sempre se vangloriou de ter sido ele a dar a Senna a primeira oportunidade de pilotar um F3, afirmou que o brasileiro tinha a extraordinária capacidade de fazer uma primeira volta estonteante, desmoralizando os seus adversários. O seu piloto, Brundle, conseguia equiparar-se a ele em todos os outros aspectos, exceto na primeira volta, onde Senna passava sempre à frente.

Como Campeão Britânico de F3, Senna atraiu para si as atenções dos patrões das equipes de Fórmula 1. A sua primeira experiência com um F1, aconteceu em julho de 1983, quando Frank Williams colocou a sua disposição um FWO8C, de motor Ford. O teste em Donington Park foi bem sucedido, mas passar-se-iam dez anos até que Ayrton voltasse a pilotar um Williams.

McLaren, Brabham e Toleman queriam Senna para o seu primeiro ano na Fórmula 1. Porém, a sua escolha recaíu sobre a pequena equipe Toleman. No dia 25 de março de 1984, ele participu pela primeira de uma corrida de F1, no circuito brasileiro de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, mas abandonou logo na quinta volta. Antes desta prova, Senna tinha participado em apenas 69 corridas de automóveis, incluindo uma, em Oulton Park, em maio de 1982, ao volante de um Talbot Sunbeam. Destas, venceu 48.

Num ano dominado pelos McLaren Tag-Porsche de Alain Prost e Niki Lauda, o Toleman-Hart TG 183B não era, nem por sombras, o melhor carro no circo. Mesmo assim, o talentoso Senna conseguiu pontuar na segunda corrida, duas semanas depois, em Kyalami, na África do Sul.

Segue-se um sexto lugar em Zolder na Bélgica, e a única não qualificação da sua carreira, em Imola. Veio depois a performance, que o destacou como um piloto com muito para oferecer à Fórmula 1.

No primeiro de uma série de virtuosos desempenhos nas ruas de Monte Cano, ele levou o Toleman até o segundo lugar, quando a chuva começou a cair torrencialmente apanhando desprevenidos Derek Warwick, Nigel Mansell, Patrick Tambay, Niki Lauda, Andrea de Cesaris e Riccardo Patrese.

Demonstrando um extraordinário domínio sobre o seu carro, nas adversas condições da pista, Senna esteve prestes a ultrapassar o líder Alain Prost quando, ao fim de 31 voltas o Diretor da Prova Jacky Ickx, agitou as bandeiras vermelha e axadrezada, assinalando o final da corrida. Bastaria mais uma volta, e Senna teria passado o francês, conseguindo assim a sua primeira vitória.

Com um segundo lugar, dois terceiros e dois sextos, na sua primeira temporada na F1, Senna era um piloto muito procurado quando chegou à época do ano em que começam a acontecer às renovações dos contratos. No entanto, ele tinha assinado por quatro anos com a Toleman, mas não escondia a sua intenção de exercer a cláusula de escape, contida no contrato. A sua decisão não foi muito apreciada pela Toleman, que o impediu de correr no Grande Prêmio de Itália, por abertamente negociar com a Lotus.

Após uma temporada na Toleman, Senna optou por se transferir para a Lotus, que na altura era uma equipe respeitada. Tendo como companheiro de equipe o aristocrático italiano Elio de Angelis, Ayrton com o seu Lotus 97T preto, de motor Renault, teve finalmente condições de lutar por pole positions e vitórias.

Logo na sua segunda corrida de 1985, no circuito do Estoril em Portugal, partiu na pole e conquistou a sua primeira vitória ao volante de um F1. Numa corrida molhada, que teve de ser interrompida ao tempo de duas horas, a duas voltas do final, Senna demonstrou a sua impressionante perícia, vencendo com mais de 1 minuto de vantagem sobre o segundo colocado, Michele Alboreto numa Ferrari.

Igual performance poderia ter sido alcançada por Senna, quinze dias depois, em Imola. Colocando o seu Lotus-Renault na pole, liderou 56 das 60 voltas, viu-se porém obrigado a abandonar. Em Monte Carlo, conseguiu novamente a pole e liderou por 13 vo1tas mas o seu carro volta a quebrar, obrigando-o ao abandono. O mesmo aconteceu no Canadá, depois de ter registrado a melhor volta da corrida. Em Detroit liderou mais uma vez, mas saiu da pista o que veio também a acontecer no circuito Paul Ricard, durante o Grande Prêmio da França.

No Grande Prêmio da Inglaterra, em Silverstone, comandou 58 das 65 voltas mas o seu Lotus-Renault falhou mais uma vez. Outra prova não terminada, desta feita no novo circuito de Nurburgring, foi seguida por uma sequência de pódios. Foi segundo, atrás do McLaren-Porsche de Prost em Osterrechring, foi terceiro atrás dos dois McLaren-Porsche de Lauda e Prost em Zandvoort na Holanda, e novamente terceiro (tendo largado na pole) atrás de Prost e Nelson Piquet (Brahham-BMW) em Monza.

A segunda vitória aconteceu em Spa-Francorchamps. Em mais uma corrida marcada pela chuva, Senna terminou com quase meio minuto de vantagem sobre o Williams-Honda de Mansell, com o McLaren-Porsche de Prost, o Williams-Honda de Rosberg, o Brahham-BMW de Piquet e o Renault de Derek Warwick, no seu encalço.

No Grande Prêmio da Europa em Brands Hatch, Mansell esteve imbatível, mas Senna, largou novamente da pole position e acabou em segundo lugar. Um abandono em Kyalami, leva-o à Austrália, para o primeiro Grande Prêmio de Adelaide. Mais uma vez, foi o mais rápido nas sessões de qualificação, mais uma vez liderou a corrida (durante 9 voltas), e mais uma vez o seu Lotus-Renault quebrou.

Tendo terminado o Campeonato Mundial em quarto lugar, estava convencido de que a Lotus não deveria diminuir os seus esforços para lhe fornecer um carro vencedor. Por isso, não vê com bons olhos a nomeação do britânico Derek Warwick, para seu companheiro de equipe em 1986.

Apesar dos ataques da imprensa especializada Inglesa, a Lotus reconsiderou e acabou por dispensar Warwick. No seu lugar, contrataram o conde escocês Johnny Dumfries. Para Senna esta foi a combinação ideal - ele como o indiscutível número um da equipe, e Dumfries como um insípido segundo piloto.

Ao volante do Lotus-Renault 981, Ayrton venceu na Espanha e em Detroit, ficando em segundo no Rio de Janeiro, Spa-Francorchamps, Hockenheim e Hungaroring, terceiro em Monte Carlo e no México, quarto em Estoril e quinto em Montreal.

A vitória de Senna em Espanha foi uma das mais disputadas. Ao fim de 72 voltas sob um sol abrasador, ele bateu o Williams-Honda de Mansell, por apenas 14 centésimos de segundo, após emocionante duelo.

Em Detroit, ficou muito satisfeito com a sua vitória. Assim, o já familiar capacete amarelo no interior de um Lotus 98T preto dominou por completo a prova, apesar do atraso provocado por um furo num pneu.

Os 55 pontos conquistados dão-lhe novamente o quarto lugar no Campeonato Mundial, atrás de Prost, Mansell e Piquet. Porém, no final da temporada, Ayrton já se tinha percebido de que precisaria de um motor Honda, se quisesse vencer os Williams de Mansell e Piquet em 1987.

Foi a promessa do seu nome no contrato, que fez com que a Honda se decidisse a fornecer os seus motores turbo para a Lotus. No entanto, esta combinação não resultou tão bem quanto o brasileiro esperava. O Lotus 99T era um carro mais pesado do que os Williams FWII B ou do que os McLaren MP4/4 pelo que, foi preciso todo o empenhamento e perícia de Senna para o tornar competitivo.

As suas duas vitórias nesse ano ocorreram em circuitos de rua onde a técnica de condução é o elemento mais importante. Em Detroit repete o sucesso do ano anterior, e nas ruas de Monte Carlo regista a primeira de seis vitórias nessa pista.

Conseguiu o segundo lugar em Imola (atrás de Mansell), Hungaroring (atrás de Piquet), Monza (Piquet novamente) e Suzuka (atrás do Ferrari de Gerhard Berger), o terceiro lugar em Silverstone e Hockenheim, o quarto em Paul Ricard, e quinto em Jerez e Osterreichring. Soma assim um total de 57 pontos, que lhe valeram um terceiro lugar no Campeonato Mundial, atrás dos dois Williams-Honda.

A sua aprendizagem na F1 encontrava-se completa, e Senna estava agora pronto para ingressar numa equipe de alta qualidade. Assim, e apesar do enorme desafio que seria ter como companheiro Alain Prost, Ayrton aceitou a oferta da Marlboro-McLaren para 1988. Era o início de uma era grandiosa na sua carreira.

Numa luta árdua com o francês Alain Prost, Senna ganha oito vezes contra sete de Prost, numa época totalmente dominada pelos McLaren-Honda MP4/4. Senna e Prost, entre eles, ganharam todas as corridas, exceto uma. Em Monza, Senna liderou toda a corrida, contudo a duas voltas do fim, tem um acidente ao tentar ultrapassar o retardatário Jean-Louis Schlesser, dando a Berger e a Ferrari a possibilidade de se sagrarem vencedores.

Ele ganha em Imola, Montreal, Detroit, Silverstone, Hockenheim, Hungaroring, Spa-Francorchamps e Suzuka, ficando em segundo lugar, atrás de Prost, no México, França e Áustria.

Um quarto lugar em Espanha e um sexto em Portugal, dão-lhe um total de 94 pontos, nove menos do que o seu companheiro de equipe. Porém, como apenas os 11 melhores resultados são computados, a sua pontuação líquida de 90 pontos bate os 87 de Prost. Ayrton Senna sagra-se assim Campeão do Mundo pela primeira vez.

A sua temporada tinha começado da pior maneira possível, em Jacarepaguá. Diante dos seus fãs brasileiros, parte da pole, mas lhe é mostrada a bandeira preta por violar o regulamento, ao fazer uma visita de última hora ao box.

Após a sua vitória em Imola, comete um erro em Monte Carlo, dando a vitória a Prost. Uma inesperada perda de concentração, após 66 voltas no comando, leva-o a bater no guard-rail. Depois do incidente, fica tão perturbado que deixa o circuito sem sequer ir aos boxes. Dirige-se então ao seu apartamento onde permanece durante três dias, antes de se apresentar de novo na McLaren.

Senna recordava muitas vezes a sua vitória em Suzuka como uma das melhores. Depois de deixar o seu McLaren ir baixo na partida, perde a vantagem da pole, caindo para a décima quarta posição. No entanto, conduzindo com uma extraordinária vivacidade e perícia, faz uma corrida espetacular e termina em primeiro.

Mais tarde, revela em uma entrevista que teve de Jesus Cristo quando, já no final da corrida, quando contornava a Curva Spoon. Fala então abertamente da sua relação com Deus: 'Finalmente encontrei-o, e tenho-o sempre comigo', diz.

A guerra de palavras trocadas entre Senna e Prost não ajudou a atenuar a rivalidade entre os dois campeões, à medida que se aproximavam da temporada de 1989 - a primeira da era dos motores atmosféricos de 3,3 litros.

Mais uma vez, a má sorte bate a porta de Senna no Grande Prêmio do Brasil. Nigel Mansell faz uma largada espetacular na sua estréia com a Ferrari, enquanto que Ayrton se choca com Berger, logo na partida. Em Imola, bate Prost. Porém, o francês reclama a quebra por parte de Senna do pacto de 'não ultrapassagem' na primeira volta, estabelecido entre eles.

A disputa entre os dois companheiros de equipe passa para hostilidade aberta e eles cortam relações. O patrão da equipe, Ron Dennis, consegue restabelecer uma paz aparente, e Senna volta às vitórias.

Em Monte Carlo, parte da pole e vence. Repete esta performance no México, mas no meio da corrida de Phoenix perde a liderança devido a uma falha do motor. Não terminando no Canadá (após liderar durante 30 voltas), França e Silverstone, volta às vitórias em Hockenheim. Em Hungaroring, é surpreendido por Nigel Mansell, que lhe tira a liderança no momento em que hesita na ultrapassagem do Onyx de Stefan Johansson.

As vitórias de Senna em Spa-Francorchamps e Jerez, e de Prost em Monza, levam a um confronto decisivo em Suzuka. Incrivelmente, os dois McLaren-Honda se chocam, quando, a sete voltas do fim, Prost fecha Senna.

Este consegue voltar à pista e vai para o box substituir o seu aerofólio dianteiro. Regressa então à pista ultrapassando agressivamente o novo líder Alessandro Nannini, mas a vitória lhe é retirada pelos Comissários Desportivos, não só por ter sido empurrado pelos fiscais de pista, conseguindo assim pôr o carro em marcha, mas também por ter cortado a chicane após o incidente.

Nesta altura, Senna acusou abertamente Prost de deliberadamente o pôr fora da corrida e a inimizade entre os dois atingiu o seu auge. Sem ânimo para correr, chega a Adelaide para disputar a última prova da temporada. No entanto, após 13 voltas, sofre um violento acidente.

Senna deixou a Austrália tão desapontado e desiludido com uma temporada que foi uma constante guerra de nervos, que ele pensou em abandonar a carreira.

Após o incidente de Suzuka, a hostilidade entre os dois era total. 'Eu estava na torre por cima da pista, quando descobri que tinha sido desclassificado. Prost veio ter comigo e pôs a mão no meu ombro dizendo que gostaria que o campeonato não tivesse acabado daquela forma. Senti que o queria comer vivo. Gritei para que desaparecesse, que saísse da minha frente. Após seis meses sem nos falarmos, ele vem-me com esta hipocrisia'.

Declarações imprudentes acerca do então presidente da FISA, Jean Marie Balestre, trouxeram-lhe ainda mais problemas com as autoridades, tendo Senna sido ameaçado de ter sua superlicença cassada.

Não surpreendentemente, Prost muda-se para a Ferrari, enquanto que Gerhard Berger deixa Maranello, para se juntar a Senna. A McLaren torna-se, de imediato, numa escuderia unida e igualmente eficiente.

Com a rivalidade pessoal entre Senna e Prost a animar ainda mais a já espectacular batalha pela coroa mundial, a temporada 1990 foi memorável.

Senna começou bem, com uma vitória em Phoenix, mas o seu Honda perdeu potência em São Paulo quando se encontrava na liderança, sendo ultrapassado pelo seu companheiro de equipe, Berger. Em Imola abandonou, mas voltou a vencer em Mônaco e Canadá.

No México, uma falha mecânica no seu McLaren, após 60 voltas no comando, entregou a vitória a Prost, que também se sagrou vencedor na França e em Silverstone.

Esta alternância continuou, com Senna vencendo em Hockenheim, Spa-Francorchamps e Monza, e Prost na Espanha. Mais uma vez, o campeonato foi decidido em Suzuka, e mais uma vez terminou com um incidente.

Desta vez, Senna foi o responsável. Fato que não escondeu, admitindo que, na primeira curva se chocou o Ferrari de Prost, asssegurando assim, o seu segundo título Mundial.

Um ano mais tarde, ao falar com os jornalistas, afirmou recordar-se claramente dos seus pensamentos antes da partida, em Suzuka. Assim, lembra-se de ter dito a si próprio: 'Se o Prost na largada sair na minha frente, e chegar à primeira curva na frente, eu vou com tudo. E é melhor que ele não tente fechar a curva à minha frente, porque não vai conseguir terminá-la Foi exatamente o que aconteceu'. Na mente de Senna, tinha sido feita justiça, e ele não pede desculpas pelo acontecido.

A idéia de que tinha conquistado o título devido ao incidente de Suzuka, foi rejeitada pelo novo Campeão Mundial. 'O campeonato não foi ganho no Japão', insistiu. 'Foi ganho corrida a corrida, ponto por ponto, não só com primeiros lugares, mas também com segundos e terceiros. Eu tinha tudo planejado desde o início. Sempre acreditei que conseguiria, acreditei na forma como iria conseguir, e trabalhei para isso. Foi um sucesso, meu e de toda a equipe'.

'Quando saí do carro após o acidente, estava ao mesmo tempo emocionado e descontraído. Ao ir para os boxes, apercebi-me de que o circuito estava livre, logo, a corrida tinha continuado. Lentamente, libertei-me da pressão e tentei agir naturalmente mas não conseguia'.

Chorando, abraçou o patrão da equipe Ron Dennis, quando a realização de que era Campeão Mundial pela segunda vez, se apoderou finalmente dele. Porém, a sua alegria é contestada pela Ferrari, que exigiu que a FISA tomasse medidas contra ele. Esta constituiu uma Comissão Especial para analisar os vários aspectos da F1, mas nenhuma outra decisão foi tomada.

A temporada seguinte começou da melhor maneira possível para Senna, que alcançou quatro vitórias consecutivas em Phoenix, São Paulo, Imola e Mônaco. Todavia, ele não estava satisfeito, avisando que tanto McLaren como a Honda que teriam de fazer mais, para manterem o título Mundial.

Ano após ano, tudo se torna mais difícil: "É muito difícil ser número um, mas é ainda mais difícil permanecer número um. Depois de se ganhar um campeonato, a pressão aumenta, porque deixa de ser suficiente ser-se segundo".

Os avisos de Senna à McLaren e à Honda tornaram-se realidade quando os Williams-Renault ganham sucessivamente no México (Patrese), Magny-Cours (Mansell), Silverstone (Mansell) e Hockenheim (Mansell).

Depois da corrida germânica, a velha hostilidade entre Senna e Prost reacendeu-se quando o francês acusou Ayrton de o empurrar para fora da pista.

Prost revelou ao canal 5 francês: "Fui parar na grama uma ou duas vezes, quando rodava a 320 km/h. Tentei tudo ao meu alcance, mas, da próxima vez, vou tentar ultrapassá-lo por dentro e empurrá-lo para fora da pista. Se as coisas continuarem assim, vou jogar o jogo de Mansell e da Renault até ao fim do campeonato porque ele está completamente fora de ordem".

Preocupada com a possibilidade de uma guerra aberta nas pistas, a FISA convocou ambos para uma reunião especial, em Hungaroring, antes da corrida seguinte. Após uma longa e aparentemente franca discussão, eles se cumprimentaram. As animosidades tinham terminado, anunciaram. Incitada pelo seu piloto, a Honda conseguiu aumentar a potência dos seus motores e a McLaren aperfeiçoa o seu MP4/6. Senna premeia de imediato os seus esforços, com uma vitória na Hungria. Mais uma vez, não foi uma vitória fácil. Graças ao novo combustível da Shell, consegue a pole, o que lhe permite manter sob controle os claramente mais rápidos Williams-Renault de Mansell e Patrese.

Esta foi uma vitória importante por duas razões. Por um lado, levantou a moral do pessoal da Honda, ainda muito abalados pelo falecimento do seu fundador, Soichiro Honda; e por outro, assinaliou a intenção de Senna de lutar com Mansell pelo título.

Em Spa-Francorchamps, após luta árdua com Mansell que acabou por abandonar, Senna venceu pela quarta vez consecutiva, o que lhe permitiu ficar à frente na luta pelo título.

O circo mudou-se então para Monza, onde Senna conseguiu apenas o segundo lugar, atrás do mais rápido Williams de Mansell. Seguiu-se a prova de Estoril, onde novamente terminou em segundo, desta vez ficando atrás do Williams de Patrese, com Mansell sendo eliminado devido a uma infração no pit-lane.

Uma má escolha de pneus no asfalto molhado do novo circuito da Catalunha, na Espanha, faz Senna chegar na quinta colocação, enquanto que Mansell conseguiu mais uma vitória. Mais uma vez, o campeonato é decidido em Suzuka.

Muito próximo de Senna, Mansell sai da pista após 10 voltas disputadas, bastando ao brasileiro apenas terminar, para assegurar o campeonato. Assim, na última volta, e depois de ter consultado Ron Dennis via rádio, ele diminuiu o ritmo, deixando Berger passar. Esta foi a forma que ele encontrou para agradecer ao seu companheiro de equipe todo o apoio dado durante a temporada. Porém, o que deveria ter sido um momento extremamente feliz na sua carreira, acabou por ser manchado por mais comentários imprudentes de Senna a Jean Marie Balestre, bem como pelo facto de ter admitido em público ter deliberadamente provocado o incidente de Suzuka em 1990.

Esta conduta pouco própria do novo campeão trouxe-lhe severas críticas por parte da imprensa de todo o mundo. Para um homem que afirmava estar consciente das grandes responsabilidades de liderar uma equipe de Fórmula 1, tinha um comportamento impróprio.

Com a sua imagem denegrida, Senna é um homem diferente na temporada de 1992. Agora que tinha alcançado o seu terceiro título, revelava-se um piloto mais maduro. Prost, depois deter sido merecidamente suspenso pela Ferrari, nas duas últimas corridas de 91, não participou desta temporada. Com Piquet fora da F1, o palco estava preparado para a batalha entre Senna e Mansell.

Desde a primeira corrida em Kyalami, na África do Sul, que era evidente a superioridade do Williams-Renault FWI4B do inglês. Mansell arrebatou cinco vitórias consecutivas, em Kyalami, México, Interlagos, Barcelona e Imola.

A luta pelas ruas do Principado, no GP de Mônaco constituiu um dos pontos altos da época. Uma vez na frente, Senna não cedeu o seu lugar a ninguém resistindo com grande perícia ao duro ataque de Mansell. Foi a sua quinta vitória em Mônaco, igualando assim o recorde de Graham HilI.

Duas semanas depois, em Montreal, Senna liderou de novo, mas Mansell, impaciente, tentou ultrapassá-lo na aproximação à chicane. O Williams bloqueiou na freada, perdendo aderência e por pouco não bateu no McLaren de Senna. Este porém, vê-se impossibilitado de tirar proveito do erro de Mansell, já que ele próprio acaba por ter problemas com a eletrônica do seu carro, permitindo a Berger marcar pontos para a McLaren.

As três corridas seguintes em Magny-Cours, Silverstone e Hockenheim, são ganhas com ridícula facilidade por Mansell. Senna venceu na Hungria, mas só depois de Patrese ter saído da pista e o inglês ter tido um furo em um dos pneus que o obrigou a ir ao box. No entanto, o seu segundo lugar, foi suficiente para conquistar o título de campeão Mundial.

Em Spa-Francorchamps os Williams-Renault sofrem problemas eletrônicos e de escapamento, que aliados as condições atmosféricas instáveis dão a vitória ao recém-chegado Michael Schumacher. Este optou, no momento certo, pela mudança para pneus de chuva, o que lhe concedeu uma vantagem confortável sobre os restantes pilotos. Senna por seu lado, mantém-se na pista cada vez mais molhada com slicks, decisão que lhe iria custar uma descida para o quinto lugar.

Com ambos os Williams com problemas, Senna registrou mais uma vitória em Monza, porém Mansell e Patrese venceram respectivamente no Estoril e em Suzuka. Tendo já anunciado a sua intenção de se mudar em 1993 para os Indy Cars Americanos, Mansell teria ficado bastante satisfeito em terminar o campeonato com uma vitória em Adelaide. Contudo, Senna tinha outras idéias. Durante 19 voltas, perseguiu o inglês numa luta empolgante entre os dois melhores pilotos do dia. Mas o que seria um belo desfecho, terminou em um acidente.

Ao longo do ano, o relacionamento de Senna com Ron Dennis e a McLaren deteriorou-se ao ponto deste ir para as suas férias anuais no Brasil sem ter assinado o contrato para 1993. Em certa altura falou numa possível retirada, e indiferente a estréia de Mansell nos Indy Cars, testa um Penske FC21, em Dezembro, no Arizona.

Sucedeu-se um jogo perigoso, entre Senna e Ron Dennis, que foi resolvido através de um contrato corrida a corrida, assinado apenas algumas horas antes do primeiro Grande Prêmio de 1993, em Kyalami. Senna mostrou-se, no entanto, profundamente insatisfeito com a perda dos motores Honda, e a sua substituição pelos Ford.

Berger já tinha saído, contente com o salário de 12 milhões de dólares oferecido pela Ferrari. Para o seu lugar, a McLaren contratou o às dos Indy Cars, Michael Andretti. Mika Hakkinen, piloto da Lotus, é também contratado como reforço para a equipe, no caso de Senna optar por ficar no Brasil e não correr. De fato essa hipótese era bastante provável, com Prost a negociar um lugar na Williams e o desespero de Senna, que chega a afirmar que para Frank Williams, correria até "de graça".

Sem o apoio dos potentes motores Honda, Senna sentiu que não conseguiria disputar de igual para igual com Prost. Para um homem que não se satisfazia senão com a vitória, pilotar outro carro que não o Williams, era pura perda de tempo.

Em Adelaide, porém, fala da "responsabilidade para com os fãs que nos seguem" e o faz de forma tão sincera, que a hipótese de abandono se torna impensável. Mas negociar o melhor acordo possível foi algo onde Senna foi sempre bom.

Finalmente, duas semanas antes de Kyalami foi para Silverstone, onde testou o novo McLaren MP4/8. Apenas em poucas voltas, conseguiu ser mais rápido do que Andretti e Hakkinen. E, mais importante do que tudo, ele apercebeu-se do potencial do novo carro, decidindo continuar as negociações com Dennis.

No circuito sul africano ficou em segundo lugar com Prost sendo o vencedor, mas nas duas corridas seguintes, revelou as suas extraordinárias capacidades. Em ambas as ocasiões a chuva foi o equalizador e ele demonstrou que ninguém o igualava no domínio do carro.

Em Interlagos, após uma fortíssima chuva, Prost saiu da pista e Senna registrou uma vitória extremamente popular, naquele que era o seu circuito natal.

A extraordinária performance obtida, viria a ser superada quinze dias depois em Donington Park, onde o brasileiro deslumbrou todos com uma excelente exibição de condução sob chuva. A sua primeira volta é inesquecível, fazendo já parte da história dos Grandes Prêmios. Quinto na largada, passou Schumacher à saída de Redgate, o Sauber de Karl Wendliger nas Craner Curves, Damon Hill em Coppice, ultrapassando finalmente Prost na aproximação da Melbourne. Após esta fulgurante ascensão até a liderança, e à medida que a pista passa de seca para molhada, e de molhada para seca, ninguém mais conseguiu se aproximar de Senna.

Um segundo lugar em Imola teria permitido a Senna continuar a lutar pelo título, mas uma falha no sistema hidráulico levou-o a abandonar. No entanto, o segundo lugar em Barcelona, deixou-o apenas a dois pontos de Prost.

Já em Mônaco e apesar de fortuita, Ayrton registrou a sua sexta vitória naquele circuito, o que lhe permitiu alcançar um recorde que talvez nunca venha a ser igualado. Depois de queimar a partida, Prost foi penalizado com um "stop and go" agravado ainda pelo fato de ter deixado o carro morrer quando lhe é dada autorização para regressar a pista. Schumacher assume então a liderança, mas, um problema com o seu Benetton obrigou-o a abandonar. Senna, que fazia uma corrida calma devido a uma luxação no polegar, consequência de um acidente nos treinos de qualificação, rumou serenamente para a vitória.

Não terminando no Canadá, obtendo lugares secundários atrás dos Williams na França, Silverstone, Hockenheim e Spa Francorchamps, saindo da pista na Itália e abandonando novamente na Hungria e em Portugal, Senna ficou 34 pontos atrás de Prost quando faltavam apenas as duas corridas finais de Suzuka e Adelaide. Porém Senna não desistiu, e a sua amiga chuva que sempre lhe deu vantagem, ajudou-o a vencer no Japão.

Prost, com o seu quarto título Mundial e uma merecida retirada no final da época, muito teria gostado de terminar com a vitória em Adelaide. Partindo da pole, foi uma corrida em que Senna esteve simplesmente brilhante não cometendo o menor erro. Forma perfeita de terminar os seus seis grandiosos anos ao serviço da Marlboro-McLaren.

Era quase inevitável que o piloto de maior sucesso a nível mundial e a equipe de maior sucesso dos anos 90, se juntassem, criando assim a equipe de sonho.Em 1994, Ayrton Senna e a Williams-Renault deveriam ser imbatíveis. Porém, tal coisa nunca aconteceu.

"Este é o começo de uma nova fase na minha carreira", falou Senna com otimismo, em Janeiro de 1994. "Estou ansioso por este novo desafio". Ele estava muito contente de poder restabelecer o contato com Frank Williams e com a Renault.

"Sinto que é a concretização de um sonho. O Frank deu-me a primeira oportunidade de conduzir um Fórmula 1 e ganhei o meu primeiro Grande Prêmio com um motor Renault. Considero que este ano vai ser para mim um novo começo no automobilismo".

O anúncio público tinha sido feito a 11 de Outubro de 1993, um mês depois de Alain Prost ter conquistado o seu quarto título Mundial com a equipe e ter anunciado a retirada da modalidade.

"O abandono de Alain deixou-nos num dilema", disse Frank Williams. "O seu substituto mais apropriado só poderia ser Ayrton Senna. Sempre o admirei e a sua carreira fala por si". Em Adelaide, após ter ganho aquela que seria a sua última corrida com a McLaren, Senna puxou Prost para o centro do pódio como se pretendesse assinalar continuidade na sua mudança para o lugar do seu ex-colega de equipe. Tratou-se de um gesto espontâneo de reconciliação por parte do brasileiro, que não convenceu totalmente Prost.

No seu novo Williams-Renault FWI6, conseguiu a pole position em Interlagos, Aída e Imola. Surpreendido com o andamento do Benetton-Ford de Schumacher em Interlagos, Senna teve de dar o seu máximo nos treinos de qualificação para ficar na sua frente. Esta corrida era muito importante para ele. Apesar de ter conseguido a volta mais rápida nos treinos de sexta-feira, Senna estava ciente das fraquezas do seu FWI6. "Na minha opinião, temos de fazer alguns melhoramentos e com sorte conseguiremos que o carro ande um pouco mais rápido.

No dia da corrida, ele percebeu que o seu sonho de dominar a temporada de 1994 seria muito difícil de concretizar. Após ter perdido a liderança para o alemão, Senna fez um enorme esforço para se recuperar. Porém neste seu esforço e após cinquenta e seis voltas, saiu da pista.

Na corrida seguinte, no novo circuito em Aída no Japão, ele voltou a não terminar. Mais uma vez, é o mais rápido nos treinos de qualificação, conseguindo a sua 64ª pole, mas Schumacher estava extremamente próximo.

O alemão foi mais rápido e Senna foi batido na largada. À medida que se aproximava da primeira curva, o McLaren-Peugeot de Mika Hakkinnen tentou ultrapassá-lo, tocam-se e o Williams roda para a esquerda e Nicola Larini bateu-lhe de lado. Foi abandono imediato para ambos.

Depois das duas primeiras corridas, o circo da Fórmula 1 regressou à Europa. A sua primeira prova, no dia 1º de Maio, foi em Imola para o Grande Prêmio de San Marino. Quando começou a sessão de qualificação em Imola, ele respondeu aos seus críticos de um modo decidido. Apesar de perturbado com o espectacular acidente de Rubens Barrichello, conseguiu a pole provisória rodando meio segundo mais rápido que o Benetton de Schumacher e o Ferrari de Gerhard Berger.

"Foi obviamente, uma sessão um pouco caótica, devido ao acidente do Rubens", disse depois. "Penso que dadas as circunstâncias, foi um resultado excelente".

O acidente de Barrichello perturbou Senna. Ele era o seu protegido desde que, um ano antes, tinha ingressado na equipe Jordan. Ayrton acreditava que o seu amigo paulista de 21 anos, seria o seu sucessor natural, o homem que tomaria a si o título de melhor piloto brasileiro. Quando viu o acidente, saiu da pista e dirigiu-se de imediato ao local. Barrichello, ainda inconsciente, é então acompanhado por ele até ao centro médico do circuito, onde finalmente recupera os sentidos.

Senna segurou a sua mão e falou serenamente: "Fica calmo. Você vai ficar bom". A sua presença e genuína preocupação foram muito apreciadas por Barrichello.

Felizmente, o acidente do Brasileiro não foi tão sério como à primeira vista parecia e ele regressou no dia seguinte ao circuito, para uma conferência de imprensa no motorhome da Jordan.

A comunidade da Fórmula respirou de alívio. Mas, decorridos apenas vinte minutos da segunda sessão de qualificação, deu-se outro terrível acidente espalhando de novo o horror pelo paddock.

O austríaco Roland Ratzenberger, ao tentar pela terceira vez qualificar o novo MTV Simtek-Ford, saiu da pista na curva Villeneuve, batendo de lado nas barreiras de proteção. O impacto foi violentíssimo, de tal modo que Ratzenberger partiu instantaneamente o pescoço.

Foi o primeiro acidente fatal num Grande Prêmio em doze anos, e o paddock da F1 ficou chocado. Apenas Senna se deslocou com alguns comissários ao local e em memória de Ratzenberger decidiu não participar mais da sessão de qualificação. No entanto, o tempo conseguido na sexta-feira permitiu-lhe ainda manter a pole position.

"O Ayrton estava preocupado com as condições de segurança da pista", disse, perturbada, a sua namorada Adriane Galisteu, a quem telefonou para o seu apartamento no Algarve, sábado à noite. "Ele visitou os locais de ambos os acidentes e disse que não estava com muita vontade para correr em Imola". Alguns jornalistas também notaram que Senna estava apreensivo durante o fim de semana.

Após um warm-up, sem incidentes, onde registrou novamente o melhor tempo, Senna tomou, de um modo frio e determinado, o seu lugar no grid daquela que seria a sua última corrida.

Partindo da pole, tomou a liderança seguido de perto por Schumacher. J. J. Lehto deixou o motor do seu Benetton-Ford morrer na largada, erguendo os braços para avisar aqueles que seguiam atrás. Todos se desviram, exceto Pedro Lamy, que vendo abrir-se uma brecha à sua esquerda e sem saber porquê, optou por seguir por ali. O seu Lotus bateu então na traseira do carro imóvel de Lehto, saindo disparado contra o muro à esquerda. Atravessa depois a pista até bater nas barreiras do lado oposto, onde finalmente pára.

O acidente pareceu bastante grave mas, pouco tempo depois, Lamy saiu ileso do seu carro parcialmente destruído. Lehto sofreu um pequeno ferimento no braço esquerdo. Quatro espectadores foram atingidos por destroços de ambos os carros e apresentando pequenos ferimentos foram tratados no Hospital de Imola.

O incidente trouxe para a pista o Safety Car e atrás dele, com Senna a liderar, mantiveram-se todos os pilotos durante quatro voltas. Quando surgiu a luz verde, Ayrton e Schumacher destacaram se de imediato dos demais concorrentes, retomando a sua batalha. Porém, esta só durou mais uma volta.

Ao passar na assustadoramente rápida curva Tamburello pela sexta vez, o carro de Ayrton Senna saiu e bateu violentamente no muro de cimento.

A bandeira vermelha é então mostrada e a corrida é interrompida. Pela terceira vez neste fim de semana negro, o Professor Sid Watkins lidera a equipe médica para socorrer a mais um acidente grave. Quando chega ao local, fica chocado com o que vê.

Ainda na pista corta o capacete de Senna, apercebendo-se então da gravidade dos ferimentos. "Foi muito difícil para mim", disse depois. "Eu sabia que o rapaz não ia conseguir sobreviver".

Durante 17 minutos os médicos lutaram por mantê-lo vivo, mas sabiam que isso era praticamente impossível. É depois transferido para o Hospital Maggiore em Bolonha onde é declarado morto às 18h40min.

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