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Carmen Miranda


Carmen Miranda nasceu em Marco de Canaveses, em Portugal, no dia 9 de fevereiro de 1909. Seu nome de batismo é Maria do Carmo Miranda da Cunha, colocado em homenagem a sua madrinha Maria do Carmo Pinto Monteiro. Seu pai, José Maria Pinto da Cunha, ganhava a vida como barbeiro, e sua mãe, Maria Emília Miranda da Cunha, ajudava nos afazeres domésticos. Carmen teve cinco irmãos: Olinda (1907), que também nasceu em Portugal, Mário (1911), Cecília (1913), Aurora (1915) e Oscar (1916), que nasceram e foram criados no Rio de Janeiro. A família se mudou para o Brasil quando Carmen tinha entre apenas 10 meses de idade.

Com sete anos de idade, Carmen foi matriculada no colégio Santa Teresa, na Lapa, fundado para atender as crianças pobres das redondezas. Quando Carmen tinha 14 anos, sua irmã Olinda pegou tuberculose e como os gastos com o tratamento eram muito altos, Carmen começou a trabalhar em uma loja de gravatas para ajudar nas despesas. Depois desse emprego, ela foi trabalhar em uma loja de moda, La Femme Chic, na Rua do Ouvidor, onde aprendeu a modelar chapéus. Em pouco tempo, passou a trabalhar por conta própria e o negócio chegou a ser tão lucrativo que seu irmão Mário largou o emprego para se dedicar à entrega dos chapéus que Carmen fazia.
Em 1926, com 17 anos, Carmen já pensava em fazer cinema e se apresentava em festas em casas de família, além de participar como figurante em algumas filmagens. Em 1928, o deputado baiano Aníbal Duarte, que almoçava na pensão dirigida por Maria Emília Miranda, apresentou Carmen a Josué de Barros. Josué trabalhava na Rádio Sociedade Professor Roquete Pinto e levou Carmen para atuar na emissora. Ele queria ouvir sua voz em disco, então a apresentou ao diretor da Brunswick e em 1929, ela gravou sua primeira música - o samba Não vá simbora, com autoria de Josué. Carmen foi então apresentada ao diretor da gravadora RCA Victor, onde ela iniciou sua carreira gravando Dona Balbina e Triste Jandaia. Meses depois foram lançadas as musicas Barucuntum e Iaiá Ioiô.

O famoso compositor e médico Joubert de Carvalho escutou em disco Carmen cantar a música Triste Jandaia enquanto passava pela Rua Gonçalves Dias, ponto de encontro de músicos e compositores, e insistiu que alguém o apresentasse à cantora. Coincidentemente, Carmen apareceu por lá naquela hora. Feitas as apresentações, Joubert revelou que queria escrever algo especial para ela. Ele compôs a música Taí com a marcha-canção Pra Você Gostar de Mim. A música foi um sucesso e o disco vendeu 35 mil cópias no ano de lançamento, recorde para a época, e o famoso guaraná Taí recebeu esse nome por causa da canção.

No dia 1º de agosto de 1930, Carmen Miranda assinou contrato com a RCA Victor por dois anos, com todos os direitos exclusivos, até mesmo o uso de sua imagem na propaganda e divulgação de discos. No dia 13 de setembro do mesmo ano, Carmen estreou na peça Vai Dar o Que Falar. A peça recebeu duras críticas dos jornais do dia seguinte, poupando apenas a performance de Carmen e do ator Raul Veroni.

Em 1932, Carmen estreou em seu primeiro filme O Carnaval Cantado no Rio, um média metragem rodada pela Vital Ramos Castro produtora. Em março de 1933, estreou A Voz do Carnaval, um semi-documentário de Carmen em cenas de carnaval intercaladas com cenas de estúdio. Em agosto de 1933, a cantora assinou um contrato de dois anos com a rádio Mayrink Veiga, e foi nessa época que ela recebeu o apelido de “A Pequena Notável”.

Entre fevereiro e julho de 1935, Carmen estava nas telas com dois novos filmes: Alô alô Brasil!, junto com sua irmã Aurora, e Estudantes. Neste último filme, a cantora marcou sua estréia como atriz, pois suas aparições não se limitavam mais a números musicais cantados ao microfone. Entre a estréia de um filme e outro, Carmen iniciou um contrato milionário com a gravadora Odeon e viajou para Buenos Aires, cumprindo contrato com a rádio Belgrano. Em janeiro de 1936, Carmen atuou no Cassino Copacabana com enorme sucesso e estreou seu quarto filme Alô Alô Carnaval junto com sua irmã Aurora. No dia 1º de dezembro de 1936, Carmen estreou na rádio Tupi, que a tirou da Mayrink Veiga com um contrato milionário, e a tornou a cantora de rádio mais cara do Brasil. Duas semanas depois, junto com Aurora, apresentaram-se pela primeira vez no sofisticado Cassino da Urca, e novamente em fevereiro de 1937.

Em 10 de fevereiro de 1939, Carmen estreou em seu sexto filme, Banana da Terra, e pela primeira vez usou o traje de baiana que imortalizaria a música de Dorival Caymi, O Que É Que A Baiana Tem?, incluída no filme. No mesmo mês a campeã de patinação Sonja Henie e o produtor teatral Lee Shubert desembarcaram no Rio de Janeiro. Ambos foram ao Cassino da Urca assistir ao espetáculo de Carmen Miranda com seu traje de baiana, e se encantaram com ela. Sonja então lhe fez o convite para atuar na Broadway. Carmen quebrou seu contrato com o empresário do Cassino da Urca, que não a indenizou, pois eles eram muito amigos. No dia 4 de maio de 1939, a embaixatriz do samba embarcou para os EUA junto com o conjunto Bando da Lua, a bordo do transatlântico Uruguay.

O contrato inicial com Shubert era de oito semanas para um musical da Broadway, Streets of Paris, composto por diversos quadros de diversos países. No dia 29 de maio, ela fez seu primeiro contato com o público americano e foi um sucesso. Carmen caiu no gosto do povo que simpatizou com seu sotaque e pronúncia errada da língua inglesa. Em pouco tempo, a “Pequena Notável” estava nos principais jornais e revistas dos EUA. A loja Saks Fifth Avenue, faturou milhões lançando com exclusividade os seus turbantes e balangandãs. Seu sucesso foi tão imediato que em seis meses, Carmen mandou para sua família no Rio de Janeiro o equivalente a 40 mil dólares.

Em 1940, a 20th Century Fox se aproximou de Carmen e a convidou para filmar em Nova lorque o filme Down Argentine Way (Serenata Tropical). O filme foi muito criticado no Brasil e proibido na Argentina por colocar o país em uma situação ridícula, mas para o público americano, foi um sucesso. No mesmo ano, Carmen passou alguns meses no Brasil, foi madrinha do casamento de sua irmã Aurora e se apresentou no Cassino da Urca. Mas a atriz sofreu algumas críticas da imprensa que alegava que ela tinha voltado para o Brasil muito americanizada.

A Fox preparava um novo filme para Carmen: That Night in Rio (Uma Noite no Rio). Estreou em 1941 e ficou famosa a cena em que Carmen canta Chica, Chica, Boom, Chic. No mesmo ano, chegou às telas o filme Weekend in Havana (Aconteceu em Havana). E os sucessos foram se somando. Em 1942, fez Springtime in the Rockies (Minha Secretária Brasileira), onde canta a famosa música O Tique Tique Taque Do Meu Coração; Em 1943 filmou The Gang´s All Here (Entre A Loura E A Morena). Em 1944, três novos filmes da Brazillian Bombshell estrearam no cinema: Four Jills In A Jeep (Quatro Moças Num Jipe); Greenwich Village (Serenata Boêmia); e Something For The Boys (Alegria, Rapazes!).

Em 1945, logo que terminou a 2º Guerra mundial, Carmen estreou o filme Doll Face (Sonhos De Estrela). No ano seguinte fez If I'm Lucky (Se Eu Fosse Feliz). Este foi seu último filme para a 20th Century Fox. Em 1947, trabalhou para a United Artists e estreou no filme Copacabana, cantando a famosa canção Tico-Tico No Fubá. Durante as filmagens, conheceu David Alfred Sebastian, com quem se casou no mesmo ano. Em 1948, a Metro-Goldwyn-Mayer lançou A Date With Judy (O Príncipe Encantado), onde Carmen atua ao lado de Elizabeth Taylor. Em 1950, Carmen estreou o filme Nancy Goes To Rio (Romance Carioca), em que aparece com seu famoso turbante com sombrinhas de frevo estilizadas. Em 1953, Carmen fez seu último filme, Scared Stiff (Morrendo De Medo), em que contracenou com a dupla Dean Martin & Jerry Lewis e Dorothy Malone.

A partir dos meados da década de 40, Carmen passou por uma maratona de shows em todos os EUA e vários países do mundo. Devido ao estresse e conflitos íntimos com o marido, passou por uma fase de depressão aguda e chegou a fazer vários tratamentos de choque elétrico. Chegaram à conclusão que uma viagem ao Brasil poderia lhe fazer bem. A “Pequena Notável” voltou ao Rio de Janeiro depois de 14 anos. Ela permaneceu durante 49 dias longe do público e aos poucos foi melhorando. Passou a atender a convites para se apresentar, e o primeiro foi de Grande Otelo, seu parceiro no Cassino da Urca.

No dia 4 de abril, Carmen voltou aos EUA, onde vários compromissos já a esperavam. O primeiro deles foi a inauguração do famoso cassino em Las Vegas, New Frontier. Logo depois, viajou para Cuba, onde pegou uma forte bronquite. Sem ter se recuperado totalmente, participou das gravações de um show para televisão com o cômico Jimmy Durante. No dia da gravação, em 5 de agosto de 1955, sentiu uma forte tontura e caiu de joelhos. À noite, ela havia marcado uma reunião em sua casa para comemorar o sucesso do programa. Por volta das duas da manhã, Carmen pediu licença aos convidados e subiu. Ela teve um ataque cardíaco e faleceu enquanto tirava a maquiagem. David a encontrou caída no banheiro.

A família decidiu realizar seu enterro no Brasil, e seu corpo foi sepultado no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro, no dia 13 de agosto de 1955. Os pertences da “Pequena Notável” foram doados pelo marido e pela família ao Museu Carmen Miranda em 1956, porem, o museu só foi inaugurado no dia 5 de agosto de 1976, no Rio de Janeiro.

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