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Charles Baudelaire


Charles Pierre Baudelaire (1821-1867), poeta francês precursor do Simbolismo, autor de Les Fleurs du Mal, 1857 (As Flores do Mal). Com versos rigorosamente metrificado e rimados, que prefiguram o Parnasianismo, Baudelaire tratava de temas e assuntos que iam do sublime ao escabroso, investindo liricamente contra as convenções morais que permeavam a sociedade francesa dos meados do século XIX.

O pai de Baudelaire morreu quando ele tinha seis anos, e pouco depois a mãe voltou a casar-se com um militar, o comandante Aupick. A ausência do pai e o ressentimento contra a mãe causaram em Baudelaire um sentimento de carência afetiva que o perseguiu durante toda a sua vida. Em 1840, o padrasto, preocupado com a sua vida desbaratada, enviou-o de viagem à Índia, aonde nunca chega. Da ilha de Reunião volta para Paris. Ao chegar à maioridade entra na posse da herança do pai. Durante dois anos entregou-se ao consumo de diversas drogas, uniu-se à mulata Jeanne Duval, doente com sífilis e alcoolismo, e caiu nas mãos dos usurários, com o que se iniciaram as preocupações econômicas que o atormentaram durante toda a sua vida. Em 1844, a mãe conseguiu que a justiça lhe retirasse o usufruto da sua fortuna, que ficou nas mãos de um notário. Na Revolução de 1848 estava nas barricadas com os sublevados; no ano seguinte travava amizade com o pintor Courbet. Em 1857 entregou a um editor o manuscrito de As Flores do Mal; a edição foi apreendida e seguiu-se um processo contra o seu autor. Em 1864, deprimido pela falência do seu editor, debilitado fisicamente e moralmente abatido, mudou-se para Bruges. Um ano mais tarde, a sua saúde agravou-se e dois anos depois morreu nos braços da mãe.

As publicações de Baudelaire não são muitas. Em 1845 começou a publicar em revistas poemas, críticas de arte e alguns contos. A partir de 1848 começou a aparecer a longa série de traduções de Poe. Após As Flores do Mal publicou apenas poemas. Em 1861 saiu Les Paradis Artificiels, ensaio sobre as drogas como estimulantes da imaginação e, pouco depois, em revistas e jornais, os seus primeiros poemas em prosa, que formaram o livro póstumo Petits Poèmes en Prose.

A obra de Baudelaire como crítico de pintura é de grande importância, e vem a constituir a versão francesa mais coerente da estética romântica. A sua crítica literária, demasiado afetada pelas suas preferências e aversões, não é de grande relevância. Não obstante, a importância histórica da obra poética de Baudelaire é enorme. Pode dizer-se que a sua poesia provocou uma mudança radical em toda a poesia ocidental. Baudelaire é o último grande romântico francês, mas também o iniciador de uma nova sensibilidade baseada na experiência da vida urbana e na observação das ambivalências do mundo emotivo e imaginativo. Por assim dizer, Baudelaire expulsou da poesia a "beleza" no seu sentido clássico greco-latino. Inicialmente a sua influência observa-se apenas em imitadores de aspectos superficiais (o satanismo, a ficção do rigor formal, etc.). Para o dizer com palavras de Paul Valéry: "As Flores do Mal não contêm poemas nem lendas nem nada que tenha que ver com uma forma narrativa. Não há nelas nenhum discurso filosófico. A política está ausente por completo. As descrições, escassas, são sempre densas de significado. Mas no livro tudo é fascinação, música, sensualidade abstrata e poderosa."

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