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Fernando Pessoa


Fernando António Nogueira Pessoa foi um poeta e escritor português. O seu livro mais conhecido é Mensagem. Pessoa é considerado, em conjunto com Camões, um dos mais importantes poetas de língua portuguesa. O crítico literário Harold Bloom considerou-o, no seu livro The Western Canon ("O cânone ocidental"), o mais representativo poeta do século XX, ao lado de Pablo Neruda.

Filho legítimo de Joaquim de Seabra Pessoa e de D. Maria Madalena Pinheiro Nogueira. Nasceu em Lisboa no dia 13 de junho de 1888 e viveu sua infância e adolescência em Durban, na África do Sul, o que lhe propiciou um profundo contato com a língua inglesa.

Perdeu o pai, vítima de tuberculose, quando tinha cinco anos de idade e sua mãe casou-se novamente quando tinha sete. Terminou seus estudos naquele país na Universidade do Cabo (onde recebera o Queen Victoria Memorial Prize pelo melhor ensaio). Enquanto estudava, regressou a Portugal durante um ano para reencontrar as famílias paterna (em Tavira) e materna (na Ilha Terceira).

Para sobreviver, o poeta trabalhava como correspondente comercial, num sistema que hoje denominamos “free lancer”. Assim, podia trabalhar dois dias por semana, deixando os demais apenas para dedicar-se à sua grande paixão: a literatura.

Regressou definitivamente a Lisboa em 1905, freqüentando durante dois anos o curso Superior de Letras da Universidade de Lisboa. Passa a se dedicar, no entanto, à tradução de correspondência comercial.

Pessoa é internado no dia 29 de Novembro de 1935, no Hospital de S. Luis dos Franceses, vítima de uma crise hepática. No dia 30 de Novembro morre. Nos últimos momentos da sua vida pede os óculos e clama pelos seus heterônimos.

Na comemoração do centenário do seu nascimento em 1988 o seu corpo foi transladado para o Mosteiro dos Jerônimos, confirmando o reconhecimento que não teve em vida.

Considera-se que a grande criação estética de Pessoa foi a gênese heteronímica praticada em sua obra. Os heterônimos, diferentes dos pseudônimos, são personalidades poéticas completas: identidades, que, em princípio falsas, tornam-se verdadeiras através de sua manifestação artística própria e diversa do autor original. Entre os heterônimos, o próprio Fernando Pessoa passou a ser chamado de ortônimo, já que era a personalidade original. Entretanto, com o amadurecimento de cada uma das outras personalidades, o próprio ortônimo tornou-se apenas mais um heterônimo entre os outros. Os três heterônimos mais conhecidos (e também aqueles com maior obra poética) foram Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Através dos heterônimos, Pessoa conduziu uma profunda reflexão sobre a relação entre verdade, existência e identidade.

Ortônimo A obra ortônima de Pessoa passou por diferentes fases, mas envolve basicamente a procura de um certo patriotismo perdido, através de uma atitude sebastianista reinventada. O ortônimo foi profundamente influenciado, em vários momentos, por doutrinas religiosas como a teosofia e sociedades secretas como a Maçonaria. A poesia resultante tem um certo ar mítico, heróico (quase épico, mas não na acepção original do termo), e por vezes trágico.É um poeta universal, na medida em que nos foi dando, mesmo com contradições, uma visão simultaneamente múltipla e unitária da Vida. É precisamente nesta tentativa de olhar o mundo duma forma múltipla (com um forte substrato de filosofia racionalista e mesmo de influência oriental) que reside uma explicação plausível para ter criado os célebres heterônimos - Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, sem contarmos ainda com o semi-heterônimo Bernardo Soares. A principal obra de "Pessoa ele-mesmo" é Mensagem, uma coletânea de poemas sobre os grandes personagens históricos portugueses. O livro foi, também, o único a ser publicado enquanto foi vivo.

Álvaro de Campos (heterônimo)

Entre todos os heterônimos, Campos foi o único a manifestar fases poéticas diferentes ao longo de sua obra. Era um engenheiro de educação inglesa e origem portuguesa, mas sempre com a sensação de ser um estrangeiro em qualquer parte do mundo.

Começa sua trajetória como um decadentista (influenciado pelo Simbolismo), mas logo adere ao Futurismo. Após uma série de desilusões com a existência, assume uma veia niilista, expressa naquele que é considerado um dos poemas mais conhecidos e influentes da língua portuguesa, Tabacaria.

Ricardo Reis (heterônimo)

O heterônimo Ricardo Reis é descrito como sendo um médico que se definia como latinista e monárquico. De certa maneira, simboliza a herança clássica na literatura ocidental, expressa na simetria, harmonia, um certo bucolismo, com elementos epicuristas e estóicos. O fim inexorável de todos os seres vivos é uma constante em sua obra, clássica, depurada e disciplinada.

Segundo Pessoa, Reis mudou-se para o Brasil em protesto à proclamação da República em Portugal e não se sabe o ano de sua morte.

José Saramago, em O ano da morte de Ricardo Reis continua, numa perspectiva pessoal, o universo deste heterônimo, após a morte de Fernando Pessoa, cujo fantasma estabelece um diálogo com o seu heterônimo, sobrevivente ao criador.

Alberto Caeiro (heterônimo)

Caeiro, por seu lado, teria sido um camponês sem estudos formais, mas considerado o mestre entre os heterônimos (pelo ortônimo, inclusive). Também é conhecido como o poeta-filósofo, mas rejeitava este título e pregava uma "não-filosofia". Acreditava que os seres simplesmente são, e nada mais: irritava-se com a metafísica e qualquer tipo de simbologia para a vida.

Possuía uma linguagem estética direta, concreta e simples, mas ainda assim, bastante complexa do ponto de vista reflexivo. Seu ideário resume-se no verso Há metafísica bastante em não pensar em nada. Sua obra está agrupada na coletânea O guardador de rebanhos.

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