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Gonçalves de Magalhães


Domingos José Gonçalves de Magalhães nasceu no Rio de Janeiro em 1811, onde desenvolveu muito cedo um extraordinário gosto pela pintura, inspirado pelo pintor francês Debret, que o fez cursar Belas-Artes no Rio de Janeiro. Acabou optando por outra área, formando-se em Medicina em 1832. Este também é o ano em que publica seu primeiro livro: Poesias. Viajou pela Europa, onde conheceu as tendências literárias românticas que influenciariam de forma decisiva a sua forma de escrever, evidentes no livro Suspiros Poéticos e Saudades (1836), considerado como marco do Romantismo no Brasil. Em Paris, no ano de 1836, fundou junto com alguns colegas brasileiros a Niterói: Revista Brasiliense, onde escreve sobre a necessidade de uma reforma nacionalista na literatura brasileira. De volta ao Brasil, teve a primazia da primeira tragédia brasileira, Antônio José, de 1838, encenada pela Companhia Dramática Nacional. Foi professor no Colégio Pedro II, secretário de Duque de Caxias, governador e deputado do Rio Grande do Sul. Muito apegado ao imperador, dedicou-lhe os versos de A confederação dos Tamoios. Em troca de tanta devoção, recebeu os títulos de Barão e Visconde do Araguaia. Faleceu em Roma em 1882, distante de sua pátria, como a maioria dos poetas românticos europeus.

A Gonçalves de Magalhães atribui-se o mérito de ser o precursor de nosso Romantismo, com a publicação de seu livro Suspiros Poéticos e Saudades (1836). O primeiro livro que o poeta publicou, no entanto, ainda possui uma forte tendência estilística do já decadente Arcadismo. Sua viagem à Europa, onde teve contanto com o romantismo de cunho medieval e patriótico de Chateaubriand, Manzoni e Lamartini, em muito contribuiu para a amadurecimento de sua poesia, marcando a transição para as novas tendências literárias que assimilou. Essa sua fase romântica, mais inovadora, explorou quase todos os temas caros ao Romantismo, como o desgosto da vida, a infância, a saudade, o amor impossível, a melancolia e a tristeza e, de uma forma mais épica, o índio, o que lhe dá os méritos de pertencer à primeira geração romântica ao lado de Gonçalves Dias. Sua obra, porém, carece de uma profundidade, de uma liberdade expressiva e uma estética mais rica e criativa à altura de outros poetas românticos. Seus versos muitas vezes dizem muito pouco, com uma linguagem muito superficial, que não atrai os leitores mais exigentes. Sua grande força literária fica por conta dos ensaios que escreveu, em que soube expressar como poucos os ideais do novo movimento literário vigente.

Fonte: USP

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