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Heitor Villa-Lobos


Heitor Villa-Lobos nasceu no Rio de Janeiro, em 1887.

Considerado uma das figuras mais importantes da história da música no Brasil, aprendeu a tocar violoncelo aos seis anos de idade com o pai, músico amador. Foi também nessa época que conheceu a obra de Bach, que tanto o influenciaria no futuro. Mais tarde, residiu com a família no interior do Estado do Rio e de Minas Gerais, entrando em contato com as modas caipiras e tocadores de viola. De volta ao Rio de Janeiro, interessou-se pelos "chorões", músicos que tocavam em festas e durante o carnaval, levando-o a estudar violão.

Em 1905, começou a percorrer o Brasil, familiarizando-se com a temática da música popular - cantigas de viola, reisados, frevos. Durante anos recolheu e anotou mais de 1.000 temas folclóricos. Dez anos depois, fez sua estréia como compositor, apresentando-se numa série de concertos no Rio de Janeiro. Nessa época, enquanto compunha suas obras, sobrevivia tocando violoncelo nas orquestras dos teatros e cinemas cariocas. A modernidade de sua música provocou reações adversas nos jornais.

Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna de São Paulo, apresentando no Teatro Municipal obras de sua autoria em primeira audição. A partir de 1922, seu trabalho revelou crescente afinamento com a temática nacionalista e modernista que presidiu a Semana. Já bastante conhecido no meio musical brasileiro, Villa-Lobos transferiu-se em 1923 para Paris, onde permaneceu um ano. Em 1927, retornou à capital francesa para organizar concertos e publicar trabalhos. A partir de então, ganhou prestígio internacional, apresentando suas composições em recitais e regendo orquestras nas principais capitais européias, causando forte impressão por suas ousadias musicais.

De volta ao Brasil em 1930, apresentou à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo um projeto inovador de educação musical, que foi aceito pelas autoridades. Depois de dois anos de trabalho, transferiu-se para o Rio de Janeiro, a convite do secretário de Educação do Distrito Federal, Anísio Teixeira, com a missão de introduzir o ensino de música e canto coral nas escolas públicas. Foi nesses anos que iniciou a composição do que viria a ser as nove "Bachianas brasileiras".

Durante a ditadura do Estado Novo (1937-1945), organizou, com o apoio do presidente Getúlio Vargas, grandiosas concentrações orfeônicas que chegaram a reunir cerca de 40 mil escolares sob sua batuta. Nesses anos, suas peças eram empregadas na propaganda do regime. Em 1944, Villa-Lobos realizou uma turnê pelos Estados Unidos, como parte da chamada "política da boa vizinhança" praticada pelo presidente Franklin Roosevelt no contexto da Segunda Guerra Mundial.

Faleceu no Rio de Janeiro, em 1959, deixando cerca de 1.500 peças, nos mais diversos gêneros e para as mais diversas formações instrumentais e vocais. No ano seguinte, foi fundado, em sua homenagem, o Museu Villa-Lobos, no Rio de Janeiro.

A obra de Villa-Lobos

Villa-Lobos jamais quis pesquisar o folclore cientificamente, à Bela Bartók, pôr exemplo.

Nem sua vastíssima produção nutre-se apenas das manifestações rurais ditas rurais. Em vez disso, nutre-se da linguagem impressionista francesa, Puccini e Wagner; do choro carioca e das formas de música popular urbana do Rio de Janeiro do início do século; e do folclore rural indiciplinadamente assimilado nas viagens da juventude.

Os dezessete quartetos de cordas, as doze sinfonias, os poemas sinfônicos, as nove "Bachianas Brasileiras", os catorze "Choros", os cinco concertos para piano e orquestra, os estudos para o violão, a ópera Yerma, a vasta produção pianística (grande parte dedicada às crianças) e coral, tudo isso tem pouco em comum. O ritmo talvez seja seu fio estrutural; o gosto pelo contraste, superposição de modos maiores e menores. Sua obra se caracteriza pelo uso original de instrumentos de percussão e de ritmos nacionais. Uma de suas séries mais características é o das Bachianas Brasileiras (1930 - 1944), em número de nove - particularmente popular a de número 5 para soprano e conjunto de violoncelos, e a de número 4 para piano.

Muitas de suas produções se extraviaram, percalços, sem dúvida, de grande riqueza e abundância da obra. No entanto, conhecem-se cerca de mil composições de Villa-Lobos.

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