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Hermes da Fonseca


Hermes Rodrigues da Fonseca nasceu em São Gabriel (RS), em 1855. Era membro de uma família de grande tradição no Exército brasileiro. Seu tio, o marechal Deodoro da Fonseca, liderou o movimento que derrubou a monarquia em 1889, tornando-se o primeiro presidente da República brasileira.

Em 1871, matriculou-se na Escola Militar do Rio de Janeiro, onde, sob a influência de Benjamin Constant, se converteu às idéias positivistas e mais tarde à maçonaria, vindo a pertencer à loja Amor ao Trabalho. Ainda no período imperial foi nomeado ajudante-de-ordens do conde d'Eu, comandante geral da artilharia.

Já no período republicano, participou da repressão à Revolta da Armada, movimento deflagrado em 1893 no Rio de Janeiro contra o governo do presidente Floriano Peixoto. Em 1900 recebeu a patente de general. Em 1904, quando exercia o comando da Escola Preparatória do Realengo, no Rio de Janeiro, participou da repressão à revolta contra a vacina obrigatória, deflagrada naquela cidade. Em novembro de 1906, atingiu o posto de marechal, o mais alto da hierarquia militar.

No governo de Afonso Pena (1906-1909), Hermes assumiu o Ministério da Guerra. Promoveu, então, uma ampla reforma no exército brasileiro, ampliando os seus efetivos e introduzindo o serviço militar obrigatório. Em 1909, foi lançado candidato à presidência da República, tendo como adversário o civilista Rui Barbosa. Após acirrada campanha, Hermes se elegeu no pleito realizado em março de 1910. sendo empossado na presidência em novembro daquele ano.

Logo na primeira semana de seu governo, explodiu na baía de Guanabara a Revolta da Chibata, movimento promovido por marinheiros da esquadra brasileira contra os castigos e maus tratos a que eram submetidos. O governo negociou o fim da revolta com os marinheiros, mas reprimiu-os com brutalidade assim que depuseram as armas. Sua administração foi marcada por intervenções federais nos governos estaduais, a chamada "política das salvações", realizadas a pretexto de combater o domínio oligárquico sobre os estados.

Após deixar a presidência, em novembro de 1914, elegeu-se senador pelo estado do Rio Grande do Sul. Desistiu do mandato, porém, antes mesmo de tomar posse. Licenciado do Exército, viajou para a Suíça, onde viveu por cinco anos.

De volta ao Brasil, assumiu a presidência do Clube Militar em 1921. No ano seguinte, envolveu-se na campanha pela sucessão do presidente Epitácio Pessoa, disputada por Artur Bernardes, candidato situacionista apoiado pelas oligarquias paulista e mineira, e por Nilo Peçanha, candidato oposicionista que se apresentou na chapa da Reação Republicana. Transcorria a campanha quando o jornal Correio da Manhã, do Rio de Janeiro, publicou duas cartas supostamente escritas por Bernardes nas quais eram feitas referências desrespeitosas ao marechal Hermes. As "cartas falsas", como ficaram conhecidas por serem realmente forjadas, indispôs Bernardes com parcelas significativas das Forças Armadas, principalmente com a jovem oficialidade.

Realizado o pleito em março de 1922, Bernardes foi eleito. No início de julho, Hermes telegrafou ao comandante da 2ª Região Militar, sediada em Recife, aconselhando-o a não interferir na política pernambucana, como queria o governo federal. Por conta disso, Hermes foi repreendido pelo ministro da Guerra do governo Epitácio, o civil Pandiá Calógeras. Em seguida, Epitácio mandou fechar o Clube Militar e ordenou que Hermes fosse detido. Reagindo a essas represálias contra o ex-presidente, jovens oficiais já indispostos com Bernardes promoveram um levante no Rio de Janeiro tentando evitar a sua posse. Articulado por Euclides Hermes da Fonseca, filho de Hermes, esse levante daria origem ao ciclo de revoltas tenentistas que agitariam o cenário político brasileiro pelo resto da década de 20. Por seu envolvimento na revolta militar, Hermes ficou preso de julho de 1922 a janeiro do ano seguinte.

Morreu em setembro de 1923, em Petrópolis(RJ).

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