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José de Alencar


Advogado, jornalista, político, orador, romancista e teatrólogo, José de Alencar nasceu em Mecejana, no estado do Ceará em 10 de maio de 1829.

Ainda na primeira infância, transferiu-se com a família para o Rio. Onde o pai desenvolveria a carreira política, sendo um ilustre senador, e onde fez os estudos elementares e alguns preparatórios, tendo, retornado à terra natal apenas uma vez, aos doze anos. Apaixonado pela Literatura desde a infância, levava em 1843 esboços de romance para São Paulo. Nesta cidade ficou até 1850. Terminando os preparatórios e cursando Direito.

Vivendo entre 1829 e 1877, conseguiu com seus romances uma voltagem poética e uma penetração psicológica desconhecidas até então. Começou a advogar no Rio de Janeiro. É autor, entre muitos outros, de O Guarani e Iracema, livros centrais do Romantismo brasileiro, tendo breve atuação como cronista nas páginas do Correio Mercantil, de Joaquim Francisco Alves Branco Muniz Barreto, sogro de Francisco Otaviano, grande amigo do escritor. Foi nesse jornal que, a partir dos 25 anos, começou a publicar os folhetins intitulados Ao Correr da Pena, mais tarde reunidos em livro com o mesmo nome. Também trabalhou, a partir de 1855, no Diário do Rio de Janeiro, jornal onde protagonizou célebre polêmica com o poeta Gonçalves de Magalhães.

Em 1866, publicou o fragmento autobiográfico Porque Sou Romancista, uma resposta à crítica elogiosa à Iracema escrita por Machado de Assis. Dois anos mais tarde, no Correio Mercantil, publicou uma carta, também direcionada a Machado de Assis, em que apresenta o jovem poeta Castro Alves ao romancista. Alencar ainda seria colaborador de O Globo, onde assinou o folhetim Aos Domingos a partir de 1875, e do semanário O Protesto, do qual chegou a editar alguns números no ano de sua morte.

De 1868 à 1870, foi ministro da Justiça. Não conseguindo realizar a ambição de ser senador e desgostoso com a política, passou a dedicar-se exclusivamente à literatura. Sendo a primeira figura das nossas letras, foi chamado O Patriarca da Literatura Brasileira. Faleceu no Rio de Janeiro, em 12 de Dezembro de 1877 de tuberculose.

José de Alencar é considerado o maior romancista do Romantismo brasileiro, bem como um dos maiores de nossa literatura. Abrangeu em sua obra todo um perfil da cultura brasileira, na busca de uma identidade nacional que transcorresse o seus aspectos sociais, geográficos e temáticos, numa linguagem mais brasileira, tropical, sem o estilo português, que até então rodeava os livros de outros romancistas. Conseguiu escrever de forma primorosa sobre os mais importantes temas que estavam em voga na literatura da época, descrevendo desde a sociedade burguesa do Rio até o índio ou o sertanejo das regiões mais afastadas. Toda a sua extensa gama de romances pode ser dividida em quatro temas distintos: romance urbano, romance indianista, romance regionalista e romance histórico.

O romance urbano de Alencar segue muitas vezes o padrão do típico romance de folhetim, retratando a alta sociedade carioca com todas as suas belas fantasias de amor. O romancista, no entanto, vai além: por trás de toda a pompa e final feliz onde todos os segredos e suspenses que se desenvolvem nas complicadas tramas são desvendados, está a crítica, a denúncia da hipocrisia, da ambição e desigualdade social. Alencar se especializou também na análise psicológica de suas personagens femininas, revelando seus conflitos interiores. Essa análise de caráter mais psicológico do interior das personagens remete sua obra a características peculiares dos romances realistas, sobretudo de Machado de Assis. Estes são seus romances urbanos: Cinco Minutos, A Viuvinha, Lucíola, Diva, A Pata da Gazela, Sonhos d'Oro, Senhora e Encarnação.

As obras indianistas revelam sua paixão romântica pelo exotismo, encarnado na figura do índio, com todos os seus costumes, crenças e relações sociais. Sua descrição sempre se opõe à imagem do homem branco, "estragado" e corrompido pelo mundo civilizado. O índio de José de Alencar ganha tons lendários e míticos, com ares de "bom selvagem". Sua descrição muitas vezes funde seus sentimentos com a beleza e a harmonia exótica da natureza. Caracterizando a bondade, nobreza, valentia e pureza do selvagem, Alencar às vezes o aproxima dos cavaleiros e donzelas medievais, revelando um pouco dos traços românticos europeus que assolavam nossa cultura. Seus romances indianistas são: O Guarani, Iracema e Ubirajara.

Seus romances regionalistas denotam o interesse e o exotismo pelas regiões mais afastadas do Brasil, aliando os hábitos sociais da vida do homem do campo à beleza natural das terras brasileiras. Se nos romances urbanos as mulheres são sempre enfatizadas, nas obras de cunho regional os homens são figuras de destaque, com toda a sua ignorância e rudeza, enfrentando os desafios da vida, sendo que as mulheres assumem papéis submissos, de segundo plano. Seus romances regionalistas são: O Gaúcho, O Tronco do Ipê, Til e O Sertanejo.

Com seus romances históricos – As Minas de Prata e A Guerra dos Mascates – Alencar também buscou na passado histórico brasileiro inspiração para escrever seus romances, criando quase sempre uma nova interpretação literária a fatos marcantes da colonização, como o busca por ouro no interior do Brasil e as lutas pelo aumento das terras nas fronteiras brasileiras. Seus enredos denotam em vários momentos um nacionalismo exaltado e o orgulho pela construção da pátria.

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