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Maomé


Maomé é a transliteração em português do nome próprio árabe Muhammad.

Maomé foi um líder religioso e político árabe. O seu nome completo é: Muhammad (Maomé) Bin Abdullah Bin Abdul Mutalib Bin Hachim Bin Abd Manaf Bin Kussay. Nascido possivelmente a 20 de Abril de 570, pouco depois da morte do pai Abd Allah, Maomé pertenceu àquilo que hoje classificaríamos como uma família de classe média. Inicialmente ele ficou a cargo do seu avô paternal Abd al-Muttalib, um antigo líder do prestigioso clã Hashim (que fazia parte da tribo dos Quraysh). Aparentemente porque o clima de Meca tinha uma reputação de ser pouco saudável, a família de Maomé entregou-o aos cuidados de uma ama-de-leite chamada Haleemah, de uma tribo nômade, e ele passou algum tempo no deserto.

Com a idade de seis anos, Maomé perdeu a sua mãe Amina, e com a oito anos o seu avô Abd al-Muttalib. Maomé passou então para o cuidado do seu tio Abu Talib, o novo líder do clã Hashim da tribo dos Quraysh - o mais poderoso de Meca.

Meca era, nesta altura, uma cidade-estado no deserto, cujo principal monumento era a Kaaba, supostamente construída por Abraão, o antepassado de Árabes e Judeus (e desde logo dos Cristãos). A maior parte dos habitantes de Meca adoravam ídolos. Apesar de a cidade não possuir recursos naturais, ela funcionava como um centro comercial, visitado por muitos comerciantes estrangeiros.

Maomé desempenhou um papel muito ativo na vida cívica desta cidade. O seu tio Zubair fundou a ordem de cavalaria conhecida como a Hilf al-fudul, que assistia os oprimidos desta cidade, habitantes locais e visitantes estrangeiros. Maomé foi um membro entusiasta.

Maomé assistiu a resolução de disputas, e tornou-se conhecido como Al-Ameen ("o confiável") devido à sua reputação sem máculas nestas intermediações. Como exemplo, quando a Ka'aba sofreu danos após uma inundação, e os líderes de Meca todos queriam receber a honra de resolver o problema, Maomé foi nomeado para resolver o problema. Maomé propôs que estendessem um lençol branco no chão, que colocassem a Pedra Negra (também conhecida como Hajar el Aswad) no meio e pediu aos líderes tribais que a transportassem ao seu devido local, segurando os cantos do lençol. Chegados ao devido local, o próprio Maomé tratou de a colocar na posição devida.

Na sua adolescência, Maomé começou a acompanhar o seu tio nas viagens comerciais pela Síria. Desta forma ele tornou-se uma pessoa viajada, familiar com os costumes de terras estrangeiras.

Por volta de 595, numa viagem comercial, Maomé conheceu Khadijah, uma viúva rica de 40 anos de idade. O jovem Maomé (na altura 25 anos de idade) impressionou Khadijah de tal forma que ela propôs o casamento. O casamento foi um ponto de reviravolta na vida de Maomé. De acordo com os costumes árabes, os filhos mais novos não recebiam qualquer herança, quer dos pais ou dos avós. Com este casamento, Maomé viu-se subitamente senhor de uma grande fortuna. A sira registra que deu à luz 6 filhos de Maomé. Apesar de Maomé não ter tido crianças de suas futuras mulheres, ele teve um filho de uma sua escrava cóptica (um povo egípcio) Maria (Miriam). Este filho, chamado Ibrahim, morreu na infância.

Maomé casou com cerca de 10 outras mulheres nos seus anos seguintes, todas ela viúvas, exceto Aisha. Várias destas mulheres foram feitas viúvas e tomadas como saque por Maomé e seus seguidores no decurso de suas incursões guerreiras.

Uma das mulheres mais importantes foi Aisha,que tinha seis anos de idade na altura do seu noivado, e segundo os registros, nove anos de idade quando o casamento foi consumado; isto pode talvez ser explicado pelo costume árabe de contrair o casamento após a primeira menstruação. É possível que ele tenha concedido a liberdade à rapariga sua escrava Miriam, e a tenha tomado como esposa. No entanto, os primeiros biógrafos muçulmanos não muito claros sobre se ela viveu com ele como mulher livre ou como escrava concubina.

Maomé tomou o hábito de passar noites numa caverna próxima de Meca, em meditação e pensamento. Por volta do ano 610, enquanto meditava, Maomé teria tido a visão do anjo Gabriel e ouvido um voz dizendo-lhe "Tu és o mensageiro de Deus." Desde este momento até à sua morte, Maomé teria alegadamente recebido freqüentes revelações. Por vezes, como a tradição o diz, ao receber estas mensagens, Maomé teria transpirado e entrado em estado de transe. Esta visão do anjo Gabriel  perturbou Maomé, mas a sua mulher Khadijah reconfortou-o.

Por volta de 613 Maomé começou a pregar em público. Ao proclamar a sua mensagem publicamente, Maomé ganhou seguidores, incluindo os filhos e irmãos do homem mais rico de Meca. A religião que ele pregou tornou-se conhecida como o Islão (submissão à vontade de Deus). Quer o Corão e os dizeres de Maomé indicam que Maomé viu desde cedo o Islão como uma religião universal e não meramente da comunidade árabe.

À medida que os seus seguidores cresciam, ele tornava-se uma ameaça para as tribos locais, especialmente a Quraysh, a sua própria tribo, que tinha a responsabilidade pelo cuidado da Kaaba, que nesta altura hospedava vários milhares de ídolos que os árabes nesta altura adoravam como deuses.

Quando Maomé pregou perante este panteão, ele tornou-se muito impopular com os governantes, e seus seguidores foram alvos de ataques repetidos a suas pessoas e propriedade.

Os habitantes de Meca tentaram aliciar Maomé a deixar a sua missão religiosa oferecendo-lhe poder político. À medida que os seguidores de Maomé aumentaram, os seus oponentes tentaram demovê-lo a deixar ou alterar a sua religião. Ofereceram-lhe uma boa parte do comércio e o casamento com mulheres de algumas das famílias mais ricas, mas ele rejeitou todas estas oferendas. Os habitantes de Meca acabaram por exigir que Abu Talib entregasse o seu sobrinho Maomé para execução. Uma vez que ele recusou, a oposição exerceu pressão comercial contra a tribo de Maomé e seus apoiadores. Houve também uma tentativa de assassinato. Após a morte do seu tio e de Khadija, o próprio clã de Maomé retirou-lhe a proteção. Ele sofreu então abusos, foi apedrejado e atirado contra espinhos e lixo. No entanto, não o mataram.

Em 622, após a perseguição aos seus seguidores se ter tornado maior e de terem decidido assassiná-lo, Maomé e seus seguidores deixaram Meca com direção a Medina. Aí chegados, converteriam muitos seguidores. Esta "Hégira" (em inglês: Hijrah) ou emigração (que se costuma traduzir também por vôo) marca o início do calendário islâmico.

A tribo quraish, em resposta à fuga de Maomé para Medina, formou uma aliança com outras tribos politeístas em Meca, para molestar os muçulmanos em Medina e em Meca. Eles também ameaçaram de morte os muçulmanos que quisessem regressar a Meca. Em Medina, com os muçulmanos sob alerta, alguns emigrantes muçulmanos de Meca iniciaram ataques militares contra caravanas de Meca a caminho da Síria, afetando a economia de Meca.

Nesta altura, Maomé mudou a direção da Qibla de Jerusalém para Meca. Em março de 624 Maomé liderou uma tropa de assalto de cerca de 300 homens a uma caravana vinda de Meca, liderada por Abu Sufyan, o líder do clã Umayyah. A caravana conseguiu escapar mas Abu Jahl (o líder do clã Makhzum), que tinha previamente oposto Maomé e organizado um boicote contra o clã Hashim de Maomé, detinha o comando de uma força de cerca de 800 homens e queria ensinar a Maomé uma lição.

A 15 de Março de 624, próximo de um lugar chamado Badr, as duas forças colidem. Apesar de serem apenas 300 contra 800 na batalha, os muçulmanos tiveram sucesso, matando pelo menos 45 naturais de Meca, incluindo Abu Jahl, e tomando 70 prisioneiros; com apenas 14 baixas muçulmanas. Para os muçulmanos, isto pareceu como uma prova da profecia de Maomé, e Maomé e os muçulmanos festejaram. Seguindo esta vitória, os muçulmanos expeliram um clã judeu hostil, os banu Quainuqa, que tinham violado um pacto de não agressão e tiveram escaramuças menores antes da seguinte grande batalha em Uhud. Virtualmente todos os habitantes de Medina converteram-se e Maomé tornou-se o governador de fato da cidade.

Várias importantes alianças pelo casamento ocorreram nesta altura. Das filhas de Maomé, Fátima casou com Ali (seria mais tarde o quarto califa) e Umm Kulthum casou com Uthman (o terceiro califa).

O próprio Maomé, já casado com Aisha (casamento quando ela tinha 6 anos de idade, consumado quando ela atingiu os 9), filha de Abu Bakr (o primeiro califa) casou então com Hafsah, a filha de Umar (o segundo califa). A 21 de Março de 625, Abu Sufyan, em busca de vingança, entrou em Medina com 3.000 homens. Na manhã de 23 de Março começou a luta. A batalha não produziu um vencedor ou perdedor óbvios, apesar de os de Meca clamarem a vitória. Nos dois anos seguintes, ambos os lados preparam-se para um encontro decisivo.

Em Abril de 627, Abu Sufyan liderou uma grande confederação de 10.000 homens contra Medina. Os judeus de Medina tinham acordado no tratado de Medina em participar na proteção de Medina; no entanto, a tribo judaica de Banu Qurayza não participou nos combates. Em vez disso, eles acordaram com Abu Sufyan o ataque dos muçulmanos desde a retaguarda após ele ter entrado na cidade.

Algumas pessoas entre os próprios muçulmanos fizeram também tais acordos sob a liderança de Abd Allah ibn Ubayy: relatos posteriores referem-se a eles como "aqueles que professam crenças e opiniões que não se têm" (ou "um que se passa por pio", munafiqun).

Entre as grandes forças de Abu Sufyan e as forças de Banu Qurayza - que consistiam de todos os seus homens em idade de lutar - e as forças dos munafiqun, os muçulmanos teriam encontrado o massacre se Abu Sufyan tivesse triunfado. O Islão poderia ter deixado de existir.

Para os traidores dentro de Medina deve ter parecido uma surpresa quando a força de 10.000 homens de Abu Sufyan falhou em atravessar uma trincheira cavada à volta de Medina por ordem de Maomé, tal como o escriba persa Salman e-Farsi lhe tinha sugerido. Após a retirada de Abu Sufyan e suas forças, os muçulmanos dirigiram a sua atenção para os grupos que tinham cometido traição ao acordo de Medina. Os munafiqun desmoronaram-se rapidamente, e seu líder Abd Allah ibn Ubayy prometeu aliança com Maomé. Os muçulmanos cercaram então o Banu Qurayza, que tinha conspirado contra eles. Eles tinham tido a oportunidade de escolher Maomé como árbitro, mas em vez disso, os Banu Qurayza escolheram Saad ibn Muadh, o líder dos seus antigos aliados os Aus.

Saad tinha sofrido uma ferida letal na batalha contra as forças de Abu Sufyan e ordenou a execução das forças activas da tribo, consistindo de todos os seus homens adultos. Ele permitiu às mulheres não-combatentes e às crianças iverem como escravos para o resto da vida, como era tradição do tempo. Mais tarde, comentadores argumentaram que a punição de Banu Qurayza era conforme aos ditames da Bíblia hebréia sobre a guerra; no entanto, as fontes originais da sirah não mencionam isto.

Por volta de 627 Maomé tinha unido Medina sob o Islão, com o privilégio de proteção para os Judeus e Cristãos que viviam ali. Um nova religião tinha surgido. Os beduínos, após um período de batalhas e negociações, tornaram-se aliados de Maomé e aceitaram a sua religião. Depois de muito contacto com a cidade e com os muçulmanos, alguns converteram-se gradualmente. Por esta altura, as revelações que supostamente tinham visitado Maomé, chegaram ao fim. Ele regressou então a Meca para tomar posse da Kaaba.

Maomé colocou os cidadãos de Meca sobre pressão econômica, destinada primeiramente a ganhar a adesão deles ao Islão. Em Março de 628, ele partiu para a "peregrinação" a Meca, com 1600 militares que o acompanhavam. Os naturais de Meca no entanto, puseram travo ao avanço destas forças nos limites do seu território, em al-Hudaybiyah. Alguns dias depois, os de Meca fizeram um tratado com Maomé. Com negociação e o consentimento dos mais velhos da Quraysh, ele fez uma peregrinação à Kaaba, desarmado. As hostilidades iriam ter um fim e os muçulmanos iriam conseguir a permissão para fazer a peregrinação a Meca no próximo ano. O casamento de Maomé com Habiba, filha de Abu Sufyan (antigo inimigo de Maomé) cimentou ainda mais o tratado.

Após um certo período, o acordo extinguiu-se e a guerra rebentou. Em novembro de 629, aliados de Meca atacaram um aliado de Maomé, o que levou Maomé a romper o tratado de al-Hudaybiyah. Após planejamento secreto, Maomé marchou sobre Meca em Janeiro de 630 com 10.000 combatentes. Não houve derramamento de sangue. Abu Sufyan e outros líderes de Meca submeteram-se formalmente. Maomé prometeu uma anistia geral (com algumas pessoas especificamente excluídas). Apesar de ele não os ter forçado, muitos habitantes de Meca converteram-se ao islão. Em Meca, Maomé destruiu os ídolos na Kaaba e em outros pequenos santuários.

Após a hégira (em inglês: hijrah) Maomé começou a estabelecer alianças com tribos nômades. À medida que a sua força e influência cresceu, Maomé insistiu que as tribos potencialmente aliadas se tornassem muçulmanas.

Quando estava em Meca, Maomé foi informado de que havia uma grande concentração de tribos hostis e ele partiu para as defrontar. A batalha teve lugar em Hunain, e os inimigos foram derrotados. Alguns viram agora Maomé como o homem mais poderoso da Arábia e a maioria da tribos enviou delegações para Medina, em busca de uma aliança. Antes da sua morte, rebeliões ocorreram em uma ou duas partes da Arábia mas o estado islâmico tinha força suficiente para lidar com elas.

Maomé foi para Medina (na altura conhecida como "Yathrib") onde ele foi convidado a tornar-se um intermediário na disputa entre as duas tribos rivais de Medina (os Aws e Khasraj). Ele organizou um sistema social, fez coleta de impostos, organizou a defesa da cidade contra numerosas incursões de Meca e outros lugares, e contraiu vários acordos comerciais. Maomé construiu mesquitas e estabeleceu uma cultura religiosa baseada no respeito por outras religiões e sua liberdade de prática religiosa.

Pouco depois da sua morte, Maomé dirigiu-se pela última vez aos seus seguidores naquilo que ficou conhecido como o sermão final do profeta. A sua morte em Junho de 632 em Medina, com a idade de 63, deu origem a uma grande crise entre os seus seguidores. Na verdade, esta disputa acabou por originar a divisão do Islão entre as seitas Sunitas e Xiitas. Os Xiitas acreditam que o profeta designou Ali ibn Abu Talib como seu sucessor, num sermão público na sua última haj, num lugar chamado Ghadir Khom, enquanto que os sunitas discordam disto.

Maomé teria sido analfabeto. O próprio Corão assim o diz (Surah 7.157-8). A generalidade dos teólogos confirma-o mas também há quem o refute.

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