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Maquiavel


Niccoló Machiavelli, conhecido entre nós por Nicolau Maquiavel, nasceu em Florença, Itália, em 3 de maio de 1469. Ele viveu durante a Renascença Italiana, o que explica boa parte das suas idéias. Além de grande filósofo, político e escritor, Maquiavel é considerado também o fundador do pensamento político moderno.

Na Itália do Renascimento reinava grande confusão. A tirania imperava em pequenos principados, governados despoticamente por casas reinantes sem tradição dinástica ou de direitos contestáveis. A ilegitimidade do poder gerava situações de crise e de instabilidade permanente, onde somente o cálculo político, a astúcia e a ação rápida e fulminante contra os adversários eram capazes de manter o príncipe.

Esmagar ou reduzir à impotência a oposição interna, atemorizar os súditos para evitar a subversão e realizar alianças com outros principados constituíam o eixo da administração. Como o poder se fundava exclusivamente em atos de força, era previsível e natural que pela força fosse deslocado, deste para aquele senhor. Nem a religião, nem a tradição e nem a vontade popular legitimavam, e ele tinha de contar exclusivamente com sua energia criadora. A ausência de um Estado central e a extrema multipolarização do poder criavam um vazio, que as mais fortes individualidades tinham capacidade para ocupar.

Até 1494, graças aos esforços de Lourenço, o Magnífico, a península experimentou uma certa tranqüilidade. Entretanto, desse ano em diante, as coisas mudaram muito. A desordem e a instabilidade ficaram incontroláveis. Para piorar a situação, que já estava grave devido aos conflitos internos entre os principados, somaram-se as constantes e desestruturadoras invasões dos países próximos como a França e a Espanha. E foi nesse cenário conturbado, onde nenhum governante conseguia se manter no poder por um período superior a dois meses, que Maquiavel passou a sua infância e adolescência.

Em 1498 Maquiavel começou a trabalhar como funcionário público da República florentina. Em seguida, passou a exercer o cargo de chanceler e secretário de Relações Exteriores, onde suas ocupações principais eram redigir documentos oficiais e viajar em missões diplomáticas ao exterior.

Em 1512, com o fim da República, a dinastia Médici volta ao poder. Maquiavel é envolvido em uma conspiração, torturado e deportado. É permitido que se mude para São Cassiano, pequena cidade próxima de Florença, onde escreve sobre a Primeira década de Tito Lívio, mas interrompe esse trabalho para escrever sua obra-prima, O Príncipe. Trata-se de uma espécie de manual sobre a arte de governar. Nessa obra Maquiavel expõe um sistema político caracterizado pelo princípio amoralista de que "os fins justificam os meios"

O tema central do livro é o de que, para permanecer no poder, o líder deve estar disposto a desrespeitar qualquer consideração moral e recorrer inteiramente à força e ao poder da decepção. Maquiavel escreveu que um país deve ser militarmente forte e que um exército pode confiar somente nos cidadãos de seu país – um exército que dependia de mercenários estrangeiros era fraco e vulnerável.

Um dos temas mais importantes do livro é o debate sobre a seguinte questão: “é preferível que um líder seja amado ou temido?” Maquiavel responde que é importante ser amado e temido; porém, é melhor ser temido que amado. Ele explica que o amor é um sentimento volúvel e inconstante, já que as pessoas são naturalmente egoístas e podem freqüentemente mudar sua lealdade. Porém, o medo de ser punido é um sentimento que não pode ser modificado ou ignorado tão facilmente.

Em 1527, com a queda dos Médici e a restauração da república, Maquiavel - que achava estarem findos os seus problemas - viu-se identificado por jovens republicanos como alguém que tinha ligações com os tiranos depostos. Viu-se, assim, vencido. A república considerou-o seu inimigo. Desgostoso, adoece e morre, em estado de profunda pobreza, em 22 de junho daquele ano.

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