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Niki de Saint Phalle


Nascida na França em 1930 e criada em Nova York, Niki de Saint Phalle é um dos artistas internacionais que se destacaram usando a técnica do papel machê. Em 1965, ela criou as primeiras Nanás (em francês, moças), esculturas que lhe deram fama. Feitas de lã, fibra de algodão, papel machê e tela de arame, as Nanás são grandes bonecas que representam o mundo feminino. Também são de autoria de Niki de Saint Phalle as esculturas da praça Igor Stravinsky, em frente do Centro Cultural Beaubourg, no centro de Paris, França.

Ex-modelo fotográfico das revistas Vogue, Harper's Bazaar e Life nos anos 40, a artista francesa se notabilizou por inventar um mundo de cores puras e movimentos lúdicos. Niki, hoje com 66 anos, expõe 87 trabalhos entre esculturas, serigrafias, litografias e fotos de seus grandes projetos públicos como o monumental O jardim do tarô ou Dolores, peça em poliéster pintado de 5,5m de altura. O universo da artista inclui ainda outros materiais do tipo fibra de vidro, gesso ou tela de arame. São obras de impacto com ironia e humor, pontuadas por um alegre colorido, marcadas por expressivas e apoteóticas figuras femininas, redondas e generosas.

“.quanto a mim, eu me mostraria. Mostrando tudo. Meu coração, minhas emoções. Verde-vermelho-amarelo-azul-violeta. Ódio, amor, riso, medo, ternura...” Niki de Saint Phalle

“Niki de Saint Phalle é uma artista moderna, sua obra expressa a irreverência do nosso tempo; incorpora outras linguagens da arte do século XX para criar o seu extraordinário vocabulário, instintivo por vezes, que lhe confere uma originalidade comparável a de outros artistas deste século — Gaudi, Miró, Dubuffet e Calder.

Niki expressa suas paixões e suas apreensões de maneira lúdica; brinca com a cor, com a luz, com o espaço, questões formais criadas para instigar o espectador — uma aparente eficiência de comunicação imediata, mas há que se ler sobretudo nas entrelinhas de seu discurso-espaço e seguir o mergulho psíquico do âmago de sua obra.

Ela trata com certos temas, de maneira cortante, desconcertante, irônica mesmo; sua constante vitalidade traduz, por vezes, um universo denso, terrível, corroído e perverso; mas Niki encontra saídas na mitologia, numa procura fecunda da religiosidade, através dos mitos que povoam esse seu grande mundo: dos deuses do Egito às cartas do Tarô, do Velho Testamento, da Vida e da Morte. De uma reflexão fina, ela convoca o espectador a penetrar mais fundo ao encontro de si mesmo, encontro de suas circunstâncias.

É também contemporâneo o uso dos mais diversos materiais, entrecortados por sua cor luminosa: suas esculturas são construídas com espelhos, vidro, plástico, tecidos e bronze como embutidos arquitetônicos; mais ainda, o lúdico permeia sua constante inquietação, transfigurada em pássaros, nanás, animais, serpentes, no dia e na noite.

Ela usa da astúcia crítica do cotidiano para ameaçar a ordem estabelecida: daí a contemporaneidade da escultura de Niki de Saint Phalle, de uma obra em constante transformação, que denuncia, desmente, discute. Atitude e modernidade perante a linguagem discursiva do mundo que nos rodeia.” Emanoel Araujo — Diretor da Pinacoteca do Estado:

“Pela presença constante da memória de sua infância, pela dificuldade que teve em se impor como artista mulher, por sua luta sempre renovada contra todas as formas de poder — político, religioso ou social — Niki de Saint Phalle é hoje o símbolo de uma forma de-expressão artística liberada, primitiva e cheia de humor, que atinge prontamente a sensibilidade popular. O encontro de sua obra com o público brasileiro é um momento muito esperado, pois Niki de Saint Phalle está na vanguarda de uma civilização cujas origens e energia vital estão em perfeita sintonia com seu conhecimento das forças originais misteriosas que habitam cada ser. Ela sabe revelar essas forças em sua escultura, tocando o inconsciente por sua maneira de expressar com humor aquilo que atinge as sensibilidades em seu âmago.

Em uma linguagem, à primeira vista, próxima da infantil, fala-nos de coisas sérias ou alegres, da morte, do pensamento místico, dos mistérios do destino, do mundo animal, do paraíso ou do inferno, do amor. Exprime, com a violência de seu humor, seus compromissos de artista e de mulher, sem cair na armadilha do sistema, pois é um ser livre que deixa sua energia dizer que se pode mudar o mundo e que as crianças, o lado infantil que ainda vive em nós, são quem melhor compreende seu universo. Exalta a subversão para deixar falar as forças vivas do ser.

Niki de Saint Phalle, cuja cultura se nutriu de Gaudí, de Facteur Cheval, dos dadaístas, é sem dúvida a última representante da Arte Bruta, pois transcendeu sua adesão ao Surrealismo e ao Novo Realismo, impondo sua inocência a esses grupos artísticos.

O público brasileiro perceberá sem dúvida a expressão dos temas maiores de sua obra, como a utilização que faz da cor. Soube inventar um novo mundo de cores puras, que cantam um hino à vida e que acompanham seu desenho composto de linhas infinitamente trançadas, dédalo que revela os aspectos mais tormentosos de seus pensamentos.

Com a linha sinuosa de suas esculturas e a violência de suas cores frescas, conta-nos os mistérios do tarô, a simplicidade das flores, o triunfo da mulher, a beleza das paisagens desérticas. Gosta de esculpir com humor uma caveira, o Diabo, a Serpente, Adão e Eva, a Justiça, a Temperança... tantas esculturas e tantos símbolos que alimentam o destino humano.

Jean Gabriel Mitterrand — curador da exposição

Conheça as obras do artista

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