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Vinícius de Moraes


Marcos Vinícius de Melo Moraes nasceu no Rio de Janeiro, em 1913. Ali fez o secundário com os jesuítas do Colégio Santo Inácio e Direito. Advogado e boêmio, começou cedo nas rodas literárias e musicais, formando um conjunto musical com Paulo e Haroldo Tapajós. Entre os anos 30 e 40, foi censor e crítico cinematográfico, no famoso Chaplin Club, estudou literatura inglesa em Oxford. Nesse período, estreou na literatura com O Caminho para a Distância, em 1933, e firmou sua carreira poética com a publicação de outras obras.

A carreira diplomática, iniciada em 1943, levou-o aos Estado Unidos, Espanha, Uruguai e França. Apesar disso, sempre manteve contato com a vida literária e cultural do Rio de Janeiro. Em favor da literatura e da música popular, abandonou o Itamaraty. Com a ascensão da "bossa nova", Vinícius se dedicou, desde o final dos anos 50, à compor letras para canções populares. Em 1958, em parceria com Tom Jobim, trabalhou nas músicas de sua peça Orfeu da Conceição, de 1954.

Poeta, teatrólogo e cantor, Vinícius sabia conciliar as várias facetas de sua generalidade artística. A partir de seu primeiro espetáculo com João Gilberto e Jobim, ele entrou na fase intensa de dedicação à música. Em 1968, com o violonista, Toquinho, iniciou uma parceria que duraria anos, cantando sua poesia em várias cidades e países, o que o tornou um dos poetas mais populares e queridos do país. Morreu em julho de 1980, no Rio.

Tanto no tom exaltado, cheio de ressonâncias, como no tema e forma, a poesia inicial de Vinícius de Moraes está impregnada de religiosidade e misticismo neo-simbolistas. Em oposição, talvez, às liberdades formais da primeira fase do Modernismo, o poeta parece querer recuperar o espiritualismo na poesia, atitude comum dos poetas ligados à revista Festa.

A partir de Cinco Elegias, sua poesia se transforma. Não tão longa, revela uma maior liberdade de escolha e de expressão. Os temas desse poeta lírico são, por excelência, agora concretos e do cotidiano; canta a mulher, o amor, o dia-a-dia e a valorização do momento, ao mesmo tempo em que busca algo mais perene, o que revela maturidade e matizes mais pessoais de inspiração. O eixo temático de sua obra se desloca para a intimidade dos afetos e para um sensualismo erótico, contrastivo com sua educação religiosa; o poeta está sempre hesitando entre os prazeres da carne e as angústias do pecador.

Sua linguagem se transforma: é direta e ardente, usando palavras realistas e ao mesmo tempo muito líricas para descrever a confidência, a ternura física e a plenitude dos sentidos. Os sonetos são considerados a parte mais importante de sua obra. Com toques de erotismo e competência, ele revigorou essa forma de composição, ignorada pelos modernistas da primeira fase, produzindo, assim, alguns dos mais belos sonetos de nossa língua.

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