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Yasser Arafat


Cairo ou Jerusalém? Há uma controvérsia a respeito do lugar de nascimento de Yasser Arafat. A data também varia entre 24 ou 4 de agosto de 1929. O mais provável, segundo biógrafos, é que tenha nascido no Cairo, a 24 de agosto de 1929. A dúvida nunca foi esclarecida por Arafat, que insistia ter nascido em Jerusalém. E ele revelou pouco sobre sua infância; sua mãe, que morreu quando ele tinha 4 anos de idade; e seu pai, o próspero comerciante Abdel Raouf al-Qudwa, que faleceu em 1948 e a cujo funeral Arafat não compareceu.

A criança nascida de pais palestinos e que entrou para a História como Yasser Arafat é batizada Mohammed Abdel-Raouf Arafat As Qudwa al-Hussaeinie e passa a primeira infância no Cairo. Aos 5 anos de idade, muda-se com o pai para Jerusalém, então capital da Palestina, sob domínio britânico. Um ano antes da eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945), retorna ao Cairo.

Arafat adentra a adolescência assistindo à acelerada imigração judaica para a Palestina, com as perseguições movidas contra os judeus na Europa pela Alemanha nazista. O confronto entre os dois povos torna-se a cada dia mais intensos. Os judeus formam os grupos armados sionistas, cuja bandeira é promover o retorno à terra bíblica de Israel. Os palestinos também se armam, para lutar tanto contra os colonos judeus como contra o domínio britânico.

Aos 17 anos, o jovem Arafat incorpora-se aos grupos armados palestinos, contrabandeando armas e munições. Dois anos mais tarde, quando irrompe a Guerra Árabe-Israelense, que se seguiu à Partilha da Palestina e, conseqüentemente, a fundação do Estado de Israel em 1948, abandona os estudos para combater na Faixa de Gaza ao lado irmão e do pai.

Os árabes são derrotados. Um milhão de palestinos refugiam-se em países árabes vizinhos e Arafat volta ao Cairo. Lá, retorna à faculdade de engenharia, onde se torna líder estudantil. Em 1952 entra na Irmandade Muçulmana e na União dos Estudantes Palestinos, da qual vira presidente.

No mesmo ano em que se forma, em 1956, Arafat participa da campanha de Suez, quando o então presidente egípcio, Gamal Abdel Nasser, ocupa o canal - na época propriedade conjunta da Grã-Bretanha e França.

Em 1958, vivendo no Kuwait, Arafat funda a Al-Fatah, uma rede de células subversivas que, em 1959, passa a defender publicamente um levante armado contra Israel. A Fatah lança vários ataques a Israel e transforma a causa dos refugiados palestinos na questão central do conflito entre as nações árabes e os israelense.

No mesmo ano em que Arafat deixa o Kuwait, em 1964, dirigentes palestinos ligados ao líder egípcio fundam, no Cairo, a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), com o fim de estabelecer um Estado Palestino.

Em 1969 a Al-Fatah assume o controle da OLP e Arafat é nomeado secretário-geral da OLP. Sob o comando de Arafat, a organização converte-se em um governo paralelo dentro da Jordânia, com exército próprio. A Jordânia, desaprovando os atos de terrorismo e as táticas de guerrilha da organização, expulsa a OLP de seu território. Arafat tenta restabelecer sua base em Beirute, no Líbano.

Em 1974, a Liga Árabe proclama Arafat único e legítimo representante do povo palestino e concede legitimidade à OLP. Um ano depois, a Palestina é admitida à Liga Árabe.

Em 1982, com a Invasão do Líbano por Israel, Arafat é forçado a transferir o comando da OLP para a Tunísia.

Em 1988, em plena Intifada (1987 a 1993) - o levante palestino contra a presença de Israel na Cisjordânia e em Gaza -, num discurso histórico perante as Nações Unidas, Yasser Arafat anuncia que a OLP renuncia ao terrorismo e reconhe "o direito de todas as partes envolvidas no conflito do Oriente Médio de viver em paz e segurança, incluindo o
Estado da Palestina, Israel e vizinhos".

Nos anos 90 um processo de paz entre palestinos e israelenses teve início, levando aos Acordos de Oslo. Os acordos são selados numa cena que encheu de esperança o mundo, em 1994: nos jardins da Casa Branca, à frente do então presidente Clinton, Arafat e o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin assinam “a paz dos bravos” e, em seguida, apertam as mãos.

Os acordos prevêem a gradual retirada israelense e a instalação de um governo provisório palestino na Faixa de Gaza e na cidade de Jericó, na Cisjordânia – território ocupado desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967 - e negociações sobre o status final dos territórios com base na troca de “terras por paz”.

No mesmo ano, Arafat, que sobrevivera a mais de 50 tentativas de assassinato, o então premier israelense Yitzhak Rabin e o então chanceler de Israel Shimon Peres dividem o Prêmio Nobel da Paz.

Em 1993, Arafat volta à Cisjordânia para liderar a Autoridade Palestina, a qual será eleito presidente em 20 de janeiro de 1996.

O assassinato de Rabin pelo extremista judeu Yigal Amir, em 1995, é o começo do fim de Oslo. Eleito seis meses depois, o premier direitista Benyamin Netanyahu expande os assentamentos judaicos na Cisjordânia, congelados pelos acordos, constrói milhares de casas para judeus na Jerusalém árabe e suspende a retirada de tropas. É reaberta a escalada de violências entre as partes.

Em maio de 1999, o então primeiro-ministro israelense Ehud Barak e Arafat firmam um novo acordo palestino-israelense em Sharm el Shiekh, no Egito, que desbloqueia o processo de paz. No ano seguinte, no entanto, quando o líder israelense ultra-direitista Ariel Sharon visita a Explanada das Mesquitas, um dos lugares sagrados do Islã, explode a Segunda Intifada.

Clinton faz mais uma tentativa para salvar a paz, a meio ano do fim de seu mandato, em 2000, ao reunir em Camp David o palestino Arafat e o então primeiro-ministro israelense Ehud Barak. As partes não chegaram a um acordo sobre a cidade de Jerusalém e a proposta de retorno dos refugiados palestinos ao território israelense é rejeitada.

Com a frustração causada pelo fracasso das negociações, minadas ainda por grupos palestinos extremistas e pela ascensão do conservador Ariel Sharon ao poder em Israel e do presidente George W. Bush nos EUA, a autoridade de Arafat se enfraquece. Acentua-se a onda de violência entre palestinos e israelenses.

Acusando Arafat de conivência com atentados suicidas contra civis israelenses e pelo fracasso do premier Mahmud Abbas em desarmar os movimentos extremistas palestinos (Abbas, que acaba renunciando, por sua vez, culpa a política de “assassinatos seletivos” de Israel pelo banho de sangue que não cessa), Bush e Sharon declararam que o líder histórico dos palestinos não era um "parceiro para a paz", isolando-o das negociações. Já que os EUA vetam sua morte, Israel mantém Arafat em prisão domiciliar num semi-destruído complexo de edifícios: a sede da Autoridade Palestina, a Muqtada, na cidade de Ramallah, na Cisjordânia.

Arafat é confinado a Ramallah de dezembro de 2001 a outubro de 2004, quando, por graves problemas de saúde, é autorizado a sair de Israel para tratamento médico no exterior. Em meio a fortes medidas de segurança e aclamado por multidões, é levado dia 29 de outubro a um hospital militar em Paris, na França. Sua morte chegou a ser anunciada duas vezes.

No dia 11 de novembro de 2004, os palestinos perdem seu maior líder. Para eles, Arafat será sempre um símbolo de luta e independência.

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