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Viroses: 09. Hepatite A, B e C

Dr. Luiz Caetano da Silva | Hospital de Clínicas da Unicamp

HEPATITE A

Hepatite A é uma doença infecciosa aguda causada pelo vírus HVA (imagem ao lado) que é transmitido por via oral-fecal, de uma pessoa para outra ou através de alimentos ou água contaminada. Entre os alimentos destacam-se os frutos do mar e alguns vegetais.

A incidência da hepatite A é maior nos locais em que o saneamento básico é deficiente ou não existe. Uma vez infectada, a pessoa desenvolve imunidade contra esse vírus por toda a vida.

Sintomas

A hepatite A pode ser sintomática ou assintomática. Durante o período de incubação, que leva em média de duas a seis semanas, os sintomas não se manifestam, mas a pessoa infectada já é capaz de transmitir o vírus.

Uma minoria apresenta os sintomas clássicos da infecção: febre, dores musculares, cansaço, mal-estar, inapetência, náuseas e vômitos. Depois de alguns dias, pode aparecer icterícia, as fezes ficam amarelo-esbranquiçadas e a urina escurece adquirindo tonalidade semelhante à da coca-cola.

No entanto, muitas vezes, os sintomas são tão vagos que podem ser confundidos com os de uma virose qualquer. O paciente continua levando vida normal e nem percebe que teve hepatite.

Grupo de Risco

Geralmente é na infância que se entra em contato com o vírus. Por isso, as crianças constituem grupo de risco importante, assim como os adultos que interagem com elas e os profissionais de saúde.

Evolução

Em geral, o quadro de hepatite A se resolve espontaneamente em um ou dois meses. Em alguns casos pode demorar seis meses para o vírus ser eliminado totalmente do organismo. Embora não sejam freqüentes, complicações podem surgir como a recorrência da infecção e a hepatite fulminante, quadro muito raro, para a qual o único tratamento é o transplante de fígado.

Recomendações

· Não coma frutos do mar crus ou mal cozidos. Moluscos especialmente filtram grande volume de água e retêm os vírus se ela estiver contaminada. Ostras que se comem cruas e mariscos são transmissores importantes do vírus da hepatite A;
· Evite o consumo de alimentos e bebidas dos quais não conheça a procedência nem saiba como foram preparados;
· Procure beber só água clorada ou fervida, especialmente nas regiões em que o saneamento básico possa ser inadequado ou inexistente;
· Lave as mãos cuidadosamente antes das refeições e depois de usar o banheiro. A lavagem criteriosa das mãos é suficiente para impedir o contágio de pessoa para pessoa;
· Não ingira bebidas alcoólicas durante a fase aguda da doença e nos seis meses seguintes à volta das enzimas hepáticas aos níveis normais;
· Verifique se os instrumentos usados para fazer as unhas foram devidamente esterilizados ou leve consigo os que vai usar no salão de beleza.

Tratamento

Não existe tratamento especifico contra a hepatite A nem embasamento terapêutico para recomendar repouso absoluto. Na vigência dos sintomas, porém, o próprio paciente se impõe repouso relativo.

Pessoas que vivam no mesmo domicílio que o paciente infectado ou que estejam em más condições de saúde podem receber imunoglobulina policlonal para protegê-los contra a infecção.

O consumo de álcool deve ser abolido até pelo menos três meses depois que as enzimas hepáticas voltaram ao normal.

Vacinação

Há duas vacinas contra a hepatite A. Uma deve ser aplicada em duas doses com intervalo de seis meses; a outra, em três doses administradas nesses seis meses.
A vacina contra a hepatite A não faz parte do programa oficial de vacinação oferecido pelo Ministério da Saúde, mas deve ser administrada a partir do primeiro ano de vida, porque sua eficácia é menor abaixo dessa faixa etária.

Pessoas que pertençam ao grupo de risco ou que residam na mesma casa que o paciente infectado também devem ser vacinadas.

HEPATITE B

A hepatite B é definida como inflamação do fígado causada por uma infecção pelo vírus HBV (imagem ao lado), um vírus DNA, da família Hepdnaviridae.

No Brasil, estudos de prevalência do HBV detectaram índice de infecção médio de 8,0% na região da Amazônia legal, de 2,5% nas regiões Centro-Oeste e Nordeste, de 2,0% na região Sudeste e de 1,0% na região Sul.

Quadro clínico

O período de incubação da Hepatite B aguda situa-se entre 45 e 180 dias e a transmissão é usualmente por via parenteral embora outras vias (oral, sexual e vertical) foram demonstradas.

Nos pacientes sintomáticos, a hepatite B, usualmente evolui nas seguintes fases:

  • Fase prodrômica: sintomas inespecíficos de anorexia, náuseas e vômitos, alterações do olfato e paladar, cansaço, mal-estar, artralgia, mialgias, cefaléia e febre baixa.
  • Fase ictérica: inicia-se após 5 a 10 dias da fase prodrômica, caracterizando-se pela redução na intensidade destes sintomas e a ocorrência de icterícia. Colúria precede esta fase por 2 ou 3 dias.
  • Fase de convalescença: a sintomatologia desaparece gradativamente, geralmente em 2 a 12 semanas.
A Hepatite B pode evoluir cronicamente, o que se demonstra pelos marcadores laboratoriais, testes de função hepática e histologia anormais, e doença persistente por mais de seis meses. A Hepatite B crônica pode evoluir de forma:

  • persistente: de bom prognóstico, em que a arquitetura do lóbulo hepático é preservada.
  • ativa: caracterizada por necrose hepática, que pode evoluir para cirrose hepática ou para câncer.
Tratamento

De modo genérico, o indivíduo com hepatite viral aguda, independentemente do tipo viral que o acometeu, deve ser acompanhado ambulatorialmente, na rede de assistência médica. Basicamente o tratamento consiste em manter repouso domiciliar relativo, até que a sensação de bem-estar retorne e os níveis das aminotransferases (transaminases) voltem aos valores normais. Em média, este período dura quatro semanas. Não há nenhuma restrição de alimentos no período de doença. É desaconselhável a ingestão de bebidas alcoólicas.

Os pacientes com hepatite causada pelo HBV poderão evoluir para estado crônico e deverão ser acompanhados com pesquisa de marcadores sorológicos (HBsAg e Anti-HBs) por um período mínimo de 6 a 12 meses. Aqueles casos definidos como portadores crônicos, pela complexidade do tratamento, deverão ser encaminhados para serviços de atendimento médico especializados.

HEPATITE C

A hepatite C vem sendo reconhecida mundialmente como um dos mais importantes problemas de saúde pública nos últimos anos. A prevalência global desta infecção é estimada em 3%, ou seja, aproximadamente 150 milhões de pessoas são infectadas pelo vírus da hepatite C, o VHC (imagem ao lado).

Estudos realizados em centros europeus e norte-americanos revelam que o VHC está associado a grande parte dos casos de hepatite crônica (cerca de 70%), cirrose avançada (cerca de 40%) e de carcinoma hepatocelular (cerca de 60%), fazendo com que tal infecção seja responsável por, no mínimo, um terço dos transplantes hepáticos realizados mundialmente.

O fígado, a maior glândula do corpo, possui múltiplas funções, entre elas, a produção da bile, substância importante para a digestão das gorduras. Ele se situa abaixo do diafragma, à direita do estômago. Da vesícula biliar, onde a bile é armazenada, sai um canal chamado ducto cístico e do fígado um outro, o ducto hepático. Juntos, eles formam o colédoco que vai desembocar no duodeno.

O fígado é uma estrutura extremamente vascularizada, isto é, com muitos vasos e artérias. Para ter uma idéia, observe a figura ao lado. As artérias estão representadas em vermelho; as veias, em azul e os canais biliares em verde, o que evidencia o íntimo contato entre as células do fígado e os vasos sangüíneos. Por minuto, passa um litro e meio de sangue pelo interior desse órgão o que faz das células hepáticas verdadeiras usinas. Elas transformam e produzem substâncias essenciais para o funcionamento do organismo, eliminam as desnecessárias e inativam as que seriam tóxicas.

Em 1989, foi descrito pela primeira vez o vírus da hepatite C e os pesquisadores que o descobriram jamais poderiam imaginar, naquele momento, a magnitude do problema que a infecção por esse microorganismo representava. Há no mundo, atualmente, cerca de 170 milhões de pessoas infectadas por esse vírus. No Brasil, de 1% a 1,5% da população, o que corresponde mais ou menos entre 2 milhões e 2,5 milhões de brasileiros infectados. Isso torna a hepatite C, doença para a qual ainda não existem vacinas, um dos maiores problemas de saúde pública em nosso país.

Transmissão

O vírus da hepatite C é transmitido por sangue e seus derivados (o plasma é um exemplo) ou por material contaminado por sangue, como seringas, objetos cortantes, alicates de unha, instrumentos utilizados nas tatuagens etc.

Embora não represente um índice muito elevado, a infecção também é transmitida por via sexual. Calcula-se que de 5% a 7% dos casos ocorram dessa forma, principalmente em pessoas com vários parceiros. Existe ainda a possibilidade de o vírus ser transmitido verticalmente, isto é, da mãe para o filho.

Uma vez adquirido, o vírus da hepatite C pode produzir doenças em outros órgãos, mas tem predileção especial pelo fígado, onde provoca desde lesões pequenas até cirrose, passando por hepatite aguda, hepatite crônica e chegando ao câncer.

Sintomas

O indivíduo pode não apresentar sintoma nenhum quando é infectado pelo vírus da hepatite C. Isso, inclusive, deixa os pacientes espantados ao saber que têm uma doença crônica e antiga no fígado. Alguns, raramente, podem apresentar uma patologia aguda inicial chamada hepatite aguda, que provoca náuseas, vômitos, icterícia, enfim, um quadro bastante característico da enfermidade.

Tratamento

Alguns casos de hepatite C requerem a biópsia hepática que consiste na extração de um pequeno fragmento do fígado, por meio de uma agulha especial, procedimento visualizado no aparelho de ultra-som.


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