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Viroses: 05. Poliomielite

Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo

A poliomielite é uma doença aguda, de gravidade extremamente variável, causada pelo poliovírus. O poliovírus é um enterovírus, com genoma de RNA simples (unicatenar) de sentido positivo (serve diretamente como RNAm para a síntese protéica). Existem três sorotipos, distintos imunologicamente, mas idênticos nas manifestações clínicas, excetos 85% dos casos de poliomielite banana paralítica (o mais grave tipo) que são causados pelo sorotipo 1. O vírus não tem envelope bilipídico, é recoberto apenas pelo capsídeo e é extremamente resistente às condições externas.

Possui alta infectividade, ou seja, a capacidade de se alojar e multiplicar no hospedeiro é de 100%; possui baixa patogenidade 0,1 a 2,0% dos infectados desenvolvem a forma paralítica (1:50 a 1:1000), ou seja, tem baixa capacidade de induzir doença.

A patogenidade varia de acordo com: 1) o tipo de poliovírus (o tipo I é o mais patogênico, tipo II é o menos); 2) com as propriedades intrínsecas das diferentes cepas; 3) com os fatores inerentes ao hospedeiro (mais alta em adolescentes e adultos).

A virulência do poliovírus depende da cepa e se correlaciona com o grau de duração da viremia. A letalidade da poliomielite varia entre 2 e 10%, mas pode ser bem mais elevada dependendo da forma clínica da doença. A poliomielite bulbar apresenta uma letalidade entre 20 e 60%, e a poliomielite espinhal com acometimento respiratório, entre 20 e 40%. Em imunodeficientes chega a 40%, com alta taxa de sequela.

A resistência ao meio ambiente e a desinfetantes: O vírus resiste a variações de pH (3,8 a 8,5) e ao éter. É inativado pela fervura, pelos raios ultravioleta, pelo cloro (0,3 a 0,5 ppm) e na ausência de matéria orgânica. Conserva-se durante anos a – 70oC e durante semanas, na geladeira, a 4oC, principalmente em glicerina a 50%.

A doença pode ocorrer sob a forma de infecção inaparente ou apresentar manifestações clínicas, frequentemente caracterizadas por febre, mal-estar, cefaleia, distúrbios gastrointestinais e rigidez de nuca, acompanhadas ou não de paralisias.

Transmissão

Pode ser direta de pessoa a pessoa, através secreções nasofaríngeas de pessoas infectadas, 1 a 2 semanas após a infecção; ou de forma indireta através de objetos, alimentos, água etc., contaminados com fezes de doentes ou portadores, 1 a 6 semanas após a infecção.

O período de incubação pode variar de 2 a 30 dias, em geral é de 7 dias.

Pode-se demonstrar a presença do poliovírus nas secreções faríngeas e nas fezes, respectivamente 36 e 72 horas após a infecção, tanto nos casos clínicos quanto nas formas assintomáticas. O vírus persiste na garganta durante uma semana aproximadamente e, nas fezes, por 3 a 6 semanas.

A suscetibilidade à infecção é geral, mas somente cerca de 1% dos infectados desenvolve a forma paralítica. Ressalta-se que os adultos quando não imunes, ao sofrerem infecção pelo poliovírus, tem maior probabilidade de desenvolver quadros paralíticos do que as crianças. Crianças nascidas de mães imunes podem ser transitoriamente protegidas por transferência de anticorpos, durante as primeiras semanas de vida. A infecção natural pelo poliovírus selvagens produz imunidade duradoura ao tipo antigênico específico causador da infecção. A vacinação completa (três básicas e dois reforços) produz imunidade duradoura na grande maioria dos indivíduos.

A doença é mais grave quando lesa os núcleos motores dos pares cranianos e outras zonas vitais da medula, relacionadas com a respiração e a circulação. A gravidade e a ocorrência de sequelas depende da extensão da lesão do sistema nervoso, o que permite falar em graus de paralisias que vão desde aquela que não regride, passando por quadros intermediários, até a que pode regredir completamente.

A distribuição da doença é universal, e é mais prevalente em áreas urbanas densamente povoadas, mas também ocorre em áreas rurais. Acomete quase que exclusivamente crianças menores de 5 anos de idade, sendo que a população afetada varia conforme situação epidemiológica em que se encontra o país. Na região das Américas (Norte – Central e Sul) não temos casos confirmados desde 1991. Atualmente a circulação dos poliovírus selvagem se restringem a três regiões no mundo: Sul da Ásia, África Central e Ocidental.

Tratamento

Não há tratamento específico mas, as medidas terapêuticas são importantes para redução das complicações e mortalidade. Cuidados gerais como repouso rigoroso nos primeiros dias, reduz a taxa de paralisias. Mudança de decúbito, tratamento sintomático da dor, da febre, da hipertensão arterial e de retenção urinária, uso de laxantes suaves e cuidados respiratórios são importantes para se evitar complicações. Cuidados ortopédicos e fisioterápicos devem ser instituídos oportunamente para evitar deformidades. A fisioterapia deve ser iniciada quando a dor ceder.

Conduta epidemiológica

Vacinação - é a única arma de prevenção da doença e foi o instrumento que viabilizou a erradicação da poliomielite no continente americano. Existem dois tipos de vacina disponíveis, ambas de alta eficácia: a vacina antipólio inativada e a de vírus vivos atenuados. Diferem quanto a via de administração e aos mecanismos de imunidade. O esquema de vacinação de rotina, preconizado pelo Programa Estadual de Imunização do Estado de S. Paulo(P.E.I.), consta de 3 doses básicas, no segundo, quarto e sexto mês de vida, um reforço seis a doze meses após a terceira dose e outro aos cinco ou seis anos de idade. A vacina utilizada é a vacina oral de vírus vivo atenuado (OPV), contendo os três sorotipos. A vacinação de indivíduos imunodeprimidos deve ser feita com a vacina de vírus inativado (VIP). Complementando a vacinação de rotina, o Ministério da Saúde promove anualmente, desde 1980, dias nacionais de vacinação contra a poliomielite, vacinando as crianças menores de 5 anos, independente das doses anteriores, objetivando, além do aumento da cobertura, a disseminação do vírus vacinal na comunidade.


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