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Tabagismo


Cigarro - O ciclo do vício

Adeus, cigarro! É hora de pensar na saúde!

Há 1,1 bilhão de fumantes no mundo, segundo a OMS, matando mais que o álcool e drogas ilegais.

A dependência de nicotina é a mais comum das dependências. Nos Estados Unidos, 50% da população adulta, no momento, é ou já foi dependente de nicotina. No Brasil, segundo os dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), um terço da população adulta fuma, sendo 11,2 milhões de mulheres e 16,7 milhões de homens. Os homens fumam em maior proporção que as mulheres em todas as faixas etárias. Porém, a mulher vem aumentando sua participação, principalmente nas faixas etárias mais jovens. No Brasil, como também vem ocorrendo em vários países do mundo, observa-se maior consumo de cigarros nas classes com menor poder aquisitivo e menor escolaridade. Os indivíduos tendem a começar a fumar ao redor dos 15 anos e somente 10% após os 19 anos.

Alguns fatores aumentam o risco de se tornar um fumante: hereditariedade, uso/abuso de álcool e outras drogas, déficit de atenção e sintomas depressivos.

Cerca de 92% dos fumantes têm consciência de que o ato de fumar é nocivo e ameaça sua saúde. Desses, 70% desejam parar de fumar, mas poucos (em torno de 5%) conseguem fazê-lo sem ajuda profissional.

Em nosso meio, há uma crescente demanda por tratamento de dependência de nicotina. Em um programa de tratamento para dependência de álcool, drogas e nicotina oferecido a professores, alunos e funcionários da Universidade de São Paulo (PRODUSP), desenvolvido pelo Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas (GREA) do Departamento e Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, os tabagistas correspondiam a 6% dos pacientes que procuravam tratamento em 1996. No ano de 2000, essa porcentagem atingiu 41% dos pacientes. Esse crescimento parece ser resultado de maior conscientização da população quanto aos riscos do hábito de fumar, mas principalmente da percepção dos indivíduos que existe um tratamento. Há hoje em nosso país uma demanda reprimida em relação a vagas para tratamento dessa dependência. Esse artigo visa discutir noções básicas do tratamento da dependência de nicotina.

O fumo é o maior responsável pelas faringites, bronquites, falta de apetite, tremores, perturbações da visão, diversos tipos de câncer, sobretudo do pulmão e doenças cardiovasculares como a angina do peito e o enfarte do miocárdio.

Além do câncer do pulmão, de que o fumo é maior causador, produz bronquite crônica, enfisema pulmonar, coronariopatias, úlceras do estômago e do duodeno, câncer da língua, da faringe, do esôfago e da bexiga.

A ação da nicotina é exercida pelo sistema sobre o sistema parassimpático e simpático e pela liberação de adrenalina e influi na diminuição do consumo do oxigênio e, além de prejudicar o organismo em geral, vai diretamente ao cérebro, coração e circulação.

Apenas um cigarro é suficiente para contrair todos os vasos sanguíneos do corpo. E a fumaça de um cigarro, é o bastante para contrair os vasos capilares das pernas e dos pés.

O fumante sofre, em cada trago, endurecimento das artérias, fazendo o coração trabalhar mais depressa, enquanto os pulmões absorvem monóxido de carbono, amônio, ácido carbônico, piridina e substâncias alcatroadas que passam a circulação do sangue. O monóxido de carbono também origina dores de cabeça; o amônio irrita as narinas e a garganta, a piridina irrita os brônquios e as substâncias alcatroadas engrossam a língua, sujam os dentes e determinam câncer na boca e na língua.A nicotina, em si, diminui a vitalidade do fumante e de seus filhos.

A fumaça do cigarro provoca uma reação violenta nos centros nervosos, produzindo a degeneração das células do cérebro.

Uma vez que o hábito de fumar conduz o viciado a um estado de intoxicação crônica e o leva a uma dependência física e psíquica, sente o fumante dificuldade em abandoná-lo.

A nicotina é um dos venenos mais ativos. A nicotina e o alcatrão deve-se a maior soma de males acarretada aos fumantes. O fumante médio absorve nos pulmões mais de um litro de alcatrão por ano.

Os venenos do fumo agem no organismo pelas vias respiratórias e pelas vias digestivas. Pelas vias respiratórias, através da traquéia e brônquios, por onde chegam aos pulmões, onde são absorvidos e conduzidos ao sangue e, por este, a todos os demais órgãos. A nicotina, por intermédio da circulação, excita as glândulas supra-renais que segregam mais adrenalina. Conduzida ao sangue, provoca contração das paredes arteriais, ocasionando espamos das artérias. É assim que o fumo aumenta a pressão arterial, favorece problemas coronários e cardiovasculares.

Pelas vias digestivas, boca, estômago e intestinos, pois que, parte do venenos do fumo dissolve-se na saliva e é conduzida ao estômago, ocasionando a diminuição da secreção gástrica, dificultando a digestão, diminuindo o apetite e predispondo o fumante à úlcera gastroduodenal. Do aparelho digestivo os venenos do fumo são conduzidos ao sangue e aos diversos tecidos do corpo.

No fígado, grande parte da nicotina é transformada em ácido úrico, com o que ocasiona o surgimento do reumatismo e da gota.

Prejuízos do hábito de fumar:

1- Entorpecimento mental;
2- Inflamação do estômago;
3- Ineficiência física;
4- Tosse;
5- Angina do peito;
6- Gangrena;
7- Doações de Sangue;
8- Visão, entre outros.

O que está comprovado sobre a fumaça ambiental do tabaco:

- é inalada, absorvida e processada por não-fumantes
- é quimicamente similar a fumaça inalada pelo fumante, e esta é carcinogênica
- contém substâncias que causam câncer
- pode causar câncer e lesões genéticas (que originam câncer) em animais de laboratório
- está associada a problemas cardíacos
- causa problemas respiratórios em crianças de até 18 meses
- retarda o desenvolvimento fetal

Substâncias da Fumaça do Cigarro

Quando cigarros industrializados ou de fumo-de-rolo, cachimbos e charutos são acesos, algumas substâncias são inaladas pelo fumante e outras se difundem pelo ambiente. Essas substâncias são nocivas à saúde.

Todas as formas de uso do tabaco, inclusive os cigarros com mentol, filtros especiais, com baixos teores (light, exta-light) etc. tem uma composição semelhante, não havendo, portanto cigarros "saudáveis" ou cachimbos e charutos que façam menos mal. Isso ocorre porque, mesmo escolhendo produtos com menores teores de alcatrão e nicotina, os fumantes acabam compensando essa redução, fumando mais cigarros por dia e tragando mais freqüente ou profundamente, ou seja, fazendo outras modificações compensatórias em conseqüência da dependência à nicotina.

A fumaça do cigarro é uma mistura de cerca de 5 mil elementos diferentes. Ela é formada pelos seguintes componentes:

Nicotina - considerada droga pela OMS. Sua atuação no sistema nervoso central é como a da cocaína, com uma diferença: chega entre 2 e 4 segundos mais rápido ao cérebro que a própria cocaína. É uma droga psicoativa, responsável pela dependência do fumante. É por isso que o tabagismo é classificado no Código Internacional de Doenças (CID - 10) como grupo dos transtornos mentais e de comportamento decorrente do uso de substâncias psicoativas. A nicotina aumenta a liberação de catecolaminas, acelerando a freqüência cardíaca, com conseqüente vasoconstricção e hipertensão arterial. Provoca uma maior adesividade plaquetária, e juntamente com o monóxido de carbono leva à arterosclerose. Contribui assim para o surgimento de doenças cardiovasculares. No aparelho gastrointestinal, a nicotina estimula a produção de ácido clorídrico, podendo levar ao aparecimento de úlcera gástrica. Também estimula o sistema parassimpático, o que pode causar diarréia. A nicotina libera substâncias quimiotóxicas, que vão atrair para o pulmão os leucócitos neutrófilos polimorfonucleares, a maior fonte de elastase, que destrói a elastina e provoca o enfisema pulmonar (Orleans e Slade, 1993; Rosemberg, 1996).

Monóxido de Carbono (CO) - tem afinidade com a hemoglobina (HB) contida nos glóbulos vermelhos do sangue, que transportam oxigênio para os tecidos de todos os órgãos do corpo. A ligação do monóxido de carbono com a hemoglobina forma o composto chamado carboxihemoglobina, que dificulta a oxigenação do sangue, privando alguns órgãos do oxigênio e causando doenças como a arterosclerose.

Alcatrão - composto de mais de 40 substâncias comprovadamente carcinogênicas que incluem o arsênico, níquel, benzopireno e cádmio. Carcinogênicas são substâncias que provocam câncer como resíduos de agrotóxicos nos produtos agrícolas, como o DDT, e até substâncias radioativas, como é o caso do polônio 210.

Vale ressaltar que as substâncias da fumaça do cigarro tem efeitos sobre a saúde do fumante, mas também sobre a saúde do não-fumante, exposto à poluição do ambiente causada pelo cigarro.

Cigarros de Baixos Teores

O modo de fumar é determinado pela necessidade do fumante em consumir nicotina (que lhe traz a sensação de satisfação). Os fumantes utilizam artifícios para alcançar tal sensação ao fumarem cigarros com teores baixos, dando tragadas mais profundas. Assim, aumentam o número de tragadas por cigarros, aumentam o número de cigarros fumados e bloqueiam os orifícios de ventilação dos filtros para aumentar a concentração de fumaça inalada durante a tragada.

Esses artifícios são conhecidos como compensação e tem sido, extensivamente, documentados na literatura científica, sendo bem conhecidos da indústria do tabaco há mais de 20 anos. Testes demonstram que, em "condições de fumo realísticas", existe uma diferença muito pequena entre os cigarros denominados "light" e os comuns. Na verdade, eles podem até produzir quantidades maiores de alcatrão, nicotina e monóxido que os cigarros tradicionais testados.

Um estudo realizado na Inglaterra por Kozlwski et al. (1999) demonstrou que 58% dos filtros de cigarros examinados apresentavam sinais de bloqueio significativo e 19% sinais de bloqueio total. A partir dos resultados de uma pesquisa realizada em 1998, a ASH e The Observer mostraram que os cigarros com baixos teores podem propiciar os mesmos mecanismos compensatórios antes citados.

Por mais que a indústria do fumo afirme que realiza pesquisas visando ao desenvolvimento de produtos alternativos, na verdade, ela estuda produtos e formas de distribuir a nicotina em dispositivos que contenham menos teor de determinadas substâncias, como o alcatrão, por exemplo, e mantendo a nicotina, que causa a dependência.

Lutando contra o cigarro

Muitos tabagistas tentam parar de fumar sozinhos. A seguir algumas dicas possíveis de ser aplicada por qualquer pessoa para que seja obtido um melhor resultado. São para dificultar o gesto automático de fumar, tornando-o consciente:

1. Ter certeza de que quer fumar e não simplesmente acender um cigarro automaticamente, ou seja, pensar muito bem se de fato precisa fumar ou se pode deixar para mais tarde.
2. Parar de comprar cigarros.
3. Não comprar um maço de modo algum enquanto não acabar o último cigarro, mesmo que seja na boca da noite ou na véspera de uma viagem.
4. Quando não tiver cigarro, ter o brio de não ficar catando bitucas.
5. Não ter fósforo, isqueiro, fogo por perto.
6. Desfazer-se do isqueiro. O "som"(ruído) característico obtido ao se abrir um determinado isqueiro também pode ser prazeroso.
7. Jogar cinzeiro fora para dificultar o trabalho na hora de bater as cinzas em lugar adequado.
8. Colocar o maço de cigarros num lugar que lhe dê trabalho quando for pegá-lo; não andar com o maço no bolso nem deixá-lo na cabeceira, na escrivaninha, etc.
9. Se possível, colocar o maço em outro ambiente.
10. Não acender o cigarro somente porque você ficou com vontade ao ver alguém acendendo ou fumando um.
11. Demorar o máximo possível com o cigarro na mão antes de acendê-lo.
12. Dar no máximo três tragadas de cada cigarro, mesmo que o jogue fora quase inteiro (nicotina a menos).
13. Envergonhar-se de fumar.
14. Questionar se vale a pena fumar, mesmo que corra o risco de morrer como aquele parente que teve dores, permaneceu acamado, emagreceu, fez radioterapia, ficou feio, fez a família sofrer, gastou o que tinham e... acabou falecendo.
15. Lembrar que nas escolas o cigarro é proibido pela Lei 9760/97.

Se essa luta íntima contra o cigarro não der certo, ainda há muitas esperanças de cura para esse vício. Psicoterapias, grupos de auto-ajuda e recursos médicos, como nicotina em adesivos e antidepressivos, são os meios mais eficazes.

Dez razões para parar de fumar

1 - Após 6 horas sem fumar, a pressão e o coração se normalizam. Após 30 dias, estão completamente normais
2 - Após 1 dia sem cigarro, o pulmão funciona melhor
3 - Após 2 dias sem fumar, o olfato e o paladar sofrem uma significativa melhora
4 - Após 3 semanas, os exercícios físicos ficam mais fáceis de serem executados
5 - A circulação sanguínea melhora após 2 meses sem cigarro
6 - Após 3 meses, o número de espermatozóides normaliza e há um significativo aumento em sua qualidade
7 - Após 1 ano o risco de problemas cardíacos está reduzido
8 - Após 5 anos sem fumar, o risco de problemas no coração são iguais aos de uma pessoa que nunca tenha fumado
9 - Dentes, mãos e pele clareiam após o término do vício
10 - Aumento da qualidade de vida, disposição e humor

Fumo e doenças cardiovasculares

- Fumar aumenta o risco de doenças coronárias como angina no peito e infarto do miocárdio
- Triplica o risco de morte por infarto em homens com menos de 55 anos
- Aumenta em 10 vezes o risco de tromboembolia venosa e infarto em mulheres que tomam anticoncepcionais orais
- Aumenta o risco de insuficiência vascular periférica, causando má circulação nas pernas e impotência sexual

Fumo e doenças neurovasculares

- Fumar triplica o risco de derrame cerebral  (acidente vascular cerebral - AVC)

Fumo e câncer

O cigarro contém mais de 40 substâncias cancerígenas que aumentam o risco de câncer na:
- boca, faringe, laringe e traquéia
- pulmões - risco 12 a 20 vezes maior
- esôfago, estômago
- rins, bexiga, colo do útero, etc

Fumo e doenças respiratórias

Fumar aumenta a queda da capacidade respiratória com a idade e aumenta o risco de problemas respiratórios como:
- tosse, chiado e falta de ar
- bronquite crônica e enfisema
- causa 90% da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e aumenta seu risco em 10 vezes
- laringite (rouquidão)
- infecções das vias respiratórias
- crise de asma

Fumo e pele

Fumar eleva o risco de rugas prematuras e de celulite e interfere na cicatrização de feridas cirúrgicas

Fumo e gravidez

Fumar aumenta o risco de infertilidade e de complicações da gravidez.

A gestante fumante tem maior chance de abortar, de ter filho prematuro, de baixo peso e de morte do filho no período perinatal.

Fumar reduz a expectativa de vida

A chance de viver até os 73 anos é de 42% em fumantes e 78% em não-fumantes

Fumar prejudica o tratamento de doenças

Como gastrite, úlcera péptica, esofagite de refluxo, angina, insuficiência cardíaca, bronquite, enfisema e asma

Fumar aumenta as complicações pós-operatórias

Especialmente em idosos, obesos e pacientes em tratamento de doenças cardíacas ou respiratórias

Fumo Passivo

As pessoas que estão próximas dos fumantes, especialmente em ambientes fechados, inalam mais de 400 substâncias que podem prejudicar a saúde.

O fumante passivo tem maior risco de câncer de pulmão e infarto do miocárdio.

As crianças que convivem com pais fumantes têm maior risco de infecções respiratórias, bronquiolites, asma, otites e infecções de garganta (amigdalites).

Cigarro e Gravidez: Parceria Perigosa

As mulheres têm um motivo a mais para deixar de fumar: durante a gravidez, esse hábito pode fazer imenso mal ao feto. Quando a mãe fuma durante a gestação, o bebê recebe as substâncias tóxicas do cigarro por meio da placenta. A nicotina provoca o aumento do batimento cardíaco do feto, e a criança pode nascer com peso reduzido, menor estatura e alterações neurológicas importantes. Isso sem falar que a gestante tem um risco aumentado de sofrer um aborto espontâneo, entre outras implicações ao longo dos nove meses. Para piorar o quadro, durante a amamentação, as substâncias tóxicas continuam sendo transmitidas ao bebê via leite materno.

Portanto, mulheres, procurem abandonar o cigarro logo agora, porque depois de já estarem grávidas a luta contra o tabaco fica ainda mais difícil. Porém é fundamental.

Correlatos Psicossociais do Tabagismo

Correlatos Sociais

No mundo desenvolvido, particularmente nos países onde há campanhas/políticas anti-fumo bem organizadas, o tabagismo é estreitamente relacionado com a situação socioeconômica, sendo mais prevalente entre pobres, trabalhadores braçais semi-qualificados, desempregados, indivíduos com baixos níveis culturais e mães solteiras. Além disso, essa demarcação entre os grupos sociais está se acentuando: nas últimas 3 décadas a prevalência do tabagismo caiu mais de 50% nas classes mais elevadas da sociedade britânica, mas permaneceu imutável nos grupos mais desvalidos. De modo semelhante, os índices de cessação do tabagismo no Reino Unido mostram grande relação inversa com a privação social.

Correlatos Psiquiátricos

A depressão é um fator importante de risco de dependência de nicotina. Nos fumantes é maior a prevalência de história de depressão significativa e, nesses casos, a probabilidade de cessação do tabagismo é menor do que nos indivíduos sem história de depressão. Sugeriu-se que a associação entre depressão e tabagismo pode ser devida a uma predisposição genética comum às duas doenças. Outros fatores de risco da dependência de nicotina incluem esquizofrenia (70 a 90% dos esquizofrênicos são fumantes) e abuso de múltiplas drogas, particularmente álcool, cocaína e heroína.

Assim, é provável que a maioria que continua fumando é composta por aqueles com problemas psiquiátricos ou sociais. Além disso, é provável que esses fumantes sejam mais dependentes do tabaco e menos interessados em abandoná-lo.

Como vencer a dependência da nicotina

Em algum momento da vida as pessoas tomam consciência da sua finitude. A angústia de saber que se vai morrer ou que se pode passar os últimos anos da vida longe do convívio de filhos e netos, ou dependentes de outras pessoas é a principal motivação para largar o cigarro. Mas parar de fumar representa abandonar um modelo de existência cujo equilíbrio emocional depende de uma droga. Sem a droga o indivíduo entra num período voluntário de luto. Mulheres, principalmente, estabelecem um forte relacionamento afetivo com o cigarro. É comum ouvir frases como “É o meu único amigo! O que farei na solidão?”.

Alguns acreditam que este estado de instabilidade, fissura, perda da capacidade de concentração, melancolia é para sempre. Mas não é! Ele representa a crise de abstinência que dura no máximo seis semanas. O alívio da solidão pela nicotina faz com que o fumante não precise de companhia. O alívio do estresse faz com que não busque soluções eficazes para o que motiva o nervoso. O fumante sente pânico ao pensar em enfrentar este período. Mas não há cérebro que não volte ao normal após a abstinência.

Enfrentar este período é uma experiência especial. A pessoa enfrenta um desafio que parece aterrorizante e que vai requerer força, recursos emocionais, intelectuais, espirituais e financeiros. Parar de fumar de modo planejado e consciente é uma oportunidade de crescimento, de tomar posse de riquezas interiores latentes, de aumentar a auto-estima, além de aumentar a valorização social e familiar. Sem falar no ganho de saúde.

Há menos de 20 anos a sociedade passou a receber informações de que tabagismo é por si só uma doença e que a nicotina é droga e leva à dependência. E o entendimento de que a dependência por uma droga leva a uma doença cerebral permite que sejam formuladas estratégias de tratamento eficazes. Hoje já se conhece genes relacionados com o aumento de risco de desenvolver a dependência. Alguns privam o cérebro de dopamina, e a nicotina funcionaria como um remédio para estes indivíduos. De modo inconsciente e intuitivo o indivíduo aprende a modular emoções com o efeito da nicotina, procurando fumar após determinados estímulos. Outros metabolizam a nicotina rápido, fazendo com que o efeito desapareça em instantes, obrigando o fumante a fumar a cada 15 minutos.

A associação de medicamentos e apoio psicológico triplica a chance de sucesso em relação àqueles que tentam parar sem orientação profissional. O combate ao tabagismo requer que a sociedade mude conceitos sobre o cigarro com ações educativas que inibam sua iniciação, que ajude os fumantes a terem tratamentos eficazes, seja pelo SUS, seja por meio dos convênios médicos que ainda não se sensibilizaram o suficiente sobre esta questão.

Fontes: Antidrogas | Isto É

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