Sócrates e sua Filosofia

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Insistindo no perptuo fluxo das coisas e na variabilidade extrema das impresses sensitivas determinadas pelos indivduos que de contnuo se transformam, concluram os sofistas pela impossibilidade absoluta e objetiva do saber. Scrates restabelece-lhe a possibilidade, determinando o verdadeiro objeto da cincia.

O objeto da cincia no o sensvel, o particular, o indivduo que passa; o inteligvel, o conceito que se exprime pela definio. Este conceito ou idia geral obtm-se por um processo dialtico por ele chamado induo e que consiste em comparar vrios indivduos da mesma espcie, eliminar-lhes as diferenas individuais, as qualidades mutveis e reter-lhes o elemento comum, estvel, permanente, a natureza, a essncia da coisa. Por onde se v que a induo socrtica no tem o carter demonstrativo do moderno processo lgico, que vai do fenmeno lei, mas um meio de generalizao, que remonta do indivduo noo universal.

Praticamente, na exposio polmica e didtica destas idias, Scrates adotava sempre o dilogo, que revestia uma dplice forma, conforme se tratava de um adversrio a confutar ou de um discpulo a instruir. No primeiro caso, assumia humildemente a atitude de quem aprende e ia multiplicando as perguntas at colher o adversrio presunoso em evidente contradio e constrang-lo confisso humilhante de sua ignorncia. a ironia socrtica. No segundo caso, tratando-se de um discpulo (e era muitas vezes o prprio adversrio vencido), multiplicava ainda as perguntas, dirigindo-as agora ao fim de obter, por induo dos casos particulares e concretos, um conceito, uma definio geral do objeto em questo. A este processo pedaggico, em memria da profisso materna, denominava ele maiutica ou engenhosa obstetrcia do esprito, que facilitava a parturio das idias.

Doutrinas Filosficas

A introspeco a caracterstica da filosofia de Scrates. E exprime-se no famoso lema "conhece-te a ti mesmo" - isto , torna-te consciente de tua ignorncia - como sendo o pice da sabedoria, que o desejo da cincia mediante a virtude. E alcanava em Scrates intensidade e profundidade tais, que se concretizava, se personificava na voz interior divina do gnio ou demnio.

Como sabido, Scrates no deixou nada escrito. As notcias que temos de sua vida e de seu pensamento, devemo-las especialmente aos seus dois discpulos Xenofonte e Plato, de feio intelectual muito diferente. Xenofonte, autor de Anbase, em seus "Ditos Memorveis", legou-nos de preferncia o aspecto prtico e moral da doutrina do mestre. Xenofonte, de estilo simples e harmonioso, mas sem profundidade, no obstante a sua devoo para com o mestre e a exatido das notcias, no entendeu o pensamento filosfico de Scrates, sendo mais um homem de ao do que um pensador. Plato, pelo contrrio, foi filsofo grande demais para nos dar o preciso retrato histrico de Scrates; nem sempre fcil discernir o fundo socrtico das especulaes acrescentadas por ele. Seja como for, cabe-lhe a glria e o privilgio de ter sido o grande historiador do pensamento de Scrates, bem como o seu bigrafo genial. Com efeito, pode-se dizer que Scrates o protagonista de todas as obras platnicas embora Plato conhecesse Scrates j com mais de sessenta anos de idade.

O perfeito conhecimento do homem o objetivo de todas as suas especulaes e a moral, o centro para o qual convergem todas as partes da filosofia. A psicologia serve-lhe de prembulo, a teodicia de estmulo virtude e de natural complemento da tica.

Em psicologia, Scrates professa a espiritualidade e imortalidade da alma, distingue as duas ordens de conhecimento, sensitivo e intelectual, mas no define o livre arbtrio, identificando a vontade com a inteligncia.

Em teodicia, estabelece a existncia de Deus:

a) com o argumento teolgico, formulando claramente o princpio: tudo o que adaptado a um fim efeito de uma inteligncia;
b) com o argumento, apenas esboado, da causa eficiente: se o homem inteligente, tambm inteligente deve ser a causa que o produziu;
c) com o argumento moral: a lei natural supe um ser superior ao homem, um legislador, que a promulgou e sancionou. Deus no s existe, mas tambm Providncia, governa o mundo com sabedoria e o homem pode propici-lo com sacrifcios e oraes.

Apesar destas doutrinas elevadas, Scrates aceita em muitos pontos os preconceitos da mitologia corrente que ele aspira reformar.


Scrates afastando Alcebades do vcio de beber. (1867)
Pedro Amrico. leo sobre tela, 130 x 97,5 cm,
Museu D. Joo VI, EBA-UFRJ, Rio de Janeiro, RJ
Moral. a parte culminante da sua filosofia. Scrates ensina a bem pensar para bem viver. O meio nico de alcanar a felicidade ou semelhana com Deus, fim supremo do homem, a prtica da virtude. A virtude adquiri-se com a sabedoria ou, antes, com ela se identifica. Esta doutrina, uma das mais caractersticas da moral socrtica, conseqncia natural do erro psicolgico de no distinguir a vontade da inteligncia. Concluso: grandeza moral e penetrao especulativa, virtude e cincia, ignorncia e vcio so sinnimos. "Se msico o que sabe msica, pedreiro o que sabe edificar, justo ser o que sabe a justia".

Scrates reconhece tambm, acima das leis mutveis e escritas, a existncia de uma lei natural - independente do arbtrio humano, universal, fonte primordial de todo direito positivo, expresso da vontade divina promulgada pela voz interna da conscincia.

Sublime nos lineamentos gerais de sua tica, Scrates, em prtica, sugere quase sempre a utilidade como motivo e estmulo da virtude. Esta feio utilitarista empana-lhe a beleza moral do sistema.

Gnosiologia

O interesse filosfico de Scrates volta-se para o mundo humano, espiritual, com finalidades prticas, morais. Como os sofistas, ele ctico a respeito da cosmologia e, em geral, a respeito da metafsica; trata-se, porm, de um ceticismo de fato, no de direito, dada a sua revalidao da cincia. A nica cincia possvel e til a cincia da prtica, mas dirigida para os valores universais, no particulares. Vale dizer que o agir humano - bem como o conhecer humano - se baseia em normas objetivas e transcendentes experincia. O fim da filosofia a moral; no entanto, para realizar o prprio fim, mister conhec-lo; para construir uma tica necessrio uma teoria; no dizer de Scrates, a gnosiologia deve preceder logicamente a moral. Mas, se o fim da filosofia prtico, o prtico depende, por sua vez, totalmente, do teortico, no sentido de que o homem tanto opera quanto conhece: virtuoso o sbio, malvado, o ignorante. O moralismo socrtico equilibrado pelo mais radical intelectualismo, racionalismo, que est contra todo voluntarismo, sentimentalismo, pragmatismo, ativismo.

A filosofia socrtica, portanto, limita-se gnosiologia e tica, sem metafsica. A gnosiologia de Scrates, que se concretizava no seu ensinamento dialgico, donde preciso extra-la, pode-se esquematicamente resumir nestes pontos fundamentais: ironia, maiutica, introspeco, ignorncia, induo, definio. Antes de tudo, cumpre desembaraar o esprito dos conhecimentos errados, dos preconceitos, opinies; este o momento da ironia, isto , da crtica. Scrates, de par com os sofistas, ainda que com finalidade diversa, reivindica a independncia da autoridade e da tradio, a favor da reflexo livre e da convico racional. A seguir ser possvel realizar o conhecimento verdadeiro, a cincia, mediante a razo. Isto quer dizer que a instruo no deve consistir na imposio extrnseca de uma doutrina ao discente, mas o mestre deve tir-la da mente do discpulo, pela razo imanente e constitutiva do esprito humano, a qual um valor universal. a famosa maiutica de Scrates, que declara auxiliar os partos do esprito, como sua me auxiliava os partos do corpo.

Esta interioridade do saber, esta intimidade da cincia - que no absolutamente subjetivista, mas a certeza objetiva da prpria razo - patenteiam-se no famoso dito socrtico "conhece-te a ti mesmo" que, no pensamento de Scrates, significa precisamente conscincia racional de si mesmo, para organizar racionalmente a prpria vida. Entretanto, conscincia de si mesmo quer dizer, antes de tudo, conscincia da prpria ignorncia inicial e, portanto, necessidade de super-la pela aquisio da cincia. Esta ignorncia no , por conseguinte, ceticismo sistemtico, mas apenas metdico, um poderoso impulso para o saber, embora o pensamento socrtico fique, de fato, no agnosticismo filosfico por falta de uma metafsica, pois, Scrates achou apenas a forma conceptual da cincia, no o seu contedo.

O procedimento lgico para realizar o conhecimento verdadeiro, cientfico, conceptual , antes de tudo, a induo: isto , remontar do particular ao universal, da opinio cincia, da experincia ao conceito. Este conceito , depois, determinado precisamente mediante a definio, representando o ideal e a concluso do processo gnosiolgico socrtico, e nos d a essncia da realidade.

A Moral

Como Scrates o fundador da cincia em geral, mediante a doutrina do conceito, assim o fundador, em particular da cincia moral, mediante a doutrina de que eticidade significa racionalidade, ao racional. Virtude inteligncia, razo, cincia, no sentimento, rotina, costume, tradio, lei positiva, opinio comum. Tudo isto tem que ser criticado, superado, subindo at razo, no descendo at animalidade - como ensinavam os sofistas. sabido que Scrates levava a importncia da razo para a ao moral at quele intelectualismo que, identificando conhecimento e virtude - bem como ignorncia e vcio - tornava impossvel o livre arbtrio. Entretanto, como a gnosiologia socrtica carece de uma especificao lgica, precisa - afora a teoria geral de que a cincia est nos conceitos - assim a tica socrtica carece de um contedo racional, pela ausncia de uma metafsica. Se o fim do homem for o bem - realizando-se o bem mediante a virtude, e a virtude mediante o conhecimento - Scrates no sabe, nem pode precisar este bem, esta felicidade, precisamente porque lhe falta uma metafsica. Traou, todavia, o itinerrio, que ser percorrido por Plato e acabado, enfim, por Aristteles. Estes dois filsofos, partindo dos pressupostos socrticos, desenvolvero uma gnosiologia acabada, uma grande metafsica e, logo, uma moral.

Conversar com Scrates podia levar algum a expor-se ao ridculo, e ser apanhado numa complexa linha de pensamento exposta atravs de palavras, ficar totalmente envolvido ou perplexo. no dilogo Teeteto de Plato que Scrates compara sua atividade de uma parteira (como sua me), que embora no desse a luz um beb, ajudava no parto. Ele diz que ajudava as pessoas a parirem suas prprias idias. Diz que Atenas era uma gua preguiosa, e ele um pequeno mosquito que lhe mordia os flancos para provar que estava viva. Achava que a principal tarefa da existncia humana era aperfeioar seu esprito. Acreditava ouvir uma voz interior, de natureza divina (um daimon), que lhe apontava a verdade e como agir.

Scrates foi convidado para o Senado dos quinhentos, e manifestou sua convico de liberdade combatendo as medidas que considerava injustas. A democracia estava se implantando em Atenas, e Scrates respondia qual era o melhor Estado, como poderia se salv-lo. Os homens mais sbios deviam govern-lo, pois eles podem controlar melhor seus impulsos violentos e anti-sociais. Assim, nos afastaramos do comportamento de um animal. O Estado no confiava na habilidade e reverenciava mais o nmero do que o conhecimento. Portanto, Scrates era aristocrtico, pois h inteligncia que baste para se resolver os assuntos do Estado.

A reao do partido democrtico de Atenas no poderia ser outra. Em um juri de cinquenta pessoas, foi acusado, condenado por negar os deuses do Estado e por "perverter a juventude de Atenas". Muitos jovens seguiam Scrates, e tornavam-se seus discpulos. Anito, um lder democrtico, tinha um filho que se tornou discpulo de Scrates, ria dos deuses do pai, voltava-se contra eles. Scrates foi considerado, aos setenta anos, lder espiritual do partido revoltoso. A verdadeira causa da morte de Scrates poltica, ele ameaava o partido democrtico dominante. Foi condenado morte, e teve de ingerir cicuta (uma planta venenosa). Podia ter fugido da priso, ou pedido clemncia, ou ter sado de Atenas, mas no quis. Quis cumprir as leis da cidade. Assim, se tornou o primeiro mrtir da filosofia.

Sua morte nos contada por Plato, que foi um de seus discpulos. Veja um breve resumo:

"(...) Ele se levantou e se dirigiu ao banheiro com Crton, que nos pediu que esperssemos, e esperamos, conversando e pensando (...) na grandeza de nossa dor. Ele era como um pai do qual estvamos sendo privados, e estamos prestes a passar o resto da vida orfos. (...) A hora do pr do sol estava prxima, pois ele tinha passado um longo tempo no banheiro .(...) Pouco depois, o carcereiro entrou e se postou perto dele, dizendo:

- A ti, Scrates, que reconheo ser o mais nobre, o mais delicado e o melhor de todos os que j vieram para c, no irei atribuir sentimentos de raiva de outros homens (...) de fato, estou certo de que no ficars zangado comigo, porque como sabes, so os outros , e no eu o culpado disso. E assim, eu te sado, e peo que suportes sem amargura aquilo que precisa ser feito, sabes qual a minha misso - e caindo em prantos, voltou-se e retirou-se.

Scrates olhou para ele e disse:

- Retribuo tua saudao, e farei como pedes. - E ento, voltando-se para ns disse: - Como fascinante esse homem; desde que fui preso, ele tem vindo sempre me ver,e agora vede a generosidade com que lamenta a minha sorte. Mas devemos fazer o que ele diz; Crton, que tragam a taa, se o veneno estiver preparado.(...)

Crton, ao ouvir isso fez um sinal para o criado, o criado foi at l dentro, onde se demorou algum tempo; depois voltou com o carceireiro trazendo a taa de veneno. Scrates disse:

- Tu, meu bom amigo, que tem expriencias nesses assuntos, ir me dizer como devo fazer.

O homem repondeu:

- Basta caminhar de um lado para outro, at que tuas pernas fiquem pesadas, depois deita-te e o veneno agir. - Ao mesmo tempo estendeu a taa a Scrates, (..) que segurou-a (...)

E ento levando a taa aos lbios, bebeu rpida e decididamente o veneno.

At aquele instante a maioria de ns conseguira segurar a dor; mas agora, vendo-o beber e vendo, tambm que ele tomara toda a bebida, no pudemos mais nos conter; apesar de meus esforos, lgrimas corriam aos borbotes. (...) Apolodoro, que estivera soluando o tempo todo, irrompeu num choro alto que transformou-nos a todos em covardes. (...)

E ento, o prprio Scrates apalpou as pernas e disse:

- Quando chegar ao corao, ser o fim. - (...) e disse aquelas que seriam as suas ltimas palavras:

- Crton, eu devo um galo a Esculpio, vais lembrar de pagar a dvida?

- A dvida ser paga - disse Crton. (...)

Foi esse o fim de nosso amigo, a quem posso chamar sinceramente de o mais sbio, mais justo e melhor de todos que conheci."


Scrates no leito de morte. 1787, Jacques-Louis Daivid. leo sobre tela, 129,5 x 196,2 cm, Metropolitan Museum of Art,
Nova Iorque, EUA


Escolas Socrticas Menores

A reforma socrtica atingiu os alicerces da filosofia. A doutrina do conceito determina para sempre o verdadeiro objeto da cincia: a induo dialtica reforma o mtodo filosfico; a tica une pela primeira vez e com laos indissolveis a cincia dos costumes filosofia especulativa. No , pois, de admirar que um homem, j aureolado pela austera grandeza moral de sua vida, tenha, pela novidade de suas idias, exercido sobre os contemporneos tamanha influncia. Entre os seus numerosos discpulos, alm de simples amadores, como Alcibades e Eurpedes, alm dos vulgarizadores da sua moral (socratici viri), como Xenofonte, havia verdadeiros filsofos que se formaram com os seus ensinamentos. Dentre estes, alguns, sados das escolas anteriores no lograram assimilar toda a doutrina do mestre; desenvolveram exageradamente algumas de suas partes com detrimento do conjunto.

Scrates no elaborou um sistema filosfico acabado, nem deixou algo de escrito; no entanto, descobriu o mtodo e fundou uma grande escola. Por isso, dele depende, direta ou indiretamente, toda a especulao grega que se seguiu, a qual, mediante o pensamento socrtico, valoriza o pensamento dos pr-socrticos desenvolvendo-o em sistemas vrios e originais. Isto aparece imediatamente nas escolas socrticas. Estas - mesmo diferenciando-se bastante entre si - concordam todas pelo menos na caracterstica doutrina socrtica de que o maior bem do homem a sabedoria. A escola socrtica maior a platnica; representa o desenvolvimento lgico do elemento central do pensamento socrtico - o conceito - juntamente com o elemento vital do pensamento precedente, e culmina em Aristteles, o vrtice e a concluso da grande metafsica grega. Fora desta escola comea a decadncia e desenvolver-se-o as escolas socrticas menores.

So fundadores das escolas socrticas menores, das quais as mais conhecidas so:

1. A escola de Megara, fundada por Euclides (449-369), que tentou uma conciliao da nova tica com a metafsica dos eleatas e abusou dos processos dialticos de Zeno.

2. A escola cnica, fundada por Antstenes (n. c. 445), que, exagerando a doutrina socrtica do desapego das coisas exteriores, degenerou, por ltimo, em verdadeiro desprezo das convenincias sociais. So bem conhecidas as excentricidades de Digenes.

3. A escola cirenaica ou hedonista, fundada por Aristipo, (n. c. 425) que desenvolveu o utilitarismo do mestre em hedonismo ou moral do prazer. Estas escolas, que, durante o segundo perodo, dominado pelas altas especulaes de Plato e Aristteles , verdadeiros continuadores da tradio socrtica, vegetaram na penumbra, mais tarde recresceram transformadas ou degeneradas em outras seitas filosficas. Dentre os herdeiros de Scrates, porm, o herdeiro genuno de suas idias, o seu mais ilustre continuador foi o sublime Plato.

Fontes parciais: Mundo dos Filsofos | Consciencia.org

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