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Terrorismo


Formalmente, terrorismo éo uso da violência sistemática, com objetivos políticos, contracivis ou militares que não estão em operação de guerra.Existem muitas formas de terrorismo. Os terroristas religiosos praticam atentadosem nome de Deus; já os mercenários recebem dinheiro por suas ações;os nacionalistas agem movidos por um ideal patriótico. Há aindaos ideólogos, que armam bombas motivados por uma determinada visãode mundo. E, muitas vezes, o que se vê é uma mistura de tudo issocom desespero e ódio.

Por outro lado, houve no século XX o crescimento doterrorismo de Estado, em que é adotada a política de eliminaçãofísica de minorias étnicas ou de adversários de um regime.Um exemplo é o regime racista da África do Sul, responsávelpor ações terroristas contra a maioria negra do país atéo fim do apartheid, no início dos anos 90. Na América Latina,as ditaduras militares dos anos 60 e 70 promoveram o terrorismo de Estado contraseus opositores, torturando e matando milhares de pessoas. No Oriente Médio,os palestinos de cidadania israelense e os habitantes dos territóriosde Gaza e Cisjordânia foram segregados e sofreram ataques das forçasarmadas de Israel, entre 1967 e 1993. O terrorismo de extremistas muçulmanoscontra judeus de Israel, por sua vez, também aterrorizou e matou pessoasinocentes, principalmente a partir da década de 80.

Muitos historiadores e intelectuais avaliam que as bombas atômicas jogadaspelos Estados Unidos sobre o Japão, em agosto de 45, foram o maior atentadoterrorista já praticado até hoje. Mais de 170 mil civis perderama vida em um ataque que não tinha como objetivo vencer a guerra, mas fazeruma demonstração de força para a União Soviética.

Terrorismo e Poderio nuclear

O desenvolvimentoda tecnologia nuclear, a partir do fim da Segunda Guerra, causou uma importantemudança na mentalidade das pessoas, do ponto de vista psicológicoe cultural. A morte deixou de ser uma conseqüência natural da vidapara se tornar uma questão política. A preservaçãoda espécie humana passou a depender da decisão das superpotênciasde iniciar ou não um confronto nuclear fatal para o planeta. O mundo dosanos 50 não apresentava perspectivas muito animadoras. Na primeira metadedo século, guerras, revoluções e conflitos localizados haviamconsumido a vida de pelo menos 150 milhões de pessoas. Além disso,a tragédia atômica em Hiroshima e Nagasaki havia colocado o mundosob a sombra permanente de um holocausto nuclear.

Terrorismo e Guerrilha

No final dos anos 50, o êxito da revoluçãocubana abriu novos horizontes para uma juventude desiludida. A vitóriade Fidel Castro, contra uma ditadura corrupta sustentada pelos Estados Unidos,representou para muitos jovens a vitória do idealismo. Militantes detodo o mundo ganharam nova disposição de luta. Muitos jovens optarampela vida clandestina, que oferece dois caminhos: a guerrilha e o terrorismo.A guerrilha, de um modo geral, realiza ataques contra objetivos militares ealvos estratégicos. Tenta conquistar a simpatia da populaçãopara formar seu próprio exército e, eventualmente, tomar o poder.Os grupos terroristas utilizam o método inverso, intimidando pessoasinocentes para alcançar seus objetivos.

OLP x Israel

Acrise no Oriente Médio também fez surgir, em 1964, a Organizaçãopara a Libertação da Palestina, uma frente reunindo diversos grupos.A OLP, que tinha como base a Al Fatah, facção liderada por YasserArafat, foi criada em decorrência de um quadro político cada vezmais conturbado. Os ânimos na região estavam acirrados desde acriação de Israel, em 1948. Com o apoio político, econômicoe militar de soviéticos e americanos, Israel promoveu guerras com algunsvizinhos árabes para expandir seu território. Centenas de milharesde palestinos foram expulsos de suas terras. Organizações terroristasjudaicas, como a Irgun, a Stern e a Haganah tiveram um papel importante na intimidaçãoda população palestina, chegando a massacrar aldeias inteiras.

O problema palestino era um distúrbio indesejávelna Guerra Fria. O Oriente Médio, como quase todo o planeta, estava divididoem esferas de influência das superpotências. Israel e alguns paísesárabes passaram para a esfera dos Estados Unidos, enquanto outros paísesárabes ficaram sob influência soviética. A questãopalestina não se encaixava bem nesse jogo de equilíbrio.

O isolamento dos palestinos no Ocidente e a hostilidade dospaíses árabes acabaram fortalecendo a OLP e a opçãode grupos radicais pelo terrorismo. Mas nem todos os atos terroristas reivindicadospelos palestinos eram de autoria da OLP.

Terrorismo Internacional

Um dos atentados mais violentos aconteceu em setembro de 1972,durante os Jogos Olímpicos de Munique, na Alemanha. Nove atletas israelensesforam feitos reféns pela organização palestina "SetembroNegro". Os seqüestradores exigiam a libertação de cempalestinos presos em Israel e dos terroristas internacionais Andreas Baadere Ulrike Meinhoff, da Alemanha, e Kozo Okamoto, do Japão. Forçasde segurança alemãs cercaram e mataram os seqüestradores.Os atletas também foram todos mortos, o que deixou a opinião públicaestarrecida. O episódio de Munique preocupou as autoridades, porque ficouevidente o vínculo entre diversas organizações clandestinasinternacionais. Esse intercâmbio seria percebido novamente em 1976, como seqüestro de um Boeing da Air France que fazia um vôo entre TelAviv e Paris. O avião, com 242 passageiros e 12 tripulantes, foi levadopara Entebe, em Uganda, país africano que vivia sob a ditadura de IdiAmin Dada.

Os seqüestradores diziam pertencer à Frente Popular para a Libertaçãoda Palestina, um dos grupos mais radicais da OLP. Mantendo como refénssomente os 93 passageiros judeus, os terroristas exigiam a libertaçãode 53 palestinos presos em Israel. O governo israelense ordenou uma operaçãode resgate, enviando a Uganda uma força de elite. Em menos de 15 minutosos terroristas foram mortos e os reféns, libertados.

Terrorismo na Europa

Outra organizaçãoque se especializou em ataques terroristas nos anos 70 foi o Exército RepublicanoIrlandês, o IRA. Ele foi formado em 1919 por grupos da minoria católicaque lutavam pela união da Irlanda do Norte à República daIrlanda.

Na década de 60, os católicos foram àsruas pacificamente, contra leis discriminatórias impostas pela maioriaprotestante. Aproveitando o clima de insatisfação, um grupo demilitantes relançou o IRA, dessa vez com um verniz ideológicomarxista. A fase pacífica do movimento terminou num domingo de janeirode 1972, quando tropas britânicas dispararam suas armas contra os manifestantes,matando 13 pessoas. O incidente, que passou à história como "DomingoSangrento", desencadeou uma escalada do terrorismo. Durante os anos 70,mais de duas mil pessoas morreram e milhares ficaram feridas em atentados abomba patrocinados pelo IRA e nos choques de rua entre manifestantes e forçasde segurança.

Outros grupos surgiram com fins pacíficos e tambémforam empurrados para o terror. É o caso da ETA, organizaçãoque luta pela autonomia do País Basco em relação àEspanha.

ETA, no idioma basco, são as iniciais de "PátriaBasca e Liberdade". Criada em 1959 para difundir a cultura e os valorestradicionais do povo basco, a ETA foi perseguida pela ditadura de FranciscoFranco e entrou para a clandestinidade e o terrorismo em 1966. O atentado maisousado foi realizado em 1973, quando a organização explodiu nocentro de Madri o carro em que viajava o primeiro-ministro franquista LuísCarrero Blanco.
Na década de 70 houve também a ação de grupos terroristassem vínculos com lutas democráticas ou de libertaçãonacional, como o grupo Baader-Meinhoff, na Alemanha, e as Brigadas Vermelhas,na Itália. Eram organizações formadas por intelectuaise universitários que adotaram a violência em nome de uma genérica"guerra contra a burguesia". Em setembro de 1977, o Baader-Meinhoffganhou as manchetes dos jornais com o seqüestro do industrial Hanss-MartinSchleyer, como pressão pela libertação de presos políticos.

Em março de 1978, outra ação espetacularna Europa: o seqüestro do primeiro-ministro italiano Aldo Moro, uma açãoaudaciosa que surpreendeu o mundo. Moro acabou executado pelos terroristas,apesar dos apelos do Papa e da opinião pública internacional.

Terrorismo xiita

No final dos anos 70, o terrorismo ganhou um novo ingredientereligioso, com a ascensão dos muçulmanos xiitas no Irã,em janeiro de 1979. Sob o comando do aiatolá Khomeini, os xiitas derrubarama ditadura do xá Reza Pahlevi e implantaram um sistema que fugia àlógica dos dois blocos econômicos, liderados por Estados Unidose União Soviética. A partir da revolução iraniana,foi implantado um sistema de governo guiado por convicções religiosasradicais e inflexíveis. Khomeini inaugurou a chamada "Jihad"em nossos dias, a Guerra Santa contra o Grande Satã, representado pelomundo não xiita. Daí para a prática do terrorismo foi umpasso. O inédito nessa história era o caráter oficial doterror, assumido claramente pelo regime dos aiatolás.

Além da vitória de Khomeini no Irã, outroelemento viria a fortalecer a causa dos xiitas: a reação àinvasão do Afeganistão pelos soviéticos, em dezembro de1979. Os afegãos, em sua maioria de fé muçulmana, sentiramsua religião ameaçada pela presença do exércitosoviético. Vários grupos guerrilheiros proclamaram uma 'guerrasanta' contra o invasor.

Terrorismo no Líbano

Nocomeço dos anos 80, o Líbano tornou-se palco de inúmerosatentados. Várias facções disputavam o poder apoiadas porpaíses vizinhos, especialmente Síria e Israel. A existênciade áreas de refugiados palestinos na capital Beirute aumentava a tensãoe o clima de guerra civil. Uma das organizações acusadas com maisfreqüência de terrorismo era a OLP. Na tentativa de capturar ou eliminaro líder Yasser Arafat e destruir bases militares palestinas, forçasisraelenses invadiram o Líbano, em junho de 1982. Durante váriosdias, a capital libanesa transformou-se num inferno. Milhares de civis forammortos, entre eles mulheres, velhos e crianças. Os israelenses nãoencontraram Arafat, mas expulsaram a OLP e deixaram o Líbano em ruínas.

Em setembro de 82, falanges cristãs libanesas, apoiadas por Israel,atacaram os campos de refugiados de Sabra e Chatila, nos arredores de Beirute.Mais de 2.500 civis palestinos e libaneses desarmados foram mortos. O massacrechocou a opinião pública internacional. Foi nesse clima extremamentetenso que se multiplicaram os grupos terroristas no Líbano nos anos 80.A ação terrorista mais famosa dessa época aconteceu em1983, quando dois atentados simultâneos mataram mais de 250 fuzileirosnavais americanos e mais de 50 soldados franceses, em Beirute. Mas os xiitasde Khomeini e os militantes de grupos fanáticos, como o Hamas e o Hezbollah,não limitaram seus ataques ao Oriente Médio: em nome da GuerraSanta, eles organizaram vários atentados na Europa e nos Estados Unidos.

Terrorismo - World Trade Center

Em 11de setembro de 2001, a cidade de Nova York foi atingida pelo atentado terroristamais ousado até agora cometido. Aviões comerciais foram seqüestradose utilizados como mísseis para derrubar as torres gêmeas do WorldTrade Center, provocando um resultado catastrófico.

Por trás do ataque, que visava desafiar o poderio internacionalnorte-americano e demonstrar a vulnerabilidade dos Estados Unidos, encontrava-seuma organização islâmica, a Al-Qaeda, liderada por Osamabin Laden, que continua foragido.

As dimensões do atentado esuas conseqüências demonstraram que as ações terroristasse tornavam, em nível mundial, um dos principais problemas políticose de segurança pública do século XXI.

Fonte: TV Cultura

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